Eduardo Villas Bôas

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Eduardo Villas Bôas
Nome completo Eduardo Dias da Costa Villas Bôas
Dados pessoais
Nascimento 7 de novembro de 1951 (66 anos) Cruz Alta, Rio Grande do Sul
Vida militar
Força Coat of arms of the Brazilian Army Exército Brasileiro
Anos de serviço Desde 1 de março de 1967 (51 anos)
Hierarquia General do Exército.gif General de exército
Comandos

Eduardo Dias da Costa Villas Bôas (Cruz Alta, 7 de novembro de 1951) é um general de exército do Exército Brasileiro. É o Comandante do Exército Brasileiro desde 5 de fevereiro de 2015.[1]

A frente de 215 mil homens, o General Villas Bôas foi acomedito recentemente com uma disfunção degenerativa no neurônio motor, e tem tido certas dificuldades em caminhar. No entanto, com as rotinas de fisioterapia e exercícios, a doença não tem atrapalhado suas funções como Comandante do Exército Brasileiro. [2]

Villas Bôas é conhecido no meio militar pelo General do Exército que revolucionou o relacionamento do exército com a sociedade. Ao longo de sua gestão, foram inúmeras as declarações feitas para a sociedade de forma oficial, e criou quadros como o "Fala Comandante", para dialogar com a sociedade civil e o "Palavra do Comandante" para dialogar com a sociedade militar.

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Ingressou no Exército em 1 de março de 1967, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas - SP. Em 1970, ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) onde, em 15 de dezembro de 1973, foi declarado Aspirante-a-Oficial da Arma de Infantaria, onde obteve a 7ª colocação de uma turma de 125 cadetes.[3] Foi promovido ao posto de 2º Tenente em 31 de agosto de 1974 e a 1º Tenente em 31 de agosto de 1976.

Foi promovido ao posto de capitão em 31 de agosto de 1979, realizou o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, e foi designado instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Formação[editar | editar código-fonte]

Oficial superior[editar | editar código-fonte]

Foi promovido a major em 31 de agosto de 1986 e a Tenente-Coronel em 30 de abril de 1991. Realizou o curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e foi instrutor chefe do Curso de Infantaria da AMAN.

Ainda como Oficial Superior, foi chefe da Assessoria de Atividades Especiais do Comando de Operações Terrestres (COTER). No exterior, exerceu a função de Adjunto do Adido junto à Embaixada do Brasil na República Popular da China.

Ascendeu ao posto de Coronel em 30 de abril de 1996.

Foi comandante do 1º Batalhão de Infantaria de Selva e, posteriormente, realizou o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra. Em seguida, foi chefe da Assessoria Parlamentar do Gabinete do Comandante do Exército.[4]

Oficial General[editar | editar código-fonte]

Promovido a General de Brigada em 31 de março de 2003,[5] foi nomeado Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia.[6] Posteriormente, entre 2005 e 2008, exerceu o cargo de Comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais.

Em 31 de março de 2008, ascendeu ao posto de General de Divisão[7] e foi designado para trabalhar no Estado-Maior do Exército (EME)[8], onde assumiu as funções de 3º Subchefe (doutrina), 7º Subchefe (planejamento estratégico), chefe da Assessoria Especial de Gestão e Projetos e, finalmente, Vice-Chefe.

Atingiu o posto máximo da carreira, em 31 de julho de 2011, quando foi promovido a General de Exército.[9]

No período de agosto de 2011 a abril de 2014 exerceu a função de Comandante Militar da Amazônia. Nesse período, recebeu o título de Cidadão de Manaus, concedido pela Câmara Municipal daquela cidade.[10]

Após o CMA nomeado Comandante de Operações Terrestres, entre 8 de abril de 2014 e 15 de janeiro de 2015.[11][12]

Em 7 de janeiro de 2015, foi escolhido como Comandante do Exército Brasileiro e em 5 de fevereiro de 2015 recebeu, oficialmente, o cargo do General de Exército Enzo Martins Peri.

Principais Funções[editar | editar código-fonte]

  • Instrutor e Comandante do Curso de Infantaria da Academia Militar das Agulhas Negras;
  • Chefe da Assessoria de Atividades Especiais do Comando de Operações Terrestres;
  • Comandante do 1° Batalhão de Infantaria de Selva;
  • Chefe da Assessoria Parlamentar do Exército;
  • Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia;
  • Comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais;
  • Subchefe de Planejamento Estratégico do Estado-Maior do Exército;
  • Chefe da Assessoria Especial de Gestão e Projetos do Estado-Maior do Exército;
  • Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército;
  • Comandante Militar da Amazônia; e
  • Em comissão no exterior, exerceu a função de Adjunto do Adido junto à Embaixada do Brasil na República Popular da China.

