Guerra dos Emboabas
| Guerra dos Emboabas | |||
|---|---|---|---|
Ex-voto representando a trajetória de Agostinho Pereira da Silva, desde sua saída de Portugal, passando por conflitos ligados à Guerra dos Emboabas, até receber as ordens sacras na Bahia. A peça encontra-se na Igreja e Mosteiro de Nossa Senhora do Monte Serrat em Salvador, Bahia. | |||
| Data | 1707 – 1709 | ||
| Local | Região aurífera da então Capitania de São Vicente ou da Capitania de Itanhaém, área correspondente à parte do atual estado de Minas Gerais | ||
| Desfecho | Vitória emboaba | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
A Guerra dos Emboabas foi um conflito ocorrido entre 1707 e 1709 pelo direito de exploração das recém-descobertas jazidas de ouro na região das minas da então capitania de São Vicente ou da capitania de Itanhaém, correspondente a parte do atual estado de Minas Gerais, no Brasil. O confronto opôs, de um lado, os bandeirantes — responsáveis pelas primeiras descobertas auríferas e que, por isso, reivindicavam prioridade ou exclusividade na exploração — e, de outro, um grupo heterogêneo de forasteiros vindos de outras capitanias e do reino (os chamados reinóis). Os denominados paulistas tinham entre suas principais lideranças Borba Gato, enquanto os recém-chegados — pejorativamente chamados de emboabas — se articulavam em torno de figuras como Manuel Nunes Viana.[1]
Em novembro de 1708, no arraial da Cachoeira do Campo — hoje distrito de Ouro Preto — foi palco de um dos episódios mais sangrentos da disputa, ligado ao controle da extração aurífera na futura capitania de Minas Gerais. Muitos aspectos desse confronto permanecem obscuros na historiografia. Uma das interpretações sugere que o acirramento se deu quando frentes emboabas, ao avançar pela bacia do rio São Francisco conduzindo gado e mercadorias, entraram em choque com paulistas já estabelecidos na região.[2]
A Guerra dos Emboabas consolidou-se como um dos primeiros grandes conflitos internos do Brasil, evidenciando tensões entre diferentes grupos de colonos e inaugurando um padrão de disputas em torno do controle das riquezas minerais recém-descobertas.[2][3]
Etimologia
[editar | editar código]É amplamente aceito que o termo emboaba tenha origem na antiga língua geral paulista, carregando desde então o sentido depreciativo de “forasteiro” ou “invasor”.[4][5] Apesar disso, não há consenso definitivo quanto à sua etimologia.[6]
A hipótese mais difundida, proposta pelo viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, sugere que a palavra derivaria da associação feita pelos paulistas entre “aves de pernas peludas” (mbôab) e as botas e polainas usadas pelos estrangeiros que chegavam às minas.[7] Essa explicação, embora popular, carece de respaldo linguístico sólido e é considerada sobretudo uma dedução do naturalista, pouco familiarizado com as línguas indígenas.[6]
Outras interpretações defendem que emboaba seria derivado da corrupção de termos como amôabá, amô-abá ou aba-ambôaé-abá, significando, respectivamente, “homem diferente”, “estrangeiro” e “homem de cabelo diferente” — referência à distinção física percebida entre indígenas, europeus e africanos.[6]
Uma proposta considerada mais consistente identifica a origem em o-mboábae, termo que significaria “lançador” ou “armadilheiro” e, por extensão, “pérfido” ou “traidor”. Nesse sentido, o nome teria sido empregado pelos paulistas para designar pessoas oriundas de capitanias diversas e os reinóis que, em sua visão, tentavam usurpar de modo desleal as recém-descobertas lavras de ouro das “Minas dos Catauás”.[6] A expressão “Guerra dos Emboabas” poderia, assim, ser compreendida como “Guerra dos Invasores” ou “Guerra dos Traidores”.
A literatura historiográfica registra ainda outra interpretação, segundo a qual emboaba designaria “pessoa que usa botas”, em contraste com os paulistas, que tradicionalmente andavam descalços.[1] Nessa leitura, o termo também possuía caráter pejorativo, aplicado aos forasteiros que afluíam às regiões mineradoras.[1]
Contexto histórico
[editar | editar código]A descoberta de ouro no interior do Brasil, entre o final do século XVII e o início do XVIII, desencadeou profundas transformações sociais, econômicas e políticas na colônia. As primeiras jazidas identificadas pelos bandeirantes paulistas atraíram rapidamente a atenção de milhares de pessoas. Em menos de duas décadas, estima-se que cerca de 50 mil indivíduos — reinóis, sertanejos nordestinos, colonos do Rio de Janeiro, além de contingentes de escravizados indígenas e africanos — se deslocaram para a região, “fervilhando à beira dos rios e caminhos, nos sertões distantes e inóspitos”.[8] Essa migração deu origem aos primeiros arraiais mineradores, marcados por crescimento acelerado, precariedade estrutural e intensas disputas por recursos.
