Economia da República da Irlanda

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Economia da República da Irlanda
Liberty Hall, em Dublin.
Moeda Euro
Ano fiscal Ano calendário
Blocos comerciais OMC, UE, OCDE
Banco Central Bank of Ireland
Estatísticas
Bolsa de valores Bolsa de Valores de Dublin
PIB Aumento $325,831 bilhões (2017)[1]
Variação do PIB Aumento 8,1% (2017)[2]
PIB per capita Aumento $69,119 (2017)[1]
PIB por setor agricultura 2%, indústria 29%, comércio e serviços 70,4% (2010)
Inflação (IPC) 0,2% (setembro de 2017)[3]
População
abaixo da linha de pobreza
8% (2014)
Coeficiente de Gini 30,0 (2014)
Força de trabalho total 2,22 milhões (2016)
Força de trabalho
por ocupação
agricultura 1,6%, indústria 28%, comércio e serviços 67% (2006)
Desemprego BaixaPositiva 5,1% (julho de 2018)[4]
Principais indústrias aço, processamento de chumbo, zinco, prata, alumínio, barita e gesso; alimentos, cerveja; têxteis, roupas; produtos químicos, fármacos, máquinas, equipamentos ferroviários, vidro e cristal, software, turismo
Exterior
Exportações Aumento $123 bilhões (2015)
Produtos exportados máquinas e equipamentos, computadores, produtos químicos, fármacos, animais vivos, produtos de animais
Principais parceiros de exportação Reino Unido 18,7%, Estados Unidos 17,9%, Bélgica 14,5%, Alemanha 7,4%, França 5,8% (2007)
Importações Aumento $74 bilhões (2015)
Produtos importados equipamentos para procesamento de datos, outras máquinas e equipamentos, produtos químicos, petróleo e derivados, têxteis, roupas
Principais parceiros de importação Reino Unido 38,3%, Estados Unidos 11,3%, Alemanha 7,9%, Países Baixos 5%, França 4,2% (2007)
Dívida externa bruta 2 trilhões
Finanças públicas
Receitas $91,3 bilhões (2018)[5]
Despesas $91,9 bilhões (2018)[5]
Fonte principal: [[6] The World Factbook]
Salvo indicação contrária, os valores estão em US$

A economia da República da Irlanda é pequena, moderna e dependente do comércio, tendo mantido um crescimento médio de 6% entre 1995 e 2007 - entre 1995 e 2001 foi em média de 9%, tornando-a o país desenvolvido com o maior crescimento do PIB. Entretanto, seu crescimento sofreu forte retração em 2008: 1,7%, demonstrando a primeira recessão em mais de uma década.[6]

A agricultura, em tempos o setor mais importante, tem agora muito pouca importância quando comparada com a indústria, que é responsável por 38% do PIB, cerca de 80% das exportações e que emprega 28% da força de trabalho. Embora as exportações se mantenham como o principal motor para o grande crescimento da economia irlandesa, esta também tem beneficiado de um aumento nos gastos dos consumidores e de uma recuperação no investimento na construção e nos negócios.

Ao longo da última década, o governo irlandês tem implementado uma série de programas econômicos nacionais destinados a controlar a inflação, diminuir os impostos, reduzir a percentagem que o investimento público tem no PIB, aumentar a qualificação da mão de obra e promover o investimento estrangeiro. A Irlanda juntou-se a outros 11 países da UE no lançamento do euro em janeiro de 1999. Este período de grande crescimento econômico levou muitos autores a chamar à Irlanda o "Tigre Celta". A economia sentiu o impacto do abrandamento econômico global de 2001, em especial no setor de exportação de alta tecnologia; a taxa de crescimento diminuiu para cerca de metade.

