Eleição presidencial no Brasil em 1922

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Eleição presidencial no Brasil em 1922
  1919 ← Flag of Brazil.svg → 1926
1º de março de 1922
Artur Bernardes (colorido) (1922-1926).jpg Nilo Peçanha 02.jpg
Candidato Artur Bernardes Nilo Peçanha[1]
Partido PRM Reação Republicana
Natural de Viçosa, Minas Gerais Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro
Votos 466 877 317 714
Porcentagem 59,46% 40,49%


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

A eleição presidencial brasileira de 1922 foi a décima eleição presidencial e a nona eleição presidencial direta. Foi realizada em duas datas distintas; primeiramente em 1º de março para presidente e vice-presidente como previa a Constituição de 1891; e a segunda data foi em 22 de agosto, pois Urbano Santos que havia sido eleito vice tinha falecido em 7 de maio, antes mesmo da posse em 15 de novembro de 1922, e de acordo com a Constituição, deveria ser feita uma nova eleição. A eleição foi realizada em todos os vinte estados da época e no Distrito Federal. Os resultados da eleição de 1º de março foi divulgada em 8 de junho, e a de 22 de agosto foi divulgada em 10 de novembro, cinco dias antes da posse.

Contexto Histórico[editar | editar código-fonte]

Embora tenha encontrado o Brasil com uma situação econômico-financeira bem melhor do que nos anos anteriores, o governo do presidente Epitácio Pessoa foi um dos mais conturbados da República Velha. A princípio, por ser nordestino, Epitácio Pessoa realizou obras de infra-estrutura na região, como a construção de inúmeros açudes e de ferrovias que proporcionassem o acesso ao sertão nordestino. Isso, no entanto, não bastou para satisfazer a insustentável situação de penúria da população local.

No início de seu governo, compreendendo que a prosperidade decorrente dos negócios efetuados durante a Grande Guerra tinha bases acidentais e transitórias, empreendeu uma severa política financeira, chegando mesmo a vetar leis de aumento de soldo às Forças Armadas. Na primeira mensagem presidencial, em 3 de setembro de 1919, Epitácio Pessoa ressaltou o problema da crise econômica brasileira. Em dezesseis anos o país adquiriu dois contratos de funding loan. A carestia e a inflação debilitavam demasiadamente a vida dos trabalhadores. Desde 1917, o movimento operário do país enfrentava essa situação e as más condições de trabalho com a instauração de Greves Gerais. Até o final do ano de 1919 e início de 1920 o recurso às greves persistiu e foi reprimido com a deportação de cerca de cento e cinquenta anarquistas estrangeiros ligados ao sindicalismo. Em 1921, foi promulgada pelo presidente a lei Adolfo Gordo que regulamentou sanções ao movimento anarquista e o fechamento de associações de trabalhadores.

No campo político, válido é assinalar a fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922. Trouxe grande repercussão o novo partido, já que deu nova orientação e organização ao movimento operário. Os trabalhadores, influenciados pelos ideais da Revolução Russa de 1917, abandonaram progressivamente o anarquismo em favor ao socialismo. As oligarquias, naturalmente, não viam com bons olhos a organização proletária, buscando dificultar ao máximo sua atuação.

A defesa do setor cafeicultor continuou no mandato de Epitácio Pessoa que aumentou a emissão de papel moeda e obteve empréstimos da Inglaterra para debelar o impacto da crise econômica internacional de 1920 nesse mercado. Entre os anos de 1922 e 1923, o mercado do café recuperou-se devido à proibição de bebidas alcoólicas no Estados Unidos da América, aumentando o consumo do produto brasileiro nesse país.

