Economia de Angola

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Economia de Angola
Plataforma marítima de petróleo em Angola.
Moeda Kwanza (AOA)
Ano fiscal ano calendário
Blocos comerciais OMC OPEP, União Africana, SADC
Banco Central Banco Nacional de Angola
Estatísticas
Bolsa de valores BODIVA
PIB
  • 94.635 milhões (Nominal) (2019) [1]
  • 220.539 milhões (PPC) (2019) [2]
Variação do PIB
  • −2% (2018)
  • −0,9% (2019)
  • −4% (2020)
  • +3,1% (2021)[3]
PIB per capita
  • 2 974 (Nominal) (2019) [4]
  • 6 929 (PPC) (2019) [5]
PIB por setor agricultura 10,2%, indústria 61,4%, serviços 28,4% (2011)
Inflação (IPC) 17.1% (2019) [6]
População
abaixo da linha de pobreza
51,8% (2018) [7]
Coeficiente de Gini 0,620
Força de trabalho total 13 160 000 (2019) [8]
Força de trabalho
por ocupação
agricultura 85%, indústria, comércio e serviços 15% (2003)
Desemprego 6,77% (2020) [9]
Principais indústrias petróleo; diamantes, minério de ferro, fosfatos, feldspato, bauxita, urânio e ouro, cimento, reparação naval, metalurgia básica, processamento de peixe; processamento de alimentos, cerveja, produtos de tabaco, açúcar, têxteis
Exterior
Exportações 40.900 milhões (2018)
Produtos exportados petróleo, diamantes, minerais vários, madeiras, peixe, café, algodão e sisal.
Principais parceiros de exportação
Importações 14.500 milhões (2018)
Produtos importados produtos alimentares, bebidas, produtos vegetais, equipamentos elétricos e viaturas.
Principais parceiros de importação
Dívida externa bruta 56.932 milhões (2019) [12]
Finanças públicas
Receitas 56.07 mil milhões (2012)
Despesas 31.62 mil milhões (2019)
Notação de crédito S&P: CCC+
Fitch: B
Moody's: B1
Reservas cambiais 16,4 mil milhões (2019) [13]
Salvo indicação contrária, os valores estão em US$

A economia de Angola foi bastante afetada pela guerra civil que durou quase trinta anos, colocando o país juntamente com a Guiné-Bissau entre os mais pobres do planeta. Todavia, Angola apresenta boas taxas de crescimento apoiadas principalmente pelas suas exportações de petróleo. As jazidas de petróleo estão localizadas em quase toda a extensão da sua costa marítima.

Segundo índices de liberdade económica, Angola possui uma economia repressiva, ocupando o 149º lugar no índice de liberdade económica elaborado pela Heritage Fundation.[14]

Com a proclamação da independência, seria normal que o ambiente geral fosse de enorme euforia e entusiasmo, que faria esquecer as dificuldades quotidianas. Na realidade, não foi isto que se deu.

Comércio exterior[editar | editar código-fonte]

Em 2020, o país foi o 59º maior exportador do mundo (US $ 35,6 milhões em mercadorias, 0,2% do total mundial).[15][16] Já nas importações, em 2016, foi o 71º maior importador do mundo: US $ 19,6 bilhões.[17]

Setor primário[editar | editar código-fonte]

Agricultura[editar | editar código-fonte]

Ja teve o café como seu principal cultivo. Seguem-se-lhe cana-de-açúcar, sisal, milho, óleo de coco e amendoim. Entre as culturas comerciais, destacam-se o algodão, o fumo e a borracha. A produção de batata, arroz, cacau e banana é relativamente importante. Os maiores rebanhos são o bovino, o caprino e o suíno. Toda esta capacidade de produção perdeu-se durante o período da guerra civil, mas o país vai recuperando paulatinamente essas produções agora que foi alcançada a paz.

