Educação no contexto do marxismo

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Marx e Engels.

A educação no contexto do marxismo ou a educação sob o ponto de vista do marxismo trata da visão que os principais teóricos marxistas tinham da educação, quando a abordaram na fundação das suas teorias. Karl Heinrich Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), foram filósofos, historiadores, economistas e políticos alemães, criadores de uma importante corrente de pensamento que visava a transformação da sociedade, tendo a sua obra implicações no campo educativo. Grande parte dos seus livros foram escritos em co-autoria. A designação «marxismo» acentua a importância de Karl Marx, no contexto desta corrente de pensamento, em relação a Friedrich Engels. A educação é um processo fundamental para a criação de estruturas de pensamento, para a criação ou manutenção de um determinado tipo de sociedade. Desde a Antiguidade Clássica (Grécia) que os políticos se aperceberam deste facto. Daí que os teóricos mais conhecidos do comunismo (e Lênin não foi apenas um teórico) se tenham interessado pela educação.

Desenvolvimento do pensamento de Marx[editar | editar código-fonte]

Marx doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Berlim em 1841. Aproveitou ideias no que chamou «socialismo utópico», de Saint-Simon, Fourier e Robert Owen. Dessas ideias sublinhou a imoralidade da má distribuição da riqueza, bem como o princípio de que a propriedade privada dos meios de produção é a responsável pelo estado de injustiça na sociedade humana. Dentro desta linha de pensamento, Proudhon proclama que «a propriedade é um roubo» (1). Marx não foi tão longe.

Estudioso, Karl Marx também se informou sobre as teorias económicas de Adam Smith (autor de importantes obras no campo da Economia, como Riqueza das Nações), e David Ricardo, também economista, que se interessou pela obra de Adam Smith, tendo ele próprio continuado o desenvolvimento da Economia, publicando entre outras a obra Princípios de Economia Política e de Tributação. Tendo sido aluno de Hegel, Marx reinterpreta a sua dialéctica que explicava o desenvolvimento universal por um movimento em três momentos, «tese - antítese - síntese». Mas, enquanto Hegel aponta Deus como o culminar desse movimento, Marx aplica a dialéctica ao desenvolvimento social: a tese é o estado actual da sociedade, a antítese é o proletariado, a síntese (superação) será uma nova sociedade, a sociedade socialista, a qual, em movimentos posteriores chegaria à fase comunista. Da obra do seu colega de Universidade, Ludwig Feuerbach, retirará a noção de alienação, patente no escrito Manuscritos económico-filosóficos de 1844. Mas, enquanto para Ludwig Feuerbach a alienação (estado de uma consciência distorcida da realidade) é proveniente da religião - «ópio do povo» - para Karl Marx, é a situação social do homem que determina a sua consciência. Note-se que já David Ricardo considerara que «Os grupos ou classes sociais têm solidariedade e costumes próprios» (2).

Karl Marx entende que os processos económicos determinam toda a evolução social humana. A organização económica de uma sociedade é a sua base, a sua «infraestrutura». A cultura em geral e o próprio sistema educativo, dependem desta e constituem a «superestrutura». É a propriedade privada dos meios de produção que gera desigualdade e alienação.

A educação sob o ponto de vista de Marx, Engels e Lenine[editar | editar código-fonte]

Marx considera a educação como parte do sistema económico incorrecto, estando ao seu serviço. O capitalismo produz a concentração de riqueza que reduz os que vendem o seu tempo de vida para sobreviverem - os proletários - a um estado de alienação. O trabalho alienado, para Marx, não realiza o trabalhador. «Um dos pontos essenciais dos Manuscritos de 1844 é uma crítica radical à sociedade capitalista centrada na análise da alienação, cuja matriz explicativa será, na perspectiva de Marx, a alienação sócio-económica. A propriedade privada dos meios produtivos, indissociável do fenómeno da alienação, será ainda para Marx a raiz dos antagonismos sociais e políticos que caracterizam a sociedade burguesa.» (3)

De resto, para Marx, «[Com a divisão do trabalho] desde que o trabalho começa a ser repartido, cada indivíduo tem uma esfera de actividade exclusiva que lhe é imposta e da qual não pode sair; é caçador, pescador ou crítico e não pode deixar de o ser, se não quiser perder os seus meios de subsistência.» (4)

«O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e em extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior número de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção directa a desvalorização do mundo dos homens. O trabalho não produz apenas mercadorias; produz-se também a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e justamente na mesma proporção com que produz bens. Semelhante facto implica apenas que o objecto produzido pelo trabalho, o seu produto, se lhe opõe como ser estranho, como um poder independente do produtor. O produto do trabalho é o trabalho que se fixou num objecto, que se transformou em coisa física, é a objectivação do trabalho. A realização do trabalho aparece na esfera da economia política como desrealização do trabalhador, a objectivação como perda e servidão ao objecto, a apropriação como alienação.» (5)

Antes de outras questões Marx e Engels colocam a própria divisão do trabalho na raiz das distinções sociais. Marx e Engels consideram também crucial o papel do Estado, no desenvolvimento de determinado tipo de sociedade.

«Como o Estado nasceu da necessidade de conter o antagonismo das classes, e como, ao mesmo tempo, nasceu no seio do conflito entre elas, é, por regra geral, o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante, classe que, por intermédio dele, se converte também em classe politicamente dominante e adquire novos meios para a repressão e exploração da classe oprimida. Assim, o Estado antigo foi, sobretudo, o Estado dos senhores de escravos para manter os escravos subjugados; o Estado feudal foi o órgão de que se valeu a nobreza para manter a sujeição dos servos e camponeses dependentes; e o moderno Estado representativo é o instrumento de que se serve o capital para explorar o trabalho assalariado.» (6)

Referências[editar | editar código-fonte]

(1) PROUDHON, Pierre-Joseph - A nova sociedade. Porto: Rés, [19??].

(2) RICARDO, David - Princípios de economia política e de tributação. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1978, p. 13.

(3) SOUSA, Maria Carmelita Homem de - Os manuscritos de 1844 de Karl Marx. Revista Portuguesa de Filosofia. Braga: Faculdade de Filosofia. ISSN 0870-5283. 36:2 (1980) 153-186.

(4) MARX, Karl; ENGELS, Friedrich - A ideologia alemã. Lisboa: Presença, 1975. vol. 1, p. 40.

(5) MARX, Karl - Escritos de juventude: manuscritos de 1844. Lisboa: Edições 70, 1975, p. 130.

(6) ENGELS, Friedrich - A origem da família, da propriedade privada e do Estado. Lisboa: Presença, 1974, p. 227-228.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Este artigo foi inicialmente elaborado a partir do texto:

MOTA, Carlos - Marx, Engels, Lenine: uma visão sobre educação [Em linha]. 2010. 27 f. [Consult. 12 Mar. 2010]. Power Point para uso docente, no âmbito da disciplina de História e Filosofia da Educação. Disponível em WWW: <URL:http://www.carlosmota.info/docs/MarxEngelsLenineEducacao.ppsx> ou [2010?]. 5 f. Disponível em WWW: <http://www.carlosmota.info/docs/Karl%20Marx.pdf>.