Elisa Lucinda

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Elisa Lucinda
Elisa Lucinda em 2011
Nome completo Elisa Lucinda Campos Gomes
Nascimento 2 de fevereiro de 1958 (63 anos)
Cariacica, ES
Nacionalidade brasileira
Ocupação
Outros prêmios
Prêmio Especial do Júri do Festival de Cinema de Gramado (2020), pelo conjunto de obra.[1] Troféu Raça Negra (2010) de Melhor Atriz de Teatro por Parem de Falar Mal da Rotina[2]

Elisa Lucinda Campos Gomes ORB (Cariacica, 2 de fevereiro de 1958) é uma poetisa, jornalista, escritora, cantora e atriz brasileira.[3] Reconhecida no meio musical e de atuação por seus trabalhos em cinema, televisão e teatro, ela é vencedora de um Kikito do Festival de Gramado por Por que Você Não Chora?, e um Troféu Raça Negra, na categoria Teatro.[4]

Elisa foi ganhadora do Prêmio Especial do Júri do Festival de Cinema de Gramado, pelo conjunto de obra, no ano de 2020. Também foi premiada no cinema pelo filme A Última Estação, de Marcio Curi, no qual protagoniza o personagem Cissa.[5] O filme abriu o Festival de Brasília de 2012.[6]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Nascida em uma família de classe média, filha de um professor de português e latim, Elisa interessou-se pela poesia desde cedo.[7] Aos 10 anos, frequentou aulas de declamação, ou melhor, "interpretação teatral de poesia", como preferia a professora, Maria Filina Salles Sá de Miranda.[8]

Cursou Comunicação Social na Universidade Federal do Espírito Santo, formando-se em Jornalismo na década de 1980. Também trabalhou como professora.[9]

Disposta a seguir a carreira de atriz, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1986, para viver numa vila no bairro da Tijuca.[3][7]

Carreira[editar | editar código-fonte]

No Rio, cursou interpretação teatral na CAL (Casa de Artes de Laranjeiras). Trabalhou em algumas peças teatrais, como Rosa, um Musical Brasileiro, sob direção de Domingos de Oliveira, e Bukowski, Bicho Solto no Mundo, sob direção de Ticiana Studart.[7] Também integrou o elenco do filme A Causa Secreta, de Sérgio Bianchi.

Seu primeiro trabalho na televisão foi na telenovela Kananga do Japão, em 1989, na extinta Rede Manchete.

Ecletismo[editar | editar código-fonte]

Em 1998 fundou a Casa Poema, instituição sócio-educativa cujo método capacita vários profissionais desenvolvendo sua capacidade de expressão e sua formação cidadã, através da poesia falada. A atriz, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, tem desenvolvido o projeto "Palavra de Polícia, Outras Armas", onde ensina poesia falada aos policiais, procurando alinhá-los aos princípios dos direitos humanos e transformar antigos modos operacionais em relação ao gênero e à raça.

Elisa Lucinda é considerada a artista da sua geração que mais populariza poesia. Seu modo coloquial de se expressar faz com que o mais complexo pensamento ganhe fácil compreensão. Junto com Geovana Pires ela criou a Companhia da Outra, grupo teatral que desenvolve sua linguagem de teatro essencial através da poesia. Fez várias apresentações teatrais, com declamação de seus poemas, algumas das quais com a participação especial de Paulo José.[10] No mesmo formato, apresentou em seguida Euteamo e O Semelhante.[carece de fontes?]

Em 2006, Lucinda foi agraciada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma admissão à Ordem de Rio Branco no grau de Oficial suplementar por méritos como poetisa.[11]

Em 2011, foi entrevistada no programa online Filossofá - Desertores do Cotidiano, gravado em um sofá, sobre as dunas de Itaúnas, no Espírito Santo.[12] Itaúnas é o lugar em que Elisa passa as férias e onde mantém uma Casa-Poema.

Convidada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) para representar o Brasil no Ano Brasil–Portugal, a artista realizou uma turnê em cinco cidades daquele país em outubro de 2012.[13] Na sua volta ao Brasil, recebeu um convite da presidente Dilma Rousseff para ser mestre de cerimônia, junto com o ator José de Abreu, na Ordem do Mérito Cultural, em Brasília.[14]

Como cantora e intérprete, excursionou com o show A letra que eu canto, com o maestro e pianista João Carlos Coutinho, e com o show Ô Danada, ao lado do amigo Marcus Lima, músico, cantor e compositor.[15]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Ano Título Papel Notas
2021 Desjuntados Dona Rita 2 episódios
Manhãs de Setembro Voz da Vanusa 5 episódios
2017 Tempo de Amar Januária Herman Episódios: "26 de outubro–11 de novembro"
2014 Tromba Trem Rainha Cupim
2012 Lado a Lado Norma
2011 Aquele Beijo Diva de Souza[16]
Insensato Coração Vilma Miranda
2009 Viver a Vida Rita
2007 Faça Sua História Astéria Episódio: "O Estouro da Boiada"
2006 Páginas da Vida Drª. Selma Araújo
2003 Mulheres Apaixonadas Pérola de Cássia Rodrigues
1998 Mulher Helena Episódio: "Jogos Proibidos"
1997 Você Decide Denise Nascimento de Almeida Barros Episódio: "Preconceito"
1995 Sangue do Meu Sangue Beatriz
1990 Escrava Anastácia Ermelinda / Atunji
Mãe de Santo Gildete[17]
1989 Kananga do Japão Suely

Cinema[editar | editar código-fonte]

