Elesbão de Axum

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Santo Elesbão
Moeda com efígie de Elesbão
Nascimento  em Etiópia
Morte 555
Veneração por Igreja Católica
Igreja Ortodoxa
Igrejas ortodoxas orientais
Festa litúrgica 27 de Outubro
Gloriole.svg Portal dos Santos

Elesbão, Calebe, Ela Asbá (Ella Asbeha/Atsbeha) ou Elasboas (em grego: Ελεσβόας; m. 555) [1] foi um rei do Império de Axum que reinou entre. c. 493-531. É um santo da Igreja Católica, venerado no dia 27 de outubro. [2] Representado como um rei negro da Etiópia, a veneração de Elesbão teve muita difusão no Brasil colonial entre os escravos africanos e seus descendentes. [3] Seu título real era bisi lazen [4]

Vida[editar | editar código-fonte]

Elesbão foi um rei de Axum, 47° da sua dinastia. Segundo a tradição, era descendente do rei Salomão e da rainha de Sabá. No século VI, Elesbão conseguiu expandir o reino cristão da Etiópia através do Mar Vermelho até a Península Arábica e o Iêmen, convertendo árabes e judeus à fé cristã. [1]

Aproximadamente em 523, Dunaas, um rei judeu do Reino Himiarita (atual Iêmen), lançou uma rebelião contra Elesbão. Dunaas massacrou cristãos do seu reino,[1] incluindo o vice-rei instalado por Elesbão na cidade de Zafar. Com o apoio do imperador bizantino Justino I [5] Elesbão reage e consegue vencer Dunaas numa guerra, possivelmente em 524/525, restabelecendo a fé e colocando no trono do reino de Dunaas um rei cristão, Esimifeu (r. ca. 525–531).[1] [6]

No fim da vida, Elesbão abdicou do trono em favor do seu filho e repartiu suas riquezas entre os pobres. Em Jerusalém depositou sua coroa na Igreja do Santo Sepulcro e passou a viver como eremita. Morreu no ano de 555.[2]

Culto[editar | editar código-fonte]

No Brasil colonial, a Igreja Católica utilizou a vida de santos africanos de cor negra, particularmente São Benedito, Santo Elesbão e Santa Efigênia, para promover a religião católica entre os negros escravos e forros. Várias obras hagiográficas celebrando estes personagens foram publicadas no século XVIII, como Os dois atlantes de Etiópia. Santo Elesbão, Imperador XLVII da Abissínia, advogado dos perigos do mar & Santa Efigênia, Princesa da Núbia, publicado entre 1735 e 1738 pelo frei carmelita José Pereira de Santana. Nesta e em outras obras, tanto a Etiópia como a Núbia são descritos como fiéis defensores da fé cristã, tendo, em S. Elesbão e S. Efigênia, seus maiores campeões. [3]

Graças à ação catequética e à necessidade de associação dos negros, várias irmandades religiosas dedicadas a Santo Elesbão surgiram entre os negros escravos ou alforriados no século XVIII. As irmandades - que existiam separadas para negros, pardos e brancos - davam, aos seus membros, um âmbito de ajuda mútua e inserção social. [3]

Precedido por
Tazena
Ezana - single.jpg -- 18º Rei de Axum
493 - 531
Sucedido por
Uazena
Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Elesbão de Axum

Referências

  1. a b c d Jones, Arnold Hugh Martin; at all (9 de outubro de 1980). The Prosopography of the Later Roman Empire:. Volume 2, AD 395-527 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-20159-9 
  2. a b Santo Elesbão Santo do Dia - Arquidiocese de São Paulo
  3. a b c Anderson José Machado de Oliveira (2006) Devoção e identidades: significados do culto de Santo Elesbão e Santa Efigênia no Rio de Janeiro e nas Minas Gerais no Setecentos. Revista Topoi. v. 7, n. 12, jan.-jun. pp. 60-115
  4. Tefera, Amsalu (19 de junho de 2015). The Ethiopian Homily on the Ark of the Covenant:. Critical Edition and Annotated Translation of Dǝrsanä Ṣǝyon (em inglês). [S.l.]: BRILL, p. 73. ISBN 978-90-04-29718-0 
  5. Munro-Hay, Stuart C. (1991). Aksum:. An African Civilisation of Late Antiquity (em inglês). [S.l.]: Edinburgh University Press. ISBN 978-0-7486-0106-6 
  6. Lincoln Etchebéhère Júnior e Thiago Pereira de Sousa Lepinski. Cristandade Oriental: a Igreja Etíope na Idade Média. Revista Mirabilia. N. 9, 2009, p. 82