Eclampsia

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Eclampsia
Mãe com eclampsia sendo atendida pelo serviço de saúde em 1967. A mãe e o filho sobreviveram.
Especialidade obstetrícia
Classificação e recursos externos
CID-10 O15
CID-9 642.6
DiseasesDB 4068
MedlinePlus 000899
eMedicine med/1905 emerg/796
MeSH D004461
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Mortalidade materna, em 2012, a cada milhão de gestações.
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Eclampsia é o aparecimento de convulsões numa mulher com pré-eclampsia.[1] É uma perturbação da gravidez em que se verifica hipertensão arterial, quantidade elevada de proteínas no sangue ou outras disfunções em órgãos.[2][3] A condição pode aparecer antes, durante ou após o parto. É mais comum durante o segundo trimestre da gravidez. As convulsões são do tipo tónico-clónico e duram em média um minuto. Na sequência das convulsões ocorre geralmente um período de confusão ou coma. As complicações incluem pneumonia por aspiração, hemorragia cerebral, insuficiência renal e paragem cardiorrespiratória. A pré-eclampsia e a eclampsia fazem parte de um grupo maior de condições denominado perturbações hipertensivas na gravidez.[1]

As recomendações de prevenção incluem a administração de aspirina em pessoas de risco elevado, suplementos de cálcio em regiões onde o consumo é baixo e tratamento da hipertensão anterior à gravidez com medicação.[4][5] O exercício físico durante a gravidez pode também ser benéfico.[1] A administração de sulfato de magnésio por via intravenosa ou muscular melhora o prognóstico em pessoas com eclampsia e é geralmente seguro, tanto em países desenvolvidos como em vias de desenvolvimento.[6][7] No entanto, o tratamento pode necessitar de respiração assistida. Entre outros possíveis tratamentos estão medicamentos para a hipertensão, como a hidralazina, e o parto de emergência do bebé, quer por via vaginal ou por cesariana.[1]

Estima-se que a pré-eclampsia afete 5 a 10% dos nascimentos e a eclampsia 1,4% dos nascimentos.[8] Nos países desenvolvidos, a prevalência é de 1 caso em cada 2000 nascimentos devido aos melhores cuidados de saúde.[1] As perturbações hipertensivas da gravidez são uma das causas mais comuns de morte durante a gravidez.[9] Em 2013 provocaram a morte a 29 000 pessoas, uma diminuição em relação às 37 000 em 1990.[10] Cerca de uma em cada cem mulheres com eclampsia morre.[1] A palavra eclampsia tem origem no termo grego para relâmpago. A primeira descrição conhecida da doença foi feita por Hipócrates no século V a.C.[11]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Pré-eclampsia[editar | editar código-fonte]

Os sinais característicos da pré-eclampsia são[12]:

  • Pressão maior que 140/90 mmHg durante mais de 4h
  • Urina espumosa (por conter mais de 300mg/dia de proteínas) ou outros sinais de problemas renais (como urinar pouco)
  • Inchaço das mãos, pés e face

A pré-eclampsia só é considerada como eclampsia depois de uma convulsão.

Eclampsismo[editar | editar código-fonte]

O eclampsismo é sinal de complicação da gestação. Mesmo sem problemas renais (proteinúria), pode ser diagnosticada quando há alguns dos seguintes sintomas[12]:

  • Dores de cabeça fortes
  • Alterações na visão (perda temporária da visão, visão turva ou sensibilidade à luz)
  • Dor abdominal, geralmente sob suas costelas do lado direito
  • Náuseas ou vômitos
  • Diminuição dos níveis de plaquetas no sangue (trombocitopenia)
  • Insuficiência hepática
  • Falta de ar, devido a líquido nos pulmões

Síndrome HELLP[editar | editar código-fonte]

HELLP é uma sigla inglesa (Hemolysis, Elevated Enzymes Liver, Low Plaquets), em português um mnemônico equivalente seria PPEEHH, pois essa complicação da eclampsia é caracterizada por:

Causas[editar | editar código-fonte]

Especialistas acreditam que o problema está no desenvolvimento anormal dos vasos sanguíneos que conectam a placenta com o útero. Quando o fluxo sanguíneo é insuficiente para o útero ou ocorrem danos aos vasos sanguíneos, eles podem responder inadequadamente a estímulos hormonais e causar a pré-eclampsia.