O país é o 7º no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.[7]

No entanto, após a grande aposta na construção na última década, o crescimento econômico está a abrandar. Houve uma queda significativa nos preços da habitação e do custo de vida, que está a começar a estabilizar, depois de subir todos os anos durante o boom econômico. Durante o crescimento, a Irlanda tinha desenvolvido a reputação como um dos países mais caros da Europa. A economia irlandesa contraiu-se para os -1,7% em 2008, ante o crescimento de 4,7% em 2007, e em 2009, tanto o Governo irlandês como a ESRI preveem que a economia poderia contrair mais de 9%, o que seria uma das maiores contrações econômicas de qualquer economia ocidental desde a II Guerra Mundial. A enorme redução na construção causou uma recessão econômica maciça da Irlanda. A ESRI recentemente previu que a economia irlandesa não vai recuperar, até 2011, onde o crescimento poderia voltar para os 5% por ano até 2015. A Irlanda tem agora o segundo mais alto nível de endividamento das famílias no mundo, atingindo os 190% do rendimento familiar.[8]

A Irlanda, em 2008, foi classificada como a terceira economia mais livre do mundo, segundo o Índice de Liberdade Econômica, criado pelo The Wall Street Journal e pela Heritage Foundation.

Em 2016, a dívida per capita da Irlanda é a segunda mais alto ao mundo.[9]

Impacto da crise econômica mundial[editar | editar código-fonte]

A crise econômica mundial está afetando fortemente a economia irlandesa, agravando os problemas econômicos internos relacionados com o colapso imobiliário irlandês. A Irlanda foi o primeiro país da UE a entrar oficialmente em recessão declarada.[10] O país foi despojado da sua classificação de crédito AAA e rebaixado para AA+ pela agência de avaliações Standard & Poor's, em razão das suas fracas perspectivas financeiras e da pesada dívida do Governo.[11]

Pedido de socorro financeiro em 2010[editar | editar código-fonte]

Em 22 de novembro de 2010, o primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, disse estar determinado a conseguir aprovar um orçamento de emergência, cortando 6 bilhões de euros do déficit de 2011, e assim poder chegar a um acordo com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), para obter um pacote de socorro ao governo irlandês, no valor aproximado de 100 bilhões de euros.[12]

Em 24 de novembro, foi anunciado o Plano de Recuperação Nacional 2011-2014, que propõe cortes nos gastos públicos e aumento de impostos, totalizando 15 bilhões de euros até 2014 (6 bilhões até 2011). Dentre outras medidas, o Plano prevê a redução do salário mínimo (que passaria a €7.65/hora), aumento do VAT (de 21% para 22% em 2013, e 23% in 2014) e das mensalidades das universidades. Os gastos sociais devem ser reduzidos em cerca de 14% no período, com cortes de 5% ao ano. Até 2014 devem ser cortados 13.200 postos de trabalho no serviço público, além dos 12.000 já excluídos anteriormente. O comissário da União Europeia para Assuntos Econômicos e Monetários considerou que o plano deve constituir a base do programa de ajuda do FMI e da UE ao governo irlandês.[13][14]

Comércio exterior[editar | editar código-fonte]

Em 2020, o país foi o 31º maior exportador do mundo (US $ 169,8 bilhões em mercadorias, 0,9% do total mundial). Na soma de bens e serviços exportados, chega a US $ 502,3 bilhões e fica em 13º lugar mundial.[15][16] Já nas importações, em 2020, foi o 33º maior importador do mundo: US $ 97,9 bilhões.[17]

Setor primário[editar | editar código-fonte]

Agricultura[editar | editar código-fonte]

A Irlanda produziu, em 2019[18]:

  • 1,4 milhão de toneladas de cevada;
  • 595 mil toneladas de trigo;
  • 382 mil toneladas de batata;
  • 193 mil toneladas de aveia;

Além de produções menores de outros produtos agrícolas.[18]

Pecuária[editar | editar código-fonte]

A Irlanda produziu, em 2019, 8,2 bilhões de litros de leite de vaca (20º maior produtor do mundo), 304 mil toneladas de carne suína, 141 mil toneladas de carne de frango, 66 mil toneladas de carne de cordeiro, entre outros.[19]

Setor secundário[editar | editar código-fonte]

Indústria[editar | editar código-fonte]