Angola produziu, em 2018[18]:

  • 8,6 milhão de toneladas de mandioca (8º maior produtor do mundo);
  • 3,5 milhão de toneladas de banana (7º maior produtor do mundo, ou o 10º maior, se considerarmos junto as plantains ou banana-da-terra);
  • 2,2 milhão de toneladas de milho;
  • 1,2 milhão de toneladas de batata doce (10º maior produtor do mundo);
  • 806 mil toneladas de batata;
  • 597 mil toneladas de abacaxi (13º maior produtor do mundo);
  • 572 mil toneladas de cana de açúcar;
  • 355 mil toneladas de repolho;
  • 314 mil toneladas de feijão;
  • 280 mil toneladas de óleo de palma;
  • 154 mil toneladas de amendoim;

Além de produções menores de outros produtos agrícolas, como café (16,3 mil toneladas), algodão (5,5 mil toneladas), tabaco (3 mil toneladas) e sisal (573 toneladas).[18]

Pecuária[editar | editar código-fonte]

Na pecuária, Angola produziu, em 2019, 23 mil toneladas de mel (16º maior produtor mundial), 136 mil toneladas de carne suína, 98 mil toneladas de carne bovina, 49 mil toneladas de de carne de frango, 219 milhões de litros de leite de vaca, entre outros.[19]

Setor secundário[editar | editar código-fonte]

Indústria[editar | editar código-fonte]

O Banco Mundial lista os principais países produtores a cada ano, com base no valor total da produção. Pela lista de 2019, Angola tinha a 96ª indústria mais valiosa do mundo (US $ 3,8 bilhões).[20]

As principais indústrias do território são as de beneficiamento de oleaginosas, cereais, carnes, algodão e fumo. Merece destaque, também, a produção de açúcar, cerveja, cimento, e madeira, além do refino de petróleo. Entre as indústrias destacam-se as de pneus, fertilizantes, celulose, vidro e aço. O parque fabril é alimentado por cinco usinas hidroelétricas, que dispõem de um potencial energético superior ao consumo.

Energia[editar | editar código-fonte]

Nas energias não-renováveis, em 2020, o país era o 16º maior produtor de petróleo do mundo, extraindo 1,25 milhões de barris/dia.[21] Em 2011, o país consumia 80 mil barris/dia (84º maior consumidor do mundo).[22][23] O país foi o 10º maior exportador de petróleo do mundo em 2018 (1,42 milhões de barris/dia).[24] Em 2015, Angola era o 68º maior produtor mundial de gás natural, com uma produção quase nula.[25] O país não produz carvão.[26]

Mineração[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mineração em Angola

Angola é rica em minerais, especialmente diamantes, petróleo e minério de ferro; possui também jazidas de cobre, manganês, fosfatos, sal, mica, chumbo, estanho, ouro, prata e platina. As minas de diamante estão localizadas perto de Dundo, na província da Lunda Norte. Importantes jazidas de petróleo foram descobertas em 1966, ao largo de Cabinda, assegurando ao país a auto-suficiência. Em 1975 foram localizados depósitos de urânio perto da fronteira com a Namíbia.

Setor terciário[editar | editar código-fonte]

Transporte[editar | editar código-fonte]

O principal modal da rede de transportes angolana ainda é o rodoviário, que conecta, razoavelmente, todas as grandes cidades do país. As principais rodovias da nação são a EN-100 (oeste-litorânea), a EN-250 e a EN-260 (centro-oeste/leste), a EN-230 (norte-oeste/leste), a EN-140, EN-120 e EN-105 (centro norte/sul), a EN-180 (leste-norte/sul) e a EN-280 (sul-oeste/leste).[27]

O sistema ferroviário de Angola compõe-se de três linhas que ligam o litoral ao interior, sendo os caminhos de ferro de Benguela, Luanda e Moçâmedes. O mais importante é o caminho de ferro de Benguela, que faz a conexão com as linhas de Catanga (Ferrovia Cabo-Cairo), na República Democrática do Congo.

Os portos do país servem como pontas de lança principalmente para as ferrovias, sendo que os mais movimentados são os de Luanda, Lobito, Namibe, Soyo e Cabinda.

O território angolano é servido por uma série de aeródromos, sendo que os principais estão localizados nos grandes centros, como é o caso do Aeroporto Internacional da Catumbela (Benguela/Lobito), do Aeroporto Maria Mambo Café (Cabinda), do Aeroporto Albano Machado (Huambo/Caála), do Aeroporto Internacional da Mukanka (Lubango) e do Aeroporto Internacional Welwitschia Mirabilis (Moçâmedes). O maior é o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, que é o centro de linhas aéreas que põem o país em contacto com outras cidades africanas, europeias e do resto do mundo.