Os paulistas reivindicavam direitos prioritários sobre as minas, alegando terem sido os descobridores das jazidas e ressaltando o histórico papel prestado à Coroa em conflitos como a Guerra dos Palmares e a Confederação dos Cariris.[9] A abundância mineral, segundo observou o cronista André João Antonil, parecia mesmo um “castigo de Deus”, tamanha a cobiça e a desordem observadas nas minas nascentes.[10]
A descoberta do ouro e as minas coloniais
[editar | editar código]O estabelecimento das primeiras frentes mineradoras resultou de décadas de exploração paulista no sertão. Expedições compostas por mamelucos, indígenas aliados e paulistas avançaram pelos territórios dos atuais estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Tocantins e Goiás em busca de recursos naturais, rotas e possíveis jazidas.[11] A identificação de aluviões de ouro em regiões como os vales dos rios Rio das Velhas, Carmo e das Mortes inaugurou um ciclo econômico inédito, rapidamente documentado por cronistas como Antonil.[10]
A explosão demográfica que se seguiu trouxe desafios imediatos. O crescimento dos arraiais, a ausência de autoridades estáveis e a falta de regulamentação clara sobre a distribuição de lavras fomentaram disputas constantes entre mineradores. Paralelamente, o abastecimento tornou-se crítico: a produção local era incapaz de suprir a demanda crescente, resultando em preços exorbitantes de alimentos e bens básicos, como farinha, açúcar e carne.[2] Medidas como monopólios de açougues e contratos de gado geraram acusações de abuso de poder e favorecimento, alimentando ressentimentos.
Ao mesmo tempo, a descoberta do ouro atraiu atenção direta da Coroa Portuguesa, que buscava garantir a arrecadação do quinto e impedir o contrabando. A criação de postos de fiscalização e a tentativa de regulamentar a exploração marcaram um período de crescente intervenção metropolitana, elemento decisivo para o desencadeamento de tensões políticas locais.[3]
Paulistas e forasteiros
[editar | editar código]A convivência entre diferentes grupos regionais tornou-se rapidamente tensa. Os denominados paulistas — ou “vicentinos” ou “itanhaenses” — defendiam a primazia na exploração das minas por se considerarem pioneiros na penetração do sertão.[12] Já os recém-chegados, oriundos sobretudo da Bahia, da Pernambuco e de Portugal, eram mais numerosos e melhor articulados com comerciantes e autoridades do litoral. Estes passaram a ser chamados pejorativamente de emboabas, termo que expressava a tensão identitária e cultural entre os grupos.[13]
Ambos os lados eram amplamente heterogêneos: havia paulistas pobres, grandes proprietários e antigos chefes de bandeiras; entre os emboabas, comerciantes baianos, mineradores reinóis, vaqueiros sertanejos e aventureiros. Para uns, os paulistas monopolizavam lavras e abusavam do poder local; para outros, os emboabas tentavam usurpar um patrimônio “de direito vicentino”. A disputa por lavras, abastecimento e autoridade se intensificou continuamente.[13]
Antecedentes do conflito
[editar | editar código]As tensões tornaram-se explosivas a partir de 1706. Disputas por terrenos auríferos, brigas em arraiais e acusações de violência tornaram-se frequentes.[14] Como as lavras eram demarcadas de forma improvisada, direitos de descoberta e posse se sobrepunham, gerando emboscadas, retaliações e conflitos físicos.[15]
A crise de abastecimento agravou a rivalidade. Antonil registrou preços de alimentos até cem vezes superiores aos do litoral.[10] Medidas como o estanco dos açougues, concedido por Artur de Sá a Amaral Gurgel, ampliaram o descontentamento.[16]
A ausência de mediação eficaz levou à formação de assembleias locais, expulsões sumárias e pedidos de intervenção à Coroa. Em 1700, a própria Câmara de São Paulo solicitou o controle exclusivo da região mineradora, sem sucesso — amplificando a sensação paulista de abandono político.[3]
A violência cresceu rapidamente. Em 1707, dois chefes paulistas foram mortos por emboabas no Arraial Novo do Rio das Mortes. Confrontos adicionais em Cachoeira do Campo e na região do Rio das Mortes ampliaram o clima de insegurança. Rumores de massacres, represálias e alianças secretas circularam entre os moradores, e a sociedade mineradora dividiu-se claramente em dois blocos políticos.
Ao final de 1707, paulistas e emboabas estavam organizados como facções rivais, defendendo projetos distintos para a região das minas: os primeiros reivindicavam direitos históricos; os segundos exigiam igualdade de acesso às lavras e intervenção régia para conter a influência vicentina.[14] A eclosão da guerra, em 1708, foi percebida pelos contemporâneos como resultado inevitável de rivalidades acumuladas, insegurança jurídica e ausência de autoridade metropolitana capaz de mediar os conflitos.
