Ebori (Bori)

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Nota: Para a cidade da Nigéria veja Bori.
Igba Ori no candomblé do Ile Ase Ijino Ilu Orossi.

Ebori ou Bori é um ritual das religiões tradicionais africanas e diáspora africana como culto de Ifá, Candomblé e outras, que harmoniza e diminui a ansiedade, o medo, a dor e a tristeza trazendo a esperança, alegria e a harmonia. É através do jogo de Búzios que o babalorixá recebe as instruções para realizar este ato ritualístico. Desta forma, o Bori é uma das oferendas mais importantes que visa o bem estar individual no Candomblé. O Ritual de Bori é muito sério, complexo e profundo. Ori (Yoruba) significa, literalmente, cabeça e é, misticamente, o primeiro Orixá a ser cultuado. Seu objetivo é o de alimentar o Ori Eledá, seja qual for o sexo, raça, profissão, idade, nível social da pessoa.

Omi (água) e obi (semente africana), por exemplo, são elementos indispensáveis no Bori. Ver também Ori (Yoruba)

Borí é um ritual da religião tradicional yorùbá e consequentemente das suas afrodescendentes, como o candomblé, e principalmente os da nação Keto (Ketu). É um rito elaborado a quem se propõe a ingressar na religião dos Òrìṣà.

O homem e a Mulher yorùbá cultuam o seu elemento mais sacro, o Orí, sua cabeça. Borí é o rito de oferenda à cabeça (ẹbọ Orí), que consiste em assentar, sacralizar, reverenciar e ofertar o òrìṣà Orí, portanto, cultuar e louvar Orí e assim estabelecer o elo entre a cabeça material (orí) do neófito e sua cabeça espiritual, ou seja, criar a harmonia e equilíbrio necessários à vida.

A coexistência do orí físico e do orí espiritual de quem se submete ao Bori perfaz o òrìṣà Orí, e, é através dos ritos próprios do Borí, que se estabelece essa comunhão, é assim que se busca a estabilidade espiritual.
É desta forma que se consegue optar e viver melhor, o mais próspero possível. Orí é quem sempre está mais próximo do ser humano, portanto é fundamental harmonizar a coexistência.

Somente o òrìṣà Orí, é assentado, sacralizado, reverenciado (ver Igba Ori) e ofertado no cerimonial do Borí, esse é um dos mais importantes rituais da religião, pois abrange todos os adeptos de forma igualitária e sem distinções. Assim sendo, deve-se sempre rogar e ofertar antes de qualquer outro Òrìṣà. Como diz um verso religioso yorùbá (ẹsẹ ifá): “Nenhuma divindade poderá ser adorada, sem o consentimento do seu próprio Orí.”

É também digno de nota, que os elementos usados para simbolizar o Orí em seu assento são únicos, pois, diferem e nem tampouco se assemelham, nem externamente e tampouco interiormente com nenhum dos outros assentamentos dos òrìṣà que comumente geram transe, ou seja: não é simbolizado, por exemplo, com um òkúta e/ou “ọta” (pedra ou seixo) e nem em irin (ferro)." (Barretti Fº, (1984) 2012 (dados e recortes).)[1] De forma que o assentamento de Orí não tem pedra de nenhuma forma, finalidade ou propósito.[1]

Referências

  1. Barretti Filho, Aulo. "Oferenda ao Orí, Borí, um Rito de Comunhão". In: Artigos & Textos. Internet, 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Abimbola, Wande. Sixteen Great Poems of Ifá. Lagos, Unesco, 1975.
  • Abimbola, Wande. “The Yoruba Concept of Human Personality”. In: La Notion de Personne en Afrique Noire. Paris, Cnrs, 1981.
  • Abrahan, R. C. Dictionary of Modern Yoruba. London, Hodder & Soughton, 1962 (1946).
  • Fadipe, N. A. The Sociology of the Yoruba. Ibadan, Ibadan University Press, 1970.
  • Okemuyiwa, Gbolaha. “Irúnmolè and their Relationship with Man”. In: Orunmila Magazine, nº 2, Lagos, 1986.
  • Verger, Pierre. “Notion de Personne et Lihnée Familiale chez les Yoruba” In: La Notion de Personne en Afrique Noire. Paris, Cnrs, 1981.
  • Ziegler, Jean. Os Vivos e a Morte. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1977.

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