Edney Silvestre

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Edney Silvestre
Nascimento 27 de abril de 1950 (72 anos)
Valença, RJ
Residência Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade brasileiro
Prémios Prémio São Paulo de Literatura (2010)
Género literário Romance
Cinema
Documentário
Teatro
Movimento literário Pós-modernismo
Magnum opus Vidas provisórias
Página oficial
http://www.record.com.br/edneysilvestre

Edney Silvestre (Valença, 27 de abril de 1950)[1] é um jornalista,escritor e drmaturgo, ganhador do Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 2010, assim como o Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano por seu romance de estréia "Se eu fechar os olhos agora"..

Foi correspondente internacional da Rede Globo e do jornal O Globo nos Estados Unidos, onde cobriu os ataques terroristas em setembro de 2001 e a devastação no Iraque.

Na GloboNews, Edney criou o programa Milênio com Paulo Francis. De 2002 a 2017 apresentou o Globo News Literatura, onde entrevistou os ganhadores do Nobel José Saramago, Orhan Pamuk, Mario Vargas Llosa, Wale Soyinka e Nadine Gordimer. Ali também apresentou João Ubaldo Ribeiro, John Updike, Adélia Prado, Salman Rushdie, Lygia Fagundes Telles, Margareth Atwood, Antônio Lobo Antunes, Julian Barbes, Zélia Gattai, Milton Hatoum, Michael Cunningham e David Hare.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O pai de Edney era um ex-ferroviário, dono de armazém. A mãe, tecelã de uma fábrica de tecidos. O casal Joaquim e Lourdes Silvestre teve ao todo 6 filhos. Quando pequeno, Edney sofria de anemia profunda e passava boa parte do tempo lendo na cama. Os livros vieram a se tornar a sua maior diversão. Na adolescência, lia o que havia na biblioteca de Valença, onde conheceu as obras de Graciliano Ramos, Thomas Mann, Jack London, Machado de Assis, Julio Verne, Alexandre Dumas, Carlos Drummond de Andrade, Edgard Rice Burroughs.

Aprendeu inglês e francês vendo e revendo filmes em sua cidade natal. Começou a carreira profissional no Rio de Janeiro como tradutor de livrinhos de faroeste e datilógrafo. A partir do trabalho como tradutor na revista Manchete, tornou-se jornalista. Da Manchete migrou para O Cruzeiro, de onde saiu demitido após uma reportagem que desagradou à ditadura militar. Sem chances de conseguir emprego em outra redação, tornou-se redator de publicidade, depois diretor de comerciais, atividades que exerceu até mudar-se para Nova York, dirigindo filmetes comerciais e videoclipes na KSK Visuals. Nos Estados Unidos voltou ao jornalismo, contratado pelo jornal O Globo. De 1997 em diante, a convite de Evandro Carlos de Andrade, tornou-se correspondente da Rede Globo.[2]

Trajetória[editar | editar código-fonte]

Como jornalista, repórter e produtor[editar | editar código-fonte]

Edney foi correspondente internacional por mais de uma década, baseado nos Estados Unidos, primeiro para o jornal O Globo, depois para a Rede Globo de Televisão. Iniciou a carreira na Bloch Editores, com reportagens para as revistas Manchete, Fatos & Fotos e Pais e Filhos. Mais tarde fez parte da jovem equipe que tentou, sem sucesso, revitalizar a revista O Cruzeiro.

Edney foi o primeiro jornalista da televisão brasileira a chegar ao World Trade Center no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, acompanhado do cinegrafista Orlando Moreira. A reportagem abriu a edição do Jornal Nacional. Todas as reportagens feitas no local do atentado exibidas pela Rede Globo nas semanas seguintes foram de autoria de Silvestre, com colaboração dos cinegrafistas Sherman Costa e Helio Alvarez. A experiência e seu depoimento sobre o efeito do ataque terrorista na sociedade americana, os traumas e dramas das vítimas e dos sobreviventes estão relatados no livro "Outros tempos" (Ed. Record, 2002). O assunto foi tema de sua palestra na série "Testemunhas da História", na Casa do Saber, no Rio de Janeiro, em maio de 2009.

