Elemento operativo sobre o material

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Elemento operativo sobre o material (EOM), é expressão genérica conveniente, aplicável em Engenharia de custos, para designar de maneira unificada "qualquer e todo elemento que, num empreendimento (obra, serviço), labore, opere ou trabalhe — lato sensu, diretamente pelo homem ou no modo por ele assistido — sobre o material ou os materiais a serem utilizados no referido empreendimento, com o fito de — por transformá-lo(s) adequadamente, conforme as diretrizes dum projeto — convertê-lo(s) já na obra acabada, para o fim a que se destina". Integram os elementos operativos sobre o material: o homem, a máquina, o instrumento, o software etc.. Cada qual impõe apropriação, avaliação e custeio específicos, mas, por guardarem essa identidade de operação sobre o material, admitem tratamento unificado para certos fins. Elemento operativo sobre o material, como conceituado, assim como o material empregado na realização duma obra, são elementos de custo direto do empreendimento.
O conceito integrado de "Elemento operativo sobre o material" é uma extensão conveniente e necessária para o clássico termo mão-de-obra.[1] Necessária, dada a limitação imposta pela nomenclatura "mão-de-obra", originariamente referente apenas ao trabalho humano direta ou indiretamente incidente sobre a realização duma atividade laboral, quando a realidade dos empreendimentos construtivos humanos já é, desde a antiguidade (e provavelmente antes), a conjugação dos esforços humanos e a dos engenhos e maquinismos criados e construídos pelo homem com a finalidade de multiplicar a capacidade quantitativa e temporal de realização de obras. Conveniente, porque propicia uma interpretação integradora "daqueles elementos todos que colaboram na atuação sobre o material a ser empregado numa construção", já que a dicotomia da construção compreende (1) o sujeito que a realiza; e (2) o material que nela se emprega. Material, aqui — e desde tempos antigos — é também termo genérico, e pode ser tanto "concreto", na acepção de matéria/energia física, tangível/mensurável, como "abstrato", na acepção de tudo aquilo que, no plano das ideias ou suas expressões, venha a ser objeto de exercício laboral construtivo por parte do ser humano, no modo direto e/ou assistido. Esses conceitos vêm evoluindo com as inovações tecnológicas de todas as eras, e não se constituem característica única apenas das chamadas revoluções industriais modernas e contemporâneas.

Elemento operativo-obra[editar | editar código-fonte]

Elemento operativo-obra é conceito unificador que inclui, além da clássica mão-de-obra, outros elementos que — embora não sejam diretamente ligados ao ser humano que labora — são por este ou disponibilizados e/ou operados e/ou utilizados dalgum modo, no sentido de se permitir uma apropriação mais precisa em termos de custeio "daquilo" que afinal opera sobre o material, manuseia-o, compõe-o, decompõe-o, transforma-o enfim de modos vários, a fim de se conseguir a realização da obra desejada.

Seu uso justifica-se e, portanto, impõe-se não só pela estrutura conceitual subjacente (conforme já exposto), senão também pela necessidade de atribuição de valor econômico específico, próprio, a cada um dos elementos, insumos que, não sendo classificados ou classificáveis como "material" — que ficará agregado, incorporado à obra desejada, quando concluída — efetivamente são "utilizados" na sua realização, e, consequentemente, sua apropriação pelas regras da contabilidade de custos e da engenharia de custos.

Uma obra, qualquer que seja, é aperfeiçoada, concluída, consumada ou realizada pelo concurso indispensável e necessário de dois elementos de tipologia complementar: quem faz e aquilo que emprega no fazimento. Ambos podem ser singulares ou plurais.

Nessa tipologia, "quem faz", desde a aurora da história, foi o ser humano com seu trabalho ou apenas braçal (entendido aquele que envolve esforço físico-orgânico) ou apenas intelectual (entendido aquele que faz uso das capacidades cognitivas essencialmente), ou, ainda, a conjugação de ambos. Com a evolução cultural e tecnológica das civilizações, contudo, aquilo que clássica e restritivamente se tem denominado "mão-de-obra" tem sido, com muita frequência, bem articulada conjugação do gênio inventivo e esforço humano com suas criações auxiliares e multiplicadoras de capacidade de trabalho, seus maquinismos e assemelhados. De tal modo, que já de muito tempo é anacrônico e descabido reportar o elemento subjetivo "quem faz" apenas como o ser humano, singular ou coletivamente. Até porque, para efeitos de apropriação de custeio, as regras passaram a ser específicas, conquanto observem a mesma metodologia de composição. Doutro lado, "aquilo que se emprega no fazimento", desde os primórdios até o presente, ou é matéria física (a bruta, prima, não transformada; ou a transformada, em vários graus de industrialização), ou é um elemento abstrato (como a ideia da redação dum jornal ou livro ou programa de computador etc.; ou a ideia da realização duma obra de arte...).

