Empédocles

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Empédocles
Pré-socráticos
Empedocles in Thomas Stanley History of Philosophy.jpg
Nome completo Ἐμπεδοκλῆς
Escola/Tradição: Escola da pluralidade
Data de nascimento: ca. 490 a.C.
* Local: Agrigentum, Sicília
Data de falecimento ca. 430 a.C. (60 anos)
* Local: Monte Etna, Sicília
Principais interesses: Cosmogénese e ontologia
Trabalhos notáveis Toda a matéria é feita de quatro elementos: água, terra, ar e fogo.
Influenciado por: Parmênides, escola pitagórica
Influências: Górgias de Leontini, Aristóteles, Lucrécio, Friedrich Nietzsche
Portal Filosofia

Empédocles (em grego antigo: Ἐμπεδοκλῆς; Agrigento, 495/490 - 435/430 a.C.) foi um filósofo, médico, legislador, professor, mítico, além de profeta. Foi defensor da democracia e sustentava a idéia de que o mundo seria constituído por quatro princípios: água, ar, fogo e terra.

Tudo seria uma determinada mistura desses quatro elementos, em maior ou menor grau, e seriam o que de imutável e indestrutível existiria no mundo.

Para Empédocles, duas forças fundamentais responsáveis pela manutenção do universo: O AMOR que unia os elementos (raízes) e o ÓDIO que os separava. A morte para ele era simplesmente a desagregação dos elementos. Segundo ele, todos nós fazíamos parte do todo que se renovava em ciclos; reunindo-se (nascimento) e separando-se (morte).

O pensamento de Empédocles talvez influenciará os pensadores da escola atomista.

No Naturalismo esboçou o que podemos citar como os primeiros passos do pensamento teórico evolucionista: "Sobrevive aquele que está mais bem capacitado", aproximadamente 2300 anos antes de Charles Darwin. Tendo seguido Tales de Mileto na mesma linha de pensamento evolutivo: "O mundo evoluiu da água por processos naturais".

Na política opôs-se à oligarquia, defendendo a democracia. Cedo virou figura legendária: ele mesmo se atribuía poderes mágicos. Conta a lenda que ele teria se atirado na cratera do Etna, para provar que era um Deus.

Vida[editar | editar código-fonte]

O templo de Hera em Agrigentum, construído quando Empédocles era jovem, por volta de 470 ac

Empédocles nasceu em 490 ac em Agrigentum (Acragas) na Sicília, em uma renomada família.[1]

Pouco se sabe sobre sua vida. Seu pai Meto parece ter sido importante na derrubada do tirano de Agrigentum, presumidamente Trasideu, filho de Terone, em 470 a.C. Empédocles deu seguimento à tradição democrática da sua família, ajudando a derrubar o governo oligarca seguinte. Diz-se que ele foi magnânimo apoiando os pobres [2] ; severo na perseguição dos abusos da aristocracia [3] e até declinou de governar a cidade quando lhe foi oferecido [4] .

Sua oratória brilhante [5] , seu conhecimento profundo da natureza e a reputação de seus poderes sobrenaturais, incluindo a cura de doenças e previsão de epidemias [6] produziram vários mitos e histórias em torno de seu nome.

Ele era tido como mágico e controlador de tempestades. Ele mesmo, em seu famoso poema Purificações parece ter prometido poderes miraculosos, inclusive a destruição do mal, a cura da velhice e controle sobre a chuva e o vento. Empédocles era ligado por laços de amizade aos médicos de Acron [7] e Pausanias [8] , que eram seus eromenos[9] , a vários pitagóricos e até,há quem diga, a Parmênides e Anaxágoras [10] . O único discípulo de Empédocles mencionado é o sofista e retórico Górgias [11] .

Timeu e Dicearco de Messina falaram da viagem de Empédocles ao Peloponeso e da admiração que lhe foi prestada lá [12] . Outros mencionaram sua estadia em Atenas e na então recém fundada colônia de Thurii [13] , em 446 ac [14] . Existem também alguns interessantes relatos de sua viagem ao extremo oriente às terras dos magos [15] .

De acordo com Aristóteles, ele morreu com 60 anos (c. 430 a.C.), embora outros escritores o tenham como vivendo até aos cento e nove anos de idade.[16] De forma semelhante, há alguns mitos acerca da sua morte: uma tradição, que é atribuida a Heráclides do Ponto, representa-o como tendo sido removido da terra; enquanto outras o têm perecendo nas chamas do Monte Etna.[17]

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

Empédocles é considerado o último filósofo grego a escrever em versos e os fragmentos que restam de suas lições estão em dois poemas: Purificações e Sobre a Natureza. Empédocles estava sem dúvida familiarizado com os poemas didáticos de Xenófanes e Parménides[18] - podem ser encontradas alusões a este último nos fragmentos, - mas ele parece tê-los superado na animação e riqueza de seu estilo, e na clareza das suas descrições e dicção. Aristóteles apelidou-o de pai da retórica, e, embora apenas tenha reconhecido a métrica como ponto de comparação entre os poemas de Empédocles e os épicos de Homero, ele descreveu Empédocles como Homerico e poderoso na sua dicção.[19] Lucrécio fala dele com entusiasmo, e via-o evidentemente como o seu modelo.[20] Os dois poemas juntos compreendem 5000 linhas.[21] Sobreviveram cerca de 550 linhas da sua poesia, embora porque os escritores antigos raramente mencionavam que poema estavam a citar, não é sempre certo a que poema as citações pertencem. Alguns estudiosos acreditam hoje em dia que havia apenas um poema, e que as Purificações formavam meramente o início de Sobre a Natureza.[22]

Purificações[editar | editar código-fonte]

Empédocles de Agrigento.

