Economia do Chile

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Economia do Chile
Moeda peso chileno
Ano fiscal Ano calendário
Blocos comerciais OMC, APEC, Aliança do Pacífico, Mercosul (associado), Unasur e outras
Estatísticas
PIB $455,9 bilhões de dólares (2017) (43º lugar)
Variação do PIB Aumento 3,3% (2016)[1]
PIB per capita 23 336 (2014)
PIB por setor agricultura 3,5%, indústria 37%, comércio e serviços 59,5% (2012)
Inflação (IPC) 3,8% (2016)[2]
População
abaixo da linha de pobreza
11,7% (2015)[nota 1]27 %[4]
Coeficiente de Gini 0.505 (2013)[5]
Força de trabalho total 8 231 000 (2012)
Força de trabalho
por ocupação
agricultura 13,2%, indústria 23%, serviços 63,9% (2005)
Desemprego 6,9% (2016)[6]
Principais indústrias cobre, outros minerais, alimentos, processamento de peixe, ferro e aço, madeira e derivados[7]
Exterior
Exportações 50.190 mil milhões (2017)[8]
Produtos exportados cobre, maçãs[9] e vinhos.
Principais parceiros de exportação República Popular da China 22,8%, Estados Unidos 11,1%, Japão 11,1%, Brasil 5,5%, Coreia do Sul 5,5%, Países Baixos 4,7% (2011)
Importações 45.12 mil milhões (2012)[10]
Produtos importados petróleo e derivados, produtos químicos, materiais elétricos e de telecomunicações, máquinas industriais, veículos, gás natural, têxteis, alimentos.
Principais parceiros de importação Estados Unidos 20,1%, República Popular da China 16,9%, Brasil 8,3%, Argentina 6,3%, Alemanha 4,2% (2011)
Dívida externa bruta $42,6 bilhões (2014)[11] Fonte: Banco Central de Chile, PUC Chile
Finanças públicas
Receitas $50,67 bilhões (2014)
Despesas $56,32 bilhões (2014)
Fonte principal: The World Factbook[7]
Salvo indicação contrária, os valores estão em US$

A economia do Chile destaca-se por uma liberalização econômica durante as décadas de 1990 e 2000. Durante as décadas de 1970 e 1980 foi caracterizado por uma elevada e persistente hiperinflação. Entre 1972 e 1987, a taxa média de inflação foi de 802%.[12] Entretanto, a crise internacional a afetou fortemente: Em 2012 houve um déficit em conta corrente equivalente a 2,6% do PIB, quase o dobro do ano anterior.[13] O país deve enfrentar nos próximos anos vários problemas: produtividade cai, a falta de inovação e falta de incentivos ao investimento.[14]

O cobre responde por metade das suas exportações.[15] Não tem produção industrial com valor agregado. Carece de diversificação de produtos e por isso se concentra no cobre. Tem recursos energéticos muito limitados, o que tem sido um fator chave para o baixo crescimento econômico nos últimos anos. O país depende inteiramente de gás e petróleo estrangeiro, o que o torna muito vulnerável à variação dos preços internacionais e da disponibilidade desses recursos no mercado externo. O preço do diesel é o segundo mais alto da América do Sul. Produzir eletricidade no Chile custa 400% a mais do que na Argentina e quase o dobro do que na Colômbia, Peru e Brasil, tornando-a a mais cara da América Latina.[16]

História Econômica[editar | editar código-fonte]

O país passou por um longo período de estagnação ou declínio entre 1810 e 1830 durante a Guerra da Independência e os conflitos internos que se seguiu.[17] Após a estagnação durante a maior parte do século XIX ocorreu a Guerra do Pacífico (1879-1883). O sal se tornou a principal produção do país. Antes da guerra, o Chile exportou trigo e cobre, mas passou a ser dependente de um único produto eo preço do sal no mercado internacional. Os produtos de origem agrícola deixou de ser uma fonte de renda, a perda de terras férteis, a concentração de terras e métodos de trabalho tornou o país incapaz de competir no mercado internacional ou para cobrir a demanda interna.[18] A crise de 1929 afetou severamente o país, em 1930 para pagar o serviço da dívida chegou a 47% o produto interno. Ativos internacionais do país caiu 22%, a construção caiu 33% e do défice orçamental veio em 31% em 1931 e 32% em 1932.[19]

