Ellen Swallow Richards

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Ellen Swallow Richards
Química ambiental
Dados gerais
Nome de nascimento Ellen Henrietta Swallow Richards
Nacionalidade Estados Unidos estadunidense
Residência Estados Unidos
Nascimento 3 de dezembro de 1842
Local Dunstable, Massachusetts
Morte 30 de março de 1911 (68 anos)
Local Boston, Massachusetts
Atividade
Campo(s) Química ambiental
Alma mater Westford Academy
Vassar College
Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
Tese Notes on Some Sulpharsenites and Sulphantimonites from Colorado (1870)[1]
Conhecido(a) por Pioneira na área de engenharia sanitária
Primeira mulher a estudar no MIT
Feminista
Assinatura
EllenSwallowRichardsThesisSignature.svg

Ellen Henrietta Swallow Richards (3 de dezembro de 1842 - 30 de março de 1911) foi uma química industrial e ambiental e professora estadunidense, no século XIX. Foi pioneira na área de engenharia sanitária e pesquisa experimental em economia doméstica, sendo a fundadora desta nova área científica[2][3]. Foi fundadora do movimento de economia doméstica, caracterizado pela aplicação da ciência nos lares das pessoas e foi a primeira pessoa a aplicar a química no estudo da nutrição[4].

Foi a primeira mulher admitida no prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts como aluna e depois como instrutora[2][5]. Ellen tmabém foi uma feminista pragmática, bem como fundadora do ecofeminismo que acreditava que o trabalho doméstico feminino é um aspecto vital da economia.[6]

Vida pessoal e educação[editar | editar código-fonte]

Ellen nasceu em Dunstable, Massachusetts, filha única de Peter Swallow e Fanny Gould Taylor. Seus pais eram de famílias simples, com poucas posses, mas que acreditavam no valor da educação[2]. Sua educação começou em casa, mas em 1859 a família se mudou para Westford, onde Ellen pode estudar na Westford Academy[7]. Seus estudos incluíam aulas de matemática, latim, com disciplinas e grade semelhantes à maioria das escolas da época. Sua proficiência em latim permitiu-lhe estudar francês e alemão, um idioma pouco falado e raro para aquela região de Nova York[8]. Sua habilidade com idiomas logo a empregou como tutora e o dinheiro que Ellen ganhou com as aulas particulares lhe possibilitaram pagar pelos estudos que viriam a seguir[2].

Daguerreótipo de Ellen Henrietta Swallow, cerca de 1848

Ellen se formou na Westford Academy, o segundo colégio mais antigo em Massachusetts, em 1862. Dois meses depois, contraiu sarampo, o que interrompeu suas atividades e a impediu de dar aulas. Na primavera de 1863, a família se mudou para Littleton, onde seu pai comprou um armazém e expandiu seus negócios, enquanto a filha Ellen era admitida como professora, aos 21 anos. Enquanto ajudava na loja da família, ela também cuidava da mãe, muito doente na época[7].

Antigo Westford Academy

Em setembro de 1868, Ellen ingressou no Vassar College, como estudante especial, passando para aluna veterana um ano depois e se formando em 1870, com bacharelado. Obteve mestrado em artes com uma dissertação sobre análise química de minério de ferro. Sua maior influência na época era a a astrônoma, Maria Mitchell e professor Charles S. Farrar (1826-1908[9]), chefe do departamento de ciências naturais e matemática[7].

MIT[editar | editar código-fonte]

No ano de 1870, ela escreveu para Merrick e Gray, químicos em Boston, perguntando se eles a aceitavam como aprendiz. Ambos responderam que eles não tinham vaga para aprendiz e que a melhor coisa a fazer era entrar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) como estudante[7]. Em 8 de dezembro de 1870, após alguma discussão no conselho do instituto, eles recomendaram a admissão de Ellen como aluna especial em química[7]. Ellen se tornaria a primeira mulher a ingressar na instituição, formando-se em 1873, tornando-se sua primeira instrutora[2][5]. Ellen também foi a primeira mulher aceita em qualquer instituição científica e tecnológica do país, a primeira mulher a obter uma graduação em química, título este obtido no Vassar College, em 1870[10][11][12][13].

Em 1873, Ellen obteve o bacharelado em Ciências pelo MIT, com a tese "Notes on Some Sulpharsenites and Sulphantimonites from Colorado"[1]. Ellen continuou seus estudos, destacando-se como a primeira da classes avançadas, mas o MIT se recusou a dar tal distinção para uma mulher e não concedeu seu primeiro grau avançado, um Mestrado em Química, até 1886. Ellen serviu no conselho de curadores de Vassar College por muitos anos e lhe foi concedido um doutorado honorário em ciências, em 1910[7].

