Economia de Corumbá

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Dados sobre a economia de Corumbá. Único centro urbano de significância relativa no Pantanal, exerce na região as seguintes funções: comerciais (entreposto de exportação, entreposto comercial regional, comércio de abastecimento para as cidades bolivianas da fronteira e compras), industriais, de serviços (educação e capacitação profissional, administrativos, religiosos, de saúde, militares e sanitários, inclusive para o lado boliviano), cultura (centro de integração cultural fronteiriço e serviços de cultura para a população fronteiriça), turismo e eventos. A cidade também tem potencial para exercer outras funções de maior relevância em razão da privilegiada situação geográfica e do contexto da rede urbana à qual pertence como: relações intercontinentais, centro agro-industrial (para agregar valor a atividade pecuária), segurança nacional, centro de referencia de estudos históricos, arqueológicos e biológicos relativos ao Pantanal, entre outros.

Com mais de 220 anos, a cidade prepara-se para um grande surto de crescimento com a implantação de seis megaprojetos: a volta do Trem do Pantanal, a pavimentação da rodovia Santa Cruz-Corumbá, a construção da Termopantanal, a construção do Polo Minero Siderúrgico, a hidrovia do Paraguai e a conclusão do gasoduto Bolívia-Brasil, entre outros investimentos de grupos empresariais que prometem alavancar a economia local.

Em 1910 como tentativa de organização dos comerciantes locais foi fundada a Associação Comercial de Corumbá.

Escala global[editar | editar código-fonte]

Composição econômica de Corumbá
Agropecuária R$ 250 758,000

9,01 %

Indústria R$ 715 185,000

25,70 %

Serviços privados R$ 1 013 355,000

36,42 %

Administração e serviços públicos R$ 533 991,000

19,19 %

Impostos e subsídios R$ 269 492,000

9,68 %

A América Latina, com a função de mercado especializado, teve um papel fundamental como região de fornecimento de matérias-primas e produtos coloniais (açúcar, café, tabaco, algodão, entre outros). A bacia platina, por impulso das relações dinâmicas do mercado importador-exportador, despertou um processo de ocupação e conquistas de suas fronteiras internas (tanto que, em 1912, o presidente de Mato Grosso declarou que grande área da província se encontrava desocupada e que havia necessidade de braços para a lavoura). Corumbá, por ser economicamente vulnerável, tornou-se permeável de todo tipo de influência externa, tanto econômica, quanto político, cultural e social. No pós-guerra de 1945, a repercussão do contexto global manifestou-se na pecuária, através de investimentos de produtores rurais regionais, substituindo os investidores estrangeiros, e dessa maneira pôde-se passar a exportar carne (seca e salgada) bovina através da Bacia do Prata para os Estados Unidos e Europa (especialmente Reino Unido).

A inclusão de Corumbá nos circuitos comerciais e produtivos globais ocorre a partir da conjuntura que é marcada pela crise industrial desenvolvimentista e aposta na dotação da economia nacional e estadual. Nesse contexto, a redefinição dos meios de transporte, a reestruturação do sistema produtivo e a ligação com os países dos diversos blocos regionais lhe conferem uma maior capacidade. O processo de Globalização reativa a competição entre os territórios para a captação de capitais, informações e fluxos de bens, que circulam em volumes cada vez maiores no espaço econômico mundial. Apesar do conjunto de fatores favoráveis para a potencialização de seu desenvolvimento, marcou passo ao longo da sua história caracterizando-se por ciclos econômicos intermitentes, que ora a colocou na condição de centro e ora na condição de periferia. E ao longo dos tempos não houve diretrizes locais, estaduais e nacionais que possibilitaram iniciar um pocesso de desenvolvimento sustentável que fizesse a cidade romper com o problema da estagnação socio-econômica que por consequência lhe trouxe a condição de cidade periférica, apesar da arrecadação captada em função de sua importância central e histórica para o Brasil, de patrimônio natural da humanidade e reserva da biosfera e das obrigações em função desse estatus, que era ambicionado por outras regiões de Mato Grosso do Sul.

Crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)[1][2]
Ano PIB (R$) PIB per capita (R$)
1970 1 419 658 211,86 17 336,79
1980 1 004 491 695,79 12 381,41
1985 906 173 929,79 10 730,93
1990 757 387 547,18 8 636,41
1996 656 658 393,94 7 371,30
2000 487 906 000,00 5 073,31
2002 841 758 000,00 8 607,00
2004 1 286 332 000,00 12 936,00
2006 1 971 946 709,00 19 527,00
2008 2 846 413 477,00 28 693,20
2009 2 716 277 797,00 27 300,58
2010 1 871 627 261,26 18 035,96
2011 2 148 935 377,25 20 599,85
2012 2 513 270 472,52 23 955,99
2013 2 782 779 912,26 20 394,77

O desenvolvimento do processo produtivo local tem ligação com o movimento global do sistema capitalista na América do Sul, focalizando o Brasil e os outros países incluídos no bloco regional do Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia), isto porque neste caso a dimensão da região deve ser focada pela articulação dos agentes do comércio inter-regional, e estes compreendidos pela região pressupondo a diversidade das relações internacionais com o mercado global. Tal articulação não é apenas espacial, mas, sobretudo, detalhada (econômica, social e cultural): Corumbá fez parte da economia de mercado exportador que predominou em todas as ex-colônias hispânico-lusitanas e também tinha grande vinculação ao mercado emergente global. A inclusão definitiva de Corumbá ocorreu com a abertura da navegação do rio Paraguai para países da Europa e da América do Sul, como parte do processo de internacionalização da economia, a partir da segunda metade do século XIX, num contexto de ampliação de mercados, em função das transformações operadas no processo industrial e com capacidade aparentemente ilimitada do capital de promover o crescimento e a acumulação econômica.

