Eleições estaduais em São Paulo em 1947

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Eleições estaduais em  São Paulo em 1947
19 de janeiro de 1947
(Turno único)
Ademar Pereira de Barros, Governador de São Paulo.tif Hugo Borghi, Deputado (SP).tif
Candidato Adhemar de Barros Hugo Borghi
Partido PSP PTN
Natural de Piracicaba, SP Campinas, SP
Vice Não havia Não havia
Votos 393.637 340.502
Porcentagem 35,24% 30,49%


Brasão do estado de São Paulo.svg
Governador de São Paulo

Titular
Macedo Soares
Nenhum

As eleições estaduais em São Paulo em 1947 ocorreram em 19 de janeiro como parte das eleições gerais no Distrito Federal, em 20 estados e nos territórios federais do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Em São Paulo foram eleitos o governador Ademar de Barros (a escolha do vice-governador Novelli Júnior aconteceu mais tarde), os senadores Euclides Vieira e Roberto Simonsen, além de cinco deputados federais e setenta e cinco deputados estaduais.[1][2][nota 1][nota 2][nota 3][nota 4]

Nascido em Piracicaba e formado em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1923, Ademar de Barros trabalhava na Fundação Osvaldo Cruz e retornou a São Paulo para alistar-se na luta em prol da Revolução Constitucionalista de 1932 recebendo a patente de capitão, mas com a derrota do movimento teve que exilar-se na Argentina e no Paraguai. De volta ao Brasil foi eleito deputado estadual em 1934 até que o Estado Novo extinguiu-lhe o mandato. Apesar de ser um opositor do presidente Getúlio Vargas, foi nomeado por este para o cargo de interventor federal em São Paulo, o qual assumiu em 27 de abril de 1938 e nele permaneceu três anos.[3] Cioso de que nenhum dos três grandes partidos lhe concederia a legenda para concorrer ao Palácio dos Campos Elíseos, Ademar de Barros fundou sua própria agremiação e por ela foi eleito.[nota 5]

O vice-governador Novelli Júnior foi eleito em 9 de novembro de 1947. Médico natural de Itu e formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, esteve na oposição ao Governo Vargas e após residir no Rio de Janeiro voltou a São Paulo elegendo-se deputado federal pelo PSD em 1945[4] e por um breve período foi Secretário de Educação do governo Ademar de Barros até que meses mais tarde renunciou ao mandato parlamentar após ser eleito vice-governador. Nesse mesmo dia houve eleições municipais e nelas o governador Ademar de Barros viu o seu partido obter aproximadamente um terço das prefeituras.

A eleição de dois senadores atendia a uma circunstância política onde Euclides Vieira herdou a cadeira aberta com a renúncia de Getúlio Vargas em 1945, ano em que o mesmo conquistou simultaneamente nove mandatos parlamentares preferindo representar os gaúchos no Senado Federal. Nascido em Itapira, formou-se engenheiro civil e também em arquitetura pela Universidade de São Paulo. Após trabalhar na Estrada de Ferro Sorocabana onde ocupou inclusive uma chefia de divisão, elegeu-se vereador em Campinas em 1936 e mesmo com o advento do Estado Novo permaneceu na vida pública ao ocupar a prefeitura da cidade no curso da interventoria de Ademar de Barros voltando à prefeitura campineira em 1945 e elegeu-se senador via PSP em 1947.[5][6]

Também engenheiro civil formado na Universidade de São Paulo, o empresário Roberto Simonsen nasceu em Santos numa família de ascendência britânica.[7] Funcionário da Southern Brazil Railway antes de assumir a diretoria-geral da prefeitura santista, firmou-se como líder empresarial a partir da fundação do Centro dos Construtores e Industriais de Santos, o qual foi o primeiro presidente.[8] Também presidiu o Sindicato Nacional dos Combustíveis Líquidos em 1925 e a seguir atuou nas áreas de cerâmica, borracha e artefatos de cobre. Prestou apoio logístico à Revolução Constitucionalista de 1932 e elegeu-se deputado federal em 1933 e 1935. Assumiu a presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo no ano de instalação do Estado Novo, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras e elegeu-se senador em 1947 pelo PSD, falecendo no ano seguinte em pleno curso do mandato.[7][nota 6]

