Emergência hipertensiva

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Malignant hypertension
Oscilomanómetro de Von Recklinghausen com braçadeira de adulto e infantil
Classificação e recursos externos
CID-10 I10
CID-9 401-405
DiseasesDB 7788
MedlinePlus 000491
eMedicine article/241640
MeSH D006974
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Emergência hipertensiva, anteriormente designada por hipertensão maligna, é uma emergência médica grave de aparecimento súbito geralmente associado a pressões sistólica superiores a 180 mm Hg e diastólicas superiores a 120 mm Hg causando compromisso de outros órgãos. Frequentemente compromete o sistema nervoso central, coração, pulmões e rins. [1]

Não confundir com urgência hipertensiva, outro tipo de crise hipertensiva, mas que não gera compromisso de outros órgãos e pode ser tratada em casa com medicação oral.

Causas[editar | editar código-fonte]

Medir frequentemente a pressão arterial é importante para diagnosticar as crises hipertensivas, pois é comum que não tenham sintomas.

Cerca de 26% da população adulta mundial é hipertensa. Destes, entre 1% e 2% dos pacientes com hipertensão arterial crônica desenvolvem em algum momento, urgência hipertensiva ou emergência hipertensiva. Afeta mais homens que mulheres. [2] Apesar de 71,6% dos hipertensos fazerem tratamento específico para a condição, apenas 46,5% mantem a pressão arterial bem controlada. Sendo assim a principal causa das crises hipertensivas é a suspensão brusca de antihipertensivos como clonidina ou betabloqueadores (propanolol, atenolol, carvedilol...).[3] Outra causa é o uso de drogas vasoconstritoras como cocaína, metanfetaminas, anfetaminas e fenciclidina.

Danos aos órgãos associados à emergência hipertensiva podem incluir[4][5]:

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Complicações da hipertensão arterial

Na maioria das vezes não há sintomas específicos da hipertensão. Entre os sinais e sintomas mais comuns estão[6]:

  • Dor no peito (27%)
  • Dificuldade para respirar (21%)
  • Declínio cognitivo (20%)
  • Náusea (10%)
  • Formigamento (8%)
  • Dor de cabeça (3%)

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Em pacientes com pressão sanguínea muito elevada é essencial diferenciar a emergência hipertensiva (que deve ser imediatamente tratada no hospital) da urgência hipertensiva (que pode ser tratada em casa). Deve-se fazer uma avaliação dos antecedentes relacionados à hipertensão, medicações usadas, doenças cardiovasculares conhecidas, consumo de drogas e dos sinais e sintomas que o acompanham.[7]

O exame físico inicial deve incluir[8]:

Os exames complementares devem incluir[8]:

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Pastilhas sublinguais de nitratos para serem usadas quando a via intravenosa não for acessível.

Deve ser tratado no hospital para redução gradual da hipertensão durante as primeiras 12-24h desde o diagnóstico. Várias classes de agentes anti-hipertensivos podem ser usadas, com escolha dependendo da etiologia da crise hipertensiva, da gravidade da elevação da pressão arterial e da pressão arterial habitual do paciente antes da crise hipertensiva. Não se deve reduzir a hipertensão em mais de 25% durante a primeira hora, pois a queda súbita pode causar isquemia cerebral, cardíaco ou renal.[9]

Na maioria dos casos, é recomendado a administração intravenosa de nitroprussiato de sódio (0,25 µg/kg/minuto) ou labetalol (20 a 80 mg a cada 10 minutos) para reduzir a pressão arterial em 10% por hora até alcançar valores menores a 160mmHg por 110mmHg. Nitroglicerina (5 a 20 μg/min) é a primeira eleição em caso de insuficiência cardíaca. O ritmo deve ser controlado por um bomba de infusão. [10]

Além disso, uma cirurgia de emergência deve ser considerada nos casos de emergencia hipertensão resistente devido à insuficiência renal em estágio terminal, nefrectomia ou embolização da artéria renal.[11]

Referências

  1. Thomas L (October 2011). "Managing hypertensive emergencies in the ED". Can Fam Physician. 57 (10): 1137–97. PMC 3192077Freely accessible. PMID 21998228.
  2. Kearney, PM; Whelton M, Reynolds K, Muntner P et al (2005). «Global burden of hypertension: analysis of worldwide data». Lancet (em inglês). 365 (9455): 217–23. doi:10.1016/S0140-6736(05)17741-1
  3. Guo F, He D, Zhang W, Walton RG. Trends in Prevalence, Awareness, Management, and Control of Hypertension Among United States Adults, 1999 to 2010. J Am Coll Cardiol. 2012;60(7):599-606.
  4. American Heart Association, Inc. (2017) Hypertensive Crisis: When You Should Call 911 for High Blood Pressure. http://www.heart.org/HEARTORG/Conditions/HighBloodPressure/GettheFactsAboutHighBloodPressure/Hypertensive-Crisis-When-You-Should-Call-9-1-1-for-High-Blood-Pressure_UCM_301782_Article.jsp#.WOF4v_k1_IU
  5. Marik PE, Varon J. Hypertensive crises: challenges and management. Chest. 2007 Jun;131(6):1949-62. Review. Erratum in: Chest. 2007 Nov;132(5):1721. | PubMed |
  6. Zampaglione B, Pascale C, Marchisio M, et al. Hypertensive urgencies and emergencies: prevalence and clinical presentation. Abstract Hypertension 1996; 27:144–147 doi 10.1161/​01.HYP.27.1.144PubMed
  7. Herrero Puentea, J. Vázquez Álvareza, A. Álvarez Cosmeac y F. Fernández Vega. Abordaje diagnóstico y terapéuticode las crisis hipertensivas Hipertensión 2003;20(6):273-82 En caché Fecha de consulta Sáb 24 de dic 2011
  8. a b Javier Sobrino Martínez, Mónica Doménech Feria-Carot, Alberto Morales Salinas, Antonia Coca Payeras. Crisis hipertensivas: urgencia y emergencia hipertensiva. Medwave 2016;16(Suppl4):e6612 doi: 10.5867/medwave.2016.6612
  9. Brewster LM, MD; Michael Sutters, MD (2006). "Hypertensive Urgencies & Emergencies - Hypertension Drug Therapy". Systemic Hypertension. Armenian Health Network, Health.am. Retrieved 2007-12-02.
  10. CENETEC SSA-155-08 Guía de práctica clínica: Prevención, diagnóstico y tratamiento de las crisis hipertensivas. (Guía de referencia rápida) México:Secretaría de Salud 2008. Consejo de salubridad general Actualización 2008. ISBN en trámite
  11. http://www.avicennajmed.com/article.asp?issn=2231-0770;year=2013;volume=3;issue=1;spage=23;epage=25;aulast=Alhamid;type=0