Emílio Conde

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Emílio Conde[1]
Emílio Conde
Pioneiro das Assembleias de Deus no Brasil
Nascimento 8 de outubro de 1901
URROS - PORTUGAL
Morte 5 de janeiro de 1971 (69 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade Portuguesa
Cônjuge Solteiro
Ocupação Escritor evangelista pentecostal

Emílio Conde (São Paulo, SP, 8 de outubro de 1901Rio de Janeiro, RJ, 05 de janeiro de 1971) foi um escritor evangelista pentecostal .

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Seus pais, João Baptista Conde e Maria do Rosário Fernandes eram de origem portuguesa. O primeiro contato de Emílio com o Evangelho foi na Congregação Cristã no Brasil, fundada por italianos. Ali, o futuro escritor evangélico creu em Jesus Cristo e se tornou membro da igreja no dia 21 de abril de 1919, sendo em seguida batizado com o Espírito Santo. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, passou a freqüentar a Assembléia de Deus na Rua Figueira de Melo, 232, em São Cristóvão, pastoreada na época pelo missionário Samuel Nyström[2].

Trabalho na Casa Publicadora[editar | editar código-fonte]

Entusiasmado com o calor espiritual dos que ali se reuniam para cultuar a Deus, Emílio Conde transferiu-se de sua denominação e tornou-se membro dessa igreja[3].Em 1937, o missionário Nils Kastberg encontrou-o trabalhando como intérprete em um restaurante do Rio de Janeiro. A Casa Publicadora começava a surgir nesse ano.

.

Surpreso, antevendo a determinação divina que se sobressaía naquele convite tão simples, e sentindo-se tocado em um dos pontos fundamentais de sua vida, a sua vocação, aceitou. Era o amanhecer do ministério do apóstolo da imprensa evangélica pentecostal no Brasil.

Sua admissão oficial como funcionário da CPAD data de 15 de março de 1940. Desde o convite do missionário Nils Kastberg até aquela data, fora apenas colaborador. Daí por diante, por mais de trinta anos Emílio Conde dedicaria à CPAD seu talento, sua cultura, sua impressionante capacidade de trabalho, sua mente clara e fecunda. Era um homem humilde, simples. Não costumava ostentar os conhecimentos que possuía. Entre os amigos, sua palavra simples e amena, dosada pelo bom humor e pela sinceridade, descontraía a todos que a ele se achegassem. Para os que se viam angustiados ou confusos, procurá-lo era encontrar nele um apoio, uma palavra amiga, esclarecida, experimentada, confortadora.

Seu trabalho na imprensa evangélica não foi uma profissão: foi um sacerdócio. Trabalhou para levar a semente da Palavra aos corações, e nisto empregou toda a sua vida. Deu-se a si mesmo, como está:

E era tão grande seu amor por esse trabalho, que chegou a rejeitar muitas propostas de empregos extra-evangélicos, pois se os aceitasse, tornar-se-ia inepto para o desempenho da função que exercia.E, agindo assim, sempre esteve à altura da posição que ocupava, e sempre pronto a cooperar com a causa das Assembléias de Deus no Brasil.Graças à sua maneira sóbria e digna de se conduzir, foi, entre nós, uma espécie de representante mor de nosso movimento em todos os meios sociais e evangélicos. De 1946 a 1958 representou oficialmente as Assembléias de Deus no Brasil nas Conferências Mundiais Pentecostais, havendo estado em Estocolmo, Londres e Toronto. E foi também, durante muitos anos, nosso

representante, não só na Diretoria, mas também nas Comissões da Sociedade Bíblica do Brasil.

Obras[editar | editar código-fonte]

Quando principiou a escrever em função do Evangelho, eram poucos os que entre nós podiam e se prestavam a tal ofício.

Portanto, foi de sua caneta que fluiu a maioria dos artigos, das notícias e das reportagens usadas no nosso jornal e nas nossas revistas, e ainda nos livros da CPAD e tudo mais que ia do Sul ao Norte do Brasil para as nossas igrejas – as mensagens escritas para edificação dos fiéis. Seu conhecimento e sua visão espiritual abrangia toda a comunidade evangélica brasileira.

Empenhou-se a fundo em obter dados no Movimento Pentecostal no Brasil e no mundo e, como resultado, escreveu os livros: O Testemunho dos Séculos e História das Assembléias de Deus no Brasil (este último, reescrito e ampliado pela CPAD).

Escreveu também os seguintes livros: Asas do Ideal, O Homem, Pentecostes para Todos, Igrejas sem Brilho, Nos Domínios da Fé, Caminhos do Mundo Antigo, Flores do Meu Jardim, Tesouros de Conhecimentos Bíblicos, e Estudos da Palavra.