Silvestre foi também autor de uma série de reportagens no Iraque para o Jornal Nacional e o Fantástico antes da derrubada de Saddam Hussein, assim como da reportagem que revelou a trajetória do terrorista Mohamed Atta na Flórida e o centro de instrução de torturas Casa de Las Americas na Louisiana. Cobriu também a histórica visita do Papa João Paulo II a Cuba, a passagem de furacões na América Central e premiações de Hollywood, como o Golden Globe e o Oscar.

Entrevistou celebridades como Johnny Depp, Sophia Loren, Barbra Streisand, Mel Gibson, Juliette Binoche, Paul Newman. Anthony Queen, Daniel Day-Lewis, Hale Berry, Tom Hanks.

Em 1996, Edney criou e produziu com Paulo Francis o pioneiro programa de entrevistas em profundidade para a TV paga Milênio", que inaugurou o canal Globo News. Enquanto foi seu apresentador (ao lado de Francis e, mais tarde, de Lucas Mendes), mostrou ali a vanguarda da arte, do pensamento, da ciência norte-americanas, como o ensaísta e professor Edward Said, os dramaturgos Edward Albee e Tony Kushner, os escritores Salman Rushdie e Norman Mailer, a fotógrafa Nan Goldin, o físico Michio Kaku, e estrelas do show-business como Diana Ross, James Taylor, Janet Jackson, Jon Bon Jovi. Algumas dessas entrevistas estão no livro "Contestadores" (Ed. Francis, 2003). Outro livro, "Grandes entrevistas do Milênio" (Ed. Globo, 2009) traz as entrevistas com Noam Chomski, E.L. Doctorow e o papa do movimento Beat, Allen Ginsberg.

Como roteirista, diretor e apresentador[editar | editar código-fonte]

Edney também é roteirista de documentários e foi o diretor do curta-metragem Noivado, premiado como Melhor Filme Experimental no III Festival de Cinema Amador JB-Mesbla, em 1968. Foi assistente de direção de Domingos de Oliveira no longa As duas faces da moeda (1969), estrelado por Oduvaldo Vianna Filho, Ambrósio Fregolente, Adriana Prieto e Neuza Amaral.

O escritor Norman Mailer inclui sua entrevista para O Globo (a única que deu para um jornal brasileiro) entre as melhores de seu arquivo pessoal.[carece de fontes?] Quando John Updike indicou as melhores entrevistas que dera, Edney foi o único não-americano incluído; a entrevista está no livro Conversations with John Updike (compilado por James Plath).

A sua peça "Boa noite a todos", que conta a descida de uma mulher ao mundo do esquecimento após uma vida de amores sem limites, estreou durante a Fliporto 2012. O texto foi apresentado pela atriz Christiane Torloni, dirigida por José Possi Neto. Em 2014 o texto, publicado junto com o romance do mesmo nome pela Editora Record, teve leitura dramatizada no Rio de Janeiro, com Fernanda Montenegro, e em São Paulo, com Irene Ravache. Tres outras peças suas sairam em 2019 e 2020 em audio pela Storytel: "Casa comigo", "Sarah em São Paulo" e "O brilho por trás das nuvens".

Edney foi também o criador e apresentador do seriado Brasileiros (2010), na TV Globo, campeão de audiência e aplaudido pela crítica.

Desde 2018, Silvestre tornou-se exclusivo do Globo Repórter.

Como escritor[editar | editar código-fonte]

Um dos 100 brasileiros mais influentes de acordo com a revista Época, Edney venceu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance 2010 e o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Estreante pelo romance, "Se eu fechar os olhos agora".

Silvestre já participou de vários eventos literários nacionais e internacionais, a exemplos da FLIP (Paraty), da Bienal do Livro (Rio de Janeiro) e da Fliporto (Recife) bem como o Hay-on-Wyes (País de Gales), a Feira Internacional do Livro de Belgrado (Sérvia), o Winternachten de Haia (Holanda), a Feira Internacional do Livro de Guadalajara (México), a Feira de Frankfurt (Alemanha, 2014) e o Salão do Livro de Paris (2015).

