Edward Colston

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Edward Colston
Nascimento 2 de novembro de 1636
Bristol
Morte 11 de outubro de 1721 (84 anos)
Cidadania Reino da Inglaterra, Reino da Grã-Bretanha
Etnia ingleses
Progenitores Mãe:Sarah Batten
Pai:William Colston
Alma mater Christ's Hospital
Ocupação mercador, político, traficante de escravos, filantropo
Religião Anglicanismo

Edward Colston (Bristol, 2 de novembro de 1636 – Mortlake, Richmond upon Thames, 11 de outubro de 1721) foi um comerciante inglês, filantropo e membro do Parlamento Britânico. Ele apoiou e doou escolas, esmolarias, hospitais e igrejas, principalmente em sua cidade natal. Seu nome foi dado a ruas, escolas e edifícios públicos de Bristol; várias das instituições de caridade que criou sobreviveram a ele.[1] Parte substancial de sua riqueza foi adquirida através do comércio e exploração de escravos.[2][3][4][5]

Colston seguiu seu pai no negócio familiar, tornando-se um comerciante marítimo, inicialmente comercializando vinho, frutas e têxteis, em portos europeus, principalmente na Espanha, Portugal. Em 1680, ele se envolveu no comércio de escravos, como membro da Royal African Company, que detinha o monopólio do comércio inglês de escravos africanos. Ele foi vice-governador da empresa em 1689-90.

Em Bristol, o nome de Colston cabou por se tornar uma referência quase onipresente. Além da Colston Tower, do Colston Hall, da Colston Avenue, da Colston Street, da Colston's Girls' School, da Colston's School e da Colston's Primary School, celebrava-se, nas escolas, o Colston's Day, em 13 de novembro, quando a Colston Society distribuía Colston bun (um pão doce aromatizado com frutas secas) aos escolares.[6] Erigiu-se uma estátua dele, na área central da cidade, em 1895. Todavia, a partir do final do século XX, com a crescente consciência do seu envolvimento no comércio britânico de escravos, organizaram-se manifestações e petições pela retirada das homenagens feitas a ele, processo que atingiu o ápice em junho de 2020, quando a estátua foi derrubada, arrastada pelas ruas da cidade e, em seguida, e empurrada para dentro das águas do porto de Bristol, durante os protestos antirracismo de apoio ao movimento Black Lives Matter.[7] O Colston Hall, uma sala de concertos, também foi renomeado para Bristol Beacon, e os membros da Colston Society, instituição que atuou por 275 anos - ultimamente como instituição filantrópica -, decidiram dissolvê-la.[8]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Colston nasceu em 2 de novembro de 1636 em Church Street, Bristol, onde o era o velho dentre seus pelo menos onze e possivelmente até quinze irmãos. Seus pais eram William Colston (1608–1681), um comerciante próspero que era xerife de Bristol em 1643, e sua esposa Sarah (1608–1701), filha de Edward Batten. Ele foi criado em Bristol até a época da Guerra Civil Inglesa, quando provavelmente morou por um tempo na propriedade de seu pai em Winterbourne, ao norte da cidade. A família então se mudou para Londres, onde Edward pode ter sido aluno da escola do Hospital de Cristo.[3]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Colston foi aprendiz da Mercers Company por oito anos e em 1672 estava exportando mercadorias de Londres. Ele construiu um negócio lucrativo, negociando tecidos, óleo, vinho, xerez e frutas com Espanha, Portugal, Itália e África.

Em 1680, Colston tornou-se membro da Royal African Company, que detinha o monopólio Inglês nos negócios da África Ocidental, com ouro, prata, marfim e escravos a partir de 1662.[3]Ascendeu rapidamente na empresa, tornando-se membro do conselho e, de 1689 a 1690, foi vice-governador, o cargo executivo mais importante da organização. Sua associação com a empresa terminou em 1692.[9] Essa empresa foi criada pelo rei Carlos II e seu irmão James, duque de York (mais tarde rei James II, que era o governador da empresa), juntamente com os comerciantes da Cidade de Londres, e tinha muitos investidores notáveis, incluindo John Locke, filósofo e médico inglês, amplamente considerado como um dos mais influentes pensadores do Iluminismo e conhecido como o "Pai do Liberalismo" (embora mais tarde ele tenha mudado de posição sobre o tráfico de escravos) e o escritor Samuel Pepys.[10][11]