Construção Civil[editar | editar código-fonte]

Após décadas de guerra, Angola teve sua infra-estrutura bastante danificada. Com a chegada da paz e as divisas provenientes da descoberta do petróleo, o sector da construção civil tem experimentado um grande crescimento. O setor é atualmente responsável por 29% dos investimentos externos no país, segundo a Agência Nacional para o Investimento Privado[carece de fontes?]. O crescimento do sector pode ser observado tanto na reeconstrução da infra-estrutura nacional como no setor imobiliário que sofre um grande défice. Importantes construturas e incorporadoras estrangeiras tem se instalado no país, como destaque para as portuguesas Mota-Engil, Teixeira Duarte, Soares da Costa, Somague ou Edifer, e para as Brasileiras Odebrecht, Camargo Corrêa, Genea Angola, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. Além disso também há empresas angolanas a surgir, como por exemplo o Grupo Opaia SA e a Termopainel SA industria de painéis isotérmicos.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Capital de Angola e ponto turístico entrada principal, Luanda

Em 2017, Angola recebeu 0,26 milhões de turistas internacionais. As receitas do turismo, neste ano, foram de US $ 0,8 bilhões.[28]

O turismo em Angola está diretamente associado à beleza natural do país.[29] O setor do turismo em Angola é relativamente novo, condicionado pela guerra civil, que terminou em 2002. o ano 2013 teve sua maxima cantidad de turistas com 650.000 mas no ultimo dato do 2018 teve somente 215.000 turistas[30]

Mercado de Capitais[editar | editar código-fonte]

No dia 19 de dezembro de 2014 arrancou o mercado de capitais em Angola. A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) recebeu o mercado secundário de dívida pública, estando previsto para 2015 o arranque do mercado de dívida corporativa, sendo que o mercado accionista só deverá ser uma realidade em 2017.[31]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. WorldBank. «GDP (current US$) - Angola». Consultado em 4 de dezembro de 2020 
  2. WorldBank. «Gross domestic product 2019, PPP» (PDF). Consultado em 4 de dezembro de 2020 
  3. «Global Economic Prospects, June 2020» (em inglês). TABLE 1.1 - Real GDP (Percent change from previous year). Banco Mundial. p. 4 
  4. WorldBank. «GDP (current US$) - Angola». Consultado em 4 de dezembro de 2020 
  5. WorldBank. «Gross domestic product 2019, PPP». Consultado em 4 de dezembro de 2020 
  6. The Global Economy. «Angola: Inflação» 
  7. WorldBank. «Poverty headcount ratio at $1.90 a day (% of population) - Angola» 
  8. The Global Economy. «Angola: Força de trabalho» 
  9. The Global Economy. «Angola: Taxa de desemprego» 
  10. OEC. «Where does Angola export to? (2018)» 
  11. OEC. «Where does Angola import from? (2018)» 
  12. The Global Economy. «Angola: Dívida externa» 
  13. «Angola net international reserves increase in March» 
  14. «2014 Index of Economic Freedom». 2014. Consultado em 13 de setembro de 2014 
  15. Trade Map - List of exporters for the selected product in 2018 (All products)
  16. Market Intelligence: Disclosing emerging opportunities and hidden risks
  17. «International Trade Statistics». International Trade Centre. Consultado em 25 de agosto de 2020 
  18. a b Angola production in 2018, by FAO
  19. Produção da pecuária de Angola em 2019, pela FAO
  20. Fabricação, valor agregado (US $ corrente)
  21. Annual petroleum and other liquids production
  22. Statistical Review of World Energy, June 2020
  23. The World Factbook — Central Intelligence Agency
  24. Annual petroleum and other liquids production
  25. CIA. The World Factbook. Natural gas - production.
  26. Statistical Review of World Energy 2018
  27. Estudo sobre o estado das rodovias de Angola. República de Angola - Ministério dos Transportes. 2018
  28. Destaques do turismo internacional
  29. «Virtual Angola - Tourism - Why Angola?». Consultado em 5 de novembro de 2013. Arquivado do original em 31 de março de 2008 
  30. «Angola - Turismo internacional» 
  31. Marta Marques Silva (19 de Dezembro de 2014). «Luanda recebe hoje a sessão inaugural da bolsa de Angola». Económico 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]