Senhorita Ellen Henrietta Swallow, cerca de 1864

Casamento[editar | editar código-fonte]

Robert e Ellen Richards, 1904

Em 4 de junho de 1875, Ellen se casou com Robert Hallowell Richards, engenheiro e chefe do departamento de engenharia de minas do MIT, com quem Ellen trabalhou no laboratório de mineralogia. O casal foi morar em Jamaica Plain, Massachusetts. Com o apoio do marido, ela permaneceu no MIT, prestando serviços voluntários e contribuindo anualmente com mil dólares para o "Laboratório Feminino", um programa para professoras receberem treinamento em laboratório para realizarem experimentos em sala de aula[14].

Carreira[editar | editar código-fonte]

Seu primeiro emprego pós-formatura foi como palestrante não remunerada, no MIT, de 1873 a 1878. De 1884, até sua morte, Ellen e o marido foram instrutores no recém fundado laboratório de química sanitária, no Lawrence Experiment Station, a primeira estação de tratamento de esgoto do mundo, estabelecida em 1887[15].

Em 1884, ela foi indicada como instrutora em química sanitária no novo laboratório do MIT[16]. Prestou consultoria na área de química para o Conselho Estadual de Saúde de Massachusetts, de 1872 a 1875 e como analista de águas da Commonwealth, de 1887 a 1897, além de ser especialista em nutrição do departamento de agricultura dos Estados Unidos[17].

Experimentos científicos[editar | editar código-fonte]

Qualidade do ar e da água[editar | editar código-fonte]

Em 1880, Ellen se interessou pela área sanitária, em especial por qualidade do ar e da água[15]. Realizou diversos testes com água local e mais de 40 mil amostras de água potável. Isso levou ao chamado Mapa de Cloro de Richards, onde havia indicações de poluição da água no estado de Massachusetts. Como resultado, o estado estabeleceu os primeiros padrões de testagem de água no país e criou a primeira estação de tratamento de esgoto do mundo[18].

Mineralogia[editar | editar código-fonte]

Sua tese no Vassar College tratava sobre análises da quantidade de vanádio em minério de ferro[18]. Ellen conduziu uma série de experimentos em mineralogia, onde descobriu um componente insolúvel no raro mineral samarskita. Posteriormente, esse componente foi desenvolvido por outros químicos para se obter samário e gadolínio. Em 1879, ela foi eleita membro, a primeira mulher, do Instituto de Engenheiros Metalúrgicos e de Minas dos Estados Unidos[15].

Saneamento doméstico[editar | editar código-fonte]

Ellen aplicou seus conhecimentos científicos na própria casa. Como as mulheres eram as principais responsáveis pela casa e pela nutrição da família, Ellen acreditava que todas as mulheres precisavam de conhecimentos científicos. Escreveu livros sobre como utilizar a ciência dentro de casa, como The Chemistry of Cooking and Cleaning[19]. O livro Food Materials and Their Adulturations(1885) levou à aprovação da primeira lei de alimentos e drogas do estado de Massachusetts[18].

Sua casa virou um laboratório experimental para descobrir maneiras mais saudáveis de cuidar da casa através da ciência. Preocupada com a qualidade do ar em acasa, ela mudou o sistema de aquecimento de carvão e óleo para gás. Ela e o marido instalaram exaustores para puxar o ar do interior da casa e assim manter o ar no interior mais limpo. Ellen também determinou a qualidade da água no poço da propriedade através de testes químicos para assegurar que o esgoto não estava contaminando a água potável[19].

Laboratório[editar | editar código-fonte]

Após seus primeiros experimentos com análise de água, sob orientação do professor Nichols, Ellen se tornou autoridade em química sanitária e amostragem, realizando testes não apenas com água, ar e comida, mas testando papéis de parede em busca de arsênico, que pode envenenar os moradores de uma casa. Em 1878 e 1879, ela examinou diversos mantimentos e alimentos básicos do estado. Os resultados foram publicados no primeiro relatório anual do Conselho de Saúde[7].

Trabalhou como consultora na indústria em 1900, onde escreveu o livro Air, Water, and Food from a Sanitary Standpoint, com A. G. Woodman. Seu interesse em meio ambiente a levou a introduzir a palavra ecologia no idioma inglês, por voltad e 1892. A palavra foi cunhada por Ernst Haeckel, biólogo alemão, que descreveu a palavra como "lar da natureza"[7][19].

