Eleições estaduais no Maranhão em 1950

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
‹ 1947 Brasil 1954
Eleições estaduais no  Maranhão em 1950
3 de outubro de 1950
(Turno único)
Senador Eugenio de Barros.tif Replace this image male.png
Candidato Eugênio de Barros Saturnino Bello
Partido PST PSD
Natural de Matões, MA São Luís, MA
Vice Renato Archer Antenor Abreu
Votos 74.743 67.753
Porcentagem 52,45% 47,55%


Brasão do Maranhão.png
Governador do Maranhão

As eleições estaduais no Maranhão em 1950 ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais no Distrito Federal, em 20 estados brasileiros e nos territórios federais do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Neste dia os maranhenses elegeram o governador Eugênio de Barros, o vice-governador Renato Archer, o senador Antônio Bayma, nove deputados federais e trinta e seis deputados estaduais numa jornada favorável ao vitorinismo.[1][nota 1][nota 2].[nota 3][nota 4]

Antes que a Justiça Eleitoral decidisse em prol de Eugênio de Barros, seu opositor, Saturnino Bello, foi aclamado vencedor pelas urnas, todavia denúncias de fraude levaram a uma "depuração" de seus votos até que o rival o superasse.[2] Antigo interventor federal e vice-governador em fim de mandato, Saturnino Bello faleceu à 16 de janeiro de 1951 vítima de derrame cerebral em meio às polêmicas que surgiram. O imbróglio político maranhense começou quando a oposição contestou a derrota nas urnas pelo que chamou de "manobra" e em razão disso manifestações na capital do estado resultaram num desagrado popular temperado por conflitos, tiroteios e mortes,[3] exigindo a intervenção da Polícia Militar do Estado do Maranhão e do Exército Brasileiro via Décima Região Militar. O novo governador teria cinco anos de mandato a começar em 31 de janeiro de 1951,[nota 5] todavia uma disputa judicial fez com que o poder fosse entregue ao desembargador Traiaú Rodrigues Moreira. Empossado em 28 de fevereiro por decisão do Tribunal Superior Eleitoral,[4] Eugênio de Barros deixou o cargo em 14 de março em prol do deputado César Aboud, presidente da Assembleia Legislativa.

Industrial e político nascido em Matões (MA),[5] o governador Eugênio de Barros assumiu o cargo em definitivo à 18 de setembro de 1951 ao lado do vice-governador Renato Archer, oficial da Marinha nascido em São Luís e filho do ex-governador Sebastião Archer.

Na eleição para senador a vitória foi o engenheiro Antônio Bayma. Natural de Codó e formado na Escola de Minas de Ouro Preto, ele foi diretor de Obras Públicas do Maranhão, professor de Matemática no Liceu Maranhense e diretor da Estrada de Ferro São Luís-Teresina, dentre outras funções.[6] Seu mandato, porém, foi abreviado pela decisão de renunciar em conjunto com o suplente Newton Belo e assim permitir a eleição de Assis Chateaubriand e do suplente Públio de Melo em escrutínio suplementar.

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Os percentuais refletem o total dos votos válidos obtidos pelos candidatos segundo os votos apurados.[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Eugênio de Barros
PST
Ver abaixo
-
-
PST (sem coligação)
74.743
52,45%
Saturnino Bello
PSD
Ver abaixo
-
-
Oposições Coligadas
(PSD, PR, UDN, PSP, PTB, PL)
67.753
47,55%
  Eleito

Resultado da eleição para vice-governador[editar | editar código-fonte]

Os percentuais refletem o total dos votos válidos obtidos pelos candidatos segundo os votos apurados.[1][nota 6]

Candidatos a vice-governador
Candidatos a governador do estado Número Coligação Votação Percentual
Renato Archer
PST
Ver acima
-
-
PST (sem coligação)
74.131
52,22%
Antenor Abreu
PR
Ver acima
-
-
Oposições Coligadas
(PSD, PR, UDN, PSP, PTB, PL)
67.837
47,78%
  Eleito

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Resultado obtido junto ao Tribunal Superior Eleitoral em seu acervo.[1]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Antônio Bayma
PST
Newton Belo
PST
-
PST (sem coligação)
74.128
53,56%
Evandro Viana
PSP
José Ribamar Viana Pereira
PSP
-
Oposições Coligadas
(PSD, PR, UDN, PSP, PTB, PL)
64.266
46,44%
  Eleito

Resultado da eleição para suplente de senador[editar | editar código-fonte]

Resultado obtido junto ao Tribunal Superior Eleitoral em seu acervo.[1]

Candidatos a suplente de senador
Candidatos titulares a senador Número Coligação Votação Percentual
Newton Belo[nota 7]
PST
Ver acima
-
-
PST (sem coligação)
66.722
52,42%
José Ribamar Viana Pereira
PSP
Ver acima
-
-
Oposições Coligadas
(PSD, PR, UDN, PSP, PTB, PL)
60.570
47,58%
  Eleito

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[7][8][nota 8]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Paulo Ramos PTB 13.977 Caxias  Maranhão
Alfredo Duailibe PST 11.352 São Luís  Maranhão
Cunha Machado PST 9.394 São Luís  Maranhão
Afonso Matos PST 9.378 São Luís  Maranhão
José Matos PST 8.786 São Luís  Maranhão
Clodomir Millet PSP 7.934 Codó  Maranhão
Benedito Lago PST 7.832 Chapadinha  Maranhão
Antenor Bogéa UDN 6.577 Grajaú  Maranhão
José Neiva PSP 6.445 Nova Iorque  Maranhão