Em 1973, um golpe militar derrubou Salvador Allende. Uma junta militar, chefiada por Augusto Pinochet assumiu o governo e impôs o liberalismo econômico. Os defensores do liberalismo apelidaram esse período de "milagre chileno". Durante o regime de Pinochet, entre 1973 e 1993, o PIB per capita do Chile subiu 79,8% em dólares constantes, passando de US$ 4200 em 1973 para US$7552 em 1993 (dólares constantes) [20] As sucessivas tentativas de medidas recomendadas pelo modelo liberal proporcionaram ao Chile um crescimento de 191% do PIB, passando de $16,3875 Bilhões em 1973 para $44,4679 Bilhões em 1993[21]. Em 1973 a inflação era de 352%, em 1982 estava em 9,9%.[22]

Em 1982, houve uma profunda crise da supervalorização peso chileno (que foi ajudado pela paridade da moeda em relação ao dólar dos EUA, e altas taxas de juros no Chile). Isso teria impedido o investimento em atividades produtivas. Entre 1973 e 1982, a dívida externa do aumentou de 3500 para mais de 17 bilhões de dólares. Os bancos foram socorridos pelo Estado. A crise econômica e financeira que atingiu o país representou um custo que tem sido estimada em até 10% do PIB [23]O sistema financeiro entrou em colapso devido à fuga de capitais e aumento dos juros do Federal Reserve System nos EUA que obrigou outros países a subirem juros e aumentou as dividas. O governo reagiu a crise adotando medidas intervencionistas e aumentando gastos, porém o PIB chileno diminuiu 10,32% e o desemprego subiu.[24][25] Em 1986 o desemprego era de 13,9%, após a adoção de mais medidas liberais como redução dos gastos estatais(que passaram de 13,4% do PIB em 1985 para 10% do PIB em 1991), privatizações e redução de impostos o PIB cresceu 169% entre 86 e 93, indo de $17,7 bilhões em 1986 para $47,7 bilhões em 1993, e o desemprego caiu chegando a 6,3% em 1993. [26][27][28]

Mina de Chuquicamata: a economia do Chile é baseado em exportações de minerais, que respondem por a metade das exportações.

Entre 1995 e 1999 após um aumento de gastos do governo(passaram de 10% do PIB pra 12,4% do PIB) o crescimento desacelerou causando uma pequena recessão em 1999, quando o desemprego subiu a 10,9%[29][30][31] . Entre 1987 e 2013 a porcentagem da população chilena na extrema pobreza caiu de 3% para 0,45%, atingindo o segundo menor índice da américa latina.[32][33]

Entre 2000 e 2006 o governo chileno cortou gastou novamente, reduziu a divida e reduziu tarifas de importação o que permitiu um crescimento anual médio de 4,4% ao ano entre 2000 e 2007 e uma redução do desemprego que caiu a 6,7% em 2006.[34][35][36][37]

O país sofreu uma pequena recessão em 2009 devido a crise mundial, porém conseguiu se recuperar crescendo em média 5,3% entre entre 2010 e 2013[38]Em 2014 Michele Bachelet aumentou a taxação sobre empresas o que afastou investidores e causou uma desaceleração do crescimento e um aumento da inflação de 1,8% pra 4,4%.[39] [40][41]

Desigualdade social[editar | editar código-fonte]

Favela em Santiago do Chile.

A economia chilena é caracterizada por significativa desigualdade na distribuição de renda, gerando grandes diferenças sociais entre ricos e pobres. Os 5% mais ricos da população ganham mais de 830 vezes a renda dos 5% mais pobres.Um estudo realizado por economistas Ramon López, Eugenio Figueroa e Pablo Gutiérrez, indica que o Chile tornou-se em 2013 no país mais desigual do mundo.

