Eleições estaduais no Espírito Santo em 1994

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1990 Brasil 1998
Eleições estaduais no  Espírito Santo em 1994
3 de outubro de 1994
(Primeiro turno)
15 de novembro de 1994
(Segundo turno)
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Candidato Vitor Buaiz Cabo Camata
Partido PT PSD
Natural de Vitória, ES Vitória, ES
Vice Renato Casagrande Lauriete Malta
Votos 669.533 537.051
Porcentagem 55,49% 44,51%


Brasão do Espírito Santo.svg
Governador do Espírito Santo

Eleito
Vitor Buaiz
PT

As eleições estaduais no Espírito Santo ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais no Distrito Federal e em 26 estados. Foram eleitos o governador Vitor Buaiz, o vice-governador Renato Casagrande, os senadores Gerson Camata e José Ignácio Ferreira, 10 deputados federais e 30 estaduais. Como nenhum candidato a governador obteve a metade mais um dos votos válidos, houve um segundo turno em 15 de novembro e conforme a Constituição de 1988 e a Lei nº. 8.713, a posse ocorreria em 1º de janeiro de 1995 para um mandato de quatro anos e originalmente sem o instituto da reeleição.[1][2][3][4][nota 1]

Médico formado na Universidade Federal do Espírito Santo em 1967, Vitor Buaiz nasceu em Vitória, é especialista em clínica médica na Universidade Federal do Rio de Janeiro e em gastroenterologia pela Associação Médica Brasileira. Em decorrência de suas atividades junto à Secretaria estadual de Saúde, ao corpo administrativo do Porto de Vitória e aos órgãos precursores do Instituto Nacional do Seguro Social, lançou-se à atividade sindical durante a década de 1970, seja como secretário-geral da Associação dos Médicos ou primeiro presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, cargo que deixou em 1981 quando já era professor da Universidade Federal do Espírito Santo.[5] Filiado ao PT desde a fundação do mesmo em 1980, foi vice-presidente da Associação Nacional dos Médicos. Derrotado na eleição para deputado federal em 1982 e para prefeito da capital capixaba em 1985, reverteu esses infortúnios ao conquistar um lugar na Câmara dos Deputados em 1986 e a prefeitura de Vitória em 1988, quando já havia subscrito a nova Constituição promulgada naquele ano.[nota 2] Candidato ao Palácio Anchieta em 1994, contou com o apoio do casal Camata[6] e dividiu com Cristovam Buarque, eleito no Distrito Federal, a condição de primeiro governador petista do Brasil.[7]

Natural de Castelo, Renato Casagrande formou-se engenheiro florestal na Universidade Federal de Viçosa e advogado na Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim ao longo dos anos 1980 e anos 1990, respectivamente. Nesse interregno militou no então clandestino PCdoB até ingressar no PMDB em 1983 e um ano depois foi nomeado secretário municipal de Obras e Serviços Públicos de Castelo na gestão do prefeito Paulo Galvão. Membro do PSB desde 1987, foi eleito deputado estadual em 1990 e vice-governador capixaba em 1994.[8][9]

Nascido em Castelo, o jornalista Gerson Camata apresentava o Ronda da Cidade na Rádio Cidade de Vitória, emissora pertencente aos Diários Associados. Filiado à ARENA, elegeu-se vereador em Vitória em 1966. Graduado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo em 1969, venceu as eleições para deputado estadual em 1970 e deputado federal em 1974 e 1978 e quando o presidente João Figueiredo extinguiu o bipartidarismo, ingressou no PMDB sendo eleito governador do Espírito Santo em 1982 numa campanha onde conquistou o apoio de dissidentes do PDS sob o comando de Elcio Alvares.[10][11][12][13][14] Renunciou ao Palácio Anchieta e foi eleito senador em 1986. Durante o mandato assinou a Carta Magna de 1988 e votou pela condenação do presidente na sessão que julgou o processo de impeachment de Fernando Collor em 29 de dezembro de 1992 sendo reeleito senador em 1994.[15][16]

