Eleição presidencial no Brasil em 1964

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Eleição presidencial no Brasil em 1964
  1960 ← Flag of Brazil.svg → 1965
9 de abril de 1964
eleição indireta
Castelobranco.jpg Juarez Távora 1930.jpg Eurico Gaspar Dutra.jpg
Candidato Castelo Branco Juarez Távora Eurico Gaspar Dutra
Partido nenhum PDC PSD
Natural de Ceará Ceará Mato Grosso
Votos 361 3 2
Porcentagem 98,63% 0,81% 0,54%


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

A eleição presidencial brasileira de 1964 foi a décima-oitava eleição presidencial do país, sendo a primeira a ocorrer de forma indireta após a deposição do então presidente João Goulart.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

O presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, articulado com as forças conspiratórias, sob vaias e gritos que o alcunhavam de "golpista", declarou que o então Presidente da República, João Goulart, estava ausente do país, portanto, declarava vaga a presidência da República - na verdade, João Goulart estava em São Borja RS, articulando as últimas forças civis e militares leais para resistir ao golpe. Contudo, a Ideia da resistência foi abortada pela absoluta "falta de correlação de forças" -, e empossava o presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli, que permaneceu no cargo até 15 de abril de 1964, exercendo interinamente a presidência da República pela segunda vez.[1] Em 9 de abril, uma junta militar, autodenominada Comando Supremo da Revolução, formada pelo general Arthur da Costa e Silva (Exército), o tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica) e o vice-almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald (Marinha), todos ministros de Ranieri, e que de fato governavam durante o seu segundo governo, baixaram o Ato Institucional Número Um (AI-1), na época denominado apenas de Ato Institucional, que dentre as determinações estava a de que o Congresso Nacional se transformaria em Colégio Eleitoral para a designação do Presidente da República, embora mantivesse eleições diretas no ano seguinte, o que mais tarde iria ser alterado pelo AI-2.[2] Assim sendo, a eleição presidencial realizou-se no dia 11 de abril de 1964, doze dias após a vacância.[3]

No momento da vacância, uma eleição presidencial direta para 3 de outubro de 1965 estava marcada. Havia quatro pré-candidaturas: o ex-presidente Juscelino Kubitschek com o slogan "JK-65, a vez da agricultura",[4] o governador da Guanabara Carlos Lacerda, o deputado federal pela Guanabara e ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, e o ex-presidente Jânio Quadros. Todas as candidaturas foram abortadas, e a eleição obviamente nunca ocorreu.[5] Ironicamente, Juscelino, que viria a ser perseguido pelo regime, votou em Castelo Branco, num dos votos mais ovacionados da sessão.[6]

Resultados[editar | editar código-fonte]

A eleição ocorreu de forma separada para presidente e vice. Na eleição para presidente, ocorreram 72 abstenções e 37 não compareceram à votação. Para vice foram 63 abstenções. Em 15 de abril de 1964, o marechal Castelo Branco, então Chefe do Estado-Maior do Exército, e o deputado José Maria Alkimim (PSD), secretário de finanças do governo de Minas Gerais, assumiam, respectivamente, os cargos de Presidente e Vice-presidente do Brasil.[7]

Eleição para presidente do Brasil em 1964[8] Eleição para vice-presidente do Brasil em 1964 – 2º escrutínio[8]
Partido Candidato Votos % Partido Candidato Votos %
nenhum Castelobranco.jpg Castelo Branco 361 98,63 Partido Social Democrático Zemaria.jpg José Maria Alkmin 256 95,52
Partido Democrata Cristão Juarez Távora 1930.jpg Juarez Távora 3 0,82 Partido Social Democrático Auro de Moura Andrade 9 3,36
Partido Social Democrático Eurico Gaspar Dutra.jpg Eurico Gaspar Dutra 2 0,55 União Democrática Nacional Milton Campos 2 0,75
Partido Democrata Cristão Juarez Távora 1930.jpg Juarez Távora 1 0,37
Total de votos válidos 366 100,00 Total de votos válidos 268 100,00

No primeiro escrutínio da eleição para vice-presidente, os resultados foram: José Maria Alkmin obteve 203 votos (56,70%), Auro Soares de Moura Andrade 150 votos (41,90%), Ranieri Mazzilli e Milton Campos cada um com 2 votos (0,55% cada), e Antônio Sanchez Galdeano com 1 voto (0,30%). Como nenhum dos candidatos obteve a maioria dos votos do Congresso, foi realizado um segundo escrutínio; Auro Soares de Moura Andrade renunciou a sua candidatura, deixando Alkmin praticamente sem oposição.

Referências

  1. «Ouça o áudio e leia trechos da sessão do Congresso que depôs Jango». G1. 31 de março de 2014. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  2. ATO INSTITUCIONAL Nº 1, de 9 de abril de 1964. Dispõe sobre a manutenção da Constituição Federal de 1946 e as Constituições Estaduais e respectivas Emendas, com as modificações introduzidas pelo Poder Constituinte originário da revolução Vitoriosa.
  3. AI-1 Brasil Escola. Rainer Souza. Acessado em 08/12/2011.
  4. JK-65 Projeto Memória O tempo da amargura (1961-1976). Acessado em 08/12/2011.
  5. JK é, ainda hoje, um dos políticos mais admirados pela população. Senado Federal, Helena Daltro Pontual. Acessado em 08/12/2011.
  6. SETTI, Ricardo (11 de outubro de 2010). «50 ANOS DO GOLPE DE 1964: Eu vi JK votar no marechal Castello, para depois ser cassado (capítulo 1)». Blog Veja. Consultado em 24 de junho de 2017 
  7. Ata da 3ª sessão conjunta, da 2ª sessão legislativa ordinária, da 5ª legislatura, em 11 de abril de 1964. Coleção de Anais da Câmara dos Deputados - 12/04/1964. camara.gov.br. Consultado em 10/01/2017.
  8. a b Porto, Walter Costa. Dicionário do voto. Rio de Janeiro, Brasil: Lexikon. ISBN 978-85-86368-99-8 


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