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Foram apurados 1.116.883 votos nominais (97,38%), 18.578 votos em branco (1,62%) e 11.516 votos nulos (1,00%) totalizando 1.146.977 eleitores.[1]

Candidato a governador do estado
Candidato a vice-governador Número Partido/Coligação Votação Percentual
Adhemar de Barros
PSP
Não havia
-
-
PSP (sem coligação)
393.637
35,24%
Hugo Borghi
PTN
Não havia
-
-
PTN (sem coligação)
340.502
30,49%
Mário Tavares
PSD
Não havia
-
-
PSD, PR
289.575
25,93%
Almeida Prado
UDN
Não havia
-
-
UDN (sem coligação)
93.169
8,34%
  Eleito

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Foram apurados 1.930.382 votos nominais, embora não existam informações disponíveis sobre os votos em branco e votos nulos.[1]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Euclides Vieira
PSP
Ver abaixo
-
-
PSP (sem coligação)
301.393
15,61%
Roberto Simonsen
PSD
Ver abaixo
-
-
PSD (sem coligação)
291.555
15,10%
César Vergueiro
PSD
Ver abaixo
-
-
PSD (sem coligação)
289.858
15,02%
Cândido Portinari
PSP
Ver abaixo
-
-
PSP (sem coligação)
287.847
14,91%
Mendes de Almeida
PTB
Ver abaixo
-
-
PTB (sem coligação)
257.980
13,36%
José de Melo Morais
PTB
Ver abaixo
-
-
PTB (sem coligação)
192.536
9,97%
Ernesto Leme
UDN
Ver abaixo
-
-
UDN (sem coligação)
156.719
8,12%
Sampaio Dória
UDN
Ver abaixo
-
-
UDN (sem coligação)
152.494
7,90%
  Eleito

Resultado da eleição para suplente de senador[editar | editar código-fonte]

Foram apurados 1.829.417 votos nominais.[1]

Chapa do PSP com Vieira[editar | editar código-fonte]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Caio Simões
PSP
Ver acima
-
-
PSP (sem coligação)
205.800
11,25%
Cristiano Stockler das Neves
PSP
Ver acima
-
-
PSP (sem coligação)
70.891
3,87%
Frederico José Marques
PSP
Ver acima
-
-
PSP (sem coligação)
26.193
1,43%

Chapa do PSP com Portinari[editar | editar código-fonte]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Waldemar Rangel de Matos
PSP
Ver acima
-
-
PSP (sem coligação)
284.577
15,56%
Joaquim Rodrigues Gaspar
PSP
Ver acima
-
-
PSP (sem coligação)
1.578
0,09%
Benedito Elpídio Marcondes
PSP
Ver acima
-
-
PSP (sem coligação)
1.290
0,07%

Chapa do PSD com Simonsen[editar | editar código-fonte]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Rodolfo Miranda
PSD
Ver acima
-
-
PSD (sem coligação)
291.555
15,94%
Alvino Ferreira Lima
PSD
Ver acima
-
-
PSD (sem coligação)
2.144
0,12%
Olavo Queiroz Guimarães
PSD
Ver acima
-
-
PSD (sem coligação)
1.734
0,09%

Chapa do PSD com Vergueiro[editar | editar código-fonte]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Eduardo Vergueiro de Lorena
PSD
Ver acima
-
-
PSD (sem coligação)
288.697
15,78%
Ernesto Fonseca
PSD
Ver acima
-
-
PSD (sem coligação)
1.546
0,08%
Fernão Pompeu de Camargo
PSD
Ver acima
-
-
PSD (sem coligação)
155
zero

Chapa do PTB com Almeida[editar | editar código-fonte]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Otávio Rubbo
PTB
Ver acima
-
-
PTB (sem coligação)
162.151
8,86%

Chapa do PTB com Morais[editar | editar código-fonte]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Antônio Alves de Almeida
PTB
Ver acima
-
-
PTB (sem coligação)
189.630
10,37%