Advogado nascido em Vitória e graduado na Universidade Federal do Espírito Santo, o professor José Ignácio Ferreira foi promotor de justiça em diferentes cidades do Espírito Santo.[17] Em 1962 foi eleito vereador em sua cidade natal e após a vitória do Regime Militar de 1964 foi eleito deputado estadual via MDB em 1966. Cassado pelo Ato Institucional Número Cinco em 13 de março de 1969, teve os direitos políticos suspensos por dez anos e ao fim desse período o escolheram presidente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil.[18] Em 1982 conquistou um mandato de senador por uma sublegenda do PMDB e no exercício do mandato votou em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985.[19] Presidente da CPI da Corrupção que investigou o Governo Sarney,[20] esteve entre os fundadores do PSDB e militou no partido até aceitar o convite para liderar o Governo Collor em 1990, mesmo ano em que entrou no PST e perdeu a disputa pelo governo capixaba. No ano seguinte assumiu a presidência do Sistema Telebrás e ao voltar ao PSDB conquistou um novo mandato de senador em 1994.[21][17]

Sua eleição para o governo estadual em 1998 ocasionou a efetivação do engenheiro agrônomo Ricardo Santos. Nascido em Vila Velha, o mesmo é formado pela Universidade Federal de Viçosa com pós-graduação em Economia na Universidade de São Paulo e estava filiado ao PSDB.[22][23]

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Primeiro turno[editar | editar código-fonte]

Conforme os arquivos da Justiça Eleitoral foram apurados 1.063.553 votos nominais.[1][2]

Candidatos a governador do estado Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Vitor Buaiz
PT
Renato Casagrande
PSB
13
Frente Capixaba Popular
(PT, PSB, PCdoB)
495.948
46,63%
Cabo Camata
PSD
Lauriete Malta
PTB
41
União Social Trabalhista
(PSD, PTB, PRN, PTdoB)
290.677
27,33%
Max Mauro
PMN

PL
33
Resistência Democrática
(PMN, PL, PPS, PRP, PSC)
139.262
13,10%
Rose de Freitas
PSDB

PDT
45
Frente Ética Capixaba
(PSDB, PDT, PPR, PV, PP, PFL)
137.666
12,94%
  Segundo turno

Segundo turno[editar | editar código-fonte]

Conforme os arquivos da Justiça Eleitoral foram apurados 1.206.584 votos nominais.[1][2]

Candidatos a governador do estado Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Vitor Buaiz
PT
Renato Casagrande
PSB
13
Frente Capixaba Popular
(PT, PSB, PCdoB)
669.533
55,49%
Cabo Camata
PSD
Lauriete Malta
PTB
41
União Social Trabalhista
(PSD, PTB, PRN, PTdoB)
537.051
44,51%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Conforme os arquivos da Justiça Eleitoral foram apurados 1.743.512 votos nominais.[1][2]

Candidatos a senador da República
Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Gerson Camata
PMDB
Luiz Pastore
PMDB
José Luiz de Souza
PMDB
152
PMDB (sem coligação)
521.124
29,89%
José Ignácio Ferreira
PSDB
Ricardo Santos
PSDB
Luzia Alves Toledo
PSDB
452
Frente Ética Capixaba
(PSDB, PDT, PPR, PV, PP, PFL)
458.976
26,32%
Hélio Vasconcelos
PT
-
PT
-
PT
132
Frente Capixaba Popular
(PT, PSB, PCdoB)
223.689
12,83%
Márcia Machado
PSB
-
PSB
-
PSB
402
Frente Capixaba Popular
(PT, PSB, PCdoB)
147.771
8,48%
Jones dos Santos Neves
PL
-
PL
-
PL
222
Resistência Popular
(PMN, PL, PPS, PRP, PSC)
145.504
8,34%
Eurico Resende
PPR
-
PPR
-
PPR
112
Frente Ética Capixaba
(PSDB, PDT, PPR, PV, PP, PFL)
108.206
6,21%
Douglas Puppin
PTB
-
PTB
-
PTB
143
União Social Trabalhista
(PSD, PTB, PRN, PTdoB)
68.990
3,96%
Dailson Laranja
PMDB
-
PMDB
-
PMDB
153
PMDB (sem coligação)
37.884
2,17%
Antônio Carlos Alvarenga
PSD
-
PSD
-
PSD
412
União Social Trabalhista
(PSD, PTB, PRN, PTdoB)
31.368
1,80%
  Eleito