Como quer que seja, precisa ficar suficientemente claro e inequívoco que ambos os elementos dicotômicos — quem faz e aquilo que emprega no fazimento — são elementos de apropriação de custo direto. A razão dessa atribuição ao custeio direto é que, uma vez concluída a obra, ambos ficarão indissociavelmente incorporados à obra realizada. Elementos de custo indireto, em contraste, embora constituam gastos, e sejam indispensáveis, na ordem administrativo-financeira e na jurídico-tributária para sua realização, não ficam incorporados à obra concluída. Tais são: o custo da administração central, em rateio; o custo financeiro de capital; a margem de incerteza; a carga tributária nas várias esferas; e o lucro ou margem de contribuição, integrantes todos da função BDI [2].

Mão-de-obra[editar | editar código-fonte]

Quando ainda não havia, na execução de uma obra, auxílio, participação ou suporte de engenhos criados pelo gênio inventivo humano — ou, mesmo quando a sua apropriação ou inclusão em termos de custeio de obras não se praticava, pelos interesses de grupos dominantes, ou pelo desconhecimento específico do trato da matéria — apropriavam-se os "dispêndios de labor incorridos" apenas como sendo de mão-de-obra, numa alusão direta ao fato de que pessoas humanas haviam gasto efetivamente a sua energia física, o seu esforço braçal, por meio das suas mãos, (em figura metonímica) na consecução daquele mister.

Criaram-se, então, unidades para avaliar o "quanto de mão-de-obra aplicar-se-ia em qual ou tal obra". A unidade mais comum decorre das seguintes premissas, admitidas como verdadeiras, válidas in abstracto:

  • O labor humano é diretamente proporcional ao número de pessoas envolvidas, se o tempo gasto fizer-se constante;
  • O labor humano é diretamente proporcional ao tempo despendido, se o número de pessoas envolvidas fizer-se constante;

Assim, pois, pela regra de proporcionalidade composta, segue que:

  • O labor humano é diretamente proporcional ao produto do número de pessoas envolvidas (naquele labor) pelo tempo nele despendido.

Homem-hora[editar | editar código-fonte]

[O termo "homem", como empregado nesse contexto — a menos que expressamente declarado de modo diferente e específico — significa sempre "ser humano por generalidade, quer o homem, ou a mulher".]
Assumida a validade da proposição acima, se número de pessoas = homem e tempo = hora, surge, como unidade imediata, o homem-hora. Que é, pois, um homem-hora? Homem-hora (plural: homens-horas) é espécie de unidade convencionada e subjetiva, criada para avaliação de quantidade de dispêndio de labor humano — e vale o produto do número de homens (ser humano) pelo número de horas, ambos (homens e horas) envolvidos ou despendidos na realização de uma obra ou serviço ou tarefa qualquer.

Pode não ser imediatamente clara a razoabilidade da convenção de assumir como válidas as ideias acima. Assim, para fins de esclarecimento, convém desde logo definir que:

  • homem, conforme empregado, para significar o ser humano em labor, corresponde ao homem médio (ou ser humano adulto médio equivalente). Dessa forma, se não for suficientemente clara tal pré-definição, pode-se, por exemplo, em princípio, defini-lo como um ser humano adulto em condições normais de saúde, que varie de 65 kg (se mulher) a 70 kg (se homem), o que equivale a cerca de 3 100 kcal/kg (se mulher) a cerca de 3 900 kcal/kg (se homem), em termos de entalpia metabólica humana diária – EMHD (kcal/kg.dia) [3], .[4] Contudo, essa ainda não é uma definição oficial, sequer recomendação. Trata-se tão somente de quantificação por meio de critérios que correspondem à situação de um assim chamado "homem médio para fins laborais";
  • adultos jovens e crianças são, em princípio, excluídos da significação acima, por injunções biomédicas, morais e legais, exceto quando, em situações excepcionais, nalguns casos, se puderem empregar regras de equivalência apenas quantitativa, para fins de apuração de valores, do tipo "duas crianças valem por um adulto". Sempre, contudo, observar-se-ão as regras legais sobre o trabalho em geral e o do menor em especial, nos âmbitos nacional e internacional.