Chapa da UDN com Leme[editar | editar código-fonte]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Cantídio de Moura Campos
UDN
Ver acima
-
-
UDN (sem coligação)
147.220
8,05%
Arlindo Camargo Pacheco
UDN
Ver acima
-
-
UDN (sem coligação)
1.071
0,06%
Juvenal Bonilha de Toledo
UDN
Ver acima
-
-
UDN (sem coligação)
503
0,03%

Chapa da UDN com Dória[editar | editar código-fonte]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Francisco Machado de Campos
UDN
Ver acima
-
-
UDN (sem coligação)
152.154
8,32%
Antônio Wenceslau Carneiro
UDN
Ver acima
-
-
UDN (sem coligação)
473
0,03%
Antônio Vicente de Azevedo
UDN
Ver acima
-
-
UDN (sem coligação)
55
zero
  Eleito

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[10] Ressalte-se que os votos em branco eram incluídos no cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[11]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Emílio Carlos PTB 184.118 Catanduva  São Paulo
Pedro Pomar PSP 135.031 Óbidos Pará Pará
Plínio Cavalcanti PSD 78.372 Jambeiro  São Paulo
Franklin Almeida PSP 70.714 Mococa  São Paulo
Diógenes Arruda Câmara PSP 62.889 Recife  Pernambuco

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Estavam em jogo 75 vagas da Assembleia Legislativa de São Paulo.[1]

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Manuel de Nóbrega[nota 7] PSP 37.778 Niterói  Rio de Janeiro
Arnaldo Borghi PTB 20.137
Milton Caires de Brito PCB 17.692 Paramirim Bahia Bahia
Conceição da Costa Neves PTB 12.119 Juiz de Fora  Minas Gerais
Maurílio Muraro PCB 10.041
Lincoln Feliciano PSD 8.942 Paraibuna  São Paulo
José Oliveira Matias PTB 8.748
Luis Augusto Matos PSD 8.622
Roque Trevisan PCB 8.530 Piracicaba  São Paulo
João Taibo Cadorniga PCB 8.329
Lourival Costa Vilar PCB 8.288
Solon Varginha PSD 8.070
Cunha Bueno PSD 7.591 São Paulo  São Paulo
Estocel de Moraes PCB 7.356
João Batista de Carvalho PSD 7.264
José Romeiro Pereira PSD 7.173 Jundiaí  São Paulo
Amadeu Narciso Pieroni PSD 7.143
Nelson Fernandes PTB 6.876
Gabriel Miglori PTB 6.628
Clóvis de Oliveira Neto PCB 6.502
Martinho Di Ciero PSD 6.434
Brasílio de Oliveira Neto PSD 6.382
Francisco de Castro Neves PSD 6.278 Piracicaba  São Paulo
João Sanches Segura PCB 6.267
Diógenes Ribeiro de Lima PSD 6.197
Armando Mazzo PCB 6.140 São Paulo  São Paulo
Bento de Abreu Sampaio Vidal PSD 6.037 São Carlos  São Paulo
Porfírio da Paz PTB 5.860 Araxá  Minas Gerais
Arimondi Falconi PTB 5.853
Epaminondas Ferreira Lobo PSD 5.780
Vieira Sobrinho PSD 5.776 Itapetininga  São Paulo
Catulo Branco PCB 5.448
Auro de Moura Andrade UDN 5.379 Barretos  São Paulo
Antônio de Oliveira Costa PSD 5.266
Caio Prado Júnior PCB 5.257 São Paulo  São Paulo
Sílvio Gonçalves Pereira PTB 5.233
Sílvio Luciano de Campos PSD 5.231
Valentim Gentil PSD 5.230 Itápolis  São Paulo
José Milliet Filho PTB 5.128
Ulysses Guimarães PSD 5.114 Itirapina  São Paulo
Waldy Rodrigues Correia PTB 5.060
Antonio de Paula Leite Neto PTB 5.042
Salvador de Toledo Artigas PTB 4.966
Anísio Moreira PSD 4.902 Jaboticabal  São Paulo
Antônio Pinheiro Camargo Filho PSP 4.854
Joaquim de Castro Tibiriçá PSD 4.838 Campinas  São Paulo
Osny Silveira UDN 4.826
Sebastião Carneiro da Silva PSD 4.807
Mário Beni PSP 4.799 São Manuel  São Paulo
José Alves Cunha Lima PTB 4.649
José Diogo Bastos UDN 4.634
Cássio Ciampolini PTB 4.630
Procópio Ribeiro dos Santos PSD 4.529
Joviano Alvim PSD 4.411
Francisco Álvares Florence PSD 4.390
Leônidas Camarinha PSD 4.262
Luís Vitório Cruz Martins UDN 4.222
Luís Liarte PSD 4.185
Henrique Ricchetti PSP 4.100
Ernesto Pereira Lopes UDN 3.988 São Paulo  São Paulo
Vicente de Paula Lima UDN 3.728
Rubens do Amaral UDN 3.717 São Carlos  São Paulo
João Bravo Caldeira PR 3.701
Alfredo Farhat PDC 3.691
Loureiro Júnior PRP 3.623 Jaú  São Paulo
Ferraz Egreja UDN 3.595 Cristina  Minas Gerais
Juvenal Sayon UDN 3.574
José Artur da Mota Bicudo PSP 3.285
Lino de Matos PSP 3.251 Ipaussu  São Paulo
Sales Filho PR 3.200 São Paulo  São Paulo
Décio de Queiroz Teles PR 3.099
Salomão Jorge PSP 3.085
Euclides de Castro Carvalho PSP 3.017
Mário Eugênio[nota 8] PSP 2.976 Campinas  São Paulo
Miguel Petrilli PDC 2.837