Obras[editar | editar código-fonte]

Edney Silvestre explodiu no cenário literário brasileiro e internacional com o romance Se eu fechar os olhos agora (Ed. Record, 2009), onde já unia ficção ao quadro histórico brasileiro que caracterizaria toda sua obra. A original mistura de fatos reais com uma trama ficcional escancarando o racismo, a misoginia, a homofobia e os preconceitos formadores do lado obscuro da sociedade brasileira lhe garantiram o Prêmio Jabuti de 2010 de Melhor Romance e o Prêmio São Paulo de Literatura 2010.[3] A consagração internacional viria em seguida.

Definido como "trama eletrizante e comovente", repleto de referências a um dos momentos mais importantes do cenário político e cultural do Brasil e do mundo, Se eu fechar os olhos agora transita por gêneros tão distintos quanto o policial, o histórico e o romance de formação.[4] Em 2019 foi adaptado para uma minisserie da TV Globo por Ricardo Linhares, com os atores Antonio Fagundes, Xande Valois, João Gabriel d´Aleluia, Julia Svacina, Murilo Benício, Deborah Falabella, Mariana Ximenes, Gabriel Braga Nunes, Antonio Grassi, Marcela Fetter, Marcos Breda, Pierre Batelli, Thainá Duarte (no papel de Anita) Jonas Bloch e, em participação especial, Renato Borghi. A minissérie foi considerada uma das três melhores do mundo no Emmy International Awards 2019.

"Se eu fechar os olhos agora" foi publicado na Grã-Bretanha, França, Alemanha, Portugal, Itália, Sérvia e Holanda.

O segundo romance de Edney "A felicidade é fácil", foi lançado em novembro de 2011. A trama tensa e concisa, onde novamente o racismo e o cenário político são parte essencial da trama, narra o sequestro de uma criança e a relação deste crime com a corrupção na Era Collor. Passado em um único dia, com um flashback ao comício das Diretas realizado em 25 de janeiro de 1984 na Praça da Sé em São Paulo, o romance foi chamado de "sublime" pelo escritor Luiz Ruffato. Os direitos de tradução foram adquiridos na França, Alemanha e Reino Unido.

Lançado numa primeira versão em 2013, o romance Vidas provisórias voltou às livrarias, totalmente reescrito e adicionado de capítulos extras, em novembro de 2021, pela Globo Livros. O novo "Vidas provisórias", aprofundando as relações políticas e afetivas da primeira versão, trouxe de volta Paulo Roberto Antunes e Barbara Costa, personagens de seus dois livros anteriores. Saga de dois jovens expatriados brasileiros, a obra mostra Paulo (personagem de "Se eu fechar os olhos agora", agora exilado na Suécia) e Bárbara (de "A felicidade é fácil", imigrante ilegal nos Estados Unidos), tentando construir uma nova existência, enquanto sofrem as consequências da ditadura militar e do caos econômico produzido durante a Era Collor..

"Vidas provisórias" sai em Portugal pela 4Estações Editora.

Outra expatriada, a brasileira Maggie, levada ainda criança para a Inglaterra, é a personagem central do romance "Boa noite a todos"(Ed. Record, 2014). Publicada em edição que inclui a peça do mesmo título, "Boa noite a todos".

Em 2016 Silvestre lançou "Welcome to Copacabana & outras histórias" (Editora Record), composto por vinte contos ambientados em locais tão díspares quanto Copacabana, Oriente Médio, Nova York, Paestum e o espaço sideral, interligados pelos temas do inconformismo, expatriamento, solidão e enfrentamento do mundo.

Seu quinto romance, "O último dia da inocência" (Editora Record, 2019), inteiramente passado em um dia, 13 de março de 1964, como é característico de sua obra, mistura personagens reais e fictícios, e volta a ter a História do Brasil como pano de fundo para uma trama em que um jovem repórter se vê envolvido e acusado de ser o autor de um crime, ao mesmo tempo em que percebe a formação de planos para o assassinato do Presidente João Goulart.e sua esposa. Planos que só ele, caçado pela polícia, poderia evitar, mesmo a custo da própria vida.

Em seguida veio o romance histórico e proto-feminista "Amores improváveis". A imigração italiana, os últimos anos da escravidão, as dolorosas tentativas de liberação feminina entre o final do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX, a metamorfose de São Paulo em grande metrópole são alguns dos temas abordados por Silvestre em "Amores improváveis", lançado pela Globo Livros em junho de 2021.