Seus interesses também incluíam a aplicação de princípios científicos em situações domésticas como nutrição, vestuário, atividades físicas, sanitarismo, eficiente gestão doméstica, criando assim o ramo da economia doméstica. Ellen publicou The Chemistry of Cooking and Cleaning: A Manual for House-keepers in 1881, escrito para demonstrar modelos eficientes de móveis de cozinha e apresentado em convenções e encontros de fabricantes de móveis[7][19]. Assim ela escreveu:

Cquote1.svg Talvez pelo fato de eu não ser uma radical e de não desprezar os deveres femininos, mas sim os reivindicos como um privilégio para limpar e supervisionar o lar e costurar coisas, estou ganhando aliados mais fortes do que qualquer outra coisa que fizesse[20]. Cquote2.svg

Educação feminina[editar | editar código-fonte]

Ellen esteve diante da Woman's Education Association de Boston, em 11 de novembro de 1875, dando uma palestra marcante, sobre a necessidade de inclusão de mulheres. Ela acreditava que o MIT deveria fornecer um espaço para a associação estabelecer um laboratório, se ela fornecesse a verba para a compra de equipamentos e livros, além de bolsas de estudos[7]. Isso levou à criação do Laboratório Feminino do MIT em 1876, em um prédio pequeno, que era para ser um ginásio na planta original. Ellen se tornou uma instrutora não remunerada em 1879, na área de análises químicas, química industrial e mineralogia[7].

Em 1884, ela foi indicada para o cargo de instrutora em química sanitária, no MIT, cargo que manteve até sua morte[7].

Morte[editar | editar código-fonte]

Ellen faleceu em 30 de março de 1911 em sua casa em Jamaica Plain, após uma grave crise de angina.[2] e foi enterrada no jazigo da família em Gardiner, no Maine.

Referências

  1. a b Instituto de Tecnologia de Massachusetts (ed.). «Notes on Some Sulpharsenites and Sulphantimonites from Colorado» (PDF). MIT Library. Consultado em 3 de janeiro de 2017 
  2. a b c d e f «Mrs. Ellen H. Richards Dead. Head of Social Economics in Massachusetts Institute of Technology». New York Times [S.l.: s.n.] March 31, 1911. Consultado em 8 de março de 2014  Verifique data em: |date= (ajuda)
  3. «Richards, Ellen Swallow, Residence». National Historic Landmarks Program. April 7, 1991. Consultado em 4 de setembro de 2013  Verifique data em: |date= (ajuda)
  4. Mozans, H. J. (1913). Woman in science. London: University of Notre Dame Press. p. 217. ISBN 0-268-01946-0 
  5. a b «Campus Life: M.I.T.; Salute to Women At a School Once 99.6% Male». New York Times [S.l.: s.n.] April 7, 1991. Consultado em 8 de março de 2014. When Ellen Swallow Richards came to the Massachusetts Institute of Technology in January 1871, she was the first woman to attend the institute, then based in Boston.  Verifique data em: |date= (ajuda)
  6. Richardson, Barbara. (2002). "Ellen Swallow Richards: 'Humanistic Oekologist,' 'Applied Sociologist,' and the Founding of Sociology" (em inglês). American Sociologist 33 (3): 21– 58. DOI:10.1007/s12108-002-1010-6.
  7. a b c d e f g h i j k l Hunt, Caroline Louisa (1912). The life of Ellen H. Richards 1st ed. Boston: Whitcomb & Barrows 
  8. Kennedy, June W. (2006). Westford Recollections of Days Gone By: Recorded Interviews 1974-1975 A Millennium Update 1st ed. Bloomington, IN: Author House. ISBN 1-4259-2388-7. LCCN 2006904814 
  9. Vassar Historian. «Charles Farrar». Vassar Encyclopedia. Consultado em 26 August 2013  Verifique data em: |access-date= (ajuda)
  10. «Ellen Swallow Richards». Encyclopedia of Women and American Politics 
  11. Bowden, Mary Ellen (1997). Chemical achievers : the human face of the chemical sciences. Philadelphia, PA: Chemical Heritage Foundation. pp. 156–158. ISBN 9780941901123 
  12. «Ellen H. Swallow Richards». Chemical Heritage Foundation. Consultado em 18 November 2016  Verifique data em: |access-date= (ajuda)
  13. Ellen Swallow Richards & MIT: Institute Archives & Special Collections: MIT
  14. Rossiter, Margaret W. (1982). Women Scientists in America. Baltimore: Johns Hopkins University Press. p. 68. ISBN 0801824435 
  15. a b c Linda Zierdt-Warshaw (2000). American Women in Technology [S.l.: s.n.] ISBN 9781576070727 
  16. Marilyn Bailey Ogilvie (1986). Women in science: antiquity through the nineteenth century. Cambridge, Mass: MIT Press. ISBN 026215031X 
  17. «Ellen H. Swallow Richards (1842–1911) - American Chemical Society». American Chemical Society. Consultado em 2 de novembro de 2016 
  18. a b c Elizabeth H. Oakes (2002). International Encyclopedia of Women Scientists (Facts on File Science Library) Facts on File [S.l.] ISBN 9780816043811 
  19. a b c d Clarke, Robert (1973). Ellen Swallow. Chicago: Follett Pub. Co. ISBN 0695803883 
  20. Ellen Swallow Richards: Rumford Kitchen: Institute Archives & Special Collections: MIT