Notas

  1. Segundo o Art. 1º das Disposições Transitórias da Carta Magna de 1946, a eleição para vice-presidente seria realizada pela Assembleia Nacional Constituinte e dessa forma a Assembleia Legislativa de São Paulo adotou o mesmo ritual para eleger Novelli Júnior uma vez que o cargo de vice-governador não estava em jogo nas eleições estaduais.
  2. No Distrito Federal não houve eleição para governador, apenas para o Senado Federal.
  3. A Constituição de 1946 determinou a eleição de um terço dos senadores e de mais um no caso de existirem vagas em aberto além de suplentes de todos os senadores eleitos a partir de 1945.
  4. Foram eleitos dezenove deputados em sete estados e três territórios federais.
  5. O Palácio dos Bandeirantes foi instituído como sede do governo paulista a partir de 1965.
  6. Com o falecimento de Roberto Simonsen foi efetivado Rodolfo Miranda. Aluno do King's College de Londres voltou ao Brasil e formou-se advogado pela Universidade de São Paulo. Eleito vereador em Avaré e deputado estadual em legislaturas sucessivas pelo Partido Republicano Paulista até a Revolução de 1930.[9] Presidente do Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais, ingressou no PSD e foi eleito suplente de senador em 1947.
  7. Não confundir com o jesuíta Manuel da Nóbrega.
  8. Homônimo do jornalista Mário Eugênio.

Referências

  1. a b c d e «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 18 de setembro de 2017 
  2. «BRASIL. Presidência da República: Constituição de 1946». Consultado em 19 de setembro de 2017 
  3. «CPDOC – A trajetória política de João Goulart: biografia de Ademar de Barros». Consultado em 21 de setembro de 2017 
  4. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Novelli Júnior». Consultado em 3 de junho de 2014 
  5. «Senado Federal do Brasil: senador Euclides Vieira». Consultado em 19 de setembro de 2017 
  6. O TSE devolveu ao senador Euclides Vieira o mandato que lhe conferiu o povo de São Paulo (online). Jornal de Notícias, São Paulo (SP), 21/08/1947. Capa. Página visitada em 19 de setembro de 2017.
  7. a b «Senado Federal do Brasil: senador Roberto Simonsen». Consultado em 19 de setembro de 2017 
  8. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Roberto Simonsen». Consultado em 19 de setembro de 2017 
  9. «Senado Federal do Brasil: senador Rodolfo Miranda». Consultado em 19 de setembro de 2017 
  10. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 18 de setembro de 2017. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  11. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 18 de setembro de 2017