Era, sobretudo, um homem de oração. Foi orando que recebeu de Deus inspiração para compor 25 hinos de nossa harpa, e outros, sendo dois em parceria com o missionário Nils Kastberg, e cinco com a missionária Eufrosine Kastberg. Integrou, durante muitos anos, o Coral da Assembléia de Deus em São Cristóvão, tendo sido também organista e acordeonista. Gostava muito de cantar, e todos quantos o ouviam, sentiam vibras as cordas de seu coração, pois ele estava sempre desejando “as ruas de ouro e cristal da formosa Jerusalém”.

Considerando o imenso e relevante trabalho por ele prestado à Assembléia de Deus no Brasil, foi lhe oferecido certa vez, por um grupo de pastores, o acesso ao Ministério do Evangelho, através de ordenação, mas ele recusou definitivamente.


Na Harpa Cristã[editar | editar código-fonte]

Identificamos 23 hinos na Harpa Cristã atual[4]:

- Autoria e Composição: (026)

026-A FORMOSA JERUSALÉM

- Tradução/Versão/Adaptação:(199-214-227-228-247-296-303-306-308-395-449-450-451-453-501)

- Parceria Nils Kastberg e Emilio Conde: (342-447-486)

- Parceria Eufrosine Kastberg e Emilio Conde: (295-297-302-305)

199-A CEIA DO SENHOR

214-DESEJAMOS IR LÁ

227-DEUS AMOU ESTE MUNDO

228-ESTE MUNDO NÃO COMPREENDE

247-DEUS NOS GUARDE NO SEU AMOR

295-NOVO CANTO DE LOUVOR

296-NO JARDIM

297-ABUNDÂNCIA DE CRISTO

302-NÃO MURMURES; CANTA

303-PRECISAMOS DE JESUS

305-CAMPEÕES DA LUZ

306-A PALAVRA DE DEUS É UM TESOURO

308-SÓ O SANGUE DE JESUS

342-AS CORDAS DO CORAÇÃO

395-IDE POR TODO O MUNDO

447-NASCER DE NOVO

449-À BEIRA DA ESTRADA

450-O SOL DA JUSTIÇA

451-MEU NOIVO VEM

453-DEUS É O MESMO

486-VASOS TRANSBORDANTES

501-VENCENDO COM O BOM CAPITÃO

A Morte[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1971, acometido de uma já antiga enfermidade, oriunda de complicações pós-operatórias, baixou o Hospital Evangélico, na Tijuca. Uma semana antes a irmã Didi, enfermeira que cuidou dele nos últimos meses, o encontrara dormindo com a caneta entre os dedos, debruçado totalmente sobre o trabalho inacabado. Seria sua última página escrita.Aplicadas todas as forças da alma e do corpo para servir a Cristo, toda sua vida não lhe fora suficiente; era-lhe necessário passar para a eternidade e continuar servindo “Aquele que é mais sutil que o ar, mais ligeiro que o relâmpago, e cujo olhar é mais belo que um alvorecer de primavera, e mais suave que a claridade das estrelas”.

Ás 13.00 horas do dia 5 de janeiro de 1971, Emílio Conde dormiu no Senhor. Às 17.00 horas do mesmo dia seu corpo saía do Hospital Evangélico para ser velado no Templo da Assembléia de Deus em São Cristóvão, ficando próximo ao púlpito, aquele mesmo púlpito onde pregara tantas vezes e onde tantas vezes cantara. A rádio Nacional, a Tupi e a Globo noticiaram com detalhes o seu falecimento.

O seu compacto “Águas Vivas” foi tocado durante toda a noite, nos intervalos dos muitos que usaram da palavra.

Pela manhã, às 9.30 horas, chegou o Vice-Governador do Rio de Janeiro, o doutor Erasmo Martins Pedro. No seu breve discurso, ele disse que Emílio Conde em vida “fazia o trabalho do acendedor de lampiões: entrava numa rua escura e ia deixando luz atrás de si”.

Representantes de instituições batistas disseram que Emílio Conde não pertencia somente às Assembleias de Deus, mas aos evangélicos de todo o Brasil.

O pastor Túlio Barros pediu que todos os presentes abrissem suas harpas e cantassem juntos o hino 202: “Junto ao trono de Deus preparado…” Em seguida, o pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos leu Apocalipse 14.13, e, enquanto falava, um ancião aproximou-se lentamente do corpo e contemplou aquela face pálida e serena, transfigurada pela beleza sagrada e espiritual da morte, afastando-se mansamente depois. Era o irmão Adriano Nobre, um dos pioneiros da obra pentecostal no Brasil, e o membro número um de São Cristóvão.

Às 10.00 horas, os pastores Túlio Barros Ferreira, Alcebíades P. Vasconcelos, Geziel Nunes Gomes e o irmão Catarino Varjão empunharam as alças do caixão e se dirigiram à porta de saída do templo. No cemitério do Caju, o pastor Geziel Gomes, em nome de todos os obreiros do Campo de São Cristóvão, usou da palavra, despedindo-se de Emílio Conde[5].


Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  • Conde, Emílio . ' O Testemunho dos Séculos e História das Assembléias de Deus no Brasil, CPAD.
  • Magno Costa,Jefferson . Eles Andaram com Deus, pp 149-160, CPAD.