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[24] Ressalte-se que os votos em branco eram incluídos no cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[25]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Rita Camata PMDB 74.146 8,98% Venda Nova do Imigrante  Espírito Santo
Theodorico Ferraço[nota 3] PTB 56.753 6,88% Cachoeiro de Itapemirim  Espírito Santo
Jorge Anders[nota 3] PSDB 48.866 5,92% Vila Velha  Espírito Santo
Adelson Salvador PSB 26.242 3,18% Colatina  Espírito Santo
Luiz Durão PDT 24.738 3,00% Linhares  Espírito Santo
Roberto Valadão PMDB 24.074 2,92% Colatina  Espírito Santo
Feu Rosa PSDB 24.023 2,91% Vitória  Espírito Santo
Nilton Baiano PMDB 22.824 2,77% Itabuna Bahia Bahia
Luiz Buaiz PDT 22.782 2,76% Vitória  Espírito Santo
João Coser PT 21.365 2,59% Santa Teresa  Espírito Santo

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Estavam em jogo 30 cadeiras na Assembleia Legislativa do Espírito Santo.[1][2]

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Marcos Madureira PPR 22.404 2,25% Cachoeiro de Itapemirim  Espírito Santo
Carlos Alberto Lyrio PSB 15.397 1,55% São Mateus  Espírito Santo
Antário Teodoro Filho PSDB 14.340 1,44%
Juca Gama PTB 14.080 1,41% São Mateus  Espírito Santo
Sérgio Vidigal PDT 13.203 1,33% Vitória  Espírito Santo
Paulo Sergio Borges PSDB 13.045 1,31%
Max Mauro Filho PMN 12.669 1,27% Vila Velha  Espírito Santo
Nilton Gomes[nota 4] PPR 12.576 1,26%
Ricardo Ferraço PTB 12.223 1,23% Cachoeiro de Itapemirim  Espírito Santo
Jair de Oliveira[nota 5] PTB 12.031 1,21% Campo do Meio  Minas Gerais
Cláudio Vereza PT 12.022 1,21% Aimorés  Minas Gerais
Magno Malta PTB 10.997 1,10% Macarani Bahia Bahia
José Ramos Furtado PPR 10.915 1,10% Alegre  Espírito Santo
Lourival Berger PPR 10.832 1,09% Santa Maria de Jetibá  Espírito Santo
José Carlos Gratz PFL 10.249 1,03% Ibiraçu  Espírito Santo
Enivaldo dos Anjos PDT 10.044 1,01% Barra de São Francisco  Espírito Santo
Moacyr Carone Assad PDT 9.594 0,96% Anchieta  Espírito Santo
Lelo Coimbra PSDB 9.476 0,95% Vitória  Espírito Santo
Gilson Gomes PTB 9.390 0,94% Afonso Cláudio  Espírito Santo
Marcelino Fraga PMDB 8.998 0,90% Muqui  Espírito Santo
Brice Bragato PT 8.797 0,88% Conceição do Castelo  Espírito Santo
José Luiz Balestrero PSB 8.719 0,88% Viana  Espírito Santo
Benedito Enéas Muqui PFL 8.368 0,84% Cachoeiro de Itapemirim  Espírito Santo
Nasser Youssef Nasr PMDB 8.330 0,84% Nilópolis  Rio de Janeiro
Sávio Martins PMDB 8.240 0,83% Jaguaré  Espírito Santo
Fernando Resende PMDB 8.122 0,82% Miracema  Rio de Janeiro
Fátima Couzi PSDB 7.951 0,80% Guaçuí  Espírito Santo
José Gotardo Spadeto PL 7.283 0,73%
José Otávio Baioco PT 6.591 0,66%
José Alves Neto PT 6.415 0,64%