Conhecemos apenas aproximadamente 100 versos da sua Purificações. Parecem terem sido uma visão mítica do mundo, o que, não obstante, foi parte do sistema filosófico de Empédocles, As primeiras linhas do poema foram preservadas por Diógenes Laércio:

Amigos, que habitais a grande cidade, junto aos fulvos rochedos de Acragas, no

alto da cidadela, amadores de nobres trabalhos, respeitáveis abrigos para os
estrangeiros, homens inexperientes da maldade, eu vos saúdo! Eu, porém, caminho entre
vós qual Deus imortal, e não mais como mortal, por todos honrado como me convém,
coroado de guirlandas floridas. Desde minha entrada nas florescentes cidades, sou
honrado por homens e mulheres; seguem-me aos milhares, a fim de saber qual o
caminho da riqueza; uns necessitando oráculos; outros, feridos por atrozes dores,

Pedem uma palavra salvadora para as suas múltiplas doenças.[23] [24]

Era provavelmente este trabalho que continha uma história sobre almas,[25] onde nos é dito que existiram em tempos espíritos que viviam num estado de êxtase, mas tendo cometido um crime (de natureza desconhecida) eles foram punidos ao serem forçados a tornarem-se seres mortais, reincarnados de corpo para corpo. Os Humanos, os animais, e mesmo as plantas são esses espíritos. A conduta moral recomendada no poema pode permitir tornar-nos deuses novamente.

Sobre a Natureza[editar | editar código-fonte]

Existem aproximadamente 450 versos do seu poema Sobre a Natureza, incluindo 70 que foram reescritos de fragmentos de papirus, conhecidos como Strasbourg papyrus. O poema consistia originalmente de 2000 versos hexâmetros [26] e fora feito para Pausanias [27] [28] . Era esse poema que mostrava seu sistema filosófico. Nele, Empédocles explica não apenas a natureza e a história do universo, incluindo sua teoria dos Quatro elementos, mas ele descreve suas teorias da causa, da percepção e do pensamento, assim como também explicações do fenômeno terrestre e processos biológicos.

Filosofia[editar | editar código-fonte]

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Empedocles retratado no Incunábulo chamado Crônica de Nuremberg

Embora familiarizado com as teorias dos Eleatas e dos Pitagóricos, Empédocles não pertencia a nenhuma escola definida. Sendo ecléctico no seu pensamento, ele combinou muito do que tinha sido sugerido por Parménides, Pitágoras e pelas escolas jônicas. Era um firme crente nos mistérios órficos, bem como um pensador científico e um precursor da ciência física. Aristóteles menciona Empédocles entre os filósofos jônicos, e coloca-o em relação próxima com os filósofos atomistas e com Anaxágoras.[29] Empédocles, tal como os filósofos jônicos e os atomistas, tentou encontrar a base de toda a mudança. Tal como Heráclito, eles não consideraram vir à existência e o movimento como a existência das coisas, e o repouso e a tranquilidade como não-existência. Isto é porque eles tinham derivado dos Eleatas a convicção de que uma existência não poderia passar para a não-existência, e vice-versa. A fim de permitir que a mudança ocorra no mundo, e contra a opinião dos eleatas, eles viram as mudanças como resultado da mistura e separação de substâncias inalteráveis. Assim Empédocles disse que uma vinda à existência de uma não-existência, bem como uma morte e aniquilação completa, são impossíveis; o que chamamos de vir à existência e a morte é apenas a mistura e separação do que estava misturado. [30]

Os quatro elementos[editar | editar código-fonte]

Foi Empédocles que estabeleceu os quatro elementos essenciais que fazem toda a estrutura do mundo - fogo, ar, água e terra. [31] Empédocles chamou estes quatro elementos "raízes" que, de maneira típica, ele também identificou com os nomes místicos de Zeus, Hera, Nestis e Aidoneu. [32] Empédocles nunca usou o termo "elemento" (em grego: στοιχεῖον) (stoicheion), que parece ter sido usado pela primeira vez por Platão. [33] De acordo com as diferentes proporções em que esses quatro elementos indestrutíveis e imutáveis são combinados uns com os outros é produzida a diferença da estrutura. É na agregação e segregação de elementos que assim resulta, que Empédocles, como os atomistas, encontrou o verdadeiro processo que corresponde ao que é popularmente chamado de crescimento, aumento ou diminuição. Nada de novo vem ou pode vir a ser, a única mudança que pode ocorrer é uma mudança na justaposição de elemento com elemento. Essa teoria dos quatro elementos tornou-se o padrão dogma nos dois mil anos seguintes.