Isso posto, como se emprega a mensuração da "quantidade de dispêndio de labor humano" em homens-horas? Pela aplicação das premissas laborais, sob a assunção prática de proporcionalidade seguinte:

  • Se um homem realiza um dado trabalho em oito horas, isto equivale a 8 Hh;
  • Se dois homens realizam o mesmo trabalho em quatro horas, isto equivale a 8 Hh;
  • (...);
  • Se oito homens realizam o mesmo trabalho em uma hora, isto equivale a 8 Hh;

Teoricamente é possível uma infinidade de combinações. Porém, para cada trabalho, há restrições de ordem prática que limitam ou o número de pessoas envolvidas no labor, ou tempo para a sua execução, quer para o mínimo quer para o máximo, para ambos os fatores. Assim, por exemplo, não é por, em tese, ser possível elevar ao máximo um dado contingente laboral (com a consequente redução do tempo a ser gasto, no modo inversamente proporcional), que o trabalho será realizado. Isso pode não ser exequível. Imagine-se, pois, para a realização de um serviço figurativo como "escavar vala em solo laterítico, tipo B, de medidas 1m x 1m x 1 m, em altura, largura e profundidade, em condições de clima médio, sem chuvas". Embora tal especificação do serviço ainda seja precária (aqui, apenas didática, para ilustração), fica evidente que não se poderão escalar, por exemplo, oito (8) homens sob o pretexto de que o serviço seja realizado em meia (0,5) hora (trinta minutos): nem há espaço para tanta gente trabalhar etc..

Portanto, pelo explicado, infere-se que a ideia de mensuração de quantidade de dispêndio de labor humano em homens-horas (Hh) é válida, ressalvadas, entre outras, restrições de exequibilidade, como as apontadas.

Homem-[outras...][editar | editar código-fonte]

De modo inteiramente similar ao definido para a mensuração em homem-hora (Hh), são possíveis outras unidades de mensuração:

Isso, contudo, não é usual e se prefere, de ordinário, trabalhar apenas com homens-horas (Hh), em todos os casos, fazendo-se ajustes quando necessário, conforme as quantidades envolvidas.

Unidades similares[editar | editar código-fonte]

O conceito semelhante de um homem-dia (Hd), homem-semana (Hsem), homem-mês (Hme), ou homem-ano (Ha) [5] , [6] costuma ser usado em grandes projetos. Recentemente, em algumas organizações os termos de gênero neutro "esforço-horas", como esforço-dia (ED), esforço-semana (ES), esforço-mês (EM), esforço-ano (EA), passaram também a ser utilizados. É a quantidade de trabalho realizado por um trabalhador médio durante um dia, semana, mês ou ano, respectivamente. O número de horas trabalhadas por uma pessoa durante um ano varia muito de acordo com a cultura, suas normas e e sua economia. A média de horas anuais trabalhadas por pessoa no emprego como relatado pelos países da OCDE em 2007, por exemplo, variou de um mínimo de 1.389 horas (na Holanda) a um máximo de 2.316 horas (na Coreia do Sul ).[7] Isso ilustra de modo suficientemente objetivo as consequências das diferenças culturais e demais associadas, nos vários países.

Máquina-obra[editar | editar código-fonte]

Analogamente ao conceito de quantidade de dispêndio de labor humano, mensurável em homens-horas (Hh), procede-se na medição e, pois, na apropriação da quantidade de dispêndio de labor mecânico, mensurável em, por exemplo, máquinas-horas (Maqh). As premissas básicas aplicáveis ao caso do labor humano direto em conjunto com o critério de proporcionalidade também aqui se justificam segundo os mesmos raciocínios. O tratamento matemático aplicado é, consequentemente, o mesmo aplicado antes.

Software-obra[editar | editar código-fonte]

Assim, também, a medição da quantidade de dispêndio de labor de software, mensurável em, por exemplo, softwares-horas (Softh) e sua apropriação em custeio obedecem ao mesmo raciocínio. As considerações feitas no caso anterior valem também aqui.