O conflito
[editar | editar código]A Guerra dos Emboabas se desenvolveu em diferentes frentes e momentos, envolvendo confrontos diretos, perseguições, emboscadas e negociações malsucedidas. O conflito foi marcado por uma escalada de violência resultante da tensão acumulada entre paulistas e emboabas nos anos anteriores, refletindo disputas pelo poder político, pelo controle das lavras e pela definição da ordem administrativa nas minas recém-formadas.[2] A fragilidade das instituições coloniais e a demora da intervenção régia contribuíram para transformar tensões cotidianas em confronto armado aberto.[3]
Principais focos de combate
[editar | editar código]Os primeiros choques significativos ocorreram entre 1707 e 1708, quando ataques e represálias se multiplicaram nos principais arraiais mineradores:
- Em Sabará, surgiram confrontos ligados ao controle das lavras do Rio das Velhas, envolvendo grupos ligados a Borba Gato e migrantes baianos e pernambucanos.[17]
- Em Cachoeira do Campo, disputas por lavras e rotas de circulação culminaram em batalhas que antecederam o episódio do Capão da Traição.[18]
- No Arraial Novo do Rio das Mortes, o linchamento de dois chefes paulistas por emboabas, em 1707, marcou um ponto de não retorno; a ausência de retaliação imediata fragilizou ainda mais a posição paulista.[19]
- Em 1708, o desarmamento sistemático dos paulistas — justificado pelos emboabas como medida preventiva — provocou recuos sucessivos e a perda do controle sobre duas das três regiões mineradoras mais importantes.[20]

Capão da Traição
[editar | editar código]O episódio mais célebre da Guerra dos Emboabas, conhecido como Capão da Traição, permanece como símbolo da ruptura definitiva entre paulistas e emboabas.
Segundo as narrativas tradicionais, após a derrota em Cachoeira do Campo, um contingente paulista recuou para um capão — pequena mancha de mata fechada — entre a Ponta do Morro (atual Prados) e o arraial do Pilar (atual São João del-Rei), possivelmente na antiga Fazenda do Córrego. No local, teriam planejado reorganizar as forças para ataques de tocaia.[21]
Para atrair os inimigos, paulistas teriam enviado indígenas cativos como isca. Os emboabas avançaram e foram recebidos por tiros vindos do arvoredo, sofrendo diversas baixas.[2]
A reação liderada por Bento do Amaral Coutinho foi decisiva. Reorganizando suas tropas, Bento cercou completamente o capão. Após dois dias de cerco, os paulistas, sem munição, pediram rendição. Bento teria jurado, “pela Santíssima Trindade”, que pouparia suas vidas se depusessem as armas — promessa não cumprida: cerca de 300 paulistas teriam sido mortos após a entrega.[22]
A historiografia recente debate elementos importantes do episódio:
- o número real de mortos, possivelmente inflado nas narrativas oitocentistas;
- a localização precisa do capão, ainda objeto de controvérsia;
- a construção simbólica do caráter “traicionário”, interpretada como parte da memória política paulista.[3]
Apesar das divergências, o Capão da Traição consolidou-se como o episódio mais emblemático e narrativamente poderoso da guerra.
Proclamação de Nunes Viana e reação régia
[editar | editar código]Após conquistar vantagens militares, os emboabas reuniram-se e proclamaram Manuel Nunes Viana como “governador das minas”, medida que violava diretamente as prerrogativas régias e representava tentativa de instituir uma autoridade paralela.[2]
A Coroa reagiu. O governador da capitania do Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, recebeu ordens para restabelecer o controle administrativo sobre a região mineradora. No início de 1709, ao chegar às minas, destituiu Nunes Viana, dissolveu sua administração e reafirmou a autoridade régia sobre a distribuição das lavras, o policiamento e a arrecadação do quinto.[17]
Sem apoio militar, politicamente isolados e diante da presença das forças régias, os paulistas abandonaram definitivamente a disputa. Sua última tentativa de ofensiva foi derrotada no Rio das Mortes. Muitos remanescentes rumaram para o interior do continente, onde, nas décadas seguintes, participaram da abertura de novas frentes mineradoras nos atuais estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.[20]
O conflito encerrou-se formalmente em 1709, abrindo caminho para a reorganização administrativa que culminou na criação da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro no mesmo ano.
