Eleições estaduais no Maranhão em 1950

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Eleições estaduais no  Maranhão em 1950
3 de outubro de 1950
(Turno único)
Senador Eugenio de Barros.tif Replace this image male.png
Candidato Eugênio de Barros Saturnino Bello
Partido PST PSD
Natural de Matões, MA São Luís, MA
Vice Renato Archer Antenor Oliveira
Votos 74.743 67.753
Porcentagem 52,45% 47,55%


Brasão do Maranhão.png
Governador do Maranhão

As eleições estaduais no Maranhão em 1950 ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais no Distrito Federal, em 20 estados e nos territórios federais do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Em todo o país foram eleitos 20 governadores, um terço dos senadores, deputados federais e deputados estaduais.[nota 1] Os maranhenses elegeram o governador Eugênio de Barros, o vice-governador Renato Archer, o senador Antônio Bayma, nove deputados federais e trinta e seis deputados estaduais.[1]

Repetindo os eventos de 1947, as eleições para o governo do estado opuseram os adeptos de Vitorino Freire e a máquina do PSD, muito embora o "vitorinismo" tenha se abrigado nesta legenda logo após a queda do Estado Novo antes de buscar abrigo no Partido Proletário do Brasil (PPB). Com a extinção desta legenda e a criação do PST a claque "vitorinista" aderiu ao partido em questão e nele Vitorino Freire foi candidato a vice-presidente da República e embora tenha ficado em penúltimo lugar na soma dos votos recebidos em todo o Brasil, foi o mais votado no Maranhão e este fato assegurou a vitória de Eugênio de Barros ao Palácio dos Leões.[nota 2][nota 3]

Industrial e político nascido em Matões (MA),[2] o governador Eugênio de Barros recebeu um mandato de cinco anos a se iniciar em 31 de janeiro de 1951, todavia ele arcou com uma disputa judicial a respeito de sua eleição e posse, que aconteceu somente em 28 de fevereiro por decisão do Tribunal Superior Eleitoral.[3] Enquanto isso o estado esteve sob os cuidados do desembargador Traiaú Rodrigues Moreira.[nota 4]

Antes que a Justiça Eleitoral decidisse em prol de Eugênio de Barros, seu opositor, Saturnino Bello, foi tido como vencedor pelas urnas, entretanto denúncias de fraude levaram a uma "depuração" de seus votos até que o rival o superasse.[4] Antigo interventor federal e vice-governador em fim de mandato, Saturnino Bello faleceu à 16 de janeiro de 1951 vítima de derrame cerebral em meio às polêmicas que surgiram.

O imbróglio político maranhense começou quando a oposição contestou a derrota nas urnas pelo que chamou de "manobra" e em razão disso houve manifestações na capital do estado e nelas o desagrado popular resultou em confrontos, tiroteio e morte,[5] exigindo a intervenção da Polícia Militar do Estado do Maranhão e do Exército Brasileiro via Décima Região Militar. Em 14 de março o deputado César Aboud assumiu o comando do estado como presidente da Assembleia Legislativa até que, em 18 de setembro, Eugênio de Barros reassumiu o poder ao lado do vice-governador Renato Archer, oficial da Marinha e filho do ex-governador Sebastião Archer.

Na eleição para senador a vitória foi o engenheiro Antônio Bayma. Natural de Codó e formado na Escola de Minas de Ouro Preto, ele foi diretor de Obras Públicas do Maranhão, professor de Matemática no Liceu Maranhense e diretor da Estrada de Ferro São Luís-Teresina, dentre outras funções.[6] Seu mandato, porém, foi abreviado pela decisão de renunciar em conjunto com o suplente Newton Belo e assim permitir a eleição de Assis Chateaubriand e do suplente Públio de Melo em escrutínio suplementar.