Uma viagem emocionante pela conturbada história íntima do Brasil: assim Silvestre define "Pequenas vinganças" (Globo Livros), seu livro que chega às livrarias brasileiras em novembro de 2022. Formado por duas novelas e seis textos menores, "Pequenas vinganças" acompanha mulheres e homens lutando contra as convenções e opressão, da Guerra do Paraguai, passando pelas ditaduras de Vargas e dos militares, até a obsessão sexual às vésperas da pandemia. Um tanto à maneira de Balzac, "Pequenas vingancas" fecha com a volta de personagens surgidos em "Vidas provisórias".

Outros livros de Edney são Contestadores (entrevistas, 2003 - Editora Francis), Outros tempos (crônicas e memórias, 2002 - Ed. Record), Dias de cachorro louco (crônicas, 1995 - Ed. Record - esgotado) e "Grandes entrevistas do milênio" (2009 - Ed. Globo). Edney é também co-autor de O livro das grandes reportagens (Ed. Globo, esgotado) e As melhores entrevistas de O Globo (Ed. Globo, esgotado), volumes I e II.

Crítica[editar | editar código-fonte]

Ao sucesso de crítica de Se eu fechar os olhos agora (qualificado como "Magnífico retrato do instinto humano") e de vendas no Brasil seguiu-se acolhida internacional. O romance de estreeia de Silvestre foi publicado na França, Itália e Grã-Bretanha em 2013. Saiu também em Portugal, pela Editora Planeta/Manuscrito), e na Sérvia (sob o título "Kad zatvorin oçi", editora Evro-Giunti), onde Silvestre foi convidado especial da 56ª Feira do Livro de Belgrado, uma das 4 maiores do mundo. Na Holanda, sob o título "Als ik mijn ogen sluit" (editora Arbeiderspers), teve tradução de Harrie Lemmens, o mesmo de obras de Fernando Pessoa e José Saramago. Na Grã-Bretanha, o jornal Daily Mail saudou-o como "uma evocação da natureza especial das amizades da infância, e do vácuo que seu fim deixa para sempre".[5] Na Alemanha a crítica o considerou "uma leitura imperdível".

Polêmica sobre o Prêmio Jabuti[editar | editar código-fonte]

Se Eu Fechar os Olhos Agora, editado pela Record, recebeu o Prêmio Jabuti de melhor romance em 2010, sendo Leite Derramado de Chico Buarque, editado pela Companhia das Letras, o segundo colocado na categoria. Os três primeiros colocados de cada categoria concorriam ao prêmio Livro do Ano. Para surpresa de todos, a escolha recaiu sobre o segundolugar, Leite Derramado. Na primeira fase, a escolha era feita por especialistas, enquanto na segunda havia uma quantidade maior de votantes e vários empresários do setor. A premiação de Leite Derramado gerou protestos, inclusive uma petição on line intitulada "Chico, devolve o Jabuti!". A editora Record anunciou que deixaria de participar da premiação, alegando que na escolha de Livro do Ano personagens midiáticas tendem a ser favorecidas e possivelmente muitos votantes nem tenham lido os livros, além do que o regulamento seria desrespeitoso com os autores e com o júri especializado.[6]

Após a polêmica, a Câmara Brasileira do Livro anunciou mudanças na edição do prêmio para 2011, passando a concorrer ao prêmio de Livro do Ano apenas os vencedores de cada categoria.[7]

Referências

  1. http://memoriaglobo.globo.com/perfis/talentos/edney-silvestre/trajetoria.htm
  2. De Valença ao prêmio Jabuti, via Nova York, O Globo. Segundo Caderno, sábado, 4 nov. 2010, p. 4.
  3. Brasil, Ubiratan O jabuti vai para Edney Silvestre. O Estado de S. Paulo, acesso em 2 de outubro de 2010
  4. Folha de S.Paulo (7 de novembro de 2009). Manoel da Costa Pinto
  5. John Harding (9 de maio de 2013). «If i close my eyes now» (em inglês). Daily Mail. Consultado em 2 de junho de 2013 
  6. Último Segundo: Prêmio Jabuti cria polêmica no meio literário
  7. G1: Prêmio Jabuti anuncia 'mudanças significativas' em sua 53ª edição

Ligações externas[editar | editar código-fonte]