Durante o período de envolvimento de Colston com a Royal African Company (1680 a 1692), estima-se que a empresa tenha transportado cerca de 84 mil homens, mulheres e crianças, que foram comercializados como escravos na África Ocidental. Destes, dezenove mil morreram em sua jornada para o Caribe e o resto das Américas - antes, portanto, de serem vendidos aos grandes plantadores de fumo e cana-de-açúcar. [12]

Os pais de Colston haviam se mudado para Bristol e, em 1682, ele fez um empréstimo para a Bristol Corporation, tornando-se no ano seguinte membro da Sociedade de Empreendedores Comerciais e um burguês da cidade. Em 1684, ele herdou o negócio mercantil de seu irmão em Small Street e tornou-se sócio de uma refinaria de açúcar em St Peter's Churchyard, transportando açúcar produzido por escravos da Ilha de São Cristóvão. No entanto, Colston nunca residiu em Bristol quando adulto, conduzindo seus negócios desde Londres, residindo em Mortlake (Surrey), até se aposentar em 1708.[3]

A proporção de sua riqueza proveniente de seu envolvimento com o comércio de escravos e com o açúcar produzido por escravos é desconhecida. Colston também ganhou dinheiro com o comércio das mercadorias já citadas anteriormente e com os juros de empréstimos e outras transações financeiras. [13]

Altruísmo e política[editar | editar código-fonte]

Cromwell House, Mortlake, onde Colston morreu em 1721

Ele apoiou e doou escolas, esmolarias, hospitais e igrejas em Bristol, Londres e em outros lugares. Muitas de suas fundações de caridade sobrevivem até hoje.[1]

Em Bristol, ele fundou esmolarias em King Street e St Michael's Hill, fundou o Hospital-Escola Rainha Elizabeth e ajudou a fundar o Hospital de Colston, um internato aberto em 1710 e deixando uma doação a ser administrada pela Society of Merchant Venturers. Ele deu dinheiro para as escolas de Temple (uma das quais se tornou a St. Mary Redcliffe e Temple School) e outras partes de Bristol e para várias igrejas e a catedral.

David Hughson, escrevendo em 1808, descreveu Colston como "o grande benfeitor da cidade de Bristol, que, durante sua vida, gastou mais de 70 mil libras esterlinas em instituições de caridade".[14]

Morte[editar | editar código-fonte]

Ele morreu aos 84 anos, em 11 de outubro de 1721, em sua casa em Mortlake. Em seu testamento, ele queria ser enterrado de modo simples, sem pompa, mas esse pedido foi ignorado.[15] Seu corpo foi levado de volta a Bristol e foi enterrado na Igreja de Todos os Santos. Seu monumento foi projetado por James Gibbs com uma efígie esculpida por John Michael Rysbrack.[16]


Reavaliação moderna[editar | editar código-fonte]

Nas últimas décadas, com o crescente reconhecimento do papel de Colston no comércio de escravos, tem havido críticas crescentes às homenagens de Colston em Bristol.[17]

Estátua[editar | editar código-fonte]

Estátua de Edward Colston no The Centre, Bristol, derrubada em 2020

Uma estátua, projetada por John Cassidy, foi erguida no centro de Bristol em 1895 para comemorar a filantropia de Colston.[18]

Em 7 de junho de 2020, a estátua foi derrubada e jogada no porto de Bristol por manifestantes durante os protestos contra o racismo no Reino Unido.[19] O historiador e apresentador de televisão David Olusoga comentou que deveria ter sido retirada mais cedo, dizendo: "As estátuas dizem sobre 'este foi um grande homem que fez grandes coisas'. Isso não é verdade, ele [Colston] era um comerciante de escravos e um assassino."[20] O secretário do Interior, Priti Patel, chamou a derrubada de "totalmente vergonhosa", dizendo que "ela fala dos atos de desordem, desordem pública, que atualmente se tornaram uma distração da causa pela qual as pessoas estão realmente protestando".[21]

Outros memoriais[editar | editar código-fonte]

O nome de Colston permeia a cidade em pontos de referência como Colston Tower, Colston Hall, Colston Avenue, Colston Street, Colston's Girls 'School, Colston's School, Colston's Primary School e Temple Colston School (agora parte de St Mary Redcliffe e Temple School). Ele também é lembrado, particularmente por algumas escolas, instituições de caridade e pela Sociedade de Empreendedores Comerciais, no Dia de Colston, em 13 de novembro, seu aniversário, em um culto na Igreja de Santo Estêvão. Um pão regional, o pão Colston, recebeu o nome dele.[3][22]