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Foram eleitos 36 deputados estaduais e as bancadas foram assim distribuídas: PST 20, Oposições Coligadas 16.[9][nota 9]

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Francisco Chagas Araújo PST 3.469
Neiva Moreira PSP 3.038 Nova Iorque  Maranhão
Didácio Coelho dos Santos PST 2.675
Teoplistes Teixeira PST 2.643
Raimundo Bogéa PST 2.630 Grajaú  Maranhão
Gonçalo Moreira Lima PST 2.622
Newton Belo[nota 7] PST 2.499 São Bento  Maranhão
Lister Caldas PST 2.499 Teresina  Piauí
Paulo Rocha Matos PST 2.381
José Clementino Bezerra PSP 2.305
José Ribamar de Carvalho Lago PST 2.277
Maurício Jansen Pereira OC 2.187
César Aboud PST 2.170 Rio Branco  Acre
João Batista Freitas Diniz PST 2.129
Raimundo Nonato Corrêa de Araújo Neto OC 2.122 Pedreiras  Maranhão
Jefferson Rodrigues Moreira PST 2.071
José Gabriel dos Santos Neto PST 2.011
José Ribamar Bayma Serra PST 2.000
Florêncio Cerqueira Soares OC 1.973
Nunes Freire PST 1.953 Grajaú  Maranhão
Manoel de Oliveira Gomes PR 1.943
Djalma Tenório Brito PST 1.934
José de Sousa Carvalho Branco PSD 1.917
José de Sousa Marques Teixeira PST 1.909
José Maria de Carvalho PR 1.904
José da Silva Varão PST 1.879
Eusébio Martins Trinta PST 1.847
Ivar Saldanha PST 1.826 Rosário  Maranhão
Walter de Matos Carvalho OC 1.664
Travassos Furtado PR 1.610 Viana  Maranhão
Valbert Costa Pinheiro OC 1.552
Fernando Ribamar Viana PSD 1.526
Catão Maranhão PTB 1.518
Eurico da Rocha Santos OC 1.392 São João dos Patos  Maranhão
Avilásio Fonseca Maranhão OC 1.373
Petrônio Aguiar Pereira OC 1.365

Notas

  1. No Distrito Federal não houve eleição para governador, apenas para o Senado Federal.
  2. Embora tenha se abrigado no PSD após a queda do Estado Novo, o "vitorinismo" transitou por legendas como o Partido Proletário do Brasil (PPB). Com a extinção desta legenda e a criação do PST a claque "vitorinista" aderiu ao partido em questão e nele Vitorino Freire foi candidato a vice-presidente da República e embora tenha ficado em penúltimo lugar na soma dos votos recebidos em todo o Brasil, foi o mais votado no Maranhão e este fato assegurou a vitória de Eugênio de Barros ao Palácio dos Leões
  3. O Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas aponta que o Partido Proletário do Brasil (PPB) surgiu em 1946 como uma dissidência do PTB.
  4. À época a eleição para presidente e vice-presidente da República acontecia em separado, daí a candidatura "solitária" de Vitorino Freire.
  5. Somente a partir de 1970 é que os governadores de estado passaram a tomar posse no mesmo dia e a ter mandatos de igual duração.
  6. Entre 1950 e 1962 a escolha do vice-governador nos estados brasileiros ocorria em disputa à parte e não numa chapa conjunta, situação igual à dos senadores e seus suplentes.
  7. a b Graças às minúcias da legislação vigente à época, Newton Belo foi eleito simultaneamente suplente de senador e também deputado estadual.
  8. Costa Rodrigues foi empossado deputado federal em 29 de outubro de 1951 devido às eleições suplementares de setembro.
  9. As "Oposições Coligadas" são uma aliança formada por seis partidos (PSD, UDN, PSP, PTB, PR, PL) em 1950 cuja filiação individual dos deputados estaduais eleitos será determinada paulatinamente. No caso desta relação foram consultadas edições do jornal O Combate.

Referências

  1. a b c d e «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 11 de abril de 2016 
  2. Fraude ilimitada nas apurações do Maranhão (online). O Estado de S. Paulo, São Paulo (SP), 26/10/1958. Geral, p. 07. Página visitada em 12 de abril de 2016.
  3. Graves ocorrências no Maranhão (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 01/03/1951. Primeiro caderno, p. 06. Página visitada em 12 de abril de 2016.
  4. Concedida, pelo Tribunal Superior, força federal para garantir a posse do sr. Eugênio de Barros, governador eleito do Maranhão (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 28/02/1951. Primeiro caderno, p. 06. Página visitada em 12 de abril de 2016.
  5. «Senado Federal do Brasil: senador Eugênio de Barros». Consultado em 12 de abril de 2016 
  6. «Senado Federal do Brasil: senador Antônio Bayma». Consultado em 28 de fevereiro de 2019 
  7. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 28 de fevereiro de 2017 
  8. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 28 de fevereiro de 2017 
  9. «Biblioteca Nacional Digital Brasil: Hemeroteca Digital». Consultado em 1º de março de 2019