Testemunhos
[editar | editar código]Bento Furtado Fernandes de Mendonça
[editar | editar código]Relato clássico dos descobrimentos das Minas Gerais, a Notícia dos primeiros descobridores das primeiras minas de ouro pertencentes a estas Minas Gerais, pessoas mais assinaladas nestas empresas e dos mais memoráveis casos acontecidos desde os seus princípios, escrita pelo "coronel das três vilas" Bento Furtado Fernandes de Mendonça — falecido em 1765 e filho de um dos mais notáveis bandeirantes dos primeiros anos das minas, Salvador Fernandes Furtado — faz menção à Guerra dos Emboabas e permite inferir o clima de tensão vivido à época.[23][falta página]
| “ | Correndo os tempos em 1709 para 1710 houve o pernicioso levantamento de que em seu lugar daremos notícia dos ingratos filhos da Europa contra os famosos descobridores destes haveres, para remédio de tantos desválidos Europeus, e contra os Paulistas, não menos empregados nos mesmos descobrimentos e benefícios aos mesmos ingratos; nome este de paulistas odioso entre aqueles, que não os puderam imitar, nem deixar de receber destes favores, que os constituíram ingratos; próprias ações a que a arroja a inveja, em que não permanecem merecimentos e sobra a ambição de senhorear o alheio por meios violentos, ou mesmo razoáveis [...] Neste estado se achavam as Minas correspondendo o rendimento ao custoso trabalho dos mineiros com rendosas conveniências, aumentando, de cada vez mais, o concurso dos negócios e do povo, e do povo de várias partes, e maiormente filhos de Portugal, entre os quais vieram muitos que sendo mais ardilosos para o negócio quiseram inventar contratos de vários gêneros para mais depressa, e com menos trabalho encherem as medidas, a que aspiravam da incansável ambição, como foi um religioso Trino, cujo nome não faltará quem diga com outro religioso, o chamado Frei Conrado, que atravessaram os negociantes antes de entrarem nas Minas… | ” |
O trecho revela a construção de uma memória fortemente favorável aos paulistas, apresentados como “famosos descobridores” e defensores do “bem público”, em contraste com os “ingratos filhos da Europa”, acusados de ambição desmedida e de tentativa de monopolizar contratos e negócios nas minas.
Borba Gato
[editar | editar código]
O relato mais extenso sobre os acontecimentos saiu da pena do superintendente Borba Gato, que escreveu ao governador Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre em 29 de novembro de 1708, das minas do Rio das Velhas. Na carta, Borba Gato descreve o clima de motins, a atuação de Manuel Nunes Viana e as dificuldades em manter a arrecadação régia:
| “ | Muito tempo há que em profecia escrevia a Vossa Senhoria que se não podia tratar nestas Minas do bem comum, menos da arrecadação da Fazenda de Sua Majestade, que Deus guarde, nem da dos defuntos e ausentes, sem que houvesse nelas Infantaria. Agora posso afirmar que para se poder tratar destes (ilegível) não se necessita menos que um exército, porque se foram os homens que entraram pela estrada proibida da Bahia desaforando de sorte que já cada vez que querem fazer um motim ou levantamento, para isso têm elegido cabos neste distrito e dado senhas, que não há mais que dá-la um para todos estarem juntos. Isto tem dobrado três vezes depois que saiu desta terra Cristóvão Correia Leitão. Foi a primeira vez que um bahiense que meteu um comboio em sua casa tão publicamente, em tão claro dia, que parece o acusava a sua consciência em que eu lho havia de ir confiscar, porém mal o podia fazer se nem por pensamentos tive notícia disso. Tratou de juntar gente, prevenir armas e não devia ser para me entregar o comboio. É incrível que seria para me descompor ou para me matar. Como não fui a sua casa, desvaneceu-se desse levantamento de que não tive notícia senão depois de se terem passado muitos dias. [...] | ” |
Esse documento encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, Arquivo de Marinha e do Ultramar, docs. 3212 a 3225 do Rio de Janeiro, e é frequentemente citado como fonte primária importante para a compreensão da Guerra dos Emboabas.[2]
João da Veiga da Costa
[editar | editar código]João da Veiga da Costa, mestre de campo do Terço dos auxiliares das capitanias da vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, escreveu em 19 de abril de 1719 um testemunho sobre o clima de temor e as migrações de paulistas após o conflito, destacando o papel de Rafael da Silva e Souza na tentativa de garantir a continuidade da mineração sob proteção régia.[25][falta página]
| “ | Certifico que havendo despejado destas Minas a maior parte dos nativos da vila de São Paulo e suas anexas, pela alteração do povo, ficamos assistentes nelas cento e tantos mineiros e lavradores e por uma voz falsa de que vagavam nos matos da Itatiaia 600 homens de armas dos nossos naturais para fazerem guerra aos frausteiros, nos ameaçavam estes, de sorte que suposto tínhamos sujeitado nossas armas em nome de Sua Majestade debaixo de cuja tutela supunhamo-nos seguros, era tal o temor com que nos atemorizavam que determinadamente desertamos também as ditas Minas, deixando ao desamparo nossas fazendas de plantas, instrumentos de minas e terras minerais, e tendo notícia deste fato Rafael da Silva e Souza, a quem os ditos frausteiros tinham obrigado que por serviço de Sua Majestade exercesse posto de capitão, não podendo capacitá-los a que não ocasionasse a nossa total saída destas ditas Minas, mandou logo alguns próprios a Manuel Nunes Viana, a quem os frausteiros tinham feito seu capitão-regente, protestando pela grande perda que receberia Sua Majestade nos seus reais quintos, com a retirada de tantos mineiros e povoadores e advertindo-lhe os melhores meios para evitar perda tão considerável, com cujo parecer ordenou o dito Manuel Nunes Viana a todos os cabos dos ditos frausteiros que impedissem com gravíssimas penas a que se não molestassem os homens da Serra Acima que nestas Minas assistiam na obediência em que estávamos pelo zelo e inteligência e capacidade que reconheceu no dito Rafael da Silva e Souza lhe ordenou que por nossos sítios e Fazendas nos visitasse e capacitasse com a segurança de proteção em nome de sua Majestade que se deixassem ficar quietos e sossegados em seus sítios e Fazendas, tratando de todas as suas conveniências pois lhes prometia toda a segurança de suas vidas e Fazendas, o que logo fez assim o dito Rafael da Silva e Souza com muito grande zelo e cristandade, discômodos de sua pessoa e Fazenda, em cujo respeito e conhecida lealdade no serviço de Sua Majestade nós resolvemos a ficar em nossos sítios e moradas, e foi este um dos serviços pelo qual merece que Sua Majestade o honre e premeie por ser o mais útil que se fez à conveniência dos seus Reais Quintos. Passa o referido na verdade pelo juramento dos Santos Evangelhos e por me ser pedida esta, lhe mandei passar por mim assinada, em Minas Gerais. | ” |
O texto enfatiza o medo generalizado, a ameaça de novos levantes e a importância de agentes locais na mediação entre colonos e autoridades emboabas.