Condecorações[editar | editar código-fonte]

  • Ordem do Mérito Militar
  • Ordem do Mérito Naval
  • Ordem do Mérito Aeronáutico
  • Medalha Militar de Ouro com Passador de Platina

Polêmica de 2018[editar | editar código-fonte]

No dia 3 de abril de 2018, um dia antes do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o general, sem citar o julgamento ou o ex-presidente [13], afirmou:

"Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais. Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?

Essas palavras causaram rebuliço nos setores da sociedade, muitos em apoio e muitos contra. Apesar de todo o alvoroço, generais da ativa e da reserva apoiaram publicamente as falas do general [14] , sendo eles:

Ativa:

- General Geraldo Antonio Miotto (futuro Comandante Militar do Sul)
- General Walter Souza Braga Netto (Interventor federal no Rio de Janeiro)
- General José Luiz Dias Freitas (Comandante Militar do Oeste)
- General Cristiano Pinto Sampaio (comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva)

Reserva:

- General Elieser Girão Monteiro
- General Paulo Chagas

Além disso, o general também teve apoio do candidato à presidência e capitão da reserva Jair Bolsonaro. [15]

O comandante da FAB, Nivaldo Rossato, afirmou que "Não é momento de impor nossa vontade", além de dizer aos membros da instituição para não se empolgarem, falando assim de forma conciliadora e esclarecedora de que não haverá uma intervenção militar. [16] Além do comandante da FAB, o general da reserva Sebastião Roberto Peternelli Junior afirmou que os militares devem ter o direito de se manifestar em questões políticas e disse para a população não se empolgar com as declarações, o também general da reserva, Augusto Heleno, concordou com a declaração de seu colega e afirmou que os militares podem opinar sobre a situação política do país e que não são "antas pacíficas, omissas e sem cérebro". [17]

Na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Villas Bôas redobrou a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) ao afirmar em seu Twitter que o Exército brasileiro "compartilha o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais". Seja como for, a manifestação do comandante da ativa sobre um assunto que diz respeito à Justiça, algo incomum em democracias, acrescenta um novo e inédito — ao menos nos últimos 30 anos pós-redemocratização —  ingrediente ao furacão político vivido pelo país desde 2013. [18]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Enzo Peri
Comandante do Exército
2015 – atual
Sucedido por


  1. «Folha de S. Paulo». Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  2. «Com doença degenerativa, general diz ter 'forças' para comandar o Exército». Folha de S.Paulo. 7 de janeiro de 2018 
  3. «Zero Hora Notícias». Consultado em 9 de janeiro de 2015 
  4. «Seminário Internacional de Defesa». Consultado em 9 de janeiro de 2015 
  5. «Decreto de 27 de março de 2003». Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  6. «Decreto de 28 de março de 2003». Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  7. «Decreto de 24 de março de 2008». Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  8. «Decreto de 24 de março de 2008». Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  9. «Decreto de 26 de julho de 2011». Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  10. «Câmara Municipal de Manaus». Consultado em 9 de janeiro de 2015 
  11. «Decreto de 27 de março de 2014». Consultado em 8 de janeiro de 2015 
  12. «Galeria dos Ex-Comandantes de Operações Terrestres». Consultado em 16 de janeiro de 2015 
  13. «Declaração de Villas Bôas expressa posição do alto comando do Exército». O Estado de São Paulo. 3 de Abril de 2018. Consultado em 5 de Abril de 2018 
  14. «Como os militares reagiram às declarações de comandante do Exército». UOL. 4 de Abril de 2018. Consultado em 5 de Abril de 2018 
  15. «Bolsonaro apoia Villas Bôas: 'Partido do Exército é o Brasil'». O Estado de São Paulo. 4 de Abril de 2018. Consultado em 5 de Abril de 2018 
  16. «Não é momento de impor nossa vontade, diz comandante da FAB». EXAME. 4 de Abril de 2018. Consultado em 5 de Abril de 2018 
  17. «'Militar não é uma anta pacífica, omissa e sem cérebro', diz general Heleno». O Estado de São Paulo. 4 de Abril de 2018. Consultado em 5 de Abril de 2018 
  18. Betim, Felipe (4 de abril de 2018). «Do general Villas Bôas à reserva, a ofensiva dos militares que querem voz na política». EL PAÍS