Custo direto, custo indireto e despesa[editar | editar código-fonte]

Um dos aspectos críticos nas avaliações de engenharia de custos é a definição do que seja custo direto em contraste com o que remanesce como custo indireto. Com efeito, por simplicidade pode-se dizer que:

  • Custo direto é todo elemento de custo de um empreendimento a ser despendido (em dinheiro, tempo, esforço, etc. - mensurados em dinheiro) diretamente, seja em material, seja em elemento operativo sobre o material (mão-de-obra, equipamento-obra, instrumento-obra, software-obra etc.), para se obter a sua consumação. Costumeira e tradicionalmente (até por motivos históricos, posto que em época de trabalho apenas humano, intervinha apenas a mão-de-obra) os elementos operativos sobre o material indexavam-se apenas em homem-hora; porém, corretamente, devem ser expressos cada qual em sua unidade específica (equipamento-hora, instrumento-hora, software-hora etc.), eventualmente compostos todos numa só unidade, tipicamente chamada "unidade de serviço" - US, ou similar). Custos diretos são aqueles que ocorrem especificamente por causa da execução do serviço objeto do orçamento em análise.
  • Custo indireto é todo elemento de custo de um empreendimento indiretamente incidente na composição orçamentária, tal que represente não especificamente os elementos do grupo anterior, mas que são imprescindíveis para que o empreendimento aconteça, como: custo de administração geral rateada, custo financeiro de inversões tomadas, custo de carga tributária incidente e custo de risco assumido. No grupo do "custo indireto", inclui-se também, para fins orçamentários, o lucro (rigorosamente, trata-se do "lucro bruto", algumas vezes chamado de margem de contribuição[8]) expectado para o empreendimento. Isso deve ser justificado pelo seguinte fato, de imediata e simples constatação: se o empreendimento gerar lucro negativo (evidentemente, isso não é desejado), tal valor será acrescido aos demais custos indiretos que compuseram o orçamento referente, uma vez que não se justifica agregá-lo aos custos diretos. Efetivamente, lucro negativo é prejuízo. O mesmo entendimento deve dar-se em caso de se obter "lucro positivo" - ou simplesmente "lucro", se inequívoco. Então, por uma questão de consistência lógica matemática, se "negativo", é incluído como elemento de custo indireto, deve sê-lo também como "positivo". Custos indiretos são os que, embora não incorporados ao produto final (v.g., os impostos, imprevistos, mobilização e desmobilização, juros entre outros, todavia contribuem para a formação do custo total.[9]
  • Despesa costuma ser conceituada como o gasto não referente ao custo direto na realização de uma obra. Porém, dado que é um gasto, se não é custo direto, será necessariamente custo indireto.

Unidade de serviço[editar | editar código-fonte]

É bastante evidente que a apropriação "daquilo que opera sobre o material" não é mais imputável apenas à intervenção humana direta, senão à composição de elementos vários (os elementos operativos sobre o material), tais que, numa regra de composição adequada, matematicamente ponderada e a levar em consideração as peculiaridades de cada elemento em si — bem assim, a de todos, venha resultar uma unidade híbrida, mista: a Unidade de Serviço (US). Evidentemente, cada empresa pode criar a sua regra de composição própria (com "seu estudo de tempos e movimentos" e a definição de "seu critério de ponderação" sobre as variáveis intervenientes), embora, em essência, a ideia subjacente e a metodologia necessária e aplicável sejam as mesmas para todos.

Custo direto é todo elemento de custo de um empreendimento a ser despendido (em dinheiro, tempo, esforço, etc. — mensurados em dinheiro) diretamente, seja em material, seja em elemento operativo sobre o material (conforme aqui conceituado), para se obter a sua realização. Costumeira e tradicionalmente (até por motivos históricos, posto que em época de trabalho apenas humano, intervinha apenas a mão-de-obra) os elementos operativos sobre o material mediam-se e se apropriavam apenas em homens-horas. Entretanto, o correto é serem expressos e apropriados cada qual em sua unidade específica (equipamento-hora, instrumento-hora, software-hora etc.), eventualmente compostos todos numa só unidade, tipicamente chamada "unidade de serviço" – US, ou similar. Custo indireto, de modo análogo, é todo elemento de custo de um empreendimento a ser despendido (em dinheiro, tempo, esforço, etc. — mensurados em dinheiro) indiretamente,

Embora a adoção de unidades de serviço (US) possa, segundo regras de composição adequada, mostrar-se conveniente na substituição da clássica "mão-de-obra", ou da generalização "elemento operativo-obra", algumas variantes específicas tem sido utilizadas.

