Eleições gerais no Reino Unido em 2015

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Eleições gerais no Reino Unido em 2015
 

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7 de maio de 2015[1]
David Cameron official.jpg Ed Miliband 2.jpg
Candidato David Cameron Ed Miliband
Partido Conservador Trabalhista
Natural de Witney Doncaster North
Assentos no parlamento 330
Aumento 24
232
Baixa 26
Votos 11 334 576 9 347 304
Porcentagem 36,9% 30,4%
Nicola Sturgeon.jpg Nick Clegg by the 2009 budget cropped.jpg
Candidato Nicola Sturgeon Nick Clegg
Partido SNP Liberal-Democratas
Natural de Sheffield Hallam
Assentos no parlamento 56
Aumento 50
8
Baixa 49
Votos 1 454 436 2 415 862
Porcentagem 4,7% 7,9%
2015UKElectionMap.svg

As eleições gerais britânicas em 2015 foi a votação popular que elegeu o 56º Parlamento do Reino Unido. As eleições aconteceram em 7 de maio de 2015.[2]

As eleições aconteceram nos distritos eleitorais do Reino Unido para eleger os parlamentares da Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento.

Esta foi a 55ª eleição geral no Reino Unido desde 1801 (eleições anteriores elegiam separadamente os parlamentos da Grã-Bretanha e da Irlanda). Este parlamento, contudo, é o 56º, já que o primeiro foi uma espécie de "eleição por consenso".

Cerca de 30 milhões de cidadãos britânicos votaram (66% de participação). David Cameron acabou sendo reeleito para um mandato de mais cinco anos após seu partido conquistar maioria absoluta no Parlamento.[3][4]

A eleição[editar | editar código-fonte]

A campanha eleitoral foi repleta de especulações sobre a possibilidade de haver um "parlamento pendurado/suspenso" (onde nenhum partido conquistaria maioria absoluta para formar um governo). Mas as pesquisas de opinião, que mostravam os dois principais partidos em pé de igualdade, pareceram subestimar a capacidade do Partido Conservador e superestimar a do Partido Trabalhista. A eleição que aparentava ser uma das mais apertadas da história acabou tendo o resultado oposto, com os conservadores se saindo muito bem. O primeiro-ministro no cargo, David Cameron, que governava o país desde 2010 apenas por meio de uma coalizão com os Liberais-Democratas, conseguiu eleger uma ampla maioria de 330 assentos no Parlamento (5 a mais que o necessário para formar um governo), contabilizando 36,9% dos votos válidos (ou 11 334 920 pessoas). Assim eles conseguiram formar um governo de maioria plena, o primeiro do partido desde 1992. Cameron tornou-se o primeiro líder britânico desde 1900 a se reeleger com mais votos populares do que na eleição anterior e o único primeiro-ministro, além de Margaret Thatcher, a se reeleger com seu partido conquistando mais assentos no parlamento.[5][6] O Partido Trabalhista, liderado por Ed Miliband, manteve-se como o segundo maior partido do país, com 30,4% dos votos e 232 assentos, tornando-se a maior força de oposição aos Tories no parlamento.[7] Miliband renunciou como líder dos Trabalhistas após o resultado insatisfatório de sua legenda nas urnas.[8]

Enquanto os Conservadores continuavam a controlar a vida política na Inglaterra e os Trabalhistas no País de Gales, na Escócia o Partido Nacional Escocês (Scottish National Party ou SNP) ganhou considerável força após o referendo de independência, feito em 2014, conquistando apoio de uma população cada vez mais nacionalista, progressista e em desacordo com o governo conservador em Westminster. Na eleição geral de 2015 eles ganharam de forma avassaladora, tomando 56 dos 59 assentos aos quais a Escócia tem direito no Parlamento Britânico, tornando-se a terceira maior força política na Câmara dos Comuns. Já os Liberais-Democratas, liderados pelo vice primeiro-ministro Nick Clegg, perderam 49 assentos, ganhando apoio de apenas 7,85% do eleitorado (no pleito anterior, de 2010, eles haviam conquistado 23% dos votos). Este foi o pior resultado deles desde 1970. No total, os LibDems só conseguiram eleger 8 parlamentares, empatando com o até então inexpressivo Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte na posição de quarto maior partido em Westminster. Como resultado, Nick Clegg acabou renunciando à liderança do seu partido. Um partido que cresceu em proeminência na Inglaterra foi o UK Independence Party (UKIP), de extrema direita, que terminou como a terceira legenda mais votada (12,9%, ou 3 881 129 de votos), mas acabou decepcionando ao eleger apenas um parlamentar. O seu próprio líder, Nigel Farage, não conseguiu se eleger em seu distrito de Thanet South e acabou renunciando ao posto de cabeça do UKIP no dia seguinte ao pleito (embora o partido não tenha aceitado esta renúncia[9]).[10][11][12]