Bento do Amaral Coutinho
[editar | editar código]
Datada de 16 de janeiro de 1709, uma carta escrita por Bento do Amaral Coutinho no arraial de Ouro Preto e enviada a Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre relata a perspectiva emboaba sobre os conflitos e descreve os paulistas como agressores planejando ataques em larga escala aos arraiais de Ouro Preto e Antônio Dias.[18]
| “ | Sem embargo que aos pés de Vossa Senhoria em toda a ocasião só desejo ser anunciador de paz, nesta forçosamente o hei de ser de Guerra, para dar parte a Vossa Senhoria do levantamento que agora sucedeu em 20 de dezembro nestas Minas Gerais, tomando armas todos os moradores destes arraiais e do campo contra os naturais da vila de São Paulo e serra acima. Poucos dias antes deste, havia sucedido o primeiro, nos arraiais do Caeté e Sabará das Minas do Rio das Velhas, causado de uma avançada que ao capitão maior Manuel Nunes Viana fora dar a Valentim Pedroso, para recuperar um desaire da espada em que seu irmão Jerônimo Pedroso havia ficado de pior com o dito Capitão-Maior, para o que foi incorporado de um tumulto de 600 armas, acompanhado do mesmo irmão, de José Pompeu, de Leão Leite e de outros muitos parentes e amigos como além disso guarnecido de mais armas, que chegando ao Caeté lhe foi levar em socorro o Tenente Manuel de Borba Gato seu tio, administrador daquelas Minas que, devendo como mineiro usar dos meios mais equivalentes para evitar a ruína e atalhar a desordem que sucedeu, o fez pelo contrário, excitando o incêndio até chegar a mandar fixar editais nas portas das Intendências, feitos em seu nome e firmados por sua mão, que nenhum morador ou forasteiro desse favor ou ajutório ao dito capitão-maior com pena de proceder contra êles e lhe serem confiscados os bens, só para que ficasse vencedor seu sobrinho. Mas como durante esta prevenção fosse tão considerável a perda e o saque se dece (?) aos moradores que se avirigua não se restituir com cinco arrobas d ouro. Condoídos estes tanto da perda como da sem razão que viam se queria usar com o Capitão-Maior, conspiraram no levantam/ com dois mil armas, despejando violentamente aos agressores, matando a um José Pardo, Paulista, por insolências que fez, e ultimamente, tirando as armas a todos os Paulistas, como instrumentos de suas desordens e mau viver, além de outras capitulações que assentaram, fazendo corpo de Milicia, até recorrem a Vossa Senhoria e a Sua Majestade considero fariam já.