No governo de Epitácio Pessoa, as comemorações do centenário de Independência foram marcadas pela realização de uma grande Exposição Internacional, visitando nessa ocasião o Brasil o presidente da república portuguesa, Antônio José de Almeida. Pouco antes, havia sido recebido o rei dos belgas, Alberto I.[2] Em relação à família Orléans e Bragança (família imperial brasileira), teve Epitácio Pessoa um gesto simpático, revogando a lei de banimento. A radiodifusão no Brasil surgiu em 7 de setembro de 1922,[3] sendo a primeira transmissão um discurso do então presidente Epitácio Pessoa, porém a instalação do rádio de fato ocorreu apenas em 20 de abril de 1923, no governo do sucessor de Epitácio, com a criação da "Rádio Sociedade do Rio de Janeiro" (atual Rádio MEC).

O final de seu mandato foi marcado por sérias conturbações políticas. Enquanto os Estados de Minas Gerais e São Paulo indicavam Artur Bernardes para a sucessão presidencial, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco não concordaram e lançaram a candidatura do ex-presidente Nilo Peçanha, desencadeando a segunda crise política das oligarquias. A chapa de oposição contou com o apoio de importantes setores militares, já que a passagem de Pessoa pela presidência foi marcada pela animosidade na relação entre governo e militares, iniciada quando nomeou dois civis para dirigir as pastas da Guerra e da Marinha, respectivamente Pandiá Calógeras e Raul Soares de Moura. Durante o período, cartas ofensivas ao Exército e ao ex-presidente marechal Hermes da Fonseca, supostamente assinadas pelo candidato Arthur Bernardes tornaram-se públicas. Artur Bernardes contratou peritos e conseguiu provar que as cartas eram falsas.

A vitória de Bernardes no pleito realizado em março de 1922 acabaria sendo questionada por tais grupos e, na sequência dos fatos, Epitácio ordenou a prisão do marechal Hermes da Fonseca e o fechamento do Clube Militar. Em reação a essas medidas, foram deflagrados levantes militares no Rio de Janeiro e no Mato Grosso no mês de julho, dando início ao que ficaria conhecido como movimento tenentista. Epitácio Pessoa decretou o estado de sítio e, após controlar os focos rebeldes, passou a presidência a Artur Bernardes.

Processo eleitoral da República Velha (1889-1930)[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Constituição de 1891 que vigorou durante toda a República Velha (1889-1930), o direito ao voto foi determinado a todos os homens com mais de 21 anos que não fossem analfabetos, religiosos e militares.[4] Mesmo tendo o direito de voto estendido a mais pessoas, pouca parcela da população participava das eleições.[5] A Constituição de 1891 também declarou que todas as eleições presidenciais seriam realizadas em 1º de março.[6] A eleição para presidente e vice eram realizadas individualmente, e o mesmo poderia se candidatar para presidente e vice.

Durante a República Velha, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM) fizeram alianças para fazer prevalecer seus interesses e se revezarem na Presidência da República, assim, esses partidos na maioria das vezes estiveram a frente do governo, até que essas alianças se quebrassem em 1930. Essas alianças são chamadas de política do café com leite.[7]

Nessa época, o voto não era secreto, e existia grande influência dos coronéis - pessoas que detinham o Poder Executivo municipal, e principalmente o poder militar da região. Os coronéis praticavam a fraude eleitoral e obrigavam as pessoas a votarem em determinado candidato. Com isso, é impossível determinar exatamente os resultados corretos.[8]

Candidaturas[editar | editar código-fonte]

Para Presidente da República, sessenta (60) nomes foram sufragados, e oficialmente, entre eles estavam o advogado e candidato pela situação política Artur Bernardes e pela oposição o advogado Nilo Peçanha. Para vice-presidente na eleição de 1º de março, cento e trinta e três (133) nomes foram sufragados, entre eles o ex-vice-presidente Urbano Santos e o jurista José Joaquim Seabra. Na segunda eleição para vice em 22 de agosto, dos quarenta e quatro (44) nomes sufragados, se destacaram o advogado Estácio Coimbra, e novamente, José Joaquim Seabra.