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Os percentuais refletem o total dos votos válidos obtidos pelos candidatos segundo os votos apurados.[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Eugênio de Barros
PST
Renato Archer
PST
-
PST (sem coligação)
74.743
52,45%
Saturnino Bello
PSD
Antenor Oliveira
UDN
-
Oposições Coligadas
(PSD, UDN, PSP, PTB, PR, PL)
67.753
47,55%
  Eleito

Resultado da eleição para vice-governador[editar | editar código-fonte]

Os percentuais refletem o total dos votos válidos obtidos pelos candidatos segundo os votos apurados.[1][nota 5]

Candidatos a vice-governador
Candidatos a governador do estado Número Coligação Votação Percentual
Renato Archer
PST
Eugênio de Barros
PST
-
PST (sem coligação)
74.131
52,22%
Antenor Oliveira
UDN
Saturnino Bello
PSD
-
Oposições Coligadas
(PSD, UDN, PSP, PTB, PR, PL)
67.837
47,78%
  Eleito

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Resultado obtido junto ao Tribunal Superior Eleitoral em seu acervo.[1][nota 6]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Antônio Bayma
PST
Newton Belo
PST
-
PST (sem coligação)
74.128
53,56%
Evandro Viana
PSP
José Ribamar Viana Pereira
PSP
-
Oposições Coligadas
(PSD, UDN, PSP, PTB, PR, PL)
64.266
46,44%
  Eleito

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[7][8][nota 7]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Paulo Ramos PTB 13.977 Caxias  Maranhão
Alfredo Duailibe PST 11.352 São Luís  Maranhão
Cunha Machado PST 9.394 São Luís  Maranhão
Afonso Matos PST 9.378 São Luís  Maranhão
José Matos PST 8.786 São Luís  Maranhão
Clodomir Millet PSP 7.934 Codó  Maranhão
Benedito Lago PST 7.832 Chapadinha  Maranhão
Antenor Bogéa UDN 6.577 Grajaú  Maranhão
José Neiva PSP 6.445 Nova Iorque  Maranhão

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Foram eleitos 36 deputados estaduais e as bancadas foram assim distribuídas: PST 20, Oposições Coligadas 16.[nota 8]

Notas

  1. No Distrito Federal não houve eleição para governador, apenas para o Senado Federal.
  2. O Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas aponta que o Partido Proletário do Brasil (PPB) surgiu em 1946 como uma dissidência do PTB.
  3. À época a eleição para presidente e vice-presidente da República acontecia em separado, daí a candidatura "solitária" de Vitorino Freire.
  4. Somente a partir de 1970 é que os governadores de estado passaram a tomar posse no mesmo dia e a ter mandatos de igual duração.
  5. Entre 1950 e 1962 a escolha do vice-governador nos estados brasileiros ocorria em disputa à parte e não numa chapa conjunta, situação igual à dos senadores e seus suplentes.
  6. Newton Belo foi eleito suplente do candidato vencedor com 67.671 votos (51,51%) contra 63.701 (48,49%) de José Ribamar Viana Pereira que concorreu pela chapa adversária.
  7. Em 29 de outubro de 1951 Costa Rodrigues foi empossado deputado federal devido às eleições suplementares de setembro.
  8. Até que a tabulação dos dados fique completa será relacionado apenas o total de eleitos.

Referências

  1. a b c d «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 11 de abril de 2016. 
  2. «Senado Federal do Brasil: senador Eugênio de Barros». Consultado em 12 de abril de 2016. 
  3. Concedida, pelo Tribunal Superior, força federal para garantir a posse do sr. Eugênio de Barros, governador eleito do Maranhão (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 28/02/1951. Primeiro caderno, p. 06. Página visitada em 12 de abril de 2016.
  4. Fraude ilimitada nas apurações do Maranhão (online). O Estado de S. Paulo, São Paulo (SP), 26/10/1958. Geral, p. 07. Página visitada em 12 de abril de 2016.
  5. Graves ocorrências no Maranhão (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 01/03/1951. Primeiro caderno, p. 06. Página visitada em 12 de abril de 2016.
  6. «Senado Federal do Brasil: senador Antônio Bayma». Consultado em 12 de abril de 2014. 
  7. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 28 de fevereiro de 2017. 
  8. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 28 de fevereiro de 2017.