Com este repente despejados Jerônimo Pedroso das Minas do rio das Velhas e outros mais que lá eram moradores, apostaram a estas Gerais, e logo de caminho deram um tiro a um dos moços moradores do campo, irmão do Padre Manuel Pires, por sair ao caminho a livrar a uma vaca sua dos cais, e fazendo daí passo para o sitio de Pascoal da Silva, lhe disseram era mui acomodado aquele campo para uma couteda ou marca, e recolhidos a Joatiaia, em poucos dias houve notícia que juravam os Paulistas passar a ferro frio todos os Emboabas, que assim chamam aos nossos portugueses assistentes por aqui, estilo entre êles na conquista do gentio mui antigo. Mas não parando aqui a coisa e começando a fazer varias preparações de armas cada dia, em um foram vistas na Joatiaia 400, em outro grande número que se não pode contar no Rio das Pedras, todos Paulistas, e havia vários dizeres sobre o caso, até que se rompeu uma voz que os Paulistas, vendo o desigual partido que tinham no Rio das Velhas com os nossos, por serem muitos e viverem já guarnecidos de Milicia e acautelados, conspiravam dar uma noite a saquear e destruir êstes arraiais do Ouro Preto e Antônio Dias, matando tudo o que pudessem matar por serem mais importantes e estarem desprevenidos de liga e de Milicia; e nestas considerações do que se dizia viviam já muitos com seu receio. Alguns do povo em práticas particulares já capitulavam mas debaixo disso havia parecer de maduro conselho que os divertia por ser infausto o motim, de que se não serve Deus nem El-Rei, e comumente parto de muitas desgraças, parecendo melhor acerto ir vendo ainda com o tempo os sinais e indicios mais eficazes, até que, fazendo-se exatas diligências para se alcançar daqui a verdade, constou por cartas que se apanharam fazerem-se certas todas as demonstrações passadas, e ultimamente um homem de serra acima, bem poderoso e apotentado, falando em particular com certa pessoa, lhe disse que fôra convidado para o mesmo efeito, porém se não queria meter nessas alhadas. E, com o último desengano que neste particular se colheu das ditas cartas, se levantou este povo do Ouro Preto e logo a uma fala o arraial de Antonio Dias, e daí a poucas horas o campo, com que se elegeu neste Ouro Preto um capitão que governasse de Armas e Guerra que se esperava: e como na noite seguinte ao dia do levantamento se mandou pôr fogo a êste arraial pelas duas (horas) depois da meia noite por dois bastardos e um negro fora da parede de um rancho junto ao punho de uma rede que estava armada daquela parte de que ardeu grande parte, queimando-se nove ranchos de mercadores que se avaliou em grande perda. E fora se se queimaram 16 arrobas de polvora que estavam neles. Se coligiu que de respirador da prevenção do levantamento, antes que tivesse o intento efeito, mandaram fazer a queima sendo público haver sido o agressor um Fernando Pais, paulista, que logo se foi retirando e pondo de largo, mandando depois dizer Valentim Pedroso que se não queixassem dele senão de Pais, que era o que mandara pôr fogo ao arraial. E para confirmação de tudo por outra carta que se alcançou alguns dias depois e aberta se viu que dizia por formais palavras: Vossa Senhoria estiveram a culpa em não fazer-se o efeito a seu tempo, que já agora é tarde... |
” |
O documento contribui para compreender como parte dos emboabas elaborava a justificativa moral e política de suas ações, enfatizando o perigo representado pelos paulistas e o caráter “preventivo” de certas medidas.
Junta no Rio de Janeiro
[editar | editar código]Em 16 de janeiro de 1709, uma junta realizada no Rio de Janeiro avaliou a gravidade da situação nas minas e decidiu pelo envio do governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho à região, apesar de restrições anteriores da Coroa ao deslocamento de governadores-regentes sem ordem expressa. O termo da junta destaca o risco de “total ruína” das minas e da arrecadação da Fazenda Real caso o conflito não fosse contido:[17]
| “ | Aos 16 dias do mês de Janeiro de 1709 nesta cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, nas casas de Sua Majestade que Deus guarde onde assiste D. Fernando Martins Mascarenhas de Lancastro, governador e capitão geral destas Capitanias, estando em Junta com o Ilustríssimo Bispo D. Francisco de São Jerônimo, o Mestre de Campo Francisco Ribeiro, o Desembargador Antônio Luís Peleja, o doutor juiz de fora Hipólito Guido, o provedor da Fazenda Real Luís de Almeida Correia e Albuquerque, o procurador da Coroa João Mendes da Silva, o doutor Manoel Correia Vasques, juiz e ouvidor da Alfândega, e o capitão Marcos da Costa da Fonseca Castelo Branco, almoxarife da Fazenda Real, foi apresentada carta do Tenente General Manuel de Borba Gato de 29 de novembro de 1708 em que lhe dá conta do estado em que estão as minas, onde estão como em guerra viva os paulistas com armas uns e outros nas mãos, acometendo-se com grande número de armas de parte a parte, havendo levantamentos, ruínas e inquietações de sorte que se seguirá uma total ruína não só de uns e outros assistentes das minas mas também uma gravíssima perda à Fazenda de Sua Majestade, que Deus guarde, não só para o seu reino mas também para os moradores desta cidade, pois com esta inquietação e tumulto tem estado e está impedido todo o negócio das minas. Para evitar tão grandes perdas e ruínas pedia ao dito Governador lhe pusesse o remédio de sorte que se aplacasse esta fúria e atual estrago que necessita do maior respeito e do maior poder, pois de outra sorte não se conseguiria o sossego daquele povo amotinado; e vendo o dito governador que Sua Majestade que Deus guarde por carta de 31 de janeiro de 1702 lhe ordena que não vá às minas nenhum governador desta Praça sem ordem especial sua, o que só limita havendo algum acidente em que se não possa esperar ordem; e que da omissão em acudir-lhe com remédio prontamente se lhe daria culpa: propôs-se este serviço atual das minas se complicaria no caso do acidente de que fala a dita carta de Sua Majestade, e assim se devia nesta ocasião o dito governador ir pessoalmente às minas para atalhar, sossegar e remediar tão iminente ruína de que se seguem mui prejudiciais consequências ao Reino, Fazenda e vassalos de Sua Majestade e por todos uniformemente foi dito que, visto o trabalhoso estado das minas, a carta e ordem de Sua Majestade se compreende o caso dela o presente sucesso das minas e que era conveniente passar a elas o dito Governador para com sua presença, respeito e poder atalhar tanta ruína, sossegar aquele levantamento e motim para que todos os assistentes das minas vivam em quietação e sossego e se continue o negócio que por este acidente tem cessado e está impedido, o que, visto pelo dito Governador, abraçando o voto e parecer de todos, se resolveu e assentou passar às minas com brevidade para os efeitos referidos e pelas razões ponderadas; de que mandou o dito Governador fazer este Termo que todos assinaram. O Secretário Bartolomeu de Siqueira Cordovil o fez. | ” |
O governador decidiu, portanto, partir em 2 de março, após cerca de um mês de preparativos para a jornada, realizada em condições difíceis de clima, transporte e logística, o que reforça a percepção da gravidade do conflito para a administração colonial.