Hora de Serviço Técnico (HST)[editar | editar código-fonte]

É uma unidade utilizada para quantificar um pacote de trabalho de uma EAP - Estrutura Analítica de Projeto, produto do serviço de um ou de vários técnicos, utilizando ferramental específico, além do conhecimento da equipe envolvida (know-how). É aplicável a qualquer serviço técnico, podendo mensurar apenas um pacote de trabalho ou até mesmo um projeto inteiro. Pode ter classificações ou tipos adequados a cada necessidade de produto de serviço a ser entregue. Esta métrica é diferente da métrica Homem-hora, pois ela não se propõe a aferir a o tempo presencial na execução da tarefas, mas todo o esforço necessário e riscos envolvidos para a realização de tal. Exemplos:

  1. Laudo de fiscalização de um bem dado em garantia
  2. Plano de projeto
  3. Parecer jurídico
  4. Desenvolvimento de softwares
  5. Diagnóstico de maturidade de uma organização
  6. Análise de causa e efeito
  7. Análise de riscos de um empreendimento
  8. Relatório de status de um empreendimento
  9. Planejamento Estratégico de uma empresa

O HST inclui o esforço dedicado para elaboração da massa crítica de conhecimento necessária para a construção do referido pacote de trabalhos, depreciação dos ativos envolvidos no trabalho e o esforço do controle de qualidade, gestão, controle de risco, planejamento da ações, comunicação e outras atividades de bastidores necessárias para gerar-se um pacote dentro do nível de serviço acordado, além das horas visíveis despendidas pelos envolvidos no processo.

Unidade de Serviço Técnico (UST)[editar | editar código-fonte]

UST - Unidade de Serviço Técnico, é uma unidade de mensuração de esforço para a execução de um serviço que envolva prioritariamente esforço humano não mensurável previamente com precisão ou de difícil mensuração por outras técnicas (qualquer técnica com precisão de mensuração inferior a 90% é candidata a ser substituída pela UST).

É bastante utilizada em contratos de prestação de serviços que envolvam diversos tipos de serviços com variada complexidade. Para o uso em serviços repetidos ou continuados não é a melhor escolha para metrificação. Nestes casos deve-se optar pela unidade de homem-hora.

O uso de HST é mais comum na construção Civil e UST na prestação de serviços da área de Engenharia de Software, embora existam casos de uso de HST nesta última.

A Unidade de Serviço Técnico tem sido utilizada em processos contratuais do governo Federal , como na Controladoria Geral da União (http://www.cgu.gov.br/sobre/licitacoes-e-contratos/licitacoes/exercicios-anteriores/2011/pregao-no-06-2011/edital-republicado-servicos-especializados-de-ti-final.doc/@@download/file/EDITAL%20REPUBLICADO-%20Servi%C3%A7os%20especializados%20de%20TI%20FINAL.doc).

De acordo com a CGU - Controladoria Geral da União - uma UST equivale a uma hora de trabalho. Esta relação pode ser alterada de acordo com o nível de complexidade dos trabalhos. Ainda segundo a CGU uma hora de trabalho pode consumir até 6 (seis) USTs, caso esta seja de alta complexidade. A conversão de hora para UST, de acordo com a complexidade, é de 1 Hora de trabalho para 1 UST para complexidade baixa 1,5 USTs para complexidade intermediária 3,5 USTs para complexidade mediana 6 USTs para complexidade alta.

A descrição do nível de complexidade é realizada caso a caso. Pode-se utilizar como referência o edital 06/2011 da CGU como ponto de partida para definição das complexidades do serviço envolvido.

UST e HST levam em conta em sua composição outros elementos na composição do seu custo, como no exemplo: (http://www.senge-es.org.br/files/honorarios_civil.pdf[ligação inativa])

Hora de Serviço Técnico do Profissional Liberal Iniciante É estabelecido uma jornada de trabalho de 08 horas diárias, amparado na Lei n.º 4.950-A de 22 de abril de 1966, artigo 4º, alínea A. Hora extra de 50% conforme artigo 7º, incisos V e XVI, da Constituição Federal de 1988.

