Ecologia profunda

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

A ecologia profunda, tradução direta do inglês deep ecology, é um conceito proposto pelo filósofo e ecologista norueguês Arne Næss em 1973,[1] que vê a humanidade como mais um fio na "teia da vida" (web of life).[1]

Segundo esse conceito, cada elemento da natureza, inclusive a humanidade, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio do sistema da biosfera. O termo foi criado para contrapor o conceito, também formulado por Næss, de "ecologia rasa", segundo ele o paradigma dominante sobre o uso dos recursos naturais, no qual humanos são o centro de tudo e a natureza constitui algo a ser explorado.

Enquanto a ecologia rasa seria um estudo das interações entre os seres vivos e destes com o ambiente, a ecologia profunda é uma forma de pensar e agir, dentro da ecologia ou de qualquer outra atividade. Para Fritjof Capra, a ecologia profunda distingue-se da ecologia tradicional por apresentar algo mais, por ser uma forma de pensar na qual se questiona tudo.[1]

Princípios[editar | editar código-fonte]

A ecologia profunda argumenta que o mundo natural é um equilíbrio sutil de inter-relações complexas em que a existência de organismos depende da existência de outros dentro dos ecossistemas. A interferência humana ou a destruição do mundo natural representa uma ameaça, portanto, não apenas para os seres humanos, mas para todos os organismos que constituem a ordem natural.[2]

O princípio central da ecologia profunda é a crença de que o ambiente como um todo deve ser respeitado e considerado como tendo certos direitos legais inalienáveis de viver e florescer, independentemente de seus benefícios instrumentais utilitários para o uso humano. A ecologia profunda é frequentemente enquadrada em termos da ideia de uma sociabilidade muito mais ampla; reconhece diversas comunidades de vida na Terra que são compostas não apenas por fatores bióticos, mas também, quando aplicável, por relações éticas, ou seja, pela valorização de outros seres como mais do que apenas recursos. Ela se descreve como "profundo" porque se considera mais profundo a realidade atual da relação da humanidade com o mundo natural, chegando a conclusões filosoficamente mais profundas do que a visão predominante da ecologia como um ramo da biologia.[3]

O movimento não adere ao ambientalismo antropocêntrico (que se preocupa com a conservação do meio ambiente apenas para exploração por e para fins humanos), uma vez que a ecologia profunda é fundamentada em um conjunto bastante diferente de suposições filosóficas. A ecologia profunda adota uma visão mais holística do mundo em que os seres humanos vivem e procura aplicar à vida o entendimento de que as partes separadas do ecossistema (incluindo os seres humanos) funcionam como um todo. Essa filosofia fornece uma base para os movimentos ecológicos e fomentou um novo sistema de ética ambiental que defende a preservação da selva, o controle da população humana e a vida simples.[4]

Influências[editar | editar código-fonte]

A ecologia profunda possui influência do pensamento de Gandhi, Thoreau, Rousseau, Aldo Leopold e muitos outros. Em sua elaboração Arne Næss também foi influenciado pela teoria do caos, e buscou fundamenta-la em novas formas científicas de pensar, conhecidas como pensamento sistêmico, presente em áreas como biologia sistêmica e análise de vida do ciclo do produto.[carece de fontes?]

Definição de autores[editar | editar código-fonte]

Nas palavras de Fritjof Capra, "o ambientalismo superficial é antropocêntrico. Vê o homem acima ou fora da natureza, como fonte de todo valor, e atribui a natureza um valor apenas instrumental ou de uso. A ecologia profunda não os separa".[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Fritjof Capra. The Web of Life: A New Scientific Understanding of Living Systems. Anchor Books Doubleday, 1996.
  2. Ecosystems are also considered to be dependent on other ecosystems within the biosphere.
  3. John Barry; E. Gene Frankland (2002). International Encyclopedia of Environmental Politics. [S.l.]: Routledge. p. 161. ISBN 9780415202855 
  4. Drengson, Alan; Devall, Bill; Schroll, Mark A. (2011). «The Deep Ecology Movement: Origins, Development, and Future Prospects (Toward a Transpersonal Ecosophy)». International Journal of Transpersonal Studies. 30 (1-2): 101–117