Eduardo Duarte Ferreira

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Eduardo Duarte Ferreira
Nascimento 10 de fevereiro de 1856
Tramagal, Abrantes
Morte 21 de abril de 1949
Nacionalidade Portugal

Eduardo Duarte Ferreira ComMAI (Tramagal, 10 de fevereiro de 185621 de abril 1948) foi um empresário metalúrgico português, conhecido pela fundação da Metalúrgica Duarte Ferreira.

Vida[editar | editar código-fonte]

Eduardo Duarte Ferreira nasceu em Tramagal, a 10 de fevereiro de 1856, originário de uma família humilde. Duarte Ferreira não tinha muitas posses, tanto é, que não conseguiu sequer fazer o exame da 4ª classe. Era considerado um sujeito de "fraca inteligência" e, aos 19 anos, procurou trabalho fora da sua terra, em Rossio ao Sul to Tejo, onde aprendeu a profissão de ferreiro. Duarte Ferreira acabou por ganhar o gosto à sua profissão, e, aos 26 montou a sua própria oficina, à qual chamou A Forja, onde começou pro fabricar instrumentos agrícolas. O negócio prosperou, e, em 1920, muda-se para instalações maiores e mais amplas, junto da Linha da Beira Baixa, onde passou a designar-se por Grande Fábrica de Metalúrgica, empregando 250 operários.

Em 1923, a empresa tornou-se numa sociedade por cotas, passando a designar-se por Duarte Ferreira & Filhos, passando a adoptar como seu símbolo comercial e de marca uma borboleta. 

Em 1927, é integrado na empresa um laboratório químico e metalúrgico para investigação e ensaio de materiais. Neste mesmo ano, Duarte Ferreira cria o primeiro sistema de previdência do país para os seus trabalhadores. Em reconhecimento de toda a sua actividade, igualmente em 1927, é condecorado pelo estado português, na pessoa do Presidente da República, Marechal Óscar Carmona, com a Comenda da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial.

O fabrico de enfardadeiras e de debulhadoras mecânicas, numa primeira fase (1933-1934), e de caixas de lubrificação para eixos de locomotivas e gasogénios para automóveis, numa segunda fase, são as grandes áreas produtivas da empresa que, em 1947, se transforma numa sociedade anónima com o nome de Metalúrgica Duarte Ferreira, SARL.

No ano seguinte – 1948 – com 92 anos de idade, morre, deixando uma empresa próspera que emprega oitocentos trabalhadores. 

Futuro da MDF[editar | editar código-fonte]

Berliet- Tramagal reconvertida em Carrinha dos Bombeiros

Em 10 de Fevereiro de 1964 procede-se à inauguração das linhas de montagem dos veículos militares Berliet, fornecidos ao exército português, durante os anos da Guerra Colonial. Durante estes dez anos, cerca de 3 300 viaturas militares Berliet Tramagal foram produzidas na fábrica, e usadas na Guerra. Em consequência desta nova actividade produtiva, a Metalúrgica Duarte Ferreira abandona o fabrico das máquinas e alfaias agrícolas.  Logo após a Revolução de 25 de Abril de 1974, e até ao ano de 1979, a Metalurgia Duarte Ferreira é intervencionada pelas autoridades governamentais portuguesas. Esta gestão administrativa acabaria por conduzir a empresa a uma situação muito difícil e o espectro da falência e do desemprego começa a tornar-se uma ameaça para os seus 2300 funcionários, que, então, empregava. No princípio da década de 1980, procuram-se várias soluções que evitem o seu encerramento, designadamente através da produção de novas viaturas militares, os camiões TT, depois também adaptados a viaturas de bombeiros. Contudo, a realidade económica e financeira da Metalúrgica agrava-se.

No ano de 1984, as greves, manifestações e os salários em atraso são a expressão das dificuldades existentes. Em 1994, os bens da MDF, entretanto penhorados, são vendidos e, no ano seguinte a Metalúrgica Duarte Ferreira é formalmente extinta.

Legado[editar | editar código-fonte]

Duarte Ferreira inovou em muitos aspetos da metalurgia em Portugal, nomeadamente o fabrico da primeira charrua metálica, em 1882, na qual introduziu algumas alterações significativas - rasto e bico substituíveis. Criou milhares de postos de trabalho e prezou muito pelos bem-estar dos seus trabalhadores bastando dizer que criou o primeiro sistema de previdência, em 1927.

Duarte Ferreira fez muito pela sua terra, a qual lhe deve muito pelo seu atual estado de desenvolvimento.

Até hoje se sente a influência da família Duarte Ferreira na vila, sendo que, por exemplo, o campo de jogos dos TSU tem de nome Campo de Jogos Comedador Eduardo Duarte Ferreira, a escola básica da Vila tem o nome EB 2,3 Octávio Duarte Ferreira (Octávio, filho de Eduardo, que cedeu o terreno para a construção da escola nos anos '70), e, na entrada da Vila pelo lado de Abrantes, existe um busto do Comendador, sempre relembrado aquando do feriado do 1º de Maio.

Em Tramagal, há também um museu em honra a Eduardo Duarte Ferreira, que recria uma forja do século XIX. O museu chama-se, exatamente, A Forja. Em 2017 foi também fundado o Museu da Metalúrgica Duarte Ferreira.

Fontes[editar | editar código-fonte]