O então presidente Epitácio Pessoa não indicou um candidato a ser apoiado na chapa de Artur Bernardes, mas declarou a "conveniência de ser o Vice tirado dentre os políticos do norte, desde que o Presidente ia ser do sul". José Joaquim Seabra (J. J. Seabra) esperava ser apoiado para vice por Artur, pois o apoiava, e tinha sido senador, ministro e duas vezes governador, além de ter obtido resultados modestos nas eleições para vice anteriormente, ficando entre os quatro mais colocados. Como isso não aconteceu, pois Urbano Santos foi apoiado por Artur, J. J. Seabra resolveu apoiar Nilo Peçanha na Reação Republicana.[9]

A Reação Republicana, formada por partidos regionais como Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, apoiou Nilo Peçanha para presidente e J. J. Seabra para vice. Nilo fez campanha na região Norte e no Nordeste do país, e J. J. Seabra fez campanha no Sul.

Resultados[editar | editar código-fonte]

A população aproximada em 1922 era de trinta e um milhões e novescentas mil de pessoas (31.900.000), sendo um milhão e novescentos (1.900.000) eleitores. Em 1º de março compareceram um milhão e sessenta e seis mil (1.066.000) pessoas, representando 3,34% da população. Em 22 de agosto comparaceram trezentos e quatro mil (304.000) pessoas, representando 0,95% da população.

Eleição para presidente do Brasil em 1922
1º de março
Eleição para vice-presidente do Brasil em 1922
1º de março
Eleição para vice-presidente do Brasil em 1922
22 de agosto
Candidato Votos Porcentagem Candidato Votos Porcentagem Candidato Votos Porcentagem
Artur Bernardes 466.972 59,46% Urbano Santos 447.595 56,85% Estácio Coimbra 295.787 99,59%
Nilo Peçanha 317.714 40,46% José Joaquim Seabra 338.809 43,03% José Joaquim Seabra 790 0,27%
Urbano Santos 232 0,02% Washington Luís 222 0,05% Washington Luís 155 0,05%
Outros 383 0,05% Outros 506 0,06% Outros 264 0,09%
Votos nominais 785.301 Votos nominais 787.278 Votos nominais 296.996
Votos brancos/nulos 280.699 Votos brancos/nulos 278.722 Votos brancos/nulos 7.004
Total 1.066.000 Total 1.066.000 Total 304.000
Fonte:[10]

Nota geral: os valores são incertos (ver processo eleitoral).

Referências

  1. Reação Republicana é o nome pelo qual ficou conhecida a chapa de oposição apresentada, em 1921, por alguns estados - Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Distrito Federal - contra o candidato à presidência da República apoiado por Minas Gerais e São Paulo
  2. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome GOVEP
  3. «História do Rádio no Brasil». Consultado em 2 de dezembro de 2008. Arquivado do original em 20 de dezembro de 2014 
  4. Constituição de 1891. Cola da Web. Acessado em 14/10/2011
  5. Cidadania no Brasil: o longo caminho. José Murilo de Carvalho. Página 40. Google Books. Acessado em 14/10/2011.
  6. Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1891. Art. 47. Wikisource. Acessado em 14/10/2011.
  7. Política do café com leite. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
  8. Coronelismo. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
  9. Aloildo Gomes PIRES - página 40
  10. Eleição Presidencial - 1º de março de 1922 (Quarta-feira) ; 20 de agosto de 1922 (Domingo).[ligação inativa] (Pós 1945) Acessado em 20/10/2011.
Bibliografia
  • PIRES, Aloildo Gomes. ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA - UMA ABORDAGEM ESTATÍSTICA. Salvador: Autor (Tipografia São Judas Tadeu), 1995.
  • DEPARTAMENTO DE PESQUISA DA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. PRESIDENTES DO BRASIL (DE DEODORO A FHC). São Paulo: Cultura, 2002.
Ícone de esboço Este artigo sobre eleições ou plebiscitos é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.