Educomunicação

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Educomunicação é um campo teórico-prático que propõe uma intervenção a partir de algumas linhas básicas como: educação para a mídia; uso das mídias na educação; produção de conteúdos educativos; gestão democrática das mídias; e prática epistemológica e experimental do conceito. Há quem defenda a educomunicação como uma metodologia pedagógica e em sua finalidade ela propõe a construção de ecossistemas comunicativos, abertos e criativos com relação horizontalizada entre os participantes e produção colaborativa de conteúdos utilizando diversas linguagens e instrumentos de expressão, arte e comunicação. Como se entende pelo nome, é o encontro da educação com a comunicação, multimídia, colaborativa e interdisciplinar. Pode ser desenvolvida em qualquer ambiente de formação, não está reduzida ao âmbito da educação formal, embora muitas experiências no Brasil vem acontecendo em escolas, especialmente com crianças e adolescentes. O termo também é conhecido abreviadamente como educom. Exemplos de educomunicação são o uso de rádio escola, web rádio virtual, jornal comunitário, videogames, softwares de aprendizagem online, podcasts, blogs, fotografia, produção de notícias para veiculação em mídias livres, etc.[1]

No Brasil várias organizações, movimentos sociais e alguns projetos governamentais desenvolvem programas de educomunicação que possuem em comum a promoção ao protagonismo infanto juvenil, como também a horizontalidade da comunicação, tentando diminuir as diferenças hierárquicas entre educadores e educandos, ampliando o acesso à cultura e à informação de maneira crítica e autônoma.

Método e conceito[editar | editar código-fonte]

Educomunicação é tanto uma prática quanto um conceito na interface entre Educação e Comunicação.[1] [2] Como prática, propõe novos tipos de aprendizagem, utilizando recursos tecnológicos e novas relações na comunicação, mais democráticas, igualitárias e menos hierarquizadas.

O conceito de Educomunicação entendido pelo professor Ismar de Oliveira Soares[3] é "o conjunto das ações inerentes ao planejamento,[3] implementação e avaliação de processos, programas e produtos destinados a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos presenciais ou virtuais,[4] tais como escolas, centros culturais, emissoras de TV e rádios educativos", e outros espaços formais ou informais de ensino e aprendizagem.[5]

Com a educomunicação estudamos e trabalhamos em cima de nossas atitudes, em nossos comportamentos, em nossos valores, e nossas decisões considerando as relações com o mundo e com os fatores sociais, políticos, culturais e econômicos. Nesse sentido, o desafio é como inserir na escola e na educação, conteúdos comunicativos que contemplem experiências culturais heterogêneas, através das novas tecnologias da informação e da comunicação.[5]

Possivelmente o primeiro a utilizar o termo "Educomunicador" foi o jornalista argentino Mário Kaplun, referindo-se ao voluntário ou profissional capaz de mediar processos de jornalismo alternativo e projetos de rádio comunitária - O nome inspirou o conceito "Educomunicação", utilizado por Jesus Martin Barbero e pela ONU; Porém o conceito tem sido ampliado, atualizado e reformulado, com grande contribuição do NCE: Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP.

Paulo Freire é outra referência para o estudo da Educomunicação, Freire entende a educação como uma atividade que depende do ato comunicativo para a construção do conhecimento. Sua forma de pensar a educação, consolidada ao longo dos anos 1960, encontra paralelo na obra do linguista russo Mikhail Bakhtin. As obras de Bakhtin, dão grande ênfase às características culturais da comunicação, reconhecendo a diversidade linguística e a diferença entre os interlocutores. Dessa forma, a Educomunicação, área que propõe um olhar diferenciado sobre as relações entre educação e comunicação, também utilizam-se das principais ideias de Freire e Bakhtin.

