Eleições estaduais no Rio Grande do Norte em 1945

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Eleições parlamentares no  Rio Grande do Norte em 1945
2 de dezembro de 1945
(Turno único)
Senadores eleitos
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Líder Georgino Avelino Ferreira de Sousa
Partido PSD UDN
Natural de Angicos, RN Santa Cruz, RN
Votos 44.855 42.116
Porcentagem 21,95% 20,61%


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Senador do Rio Grande do Norte

Titular(es)
Elói de Sousa
Joaquim Inácio
Mandato extinto
Mandato extinto

As eleições estaduais no Rio Grande do Norte em 1945 ocorreram em 2 de dezembro sob as regras definidas no decreto-lei 7.586 e uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral editada em 8 de setembro como parte das eleições gerais no Distrito Federal, 20 estados e no território federal do Acre. Foram eleitos dois senadores e sete deputados federais membros da Assembleia Nacional Constituinte destinada a elaborar a Constituição de 1946 e assim restaurar o regime democrático após o Estado Novo.[1][2][3][nota 1]

Durante a Era Vargas houve pelo menos dez trocas de comando no governo potiguar e dentre os ocupantes do cargo o mais longevo foi o médico Rafael Fernandes Gurjão, eleito governador pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte em 1935 e depois mantido no cargo como interventor federal em meio ao golpe do Estado Novo e embora tenha caído antes do fim do regime, lançou as bases do futuro PSD enquanto os partidários de Juvenal Lamartine de Faria seguiram rumo à UDN. Como reflexo dessa polarização cada partido fez um senador e ambos elegeram seis deputados federais deixando uma vaga para o Partido Republicano Progessista (PRP) na pessoa de João Café Filho (que não deve ser confundido com o PRP de Plínio Salgado).[4]

Jornalista nascido em Angicos, Georgino Avelino fundou em 1909, no Recife, o jornal A Pátria e no ano seguinte foi destacado para servir ao governo do território federal do Acre. Advogado formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi cônsul brasileiro em Gênova e estreou na política em 1924 ao eleger-se deputado federal graças às ligações com o presidente Artur Bernardes.[5][6] Afastado do cenário potiguar devido a Revolução de 1930, defendeu a Revolução Constitucionalista de 1932. Na cidade do Rio de Janeiro, serviu ao interventor Henrique Dodsworth, então prefeito do antigo Distrito Federal na vigência do Estado Novo, mas antes trabalhou no Rio Jornal, O Paiz, Gazeta de Notícias e Diário Carioca, além de ocupar a secretaria-geral da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, então Universidade do Distrito Federal. Foi ainda tabelião e ocupou a presidência do Banco Industrial Brasileiro.[nota 2] Nomeado interventor federal no Rio Grande do Norte em agosto de 1945, caiu após dois meses no poder e em dezembro de 1945 foi eleito senador via PSD.[4]

Advogado formado na Universidade Federal de Pernambuco, Ferreira de Sousa exerceu sua profissão em Natal onde lecionou na Escola Técnica de Comércio[7] e foi consultor da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional do Rio Grande do Norte[8] antes de exercer semelhante função no Rio de Janeiro junto ao Ministério da Fazenda onde foi procurador-adjunto. Eleito deputado estadual em 1921 e 1924 e deputado federal em 1933 e 1934, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Afastado da política durante o Estado Novo, integrou o conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Instituto dos Advogados do Rio de Janeiro. Seu regresso à vida pública ocorreu em 1945 quando foi eleito senador pela UDN.

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Conforme o bando de dados do Tribunal Superior Eleitoral, foram apurados 204.331 votos nominais.[1]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Georgino Avelino
PSD
Pedro Câmara[nota 3]
PSD
-
PSD (sem coligação)
44.855
21,95%
Ferreira de Sousa
UDN
João Oliveira[nota 3]
UDN
-
UDN (sem coligação)
42.116
20,61%
Fernandes Dantas
PSD
Não havia
-
-
PSD (sem coligação)
41.543
20,33%
Dinarte Mariz
UDN
Não havia
-
-
UDN (sem coligação)
41.389
20,26%
Kerginaldo Cavalcanti
PRP
Não havia
-
-
PRP (sem coligação)
15.276
7,48%
Sérgio Marinho
PRP
Não havia
-
-
PRP (sem coligação)
13.320
6,52%
Luís Carlos Prestes
PCB
Não havia
-
-
PCB (sem coligação)
3.030
1,48%
Miguel Moreira
PCB
Não havia
-
-
PCB (sem coligação)
2.802
1,37%
  Eleito

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[9][10]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
José Augusto UDN 14.348 Caicó  Rio Grande do Norte
João Café Filho PRP 11.239 Natal  Rio Grande do Norte
Dioclécio Duarte PSD 7.516 Natal  Rio Grande do Norte
José Augusto Varela[nota 4] PSD 7.268 Ceará-Mirim  Rio Grande do Norte
Walfredo Gurgel PSD 7.116 Caicó  Rio Grande do Norte
Mota Neto PSD 6.994 Mossoró  Rio Grande do Norte
Aluízio Alves UDN 5.788 Angicos  Rio Grande do Norte

Notas

  1. O Acre elegeria dois deputados federais sendo que em 1947 Amapá, Rondônia e Roraima elegeriam apenas um deputado federal cada.
  2. Não confundir com o Banco Industrial do Brasil.
  3. a b Segundo o Art. 11, § 2º, inciso I, alínea "b" das Disposições Transitórias, os suplentes dos senadores eleitos em 1945 seriam escolhidos por voto direto em 1947.
  4. Eleito governador do Rio Grande do Norte em 1947, foi substituído por José Arnaud.

Referências