Consequências
[editar | editar código]
A derrota paulista e a intervenção direta da Coroa ao final da Guerra dos Emboabas provocaram transformações profundas na administração colonial, na configuração territorial das capitanias e nas dinâmicas sociais da região mineradora. O conflito marcou o fim do predomínio político paulista nas Minas e inaugurou uma fase de centralização régia, reflexo da importância econômica estratégica da região aurífera.[2][17][3]
Entre as medidas imediatas adotadas pela administração portuguesa estiveram:
- a regulamentação da distribuição das lavras e dos critérios de partilha entre mineradores;
- a normatização e intensificação da cobrança do quinto;
- a cisão da antiga Capitania de São Vicente e a criação da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro (3 de novembro de 1709), diretamente subordinada à Coroa;
- a elevação de São Paulo à categoria de cidade, transformando-a na sede da nova capitania;
- a fundação das vilas de Vila Rica (1711), Sabará (1711) e São João del-Rei (1713), estruturando o sistema administrativo da região mineradora;
- a pacificação forçada das Minas Gerais e a imposição de controle régio sobre a fiscalização, o policiamento e o ordenamento das lavras.
A guerra também produziu efeitos demográficos e territoriais duradouros. Centenas de paulistas deslocaram-se para o interior do continente após a derrota, abrindo novas frentes de exploração que resultaram na descoberta de jazidas nos atuais estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.[20] Apesar de a historiografia tradicional atribuir essa migração exclusivamente à derrota paulista, estudos recentes indicam que ela está igualmente associada à continuidade das bandeiras de captura e escravização indígena.[26]
A intensificação do controle metropolitano resultou em expressivo aumento da produção aurífera ao longo da primeira metade do século XVIII. Minas Gerais transformou-se no principal polo econômico da colônia, atingindo seu auge produtivo por volta de 1740 e o pico da arrecadação em 1760 — embora parte considerável do ouro fosse desviada pelas rotas clandestinas do rio São Francisco.[3]
A historiografia destaca ainda consequências sociopolíticas mais amplas:[2]
- Reorganização territorial: a criação da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro redefiniu fronteiras internas e encerrou a antiga vinculação da região à Capitania do Rio de Janeiro.
- Centralização metropolitana: a Coroa reforçou a presença de funcionários régios, padronizou tributos e instituiu mecanismos de vigilância como casas de fundição, modificando profundamente a relação entre colonos e Estado português.
- Reconfiguração identitária: o conflito acelerou a diferenciação entre “paulistas” e os futuros “mineiros”, consolidando identidades regionais que se desenvolveriam ao longo do século XVIII.
- Mudanças sociais nas minas: a substituição do predomínio paulista pelo controle régio e, posteriormente, pelos grandes contratadores e comerciantes luso-brasileiros reorganizou as hierarquias sociais da região.
Influência na literatura brasileira
[editar | editar código]A Guerra dos Emboabas exerceu influência duradoura sobre a cultura e a imaginação histórica brasileira. O conflito aparece representado em obras literárias, televisivas e historiográficas que exploram a formação das Minas Gerais e as tensões coloniais.
A narrativa ficcional mais conhecida é o romance A Muralha (1954), de Diná Silveira de Queirós, que dramatiza a expansão bandeirante e a violência dos confrontos entre paulistas e forasteiros no contexto da descoberta do ouro. A obra contribuiu para fixar elementos simbólicos associados aos paulistas, aos emboabas e ao ambiente de rivalidades do início do século XVIII.
O tema também foi adaptado para a televisão na telenovela homônima A Muralha (1968) e na minissérie de 2000, ampliando a circulação dessas narrativas no imaginário popular.