Notas

  1. A reeleição foi inserida no ordenamento jurídico brasileiro pela Emenda Constitucional nº. 16 de 04/06/1997.
  2. Vitor Buaiz renunciou ao mandato parlamentar em favor de Lourdinha Savignon para assumir a prefeitura da capital capixaba.
  3. a b Theodorico Ferraço foi eleito prefeito de Cachoeiro de Itapemirim em 1996 e no mesmo ano Jorge Anders elegeu-se prefeito de Vila Velha e assim foram efetivados Etevalda Menezes e Marcus Vicente.
  4. Homônimo do político conhecido como "Nilton Baiano".
  5. Não confundir com o músico Jair Oliveira.

Referências

  1. a b c d e «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 7 de setembro de 2017 
  2. a b c d e «Banco de dados do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo». Consultado em 7 de setembro de 2017 
  3. «BRASIL. Presidência da República. Constituição de 1988». Consultado em 7 de setembro de 2017 
  4. «BRASIL. Presidência da República. Lei nº. 8.713 de 30/09/1993». Consultado em 7 de setembro de 2017 
  5. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Vitor Buaiz». Consultado em 7 de setembro de 2017 
  6. PT anuncia o apoio de Rita Camata (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 15/06/1994. Política e Governo, p. 02. Página visitada em 7 de setembro de 2017.
  7. PT decide fazer oposição ao novo governo (online). O Estado de S. Paulo, São Paulo (SP), 28/11/1994. Política, p. 06. Página visitada em 7 de setembro de 2017.
  8. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Renato Casagrande». Consultado em 7 de setembro de 2017 
  9. «Senado Federal do Brasil: senador Renato Casagrande». Consultado em 7 de setembro de 2017 
  10. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Gerson Camata». Consultado em 8 de setembro de 2017 
  11. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 6.767 de 20/12/1979». Consultado em 8 de setembro de 2017 
  12. Sucessor do MDB já tem maioria no ES (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 04/02/1959. Política e Governo, p. 02. Página visitada em 8 de setembro de 2017.
  13. Álvares só ajudará "seus companheiros" (online). O Estado de S. Paulo, 13/06/1982. Página visitada em 8 de setembro de 2013.
  14. PDS não tem esperança de ganhar no Espírito Santo (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 07/11/1982. Primeiro caderno, p. 04. Página visitada em 8 de setembro de 2017.
  15. «Senado Federal do Brasil: senador Gerson Camata». Consultado em 8 de setembro de 2017 
  16. Apenas 8 apoiam Collor (online). Folha de S. Paulo, São Paulo (SP), 30/12/1992. Renúncia, caderno especial, p. 06. Página visitada em 8 de setembro de 2017.
  17. a b «Senado Federal do Brasil: senador José Ignácio Ferreira». Consultado em 8 de setembro de 2017 
  18. Govêrno (sic) cassa 92 deputados estaduais e três federais (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 14/03/1969. Primeiro caderno, p. 03. Página visitada em 8 de setembro de 2017.
  19. Sai de São Paulo o voto para a vitória da Aliança (online). Folha de S. Paulo, São Paulo (SP), 16/01/1985. Primeiro caderno, p. 06. Página visitada em 8 de setembro de 2017.
  20. Faoro entrega interpelação a Sarney no STF quarta-feira (online). Folha de S. Paulo, São Paulo (SP), 13/05/1988. Política, p. A-4. Página visitada em 8 de setembro de 2017.
  21. Telebrás instala 950 mil telefones até meados de 93 (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 07/06/1991. Política e Economia, p. 04. Página visitada em 9 de setembro de 2017.
  22. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Ricardo Santos». Consultado em 9 de setembro de 2017 
  23. «Senado Federal do Brasil: senador Ricardo Santos». Consultado em 9 de setembro de 2017 
  24. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 7 de setembro de 2017 
  25. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 7 de setembro de 2017