Eleições estaduais no Rio Grande do Sul em 1978

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1974 Brasil 1982
Eleições estaduais no  Rio Grande do Sul em 1978
1º de setembro de 1978
(Eleição indireta)
15 de novembro de 1978
(Eleição direta)


Amaral de Souza RS.jpg
Candidato Amaral de Sousa


Partido ARENA


Natural de Palmeira das Missões, RS


Vice Otávio Germano
Votos 307
Porcentagem 100%


Brasão do Rio Grande do Sul.svg
Governador do Rio Grande do Sul

As eleições estaduais no Rio Grande do Sul em 1978 ocorreram em duas fases conforme o Pacote de Abril: em 1º de setembro aconteceu a via indireta e a ARENA elegeu o governador Amaral de Sousa, o vice-governador Otávio Germano e o senador Tarso Dutra. A etapa seguinte ocorreu em 15 de novembro, a exemplo dos outros estados brasileiros e o MDB elegeu o senador Pedro Simon, fazendo maioria entre os 32 deputados federais e 56 estaduais que foram eleitos. Os gaúchos residentes no Distrito Federal escolheram seus representantes por força do Art. 17 da Lei nº 6.091 de 15 de agosto de 1974.[1][nota 1]

Nascido em Palmeira das Missões, o governador Amaral de Sousa iniciou carreira política no PSD, ao qual filiou-se antes dos 18 anos. Graduado em Filosofia em 1951 e em Direito no ano seguinte na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, chegou a vice-presidente da União Nacional dos Estudantes. Venceu sua primeira eleição em 1959 como vereador em Palmeira das Missões,[2] e em 1962 foi eleito deputado estadual, migrando à ARENA após o Regime Militar de 1964, elegendo-se deputado federal em 1966 e 1970.[3] Vinculado politicamente a Tarso Dutra,[4] recebeu dele o apoio para eleger-se vice-governador gaúcho em 1974 na chapa de Sinval Guazzelli e para chegar ao Palácio Piratini quatro anos depois.

Além de contar com o senador Paulo Brossard, o MDB elegeu o advogado Pedro Simon para representar o estado em Brasília. Formado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e político desde a época de estudante foi eleito vereador pelo PTB de Caxias do Sul, em 1959, e deputado estadual em 1962, 1966, 1970 e 1974 num período onde presidiu o diretório estadual do MDB mediante o bipartidarismo imposto pelo Regime Militar de 1964. Antes o voto biônico permitiu que Tarso Dutra fosse mantido no Senado Federal, onde chegou no pleito de 1970 após um mandato de deputado estadual, cinco de deputado federal e uma passagem pelo Ministério da Educação no governo Costa e Silva, sendo mantido no cargo pela Junta Militar de 1969.

Devido a reorganização partidária feita no Governo João Figueiredo os governistas do Rio Grande do Sul migraram para o PDS enquanto a oposição se dividiu: os liderados de Pedro Simon foram para o PMDB enquanto os correligionários de Leonel Brizola passaram pelo PTB antes de criarem o PDT.

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

O Colégio Eleitoral do Rio Grande do Sul era composto por 524 membros sendo dominado pela ARENA,[2] porém a ausência dos eleitores do MDB e a impugnação de dez delegados arenistas reduziu para 307 o número de votantes que votaram unanimemente nos candidatos apresentados.

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Amaral de Sousa
ARENA
Otávio Germano
ARENA
n/d
ARENA (sem coligação)
307
100%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Mandato biônico de oito anos[editar | editar código-fonte]

A eleição para senador biônico levou à recondução de Tarso Dutra a uma cadeira que o mesmo conquistou por voto direto em 1970.[2][5]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Tarso Dutra
ARENA
Otávio Cardoso
ARENA
-
ARENA (sem coligação)
307
100%
  Eleito(a)

Mandato direto de oito anos[editar | editar código-fonte]

Seria eleito o candidato mais votado a partir da soma das sublegendas conforme registro do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul cujos arquivos mencionam 174.766 votos em branco e 112.719 votos nulos.[2][nota 2]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Pedro Simon
MDB
Alcides Saldanha
MDB
-
MDB (em sublegenda)
1.751.469
61,61%
Mário Bernardino Ramos
ARENA
n/d
ARENA
-
ARENA (em sublegenda)
620.405
21,83%
Mariano da Rocha
ARENA
n/d
ARENA
-
ARENA (em sublegenda)
329.982
11,61%
Gay da Fonseca
ARENA
n/d
ARENA
-
ARENA (em sublegenda)
140.744
4,95%
  Eleito(a)

