Dutty Boukman

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Dutty Boukman foi um houngan (sacerdote do Vodou haitiano) que conduziu a cerimônia considerada catalisadora da revolta de escravos que marcou o começo da Revolução Haitiana.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Boukman nasceu na Jamaica; posteriormente, foi vendido por seu senhor britânico para um dono de plantação francês, que colocou Boukman para trabalhar como commandeur (diretor de escravos) e, mais tarde, como cocheiro. Seu nome francês deriva de seu apelido inglês, Book Man (homem do livro, em português), que alguns autores interpretam como um sinal de que ele era muçulmano (uma vez que, na África, muçulmanos são constantemente referenciados como "homens do livro")[2] enquanto outros julgam indicar que significa que Boukman era alfabetizado.

Cerimônia no Bois Caïman[editar | editar código-fonte]

Em 14 de agosto de 1791, Boukman liderou, no papel de houngan junto com outros sacerdotes africanos, uma cerimônia no Bois Caïman e profetizou que os escravos Jean François, Biassou e Jeannot seriam líderes de uma revolta de escravos que iria libertar os escravos de Saint-Domingue.[3] Um porco, que simbolizava o poder espiritual selvagem e livre da floresta e dos anceistrais, foi sacrificado, um juramento foi feito e Boukman e os demais sacerdotes exortaram os ouvintes a vingarem-se de seus opressores e "pôr de lado a imagem do deus dos brancos."[4] De acordo com a Enciclopédia de Religião Afriana, "sangue de animais, e alguns dizem, de humanos também, foi dado em uma bebida aos participantes para selar seus destinos em lealdade à causa da libertação de Saint-Domingue.[5] Uma semana depois, mil e oitocentas plantações foram destruídas e mil senhores de escravos mortos.[6][7]

Boukman não foi o primeiro a tentar um levante dos escravos em Saint-Domingue. Ele foi precedido por outros, como Padrejean em 1676, e François Mackandal em 1757. Entretanto, seu grande tamanho, sua aparência de guerreiro e o temperamento assustador o fizeram um líder efetivo, que ajudou a iniciar a Revolução Haitiana.[8] Esta cerimônia tem um importante papel na identidade nacional haitiana.[9]

Morte e legado[editar | editar código-fonte]

Boukman foi morto pelos franceses em novembro, apenas alguns meses após o início do levante.[6] Os franceses expuseram a cabeça de Boukman em uma tentativa de dispersar a aura de invencibilidade que Boukman cultivou.

Os haitianos honraram Boukman admtindo-o no panteão dos loas, espíritos do Vodou.[10]

Polêmica sobre a cerimônia[editar | editar código-fonte]

A cerimônia religiosa que iniciou a revolta é vista por alguns cristãos, especialmente os fundamentalistas, como um "pacto com o diabo". Por exemplo, após o Terremoto do Haiti de 2010, o pastor Pat Robertson, apresentador do programa The 700 Club da Christian Broadcast Network, reiterou essa interpretação sobre a cerimônia afirmando que o terremoto é resultado de uma maldição devido a um "pacto com o diabo" feito para libertar o Haiti da França.[11] [12]

Cristãos proeminentes criticaram as afirmações de Robertson como insensíveis, não reprsentativas do pensamento cristão e ditas em um momento inadequado.[13][14][15][16][17]

Referências

  1. «Dutty Boukman – Samba Boukman». Haitianite.com (em inglês). 2 de dezembro de 2006  [ligação inativa] Referência retirada do artigo da Wikipédia anglófona, não verificada.
  2. Sylviane Anna Diouf; Sylviane Kamara (1998). Servants of Allah: African Muslims Enslaved in the Americas (em inglês). Nova Iorque: New York University Press. p. 153  Citação: Sylviane Anna Diouf and Sylviane Kamara escreveu: «"It is likely that Boukman was a Jamaican Muslim who had a Koran, and that he got his nickname from this."» Referência retirada do artigo da Wikipédia anglófona, não verificada.
  3. «The History Of Haiti And The Haitian Revolution». Haitain Bicentennial Site (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2010 
  4. Charles Arthur; Michael Dash (1999). Libète: A Haiti Anthology (em inglês). Princeton: Markus Wiener Publishers. p. 36  Referência retirada do artigo da Wikipédia anglófona, não verificada.
  5. Asante, Molefi Kete; Mazama, Ama. Encyclopedia of African religion. volume 1. Sage Publications. 131 páginas  Referência retirada do artigo da Wikipédia anglófona, não verificada.
  6. a b Sylviane Anna Diouf; Sylviane Kamara (1998). Servants of Allah: African Muslims Enslaved in the Americas (em inglês). Nova Iorque: New York University Press. p. 152  Referência retirada do artigo da Wikipédia anglófona, não verificada.
  7. Mason, John. «African Religious in The Caribbean: Continuity and Change» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2010  Referência retirada do artigo da Wikipédia anglófona, não verificada.
  8. Thornton, John K. (1993). «I Am the Subject of the King of Congo: African Political Ideology and the Haitian Revolution» (PDF). University of Hawaii Press. Journal of World History (em inglês). volume 4 (2): 181---214. Consultado em 21 de julho de 2017 
  9. Thylefors, Markel (março de 2009). «"Our Government is in Bwa Kayiman:" a Vodou Ceremony in 1791 and its Contemporary Signifcations» (PDF). Stockholm Review Of Latin American Studies (em inglês). 4  [ligação inativa] Referência retirada do artigo da Wikipédia anglófona, não verificada.
  10. Haitian Bicentennial Committee (2004)
  11. ROWE, Michael (13 de janeiro de 2010). «The Never-Ending Horror of Pat Robertson» (em inglês). The Huffington Post. Consultado em 15 de janeiro de 2010 
  12. «Televangelista diz que Haiti paga por fazer «pacto com o diabo». TVI 24. 14 de janeiro de 2010. Consultado em 15 de janeiro de 2010 
  13. Denny Burk (14 de janeiro de 2010). «What is Pat Robertson talking about?» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2010 
  14. Albert Mohler (13 de janeiro de 2010). «Just talked on radio about Pat Robertson's embarrassing comments about Haiti. Theological arrogance matched to ignorance.» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2010 
  15. Reverendo Jason Poling (14 de janeiro de 2010). «Guest post: A message for Pat Robertson» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2010 
  16. Chris Owens (14 de janeiro de 2010). «My Two Words for Pat Robertson: Shut Up!» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2010 
  17. Walt Roberts (14 de janeiro de 2010). «Is Pat Robertson a Prophet?» (em inglês). Consultado em 16 de janeiro de 2010 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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