Amor e revolta[editar | editar código-fonte]

Os quatro elementos são, contudo, simples, eternos e imutáveis, e como a mudança é a consequência da sua mistura e separação, foi também necessário supor a existência de poderes em movimento - para trazer a mistura e a separação. Os quatro elementos são colocados eternamente em união, e eternamente separados uns dos outros, por dois poderes divinos, amor e ódio. O Amor (em grego: φιλία) explica a atracção de diferentes formas de matéria, e o Ódio (em grego: νεῖκος) é responsável pela sua separação. [34] Se os elementos são o conteúdo do universo, então o Amor e o Ódio explicam a sua variação e harmonia. O Amor e o Ódio são forças atractivas e repulsivas que o olho comum pode em funcionamento entre o povo, mas que realmente permeiam o universo. Eles imperam alternadamente sobre as coisas, - sem contudo algum ser sempre muito ausente.

A esfera de Empédocles[editar | editar código-fonte]

Como estado original e o melhor, houve um tempo em que os elementos puros e os dois poderes coexistiam numa condição de repouso e imobilidade na forma de uma esfera. Os elementos existiam juntos na sua pureza, sem misturas ou separações, e o poder de união do Amor predominava na esfera: o poder separador da revolta guardava as bordas mais extremas da esfera.[35] Desde essa altura, a revolta ganhou mais balanço e a ligação que mantinha as substâncias elementares puras juntas na esfera foi dissolvida. Os elementos transformaram-se no mundo de fenómenos que assistimos hoje, cheio de contrastes e oposições, operado tanto pelo Amor como pela Revolta. A esfera sendo a personificação da existência pura é a personificação ou representação de deus. Empédocles assumia um universo cíclico onde os elementos regressam e preparam a formação da esfera para o próximo período do universo.


Referências

  1. Diogenes Laërtius, viii. 51
  2. Diogenes Laërtius, viii. 73
  3. Timaeus, ap. Diogenes Laërtius, viii. 64, comp. 65, 66
  4. Aristotle ap. Diogenes Laërtius, viii. 63; compare, however, Timaeus, ap. Diogenes Laërtius, 66, 76
  5. Sátiro, ap. Diogenes Laërtius, viii. 58; Timaeus, ap. Diogenes Laërtius, 67
  6. Diogenes Laërtius, viii. 60, 70, 69; Plutarch, de Curios. Princ., adv. Colotes; Pliny, H. N. xxxvi. 27, and others
  7. Pliny, Natural History, xxix.1.4-5; cf. Suda, Akron
  8. Diogenes Laërtius, viii. 60, 61, 65, 69
  9. Diogenes Laërtius, viii. 60: "Pausanias, de acordo com Aristipo e Sátiro, foi o seu eromenos"
  10. Suda, Empedocles; Diogenes Laërtius, viii. 55, 56, etc.
  11. Diogenes Laërtius, viii. 58
  12. Diogenes Laërtius, viii. 71, 67; Athenaeus, xiv.
  13. (em inglês)en:Thurii
  14. Suda, Akron; Diogenes Laërtius, viii. 52
  15. Pliny, H. N. xxx. 1, etc.
  16. Apollonius, ap. Diogenes Laërtius, viii. 52, comp. 74, 73
  17. Diogenes Laërtius, viii. 67, 69, 70, 71; Horace, ad Pison. 464, etc.
  18. Hermippus and Theophrastus, ap. Diogenes Laërtius, viii. 55, 56
  19. Aristotle, Poetics, 1, ap. Diogenes Laërtius, viii. 57.
  20. See especially Lucretius, i. 716, etc.
  21. Diogenes Laërtius, viii. 58.
  22. Simon Trépanier, (2004), Empedocles: An Interpretation, Routledge.
  23. Frag. B112, (Diogenes Laërtius, viii. 61)
  24. GERD BORNHEIM. Os filósofos pré-socráticos. – acessado a 9 de Janeiro de 2012.
  25. Frag. B115, (Plutarch, On Exile, 607CE; Hippolytus, vii. 29)
  26. Suda, Empedocles
  27. (em inglês)en:Pausanias of Sicily
  28. Diogenes Laërtius, viii. 60
  29. Aristóteles, Metafísica, i. 3, 4, 7, Phys. i. 4, de General, et Corr. i. 8, de Caelo, iii. 7.
  30. Frag. B8, (Plutarco,Contra Colotes, 1111F); Frag. B12, (Pseudo-Aristóteles, Sobre Melisso, Xenófanes, Górgias, 975a36-b6)
  31. Frag. B17, (Simplício, Física, 157-159)
  32. Frag. B6, (Sextus Empiricus, Contra os Matemáticos, x, 315.)
  33. Platão,Timeu, 48b-c
  34. Frag. B35, B26, (Simplício,Física, 31-34)
  35. Frag. B35, (Simplicius, Physics, 31-34; On the Heavens, 528-530)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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