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

Dentre os factores que aumentam o risco de sofrer esse transtornos incluem[13][14]:

Prevenção[editar | editar código-fonte]

A triagem para pré-eclampsia é feita no primeiro trimestre, entre as semanas 11 e 14 de gestação. Inclui um exame de sangue, de urina e pressão arterial, realizado ao mesmo tempo que o rastreio de alterações genéticas, no primeiro trimestre da gravidez. O rastreio consiste em medir a concentração plasmática de dois biomarcadores, a proteína PIGF11 (Factor de Crescimento Placental) e PAPP-A11 e associar esses ensaios com dados coletados por ginecologistas-obstetras ou parteiras:

A combinação de todos esses parâmetros permite estabelecer um risco preditivo com uma taxa de detecção de até 96,3%.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f «40». Williams obstetrics 24th ed. [S.l.]: McGraw-Hill Professional. 2014. ISBN 9780071798938 
  2. Lambert, G; Brichant, JF; Hartstein, G; Bonhomme, V; Dewandre, PY (2014). «Preeclampsia: an update.». Acta Anaesthesiologica Belgica. 65 (4): 137–49. PMID 25622379 
  3. «Hypertension in pregnancy. Report of the American College of Obstetricians and Gynecologists' Task Force on Hypertension in Pregnancy.» (PDF). Obstet Gynecol. 122 (5): 1122–31. Novembro de 2013. PMID 24150027. doi:10.1097/01.AOG.0000437382.03963.88 
  4. WHO recommendations for prevention and treatment of pre-eclampsia and eclampsia. (PDF). [S.l.: s.n.] 2011. ISBN 978-92-4-154833-5 
  5. Henderson, JT; Whitlock, EP; O'Connor, E; Senger, CA; Thompson, JH; Rowland, MG (20 de maio de 2014). «Low-dose aspirin for prevention of morbidity and mortality from preeclampsia: a systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force.». Annals of Internal Medicine. 160 (10): 695–703. PMID 24711050. doi:10.7326/M13-2844 
  6. Smith, JM; Lowe, RF; Fullerton, J; Currie, SM; Harris, L; Felker-Kantor, E (5 de fevereiro de 2013). «An integrative review of the side effects related to the use of magnesium sulfate for pre-eclampsia and eclampsia management.». BMC pregnancy and childbirth. 13. 34 páginas. PMC 3570392Acessível livremente. PMID 23383864. doi:10.1186/1471-2393-13-34 
  7. McDonald, SD; Lutsiv, O; Dzaja, N; Duley, L (agosto de 2012). «A systematic review of maternal and infant outcomes following magnesium sulfate for pre-eclampsia/eclampsia in real-world use.». International journal of gynaecology and obstetrics: the official organ of the International Federation of Gynaecology and Obstetrics. 118 (2): 90–6. PMID 22703834. doi:10.1016/j.ijgo.2012.01.028 
  8. Abalos, E; Cuesta, C; Grosso, AL; Chou, D; Say, L (setembro de 2013). «Global and regional estimates of preeclampsia and eclampsia: a systematic review.». European journal of obstetrics, gynecology, and reproductive biology. 170 (1): 1–7. PMID 23746796. doi:10.1016/j.ejogrb.2013.05.005 
  9. Arulkumaran, N.; Lightstone, L. (dezembro de 2013). «Severe pre-eclampsia and hypertensive crises». Best Practice & Research Clinical Obstetrics & Gynaecology. 27 (6): 877–884. PMID 23962474. doi:10.1016/j.bpobgyn.2013.07.003 
  10. GBD 2013 Mortality and Causes of Death, Collaborators (17 de dezembro de 2014). «Global, regional, and national age-sex specific all-cause and cause-specific mortality for 240 causes of death, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013.». Lancet. 385: 117–71. PMC 4340604Acessível livremente. PMID 25530442. doi:10.1016/S0140-6736(14)61682-2 
  11. Emile R. Mohler (2006). Advanced Therapy in Hypertension and Vascular Disease. [S.l.]: PMPH-USA. pp. 407–408. ISBN 9781550093186 
  12. a b http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/preeclampsia/basics/symptoms/con-20031644
  13. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/preeclampsia/basics/risk-factors/con-20031644
  14. Al-Jameil, N; Aziz Khan, F; Fareed Khan, M; Tabassum, H (February 2014). "A brief overview of preeclampsia.". Journal of clinical medicine research 6 (1): 1–7. PMID 24400024.