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[6] Ressalte-se que os votos em branco eram considerados válidos para fins de cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[7][nota 3][nota 4]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Alceu Collares MDB 112.640 Bagé  Rio Grande do Sul
Cláudio Strassburger[nota 5] ARENA 105.543 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Nelson Marchezan ARENA 99.973 Santa Maria  Rio Grande do Sul
Jair Soares[nota 6] ARENA 97.438 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Carlos Chiarelli[nota 7] ARENA 80.319 Pelotas  Rio Grande do Sul
Fernando Gonçalves[nota 8] ARENA 70.968 Palmeira das Missões  Rio Grande do Sul
Victor Faccioni[nota 9] ARENA 70.223 Caxias do Sul  Rio Grande do Sul
Pedro Germano ARENA 62.945 Cachoeira do Sul  Rio Grande do Sul
Getúlio Dias MDB 62.819 Pelotas  Rio Grande do Sul
Rosa Flores MDB 59.723 Montenegro  Rio Grande do Sul
Alexandre Machado[nota 10] ARENA 58.392 Arroio Grande  Rio Grande do Sul
Waldir Walter MDB 58.264 Santa Maria  Rio Grande do Sul
Júlio Costamilan MDB 57.895 Caxias do Sul  Rio Grande do Sul
Jairo Brum MDB 57.604 Guaporé  Rio Grande do Sul
João Gilberto MDB 53.414 Quaraí  Rio Grande do Sul
Magnus Guimarães MDB 52.330 Santo Ângelo  Rio Grande do Sul
Odacir Klein MDB 51.514 Getúlio Vargas  Rio Grande do Sul
Jorge Uequed MDB 51.173 Rio Grande  Rio Grande do Sul
Lidovino Fanton[nota 11] MDB 50.061 Farroupilha  Rio Grande do Sul
Augusto Trein[nota 9] ARENA 49.175 Passo Fundo  Rio Grande do Sul
Aluizio Paraguassu MDB 48.314 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Alberto Hoffmann[nota 9] ARENA 46.885 Ijuí  Rio Grande do Sul
Lauro Rodrigues[nota 12] MDB 45.672 General Câmara  Rio Grande do Sul
Cardoso Fregapani MDB 44.599 Taquari  Rio Grande do Sul
Hugo Mardini ARENA 43.105 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Eloar Guazzelli MDB 39.901 Vacaria  Rio Grande do Sul
Darcy Pozza ARENA 36.625 Bento Gonçalves  Rio Grande do Sul
Aldo Fagundes MDB 36.171 Alegrete  Rio Grande do Sul
Eloy Lenzi MDB 35.951 Lagoa Vermelha  Rio Grande do Sul
Carlos Santos MDB 34.006 Rio Grande  Rio Grande do Sul
Alcebíades de Oliveira ARENA 32.501 Santo Ângelo  Rio Grande do Sul
Emídio Perondi ARENA 29.592 Tupanciretã  Rio Grande do Sul

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Das 56 cadeiras da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul o MDB superou a ARENA por trinta e um a vinte e cinco.[2]

Notas

  1. No Distrito Federal havia seções especiais para captar o voto de quem estava fora do seu estado de origem e nos territórios federais do Amapá, Rondônia e Roraima serviu apenas para a escolha de deputados federais.
  2. Mesmo com três candidatos a senador, a ARENA não impediu a vitória do MDB em razão de ter obtido apenas 1.091.131 votos ou 38,39%.
  3. Durante toda a legislatura o primeiro suplente governista, Thompson Flores, declinou das convocações para o exercício do mandato preferindo manter-se como presidente da Eletrosul.
  4. Em virtude da convocação de parlamentares para o exercício de cargos no Poder Executivo, quatro suplentes exerceram o mandato com frequência: Cid Furtado (que renunciou a esta condição em 1980 ao ser eleito conselheiro do TCE gaúcho), Túlio Barcelos, Telmo Kirst e Ary Alcântara.
  5. Ocupou a secretaria de Indústria e Comércio ao longo do governo Sinval Guazzelli, só afastando-se da mesma durante o período fixado pela legislação eleitoral; inclusive licenciou-se do mandato de deputado federal em seus primeiros dias a fim de retornar à pasta.
  6. Durante os últimos dias do governo Sinval Guazzelli o deputado Jair Soares foi secretário de Agricultura e tão logo retornou à Câmara dos Deputados pediu licença para assumir o cargo de ministro da Previdência Social a convite do presidente João Figueiredo.
  7. Ocupou a secretaria do Trabalho e Ação Social durante o governo Sinval Guazzelli, só afastando-se da mesma durante o período fixado pela legislação eleitoral; inclusive licenciou-se do mandato de deputado federal em seus primeiros dias a fim de voltar à pasta.
  8. Renunciou ao mandato em 15 de junho de 1982 para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas da União.
  9. a b c Ao assumir o governo do estado, Amaral de Sousa nomeou o deputado Victor Faccioni como secretário de Obras Públicas e o deputado Augusto Trein como secretário do Trabalho e Ação Social. Posteriormente substituiu Victor Faccioni por Alberto Hoffmann.
  10. Renunciou ao mandato em 3 de junho de 1982 para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul.
  11. Faleceu em Porto Alegre à 12 de setembro de 1982 e para ocupar sua cadeira foi efetivado Antônio Bresolin.
  12. Faleceu antes da diplomação vítima de um naufrágio no Rio Jacuí em 17 de dezembro de 1978 sendo efetivado Harry Sauer.

Referências