1 - Custo Direto do Profissional Mensal - Remuneração Básica Profissional ( 9x SMP ) = 9 x 180,00 = RBP R$ 1.620,00- Seguro Saúde R$ 100,00 - INSS ( Faixa 1) R$ 36,00 - Fundo de Reserva ( 8% RBP ) R$ 129,60 - Fundo Natalino ( 1 RBP ) R$ 135,00 - Fundo para Férias ( 1 RBP ) R$ 135,00 - Duodécimo de anuidade do CREA R$ 9,58 - Duodécimo da Contribuição Sindical R$ 3,78 - Auxílio Alimentação R$ 120,00 - Auxílio Transporte R$ 80,00 SUB-TOTAL 1 R$ 2.368,90

2 - Custo de Suporte e Apoio Mensal - Aluguel R$ 350,00 - Condomínio R$ 120,00 - Salário de Secretária (+ auxílio transporte e alimentação) R$ 565,00 - Encargos Sociais R$ 308,00 - Materiais de Escritório R$ 100,00 - Cópias diversas R$ 30,00 - Telefone , energia elétrica e água (celular, sedex, postagem e diversos) R$ 400,00 - Manutenção de equipamentos ( Software e impressora ) R$ 120,00 - Depreciação de equipamento, móveis e utensílios R$ 45,00 - Software R$ 173,33 - Cursos de aprimoramento e livros técnicos R$ 150,00 SUB-TOTAL 2 R$ 2.361,33

3 – Contador e livro caixa R$ 210,00

4 - Anotação de responsabilidade técnica - ART - sobre serviços de R$/mês R$ 70,00

5 - Seguro de vida e acidente do trabalho no valor de (R$70.000,00) - prêmio mensal R$ 27,00 SUB-TOTAL (3 + 4 + 5) R$ 307,00

CUSTO TOTAL MENSAL SEM IRPF E ISS ( 1 dep. / 5% ) R$ 5.037,99

6- Impostos sobre o custo total mensal SUB-TOTAL 6 ( IRPF + ISS ) R$ 481,74 CUSTO TOTAL MENSAL GERAL R$ 5.519,73

Custo da hora profissional: R$ 5.519,73 /mês / 160 hs ( 8h x 20 dias )/mês = R$ 34,50 / hora técnica

A mesma abordagem é utilizada para o cálculo das Unidade de Serviço técnico para alguma atividade ou pacote de serviços de projeto. São utilizados os custos associados aos recursos humanos acrescidos dos demais custos envolvidos naquela prestação de serviços. Há de se levar em conta que alguns custos são parcialmente apropriados a UST por estarem associados a USTs distribuídos em vários projetos, como, por exemplo, equipamentos utilizados na execução de uma determinada tarefa. Estes valores devem ser agregados a UST para a amortização dos equipamentos de suporte do projeto.

É possível que uma UST resulte em mais de hora de trabalho presencial do executor quando estabeleceu-se que a UST aplicada àquele projeto ou conjunto de tarefas já extrapolou os custos a serem amortizados naquele conjunto previsto de USTs. Por outro lado, é possível que mais de uma UST seja utilizada para cada hora presencial do executor. Este cenário é comum quando o valor da UST é previamente estabelecido antes que os serviços a ela associados sejam estabelecidos e durante seu planejamento e/ou execução a análise dos especialistas julguem que o serviço necessita de suporte de equipamentos não previstos previamente e/ou especialistas com maior senioridade para os processos.

Um uso comum de UST é na construção de softwares com múltiplas tecnologias onde cada tecnologia pode assumir um valor diferenciado da UST ou, ainda, um consumo específico de UST por hora presencial do executor para cada tipo de tecnologia.

O valor da UST pode ser estabelecido no início da relação entre o prestador do serviço e o demandante cabendo os ajustes sobre a quantidade de USTs a serem alteradas ao longo da execução dos mesmos, seja pelo término da amortização dos custos associados ou pela inclusão de novos custos.

É comum que UST "tabeladas" sejam distribuídas proporcionalmente pelo catálogo de serviços da unidade de tecnologia da informação para a apropriação de custos, sendo que cada serviço recebe uma quantidade X de USTs que não levam em conta apenas os Homem/Hora utilizados naquele serviço, mas os demais custos associados como deslocamentos, equipamentos, treinamentos, entre outros. Por exemplo:

A relação contratual entre duas empresas estabelece que aquela UST é de X Unidades Monetárias. Esta UST foi calculada considerando um profissional alocado apenas em uma cidade utilizando equipamentos da contratante. No decorrer do contrato é solicitado que o profissional desloque-se para outra unidade com equipamento próprio. Em outras métricas esta conta não encontra suporte para ser realizada. Com a UST é possível que sejam atribuídas USTs adicionais para o suporte a estes itens não previstos ou planejados inicialmente. Ou seja, para a execução do serviço no local de origem com equipamentos do contratante gastar-se-ia uma UST. O mesmo serviço com outros aspectos de custos, como deslocamento e equipamento, pode consumir 2 ou mais USTs, caso esta tenha valor fixo no contrato.