Paulo Freire enfatiza a importância da comunicação na educação popular e amplia o conceito buscando a ideia de horizontalidade nessas relações. Em tese de mestrado Walberto Barbosa Silva cita Freire : "Nivelar, ou se adequar à comunicação de determinado grupo requer uma série de procedimentos, dos quais alguns se encontram no método de alfabetização em questão." [6]

Apesar de estar falando especificamente de alfabetização nesse caso, fica claro a importância para Freire de uma comunicação que abranja os valores e a cultura de todos participantes do processo para ampliar as vias de acesso aos saberes e ampliar os canais de conhecimento. A educomunicação passa pela construção coletiva de novos saberes e novas formas de se comunicar.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Segundo pesquisa realizada pelo NCE, são alguns pilares da educomunicação:[7]

  • Educação para recepção crítica.
  • Expressão comunicativa através da arte.
  • Pedagogia da Comunicação.
  • Produção de mídia educativa.
  • Mediações tecnológicas no espaço educativo.
  • Gestão dos processos comunicativos.
  • Reflexão epistemológica sobre a inter-relação Comunicação/Educação.

No Brasil os estudos sobre educomunicação estão muito avançados, havendo faculdades com cursos de graduação e especialização. No entanto, entende-se que o educomunicador não é formado na e pela academia, mas sim no prática educomunicativa, que pode acontecer dentro ou fora da escola, em ambientes formais ou informais de aprendizagem. O educomunicador pode ser formado também na produção de mídias, quando preocupada com a pluralidade cultural, participação popular, a consciência crítica e demandas que não costumam interessar à mídia comercial.

Educomunicação x TIC[editar | editar código-fonte]

A Educomunicação é epistemologicamente diferente das Tecnologia de Informações e Comunicação (TIC). Quando falamos em TIC ou simplesmente Informática Educativa, na realidade, estamos falando de ações pedagógicas que colocam a ênfase nos conteúdos e efeitos produzidos, isto é, em uma estratégia para tornar o conteúdo mais atraente para o aluno, utilizando os meios de comunicação. Sendo assim, a TIC substitui o quadro negro enquanto ferramenta. Já a Educomunicação, coloca a sua ênfase no processo, ou seja, apesar de o conteúdo e o efeito fazerem parte de toda ação pedagógica, o processo educomunicativo não estabelece um "teto de desenvolvimento do conhecimento".

Segundo Juán Diáz Bordenave e Mário Kaplún, quanto aos modelos de educação, existem o modelo exógeno - que põe sua ênfase, na mídia, para produção de conhecimento. Já o modelo endógeno - a ênfase está sobre o sujeito e o processo de produção, isto é, uma relação dialogal entre educador e educando. Mario Kaplún afirma que este último modelo, que poderiamos chamar educomunicativo, propõe um relacionamento horizontal entre aluno e professor.

A educomunicação tem como protagonista o criador, através do texto publicado pelo site educador.brasilescola, [1], percebesse que a pratica da educomunicação, favorece a nosso educando um aprendizado rico e desafiador, visando fortalecer seu conhecimento de forma construtiva e inovadora.

Referências

  1. a b Érica Daiane da Costa Silva. «Educomunicação» (PDF). Consultado em 17 de agosto de 2016.  |título= e |titulo= redundantes (Ajuda)
  2. Donizete Soares. «Educomunicação o que é isto?» (PDF). Instituto GENS. Série Abordagens - Instituto GENS. Consultado em Maio de 2006. 
  3. a b http://lattes.cnpq.br/7611768706433230
  4. Ismar de Oliveira Soares. «Mas, afinal, o que é Educomunicação?» (PDF). Universidade de São Paulo. Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo. Consultado em 13 de outubro de 2012. 
  5. a b Everaldo Costa Santana; Cleyton Douglas de Apolônio Vital. «A educomunicação na produção de conteúdos audiovisuais na formação de jovens» (PDF). Universidade Federal de Pernambuco. Consultado em 13 de outubro de 2012.  line feed character character in |título= at position 43 (Ajuda)
  6. Silva, Walberto (30/11/2006). «A PEDAGOGIA DIALÓGICA DE PAULO FREIRE E AS CONTRIBUIÇÕES DA PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA: uma reflexão sobre o papel da comunicação na Educação Popular» (PDF). A PEDAGOGIA DIALÓGICA DE PAULO FREIRE E AS CONTRIBUIÇÕES DA PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA: uma reflexão sobre o papel da comunicação na Educação Popular. http://www.ce.ufpb.br/. Consultado em 24/11/2016.  Ligação externa em |publicado= (Ajuda)
  7. http://www.eca.usp.br/comueduc/sum_anter1.htm

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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