Vários políticos de carreira proeminentes na vida pública britânica acabaram perdendo seus cargos nas urnas, incluindo os membros do gabinete de sombra do partido trabalhista Ed Balls, Douglas Alexander e o líder dos trabalhistas na Escócia, Jim Murphy. Os ministros de Estado do governo de coalizão, Vince Cable, Danny Alexander, Simon Hughes e Ed Davey, tampouco conseguiram se reeleger, no pior resultado para o seu partido, os Liberais democratas, desde as eleições de 1959. A ministra do trabalho, Esther McVey, foi a principal figura dos Conservadores a perder seu posto na eleição. Partidos que conquistaram um bom resultado nas urnas em termos de votos, como o UKIP, reclamaram que terminaram com apenas um assento. Outros partidos menores fizeram queixas similares. Analistas acreditam que as subsequentes discussões sobre reforma política podem ter sido ocasionadas pelos resultados desta eleição.[13]

Resultados[editar | editar código-fonte]

A 8 de maio de 2015 foi declarado o resultado dos 650 distritos:[14][15]

Partido Votos % +/- Deputados +/-
Partido Conservador 11 299 959 36,9 Aumento0,8
330 / 650
Aumento24
Partido Trabalhista 9 344 328 30,4 Aumento1,4
232 / 650
Baixa26
Partido de Independência do Reino Unido 3 881 129 12,6 Aumento9,5
1 / 650
Aumento1
Liberal Democratas 2 415 888 7,9 Baixa15,1
8 / 650
Baixa49
Partido Nacional Escocês 1 454 436 4,7 Aumento3,0
56 / 650
Aumento50
Partido Verde 1 157 613 3,8 Aumento2,9
1 / 650
Estável
Partido Unionista Democrático 184 260 0,6 Estável
8 / 650
Estável
Plaid Cymru 181 694 0,6 Estável
3 / 650
Estável
Sinn Féin 176 232 0,6 Estável
4 / 650
Baixa1
Partido Unionista do Ulster 114 935 0,4 Aumento0,1
2 / 650
Aumento2
Partido Social Democrata e Trabalhista 99 809 0,3 Baixa0,1
3 / 650
Estável
Independente 98 711 0,3 Aumento0,1
1 / 650
Estável
Speaker 34 617 0,1 -
1 / 650
-
Outros 248 069 0,8
0 / 650
Total 30 691 680 100
650 / 650
Eleitorado/Participação 46 222 410 66,4 Aumento1,3
Fonte [16]

Referências

  1. «Peers end deadlock over fixed term parliaments». BBC News Online. 14 de setembro de 2011 
  2. "UK - General election timetable 2015". Página acessada em 12 de maio de 2014.
  3. «David Cameron, reeleito com maioria absoluta, vai formar governo». Diário de Notícias. Consultado em 8 de maio de 2015 
  4. «Cameron promete dedicação aos mais pobres e à Escócia». O Globo. Consultado em 8 de maio de 2015 
  5. "David Cameron Stuns Pollsters With Re-Election As UK Prime Minister". Página acessada em 8 de maio de 2015.
  6. "Cameron Promises Britain 'Something Special'". Página acessada em 8 de maio de 2015.
  7. «Live election results». The Guardian. Consultado em 8 de maio de 2015 
  8. «Ed Miliband to step down as Labour leader». The Guardian. Consultado em 8 de maio de 2015 
  9. "UKIP Rejects Nigel Farage's Resignation". Página acessada em 12 de maio de 2015.
  10. «Nick Clegg throws leadership into doubt as Lib Dem vote collapses». The Guardian. Consultado em 8 de maio de 2015 
  11. «Election 2015 Live: Nick Clegg resigns as Lib Dem leader after 'heartbreaking result'». The Guardian. Consultado em 8 de maio de 2015 
  12. «Nigel Farage resigns as UKIP leader as the party vote rises». BBC News. BBC. 8 de maio de 2015. Consultado em 9 de maio de 2015 
  13. «General Election 2015: Sixty per cent of people want voting reform, says survey». The Independent. Consultado em 9 de maio de 2015 
  14. «Live UK election results». The Guardian. Consultado em 8 de maio de 2015 
  15. «Election 2015 results». BBC. Consultado em 8 de maio de 2015 
  16. «Results of the 2015 General Election - Election 2015». BBC News. Consultado em 2 de julho de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Boundary Commissions[editar | editar código-fonte]