Em abril de 2017, a instituição de caridade que administra o Colston Hall, o Bristol Music Trust,[23] anunciou que deixará o nome de Colston quando reabrir após a reforma em 2020. Houve protestos e petições pedindo uma mudança de nome e alguns espectadores e artistas boicotaram o local por causa do nome de Colston.[24] Após a decisão, as petições para manter o nome de Colston chegaram a quase dez mil assinaturas, embora a instituição tenha confirmado que a mudança de nome iria adiante.[25]

Em novembro de 2017, após décadas de debates, a Escola das Meninas de Colston anunciou que não manteria o nome de Colston porque "não beneficiava" a escola.[26] Em fevereiro de 2019, St Mary Redcliffe e Temple School anunciou que renomearia a Colston House como Johnson House, em homenagem à matemática americana Katherine Johnson.[27]

Referências

  1. a b «Edward Colston, the Dolphin Society and 268 years of letter-writing…History / Background». The Dolphin Society (em inglês) 
  2. «Colston, Edward II». The History of Parliament (em inglês). Cambridge University Press 
  3. a b c d e Morgan, Kenneth. «Colston, Edward (1636-1721)». Oxford Dictionary of National Biography (em inglês). Oxford University Press 
  4. «The Business of Enslavement». BBC – History – British History in depth (em inglês). BBC 
  5. «Virtual Tour of the Black and Asian Presence in Bristol, 1500 – 1850». Black presence (em inglês). The National Archives 
  6. Edward Colston: What else in Bristol is named after wealthy slave trader? Por Andy Gregory. Independent, 7 de junho de 2020.
  7. Bristol George Floyd protest: Colston statue toppled. Por Jack Grey. BBC News, 7 de junho de 2020.
  8. Cork, Tristan (13 de setembro de 2020). «Bristol's original Colston Society to disband after 275 years». Bristol Post. 
  9. «COLSTON, Edward II (1636–1721), of Mortlake, Surr. | History of Parliament Online». www.historyofparliamentonline.org (em inglês) 
  10. «Britain's involvement with New World slavery and the transatlantic slave trade». The British Library (em inglês) 
  11. Matthew., Parker (2011). The sugar barons: family, corruption, empire, and war in the West Indies. Walker & Co (em inglês). New York: [s.n.] 126 páginas. ISBN 9780802717443. OCLC 682894539 
  12. «Slavery in the Caribbean - International Slavery Museum, Liverpool museums». www.liverpoolmuseums.org.uk (em inglês) 
  13. Morgan, Kenneth (1999). Edward Colston and Bristol. Bristol Branch of the Historical Association (em inglês). Bristol: [s.n.] 3 páginas 
  14. Hughson, David (1808). «Circuit of London». London; Being An Accurate History And Description of the British Metropolis And Its Neighbourhood, To Thirty Miles Extent, From An Actual Perambulation. J Stratford (em inglês). V. Holborn Hill, London: [s.n.] 
  15. Edward Colston Will, National archives Wills Online
  16. Historic England. «Church of All Saints (1282313)». National Heritage List for England. Consultado em 8 de outubro de 2020 
  17. Wilkins, H. J. (1920). Edward Colston (1636–1721 A.D.), a chronological account of his life and work. J. W. Arrowsmith (em inglês). Bristol: [s.n.] 
  18. «Edward Colston». PMSA National Recording Project (em inglês) 
  19. «Statue of slave trader Edward Colston pulled down and thrown into harbour by Bristol protesters». The Telegraph (em inglês) 
  20. «George Floyd death: Protesters tear down slave trader statue». BBC News (em inglês) 
  21. «Priti Patel: Toppling Edward Colston statue 'utterly disgraceful'». Sky News (em inglês) 
  22. Davidson, Alan (1999). The Oxford Companion to Food. Oxford University Press (em inglês). [S.l.: s.n.] ISBN 978-0-19-211579-9 
  23. «About us». Colston Hall (em inglês). Bristol Music Society 
  24. «Bristol's Colston Hall to drop name of slave trader after protests». The Guardian (em inglês) 
  25. «Petitions to stop Colston Hall name change reach 9k signatures». bristolpost (em inglês) 
  26. «One of Bristol's oldest schools is not changing its name». bristolpost (em inglês) 
  27. «Edward Colston: Bristol school to remove slave trader's name from house». BBC News (em inglês)