População economicamente ativa[editar | editar código-fonte]

A população economicamente ativa em Corumbá totaliza 40.582 pessoas (25.674 homens e 14.908 mulheres). Acolhe um grande número de profissionais liberais, empreendedores e entidades ligadas ao agronegócio, indústria e comércio.

A necessidade de buscar qualificação profissional e estudo de nível superior de cursos não disponíveis na cidade de Corumbá provoca a saída de jovens para centros produtivos maiores do estado e do país (principalmente Campo Grande, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo), provocando uma mudança no perfil demográfico constituído pela falta de mercado.

Setor primário[editar | editar código-fonte]

As condições edafoclimáticas da região são favoráveis à agricultura, entretanto, apresenta algumas limitações em relação ao clima, principalmente no período chuvoso (dezembro a fevereiro), onde ocorrem veranicos (períodos secos); dificultando o sucesso da produção agrícola. Também são favoráveis à agricultura intensiva, mas a deficiência de água, em grande parte devida ao baixo índice pluviométrico, dificulta o sucesso da produção agrícola.

A região de Corumbá apresenta grande aptidão agropecuária, entretanto existem áreas inundáveis, bem como áreas semi-áridas com dificuldade de estruturar um sistema de irrigação. Dessa forma não seria possível desenvolver culturas permanentes como é o caso de um grande número de espécies frutíferas.

Assim, de uma área de mais de 6,5 milhões de hectares selecionou-se uma área de atuação de aproximadamente 102 mil hectares como área de aptidão agrícola, porém para instalação da fruticultura selecionou-se uma área potencial de 1.000 hectares.

A criação de um pólo produtor de frutas na região de Corumbá é possível, porém faz-se necessário dar inicio ao pólo de fruticultura irrigada e para tanto se teve que sugerir uma área piloto, sendo escolhido 250 ha localizada na região de Mato Grande.

A área inicial é bastante pequena diante da área existente no município, entretanto sabe-se da aptidão pecuária da maioria das propriedades e assim acredita-se que se iniciando um projeto piloto com certeza outros produtores inclusive grandes acabarão acreditando na proposta e irão futuramente aderir ao projeto como forma de diversificar as atividades produtivas das suas fazendas. Pretende-se que em um futuro não muito distante o pólo seja consolidado com no mínimo 1.000 hectares.

Setor Secundário[editar | editar código-fonte]

Apesar de o setor industrial ser incipiente, a arrecadação por ele gerada supera os setores de pecuária e agricultura, característicos do estado como um todo. Na indústria de transformação, é representativa a produção de cimento. Segundo o IBGE, Corumbá tem um total de 98 indústrias de transformação.

A extração mineral e o impacto ambiental

Outra atividade industrial importante é a extração mineral (extração da Mineração Corumbaens Reunida (extração de ferro em larga escala) e da fábrica de cimento Itaú (extração de calcário e areia)). Em razão da natureza das suas rochas, o Maciço do Urucum possui grandes reservas minerais, que se destaca o manganês (possui a maior reserva do Brasil) e o ferro (terceira maior do Brasil). A exploração ali começou em 1930. No caso da Ferroligas, apenas é feito o beneficiamento do manganês. O manganês é extraído das minas subterrâneas do Maçiço do Urucum e o ferro á céu aberto. No caso do manganês, suas minas estão entre as maiores do mundo, podendo ser extraído 30 milhões de toneladas.

Setor terciário[editar | editar código-fonte]

A arrecadação municipal segue a tendência das grandes capitais do país, sendo predominante às receitas proveniente dos setores de comércio e serviços. Essa tendência é explicada pelo fato desses serem os setores da economia que mais agregam valores em seus produtos.

Basicamente o setor terciário (comércio de mercadorias e prestação de serviços, que na maioria das vezes contratam mulheres) é o que mais contrata mão-de-obra. Segundo o IBGE, são 1.080 estabelecimentos comerciais em toda a cidade.

O turismo predominantemente é o turismo de pesca ás margens dos rios Paraguai (Porto da Manga, baía de Albuquerque, foz dos rios Abobral, Miranda, Morrinhos e Porto Esperança) e Miranda (Passo do Lontra). O eco turismo já começa a ser explorado, apesar de timidamente. O turismo vem ajudando a desenvolver o mercado de trabalho associado com a pesca esportiva. Seu poder de consumo é de 0,04% (est. 2005) e seu indice gini é de 0,620 (est. 2000). A cidade arrecada 27,35% em prestação de serviços e 22,35% de Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana. Os principais núcleos comerciais da cidade são:

  • Feira Bras-Bol
  • Galeria Pantanal

Referências