O Banco Mundial lista os principais países produtores a cada ano, com base no valor total da produção. Pela lista de 2019, a Irlanda tinha a 19ª indústria mais valiosa do mundo (US $ 119,8 bilhões).[20]

Em 2019, a Irlanda não produzia veículos e não estava entre os 40 maiores produtores do mundo de aço.[21][22][23] Em 2018, foi o 33º maior produtor mundial de cerveja (à base de cevada) (800 milhões de litros)[24] e o 6º maior produtor mundial de manteiga[25]

Energia[editar | editar código-fonte]

Nas energias não-renováveis, em 2020, o país não produzia petróleo.[26] Em 2011, o país consumia 144 mil barris/dia (67º maior consumidor do mundo).[27][28] O país foi o 52º maior importador de petróleo do mundo em 2013 (66,4 mil barris/dia).[26] Em 2015, a Irlanda era o 80º maior produtor mundial de gás natural, com uma produção quase nula. Em 2015 o país era o 63º maior consumidor de gás (4,3 bilhões de m3 ao ano) e era o 31º maior importador de gás do mundo em 2010: 5,2 bilhões de m3 ao ano.[29] O país não produz carvão.[30]

Nas energias renováveis, em 2020, a Irlanda era o 20º maior produtor de energia eólica do mundo, com 4,3 GW de potência instalada, e não produziam energia solar.[31]

Setor terciário[editar | editar código-fonte]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Em 2017, a Irlanda foi o 35º país mais visitado do mundo, com 10,3 milhões de turistas internacionais. As receitas do turismo, neste ano, foram de US $ 5,6 bilhões.[32]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Ireland». International Monetary Fund. Consultado em 1 de abril de 2017 
  2. «National Income and Expenditure 2017». Cso.ie. Consultado em 31 de julho de 2018 
  3. «CSO statistical release - Consumer Price Index - September 2017». CSO.ie. 8 de novembro de 2017 
  4. «Monthly Unemployment July 2018». cso.ie. 1 de agosto de 2018 
  5. a b «BUDGET 2018». Government of Ireland. 2017 
  6. a b CIA. https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ei.html. Consultado em 1 de abril de 2013  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  7. Índice de Competitividade Mundial
  8. Ambrose Evans-Pritchard (13 de Março de 2008). «Irish banks may need life-support as property prices crash». The Daily Telegraph. Consultado em 13 de Março de 2008 
  9. BUSINESS, BFM. «Ces pays où la dette par habitant est la plus élevée». BFM BUSINESS (em francês). Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  10. «CSO - Central Statistics Office Ireland». Central Statistics Office Ireland. 9 de novembro de 2004. Consultado em 9 de julho de 2009 
  11. The Times. «Ireland's economy loses coveted AAA rating» 
  12. Parlamento irlandês será dissolvido após votar orçamento. Estadão, 22 de novembro de 2010.
  13. Minimum wage lowered, VAT to rise in plan. RTE, 24 de novembro de 2010.
  14. The National Recovery Plan 2011-2014
  15. Trade Map - List of exporters for the selected product in 2018 (All products)
  16. Market Intelligence: Disclosing emerging opportunities and hidden risks
  17. «International Trade Statistics». International Trade Centre. Consultado em 25 de agosto de 2020 
  18. a b Ireland production in 2019, by FAO
  19. Pecuária da Irlanda em 2019, pela FAO
  20. Fabricação, valor agregado (US $ corrente)
  21. World vehicle production in 2019
  22. World crude steel production
  23. Global crude steel output increases by 3.4% in 2019
  24. Produção mundial de cerveja, FAO
  25. Butter, Cow Milk production by FAO
  26. a b Annual petroleum and other liquids production
  27. Statistical Review of World Energy, June 2020
  28. The World Factbook — Central Intelligence Agency
  29. CIA. The World Factbook. Natural gas - production.
  30. Statistical Review of World Energy 2018
  31. RENEWABLE CAPACITY STATISTICS 2021
  32. Destaques do turismo internacional