Eleição presidencial no Brasil em 1910

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Eleição presidencial no Brasil em 1910
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1º de março de 1910
Hermes da Fonseca (1910).jpg Ruy Barbosa 1907.jpg
Candidato Hermes da Fonseca Ruy Barbosa
Partido PRC PRP
Natural de São Gabriel, Rio Grande do Sul[nota 1] Salvador, Bahia[nota 2]
Votos 403 867 222 822
Porcentagem 64,35% 35,51%


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

Titular
Nilo Peçanha
PRM

A eleição presidencial brasileira de 1910 foi a sexta eleição presidencial e a quinta eleição presidencial direta. Foi realizada em 1º de março nos vinte estados da época e no Distrito Federal com sede no Rio de Janeiro. Os resultados foram divulgados no dia 27 de julho.

Processo eleitoral da República Velha (1889-1930)[editar | editar código-fonte]

O ex-ministro do TSE Walter Costa Porto dá exemplos das irregularidades ocorridas nas eleições, que resultaram na vitória de Hermes da Fonseca, candidato do governo.

De acordo com a Constituição de 1891 que vigorou durante toda a República Velha (1889-1930), o direito ao voto foi determinado a todos os homens com mais de 21 anos que não fossem analfabetos, religiosos e militares.[1] Mesmo tendo o direito de voto estendido a mais pessoas, pouca parcela da população participava das eleições.[2] A Constituição de 1891 também declarou que todas as eleições presidenciais seriam realizadas em 1º de março.[3] A eleição para presidente e vice eram realizadas individualmente, e o mesmo poderia se candidatar para presidente e vice.

Durante a República Velha, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM) fizeram alianças para fazer prevalecer seus interesses e se revezarem na Presidência da República, assim, esses partidos na maioria das vezes estiveram a frente do governo, até que essas alianças se quebrassem em 1930. Essas alianças são chamadas de política do café com leite.[4]

Nessa época, o voto não era secreto, e existia grande influência dos coronéis - pessoas que detinham o Poder Executivo municipal, e principalmente o poder militar da região. Os coronéis praticavam a fraude eleitoral e obrigavam as pessoas a votarem em determinado candidato. Com isso, é impossível determinar exatamente os resultados corretos.[5]

Candidaturas[editar | editar código-fonte]

O historiador Antonio Barbosa, da UnB, explica que o candidato Ruy Barbosa, com suas críticas ao marechal Hermes da Fonseca, obteve forte apoio da nascente classe média urbana do Brasil.

Para Presidente da República, sessenta e cinco (65) nomes foram sufragados, entre eles o do militar Hermes da Fonseca, que era apoiado pelo presidente Nilo Peçanha, o do escritor Ruy Barbosa, principal candidato da oposição, além de Venceslau Brás, do PR mineiro, que apesar de não ter ganhado a disputa eleitoral pode se eleger vice-presidente. Para vice-presidente, cento e dezesete (117) nomes foram sufragados, destacando-se já mencionado advogado Venceslau Brás, seguido pelo advogado Manuel Joaquim de Albuquerque Lins.[6]

Em 22 de maio de 1909,por meio do senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado[7] numa Convenção Nacional, foi aprovada a candidatura do militar Hermes da Fonseca, apoiado por todos os estados, com exceção de São Paulo e Rio de Janeiro. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro se uniram na chamada Campanha Civilista contra o Ministro da Guerra Hermes da Fonseca, e apoiando a candidatura de Ruy Barbosa. Essa eleição foi a primeira quebra da política do café com leite, mas não definitivamente, o que ocorreria em 1930.[6] a campanha civilista organizou grandes comícios, nas grandes cidades, sendo a primeira vez que também uma chapa de oposição empolgou o eleitorado.

Resultados[editar | editar código-fonte]

A população aproximada em 1910 era de vinte e três milhões de pessoas (23.000.000), sendo um milhão e quatroscentos e noventa (1.490.000) eleitores, dos quais compareceram seiscentos e quarenta mil (640.000), representando 2,78% da população.

Eleição para presidente do Brasil em 1910 Eleição para vice-presidente do Brasil em 1910
Candidato Votos Porcentagem Candidato Votos Porcentagem
Hermes da Fonseca 403.867 64,35% Venceslau Brás 406.012 64,86%
Ruy Barbosa 222.822 35,51% Manuel Joaquim de Albuquerque Lins 219.106 35%
Venceslau Brás 152 0,02% Alfredo Augusto Guimarães Backer 76 0,01%
Outros 726 0,12% Outros 744 0,12%
Votos nominais 627.567 Votos nominais 625.938
Votos brancos/nulos 12.433 Votos brancos/nulos 14.062
Total 640.000 Total 640.000
Fonte:[6]

Nota geral: os valores são incertos (ver processo eleitoral).

Notas

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Referências

  1. Constituição de 1891. Cola da Web. Acessado em 14/10/2011
  2. Cidadania no Brasil: o longo caminho. José Murilo de Carvalho. Página 40. Google Books. Acessado em 14/10/2011.
  3. Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1891. Art. 47. Wikisource. Acessado em 14/10/2011.
  4. Política do café com leite. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
  5. Coronelismo. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
  6. a b c Eleição Presidencial - 1º de março de 1910 (Terça-feira).[ligação inativa] (Pós 1945) Acessado em 19/10/2011.
  7. «Hermes da Fonseca» (PDF). HERMES DA FONSECA. CPDOC. 7 de maio de 2016. Consultado em 7 de maio de 2016 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PIRES, Aloildo Gomes. ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA - UMA ABORDAGEM ESTATÍSTICA. Salvador: Autor (Tipografia São Judas Tadeu), 1995.
  • DEPARTAMENTO DE PESQUISA DA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. PRESIDENTES DO BRASIL (DE DEODORO A FHC). São Paulo: Cultura, 2002.