Efeito adesão

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Efeito adesão ou Heurística de Bandwagon é um viés cognitivo no qual um indivíduo faz ou toma decisões porque um grande número de pessoas o faz.[1]

Definição[editar | editar código-fonte]

Esta é uma heurística de cariz social, definida como uma tendência de aceleração para mais e mais pessoas aderirem a um comportamento de membros de um grupo quando percebem que esse comportamento vai satisfazer os seus interesses. Outra definição, segundo Colman (2003), é a difusão de um padrão de comportamento através de um grupo ou população. A probabilidade de qualquer indivíduo o adotar aumenta com a proporção de pessoas que já o adotaram. Ocorre em situações nas quais as pessoas acreditam que os seus interesses são atendidos se se juntarem a um movimento que está na moda. Um exemplo seria uma situação em que os soldados durante uma revolução ou guerra civil decidem desertar para a fação rebelde porque muitos outros também o fizeram, ou seja, o ir atrás do que outros fazem.


História - origem do termo[editar | editar código-fonte]

Bandwagon é um veículo que carrega a banda numa procissão de circo, que normalmente vai à frente e suscita o apoio e a atenção dos populares.

Bandwagon: o vagão da banda

No século XIX, nos Estados Unidos, um comediante chamado Dan Rice viajou pelo país para fazer campanha pelo Presidente Zachary Taylor. O “bandwagon” de Rice foi o centro das atenções da campanha e ele dizia aos populares “jump on the bandwagon” para apoiar na eleição de Taylor. A campanha foi bem-sucedida e Taylor foi eleito, o que levou futuros políticos a adotar a estratégia das bandwagons nas campanhas.


Ilustrações e implicações sociais[editar | editar código-fonte]

Existe ainda hoje, em inglês, a expressão “Jump on the bandwagon”, que descreve o fenómeno social de querer fazer parte de uma maioria mesmo quando isso significa ir contra os próprios princípios. Também existem em português expressões equivalentes como “entrar na onda” e ser um “Maria vai com todos” que tem o mesmo significado de fazer coisas que os outros fazem só porque toda a gente faz.

  1. Em eleições

O eleitor, ao ver que o seu candidato preferido tem pouca probabilidade de ganhar, pode acabar por escolher outros candidatos com mais probabilidades de ganhar para evitar sentir o voto inútil. Acompanhar pesquisas eleitorais pode fazer com que eleitores se deixem influenciar pela maioria.

2. Na economia

Estudos da psicologia social e da economia comportamental encontram uma correlação muito forte entre seguir a maioria e o “consumir”. Esta tendência dá ferramentas para o marketing vender. Isto pode levar a que as pessoas comprem coisas que nem gostam ou nao precisavam mas compra porque a maioria das pessoas também o faz.

Investigação sobre[editar | editar código-fonte]

A maioria dos estudos sobre o viés de Bandwagon são direcionados para o efeito que este tem na política, em eleições. Marsh (1985) conduziu um estudo para perceber o efeito que este viés tem na opinião pública. Para isso identificou em primeiro lugar quais eram as falhas dos estudos até à data sobre o assunto como a quase exclusividade de pesquisas sobre eleições e inexistência de estudos direcionados para opinião pública. Também verificou que a operacionalização da noção de bandwagon é estática em vez de ser dinâmica e a falta de controlo das crenças prévias dos indivíduos face à opinião da maioria e tentou colmatá-las. Chegou à conclusão que a opinião das pessoas sobre a lei do aborto (tema escolhido para aferir as opiniões) é influenciada pela percepção que têm da dinâmica da opinião pública sobre essa lei, que as pessoas que são informadas de que a tendência está em uma direção permissiva têm muito mais probabilidade de adotar visões permissivas e que informações sobre opinião atual estática não tiveram efeito.

Estudos mais recentes exploraram outras temáticas. Fu & Sim demonstraram como esta heurística explica a elevada adesão a vídeos extremamente populares no YouTube pois os vídeos que mostram contagens de visualizações mais altas em um determinado período de tempo atraem mais visualizações do que aqueles que exibem contagens inferiores (2011).

Grillo (2017) propõe dois modelos teóricos para explicar esta heurística pela aversão ao risco dos eleitores (concavidade da função de utilidade): modelo teórico da decisão e um modelo teórico dos jogos. No modelo teórico da decisão uma pessoa decide votar se o benefício relativo esperado da vitória do seu candidato preferido, subtraído pela probabilidade de ser fundamental, é maior que o custo de votar. No modelo teórico dos jogos deve verificar-se se o resultado do modelo anterior pode ser preservado numa estrutura teórica do jogo. A estratégia do modelo teórico dos jogos é definida por um custo que torna a pessoa indiferente entre votar e abster-se: a pessoa vota se o seu custo de votação está abaixo do limite e abstém-se se estiver acima.

Outro estudo mostra o papel das emoções nesta heurística. Os participantes são expostos a pesquisas de votos e verifica-se que estas influenciam a escolha de voto dos eleitores durante uma campanha eleitoral. Tanto a ansiedade como o entusiasmo medeiam a relação entre a exposição à pesquisa e a escolha do voto (Stolwijk, Schuck, & De Vreese, 2017).

[2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9]

Referências

  1. «Série CVM Comportamental - Vieses do Consumidor» (PDF). Comissão de Valores Mobiliários. 2017. p. 5. Consultado em 24 de janeiro de 2019 
  2. Colman, A. (2003). Group think: Bandwagon effect. Oxford Dictionary of Psychology. New York, NY: Oxford Univeristy Press.
  3. Fu, W. W., & Sim, C. C. (2011). Aggregate bandwagon effect on online videos’ viewership: Value uncertainty, popularity cues, and heuristics. Journal of the American Society for Information Science and Technology, 62(12), 2382–2395. [1]
  4. Grillo, A. (2017). Risk aversion and bandwagon effect in the pivotal voter model. Public Choice, 172(3–4), 465–482. [2]
  5. Investopedia (2018). Bandwagon Effect. [https://www.investopedia.com/terms/b/bandwagon-effect.asp
  6. Marsh, C. (1985). Back on the bandwagon: The effect of opinion polls on public opinion. British Journal of Political Science, 15, 51–74
  7. Matsumoto, D. (2009). The Cambridge Dictionary of Psychology. Cambridge: Cambridge University Press.
  8. OPUS (2018). Efeito Bandwagon: Definição e Exemplos na Política e Economia. [3]
  9. Stolwijk, S. B., Schuck, A. R. T., & De Vreese, C. H. (2017). How Anxiety and Enthusiasm Help Explain the Bandwagon Effect. International Journal of Public Opinion Research, 29(4). [4]