O Coeficiente de Gini do Chile em 2013 (50,45) foi o menor desde 1987. Em 2013 os 10% mais pobres receberam 1,72% do PIB enquanto os 10% mais ricos controlaram 41,5% do PIB .[42][43]

Esta desigualdade chilena é atribuída, por alguns, ao atual sistema liberal (em comparação às décadas de 50, 60 e 70, quando o Chile tinha uma distribuição de renda exemplar), outros a atribuem à adoção de fatores naturais (que fez desenvolver um determinado tipo de economia extrativista que favorece instituições que propiciam a desigualdade[44]; já o relatório da Comissão Europeia menciona como um dos fatores que contribuem para essa grande desigualdade econômica os impostos regressivos .

A perseguição aos organismos sindicais, a neutralização das organizações sociais e a proibição da existência de partidos políticos e até do direito de reunião e associação, o fechamento do Parlamento, eram elementos necessários para a aplicação do "modelo". A ausência de liberdade de imprensa e de Justiça autônoma contribuíram para para configurar um quadro em que os economistas que ganharam a confiança de Pinochet tiveram um terreno fértil para plantar. Pretender que os atropelos aos direitos humanos iam por um lado, e aquilo que seus defensores qualificam de êxitos, ou "obra" econômica caminhavam por outro, não resiste à análise [45]
María Olivia Mönckeberg

. Pinochet privatizou a previdência social, e até hoje 39% da população - quase a metade dos chilenos - não dispõe de nenhum tipo de seguridade social [46] [47].

A privatização (da seguridade social) dissipa uma grande parcela das contribuições dos operários em tarifas pagas para remunerar as companhias de investimento. Ela deixa muitos aposentados na miséria [47].

As desigualdades ainda têm um grande impacto negativo na renda de certas camadas da população, como as mulheres, os jovens, os índios, os idosos e os habitantes de determinadas regiões do Chile. A desigualdade de gênero também incide como variável no dinamismo da economia do Chile. A baixa participação da mulher no mercado de trabalho (a menor na América Latina) dificulta a redução do desemprego. Existem também grandes diferenças salariais entre homens e mulheres. A taxas universitárias são as mais altas do mundo, depois dos Estados Unidos, que exclui grande parte da população do ensino superior [48]

Comércio exterior[editar | editar código-fonte]

Chile é altamente dependente de mineração, em 2012 o setor era responsável por quase 61% das exportações[49][50] o crescimento chileno depende dos preços deste minerais. Também exporta frutas [51] em 2013 foi sucitó conflito de porta, que afetou seriamente as exportações do guilda e podem resultar na perda de mais de 100.000 postos de trabalho.[52][53][54]As exportações de cobre caíram 14%[15]

Tem tratados de livre-comércio com China, Comunidade Andina e Nafta. Durante o ano de 2012 teve um déficit comercial de 466 milhões dólares, as exportações caíram 3,2%, enquanto as importações aumentaram 5,8%

O primeiro semestre de 2013, houve uma queda de 2% nas exportações (U$S -717 milhões)e um aumento de 4% em nas importações (U$S 1.432 milhões).[55]Em 2013, também teve déficit comercial de 2254 milhões dólares, 47 por cento mais do que em 2012.[56]

Dívida externa[editar | editar código-fonte]

A divida publica chilena, que era de 4% em 2006, cresceu e atingiu 17,5% em 2015[57]. Em setembro de 2012, a dívida externa atingiu US$116,7 milhões e em março de 2013 subiu para US$120,3 milhões, 86,5% dela concentrada em dólares.[58]Durante 2013, a dívida cresceu 11,2%, para 130,965 milhões de dólares[59]

Um terço da população nacional, 6,1 milhões de pessoas, está em dívida com os bancos do mercado local, tendo um montante de cerca de 200 milhões de dólares.[60] A dívida hipotecária das famílias chilenas é 28 bilhões de dólares.[61]

Indicadores econômicos[editar | editar código-fonte]