Ano Título Papel
1988 Referência Empregada [18]
1990 Barrela Mulher do Portuga[19]
1994 A Causa Secreta[20] Atriz na peça
1997 O Testamento do Senhor Napumoceno Dona Jóia
2001 A Morte da Mulata Mulata
2002 Seja o que Deus Quiser Mãe de PQD
2003 As Alegres Comadres Sra. Rocha
Gregório de Matos Mulher na rua
2008 Maré, Nossa História de Amor Dona Maria
2012 A Última Estação Ciça
2016 Mulheres no Poder Rosário[21]
2018 Talvez uma História de Amor Simone
2019 Alfazema Deus[22]
2020 Atrás da Sombra Dalva
Por que Você Não Chora?
2021 Vagalumes

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • A Hora Agá
  • Pode Café
  • O Mar não tá pra Preto
  • Há uma na Madrugada
  • Coisa de Mulher
  • Sem Telefone mas com Fio
  • Te Pego pela Palavra
  • Aviso da Lua que menstrua
  • Dona da Frase
  • Luz do Só
  • Sósias dos Sonhos
  • O Semelhante
  • Capixabaéchique
  • Euteamo
  • Semelhante
  • Parem de Falar Mal da Rotina
  • A Fúria da Beleza
  • A Natureza do Olhar
  • A paixão Segundo Adélia Prado
  • L, O Musical

Discografia[editar | editar código-fonte]

CDs de poesias[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • A Lua que menstrua (Produção independente/1992);
  • Sósia dos sonhos (Produção independente);
  • O Semelhante (Ed. Record - 1ª edição/1995);
  • Eu te amo e suas estreias (Ed. Record/1999);
  • A Menina Transparente (Ed. Salamandra) Prêmio Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ.
  • Coleção Amigo Oculto - Composta pelos livros: “O órfão famoso” – 2002 / “Lili, a rainha das escolhas” – 2002 / “O menino inesperado” – 2002; “A Dona da Festa” - 2011(Ed. Record);  
  • 50 Poemas Escolhidos pelo Autor (Edições Galo Branco/2004);
  • Contos de Vista (Ed. Global/2005). Primeiro livro de contos da autora;
  • A Fúria da Beleza (Ed. Record/2006). Primeiro livro de adultos para colorir;
  • A Poesia do encontro – Elisa Lucinda e Rubem Alves (Ed. Papirus/2008);
  • Parem de falar mal da rotina (Ed. Leya – Lua de papel/2010);
  • Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada (Ed. Record/2014). Finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2015. Com prefácio do escritor moçambicano Mia Couto.
  • Vozes Guardadas (Ed. Record/2016).
  • Livro do avesso, O pensamento de Edite (Ed. Malê/2019).

Notas

  1. Sob o selo da gravadora Rob Digital.
  2. Sob o selo da gravadora Rob Digital.
  3. Com poemas da poeta paulista Sandra Falcone, participação de Miguel Falabella, direção e produção de Gerson Steves. O CD é resultado do espetáculo homônimo com roteiro e direção de Steves.
  4. Realização de Dakar Produções e Poesia Viva Produções. Criado (2004) especialmente para a comemoração dos 150 anos da Ferrovia para a Vale do Rio Doce. É o primeiro CD no qual Elisa canta.
  5. Primeiro cd pelo selo CCC – Centro Cultural Carioca.

Referências

  1. https://www.agazeta.com.br/colunas/renata-rasseli/elisa-lucinda-e-premiada-no-festival-de-cinema-de-gramado-0920  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  2. Da redação (20 de novembro de 2010). «Troféu Raça Negra 2010 - Conheça os vencedores». UOL Mais. Consultado em 5 de maio de 2013 
  3. a b Fabiana Caso, Agência Estado (11 de dezembro de 2006). «Atriz, cantora e poetisa, Elisa Lucinda é 'concomitante'». Bem Paraná. Consultado em 5 de maio de 2013 
  4. «"Só vemos um preto por elenco", diz atriz Elisa Lucinda» 
  5. «Atriz e escritora Elisa Lucinda lança romance com exclusividade no Flipoços» 
  6. «O filme 'A Última Estação' no Festival de Brasília» 
  7. a b c «Acervo Centro de Memória Mulheres do Brasil e Pesquisa» 
  8. Elisa Lucinda; Rubem Alves. A poesia do encontro. Campinas: Papirus 7 Mares, 2008, p. 15-16.
  9. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira: "Elisa Lucinda"
  10. «Actrizes brasileiras dão poesia ao teatro». www.cmjornal.pt. Consultado em 26 de agosto de 2019 
  11. BRASIL, Decreto de 12 de abril de 2006.
  12. Filossofá - Desertores do Cotidiano, consultado em 26 de agosto de 2019 
  13. Adm. do site (2012). «Programação». Ano Brasil–Portugal. Consultado em 5 de maio de 2013 
  14. «Discurso da ministra Marta Suplicy na cerimônia da Ordem do Mérito Cultural 2012, no Palácio do Planalto – Secretaria Especial da Cultura». Consultado em 26 de agosto de 2019 
  15. Deixando o Pago (Vitor Ramil) - com Elisa Lucinda, João Carlos Coutinho e Jaime Alem, consultado em 26 de agosto de 2019 
  16. Redação Rede Globo (18 de fevereiro de 2012). «Elisa Lucinda comemora sua primeira vilã em novelas». Globo.com 
  17. «Mãe de Santo». teledramaturgia.com. Consultado em 8 de fevereiro de 2021 
  18. «Referência». portacurtas.org.br. Consultado em 17 de junho de 2021 
  19. Cinemateca Brasileira, Barrela [em linha]
  20. Cinemateca Brasileira, A Causa Secreta [em linha]
  21. «Mulheres no Poder -Ficha Técnica». adorocinema.com. Consultado em 10 de março de 2018 
  22. «Alfazema». portacurtas.org.br. Consultado em 17 de junho de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]