Ver também
[editar | editar código]- Bandeirantes
- Ciclo do ouro
- Capitania de São Paulo e Minas de Ouro
- História de Minas Gerais
- Guerra dos Mascates
Referências
- ↑ a b c CARMO JÚNIOR, Adélson de Oliveira; SOUSA, Renan Rodrigues; CARVALHO, Dárlinton Barbosa Feres. "A Guerra dos Emboabas segundo os Grandes Modelos de Linguagem (LLM)". In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, vol. XVII, 2025.
- ↑ a b c d e f g h i Romeiro, Adriana (2005). Revisitando a Guerra dos Emboabas: práticas políticas e imaginário nas Minas setecentistas. Modos de governar: ideias e práticas políticas no Império Português (séculos XVI a XIX). São Paulo: Alameda. pp. 392–401
- ↑ a b c d e f g Furtado, João Pinto (2002). O manto de Penélope: história, mito e memória da mineração colonial. Belo Horizonte: UFMG. pp. 73–85
- ↑ «Emboaba». Michaelis On-Line. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ «Emboaba». Dicio, Dicionário Online de Português. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ a b c d «Relatos de pesquisa – Etimologia de "emboaba"». Instituto de Estudos da Linguagem (UNICAMP). Consultado em 17 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de julho de 2024
- ↑ Saint-Hilaire, Auguste de (1940). Viagem à Província de São Paulo (PDF). São Paulo: Livraria Martins
- ↑ Romeiro, Adriana (4 de outubro de 2008), Amor à terra?, Revista de História da Biblioteca Nacional, consultado em 15 de março de 2010, cópia arquivada em 21 de fevereiro de 2017.
- ↑ ROMEIRO, Adriana. Revisitando a Guerra dos Emboabas: práticas políticas e imaginário nas Minas setecentistas. In: BICALHO, Maria Fernanda; FERLINI, Vera Lúcia do Amaral (orgs.). Modos de governar – Ideias e práticas políticas no Império Português, séculos XVI a XIX. São Paulo: Alameda, 2005, p. 396.
- ↑ a b c Antonil, André João (2007). Cultura e opulência do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia. 119 páginas
- ↑ HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e fronteiras. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 145–158.
- ↑ HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e fronteiras. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 158–166.
- ↑ a b Romeiro, Adriana (2005). Revisitando a Guerra dos Emboabas…. São Paulo: Alameda. pp. 392–397
- ↑ a b Romeiro, Adriana (2005). Revisitando a Guerra dos Emboabas…. [S.l.: s.n.] 396 páginas
- ↑ HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e fronteiras…, p. 145–158.
- ↑ Mello, José Soares de (1979). Emboabas. São Paulo: Imprensa Oficial. p. 48
- ↑ a b c d Maxwell, Kenneth (1977). A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira — Brasil e Portugal, 1750–1808. Rio de Janeiro: Paz e Terra. pp. 37–40
- ↑ a b Vasconcelos, Diogo de (1999). História antiga das Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia. pp. 218–222
- ↑ Souza, Laura de Mello e (1982). Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Rio de Janeiro: Graal. pp. 57–60
- ↑ a b c Boxer, Charles R. (1965). Portuguese Society in the Tropics: The Municipal Councils of Goa, Macao, Bahia, and Luanda, 1510–1800. Madison: University of Wisconsin Press. pp. 147–151
- ↑ Vasconcelos, Diogo de (1999). História antiga das Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia. pp. 223–226
- ↑ Boxer, Charles R. (1965). Portuguese Society in the Tropics. Madison: University of Wisconsin Press. 151 páginas
- ↑ Taunay, Afonso de Escragnolle (1981). Relatos sertanistas. Belo Horizonte: Itatiaia. p. 229
- ↑ Taunay, Afonso de Escragnolle (1981), Relatos sertanistas, Ed. da Universidade de São Paulo
- ↑ Taunay, Afonso de Escragnolle (1981). Relatos sertanistas. [S.l.]: Itatiaia. p. 233
- ↑ SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 1982, p. 61.
Bibliografia
[editar | editar código]- CARMO JÚNIOR, Adélson de Oliveira; SOUSA, Renan Rodrigues; CARVALHO, Dárlinton Barbosa Feres. "A Guerra dos Emboabas segundo os Grandes Modelos de Linguagem (LLM)". In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, vol. XVII, 2025.
- Furtado, Júnia Ferreira (2005), Bicalho, Maria Fernanda; Ferlini, Vera Lúcia do Amaral, eds., José Rodrigues Abreu e a geografia imaginária emboaba da conquista do ouro, Modos de governar – Ideias e práticas políticas no Império Português séculos XVI a XIX 1ª ed. , São Paulo: Alameda.
- MELLO, José Soares de. Emboabas. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1942.
- MIRANDA, Ana. O Retrato do Rei. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
- RIBEIRO, Berta. O índio na história do Brasil. São Paulo: Global, 1987.
- ROMEIRO, Adriana. Paulistas e emboabas no coração das Minas: ideias, práticas e imaginário político no século XVIII. Belo Horizonte: UFMG, 2008.