A quantidade de USTs deve ser ajustada entre as partes partindo-se de séries históricas e da unidade básica de uma UST. Para os casos onde não há série histórica deve-se utilizar o conhecimento de especialistas através da técnica Delphi ou Poker Planning. É importante que as séries históricas sejam registradas para que o equilíbrio contratual seja atingido de forma saudável para ambas as partes envolvidas.

Nomenclatura e dimensão[editar | editar código-fonte]

Por se tratar de "unidades de medida" ainda não incorporadas aos sistemas nacionais ou internacional (Sistema Internacional de Unidades), ainda não consta haver padronização oficial a respeito, quer em nomenclatura, quer em unidades de medida, sequer normatização ou estudo conexo com a matéria em qualquer país. Assim, por exemplo, o que na cultura lusófona chama-se homem-hora, na anglófona diz-se man-hour.

Conquanto pareça não haver citação de apropriação de outros elementos operativos sobre o material, bem assim, de suas unidades de medida — muito embora o assunto seja óbvio — é igualmente óbvio per se, que, em culturas mais adiantadas, critérios mais avançados já sejam utilizados, os quais, em essência, devem compreender as ideias expostas, e eventualmente outras.

Ademais, no tocante à definição de um símbolo adequado à dimensão ou unidade de medida em causa — por exemplo, a mais comum, homem-hora, não consta haver padronização internacional. Com efeito, em cultura lusófona, diz-se homem-hora e simboliza-se-lhe, quando não houver possibilidade de confusão, ou pelo trato da matéria em domínio específico, inambíguo, tão-somente por Hh, o primeiro H, maiúsculo, a representar o homem, o segundo h, minúsculo, a hora. Como já citado, em cultura anglófona, a expressão equivalente para homem-hora é man-hour, com o mesmo significado, ignorado símbolo pertinente.

Referências

  1. SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia. São Paulo: Abril Cultural, 1985, p. 255.
  2. BDI é sigla originária da cultura anglo-saxônica, a significar Budget Difference Income. Costuma ser traduzido por Benefícios e Despesas Indiretas (a forma mais usual) ou Bônus e Despesas Indiretas. Em Engenharia de custos, é o elemento orçamentário destinado a cobrir todas as despesas que, numa obra ou serviço, segundo critérios claramente definidos, classificam-se como indiretas (por simplicidade, as que não expressam diretamente nem o custeio do material nem dos elementos operativos sobre o material - mão-de-obra, equipamento-obra, instrumento-obra etc.), e, também, necessariamente, atender o lucro. Reporte-se aqui que o Instituto de Engenharia - IE (http://www.ie.org.br), com os artigos, pesquisas e trabalhos do Engenheiro Maçaiko Tisaka, Consultor e Professor, tem proposto a nomenclatura alternativa "Lucros e Despesas Indiretas", com a sigla correspondente LDI, de modo a significar o que se tem significado por BDI e, assim, extinguir seu uso. No entanto, a despeito de eventuais apreciações favoráveis, são estas pontuais, como é o caso do Tribunal de Contas da União - TCU (http://www.tcu.gov.br), e a dominante doutrina no ramo, bem como a prática específica das engenharias ainda tem preferido e usado o termo "BDI".
  3. http://www.cdof.com.br/anatomia.htm
  4. http://www.cdof.com.br/nutricao1.htm
  5. Infoplease.com
  6. SFAF.org
  7. OECD Employment Outlook 2009, Tackling The Jobs Crisis (PDF). [S.l.]: Secretary-General of the Organisation For Economic Co-Operation And Development. 2009. p. 269. ISBN 978-92-64-06791-2. Consultado em 22 de setembro de 2009. Swivel.com also publishes the Official data up to 2005 in spreadsheet format.  line feed character character in |publicado= at position 64 (ajuda)
  8. SEBRAERJ. Margem de contribuição. Saiba Mais.
  9. Dias, Paulo Roberto Vilela, Conceito de BDI (PDF), Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos, consultado em 5 de março de 2011 .

Ver também[editar | editar código-fonte]

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