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Ano PIB total (mil US$) PIB total em (mil US$ PPA)
2009 164.620 9.672 53.740,0 39.750,0[62][63]
2005 115.295,1 207.032 30.300,1[63]

Indicadores tecnológicos[editar | editar código-fonte]

  • Quantidade de linhas de telefone fixo: 3.526.000 (2008) 3.366.000 (2011)[64]
  • Quantidade de linhas de telefone móvel: 14.797.000 (2008)
  • Usuários de internet: 5.456.000 (2008)
  • Lares com computador pessoal: 68,1% (2008) 41.7% (2013)[65][9]

Classificações internacionais[editar | editar código-fonte]

Ano Indicador Fonte Pontuação Escala Posição (Chile/nºpaíses)
2006 Corrupção Transparency 7.3 1 - corrupto, 10 - transparente 20/159
2005 Globalização A.T. Kearney --- --- 34/62[carece de fontes?]

Notas

  1. O verdadeiro valor do índice de pobreza em Chile é controverso. O índice oficial é fornecido pelo Instituto Nacional de Estatística, porém entidades privadas de consultoria afirmam que o índice oscila muito e que seu valor verdadeiro está aumentando.[3]

Referências

  1. http://www.24horas.cl/economia/imacec-crece-un-14-en-enero-1109522
  2. http://data.worldbank.org/indicator/FP.CPI.TOTL.ZG
  3. http://peru21.pe/mundo/sebastian-pinera-problemas-manipular-cifras-chile-2041892
  4. http://www.economist.com/node/9645174
  5. https://www.google.com.br/publicdata/explore?ds=d5bncppjof8f9_&met_y=ny_gdp_mktp_cd&idim=country:CHL:PER:COL&hl=pt&dl=pt#!ctype=l&strail=false&bcs=d&nselm=h&met_y=si_pov_gini&scale_y=lin&ind_y=false&rdim=region&idim=country:CHL&ifdim=region&hl=pt&dl=pt&ind=false
  6. http://peru21.pe/2012/07/31/economia/desempleo-chile-cae-66-2035461
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  8. https://tradingeconomics.com/chile/exports
  9. a b http://www.datosmacro.com/pib/chile
  10. https://tradingeconomics.com/chile/imports
  11. http://www.emol.com/noticias/economia/2014/02/07/643664/deuda-externa-de-chile-crecio-un-11-a-us-130965-millones-en-diciembre-2013.html
  12. http://es.scribd.com/doc/45054386/Hiperinflacion
  13. http://www.eclac.org/publicaciones/xml/4/48594/Chile_esp.pdf
  14. http://www.economiaynegocios.cl/noticias/noticias.asp?id=47063
  15. a b http://noticias.terra.cl/nacional/valor-de-exportaciones-de-cobre-en-chile-cae-14-pct-en-octubre-banco-central,f18842a237232410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
  16. http://www.plataformaurbana.cl/archive/2008/06/27/prensa-internacional-chile-produce-la-electricidad-mas-cara-en-latinoamerica/
  17. http://recherche-iedes.univ-paris1.fr/IMG/pdf/texte_50.pdf
  18. http://www.archivochile.com/Historia_de_Chile/trab_gen/HCHtrabgen0028.pdf
  19. http://www.bcentral.cl/estudios/estudios-economicos/pdf/serieestudios21.pdf
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  51. http://www.bdplatform.com/system/index.php?option=com_content&view=article&id=360:chile-caen-exportaciones-de-manzanas&catid=2:noticias&Itemid=5
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  56. http://www.expansion.com/2014/02/25/latinoamerica/economia/1393323694.html
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  62. http://www.americaeconomia.com/economia-mercados/pib-capita-de-chile-retrocedio-en-2009-segun-datos-oficiales
  63. a b http://www.indexmundi.com/es/chile/producto_interno_bruto_(pib)_tasa_de_crecimiento_real.html
  64. http://www.indexmundi.com/map/?v=104&l=es
  65. http://www.telesemana.com/blog/2013/08/05/penetracion-de-internet-en-chile-llego-a-417-en-marzo/

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]


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