Encontro de Artes e Tradição Gaúcha

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O Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (ENART)[1] é um evento a nível estadual, considerado o maior festival de arte amadora da América Latina,[2][3] descendente do antigo estadual FEMOBRAL (popularmente MOBRAL). É promovido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), realizado desde 1986, sendo que desde 1997 ocorre no Parque da Oktoberfest em Santa Cruz do Sul.[2][3]

É realizado anualmente, em três etapas: regionais, inter-regionais e final. Envolve competidores de todo o estado do Rio Grande do Sul, e espectadores de todo o mundo. Estima-se haver mais de dois mil concorrentes por ano, somente na categoria de Danças Tradicionais (entre força A e força B) e mais de 60 mil espectadores na fase na final.[2] É de extrema importância para o estado, pois é o maior evento tradicionalista gaúcho do mundo, segundo fontes, ligadas ao MTG. A partir de 2009 as edições do evento são transmitidas pela Internet.

História[editar | editar código-fonte]

O ENART, como atualmente concebido, derivou-se, como já citado, do primeiramente de eventos recorrentes do FEMOBRAL (MOBRAL), iniciado em 1977 (em conjunto com a instituição MOBRAL, IGTF com o apoio do MTG), consistindo em uma série de eventos meramente culturais. A primeira edição do FEGART, organizado pelo MTG/RS, ocorreu ainda em 1986, sob o nome de FEGART, Festival Gaúcho de Arte e Tradição, na cidade de Farroupilha.

Após anos com sua realização na serra gaúcha, tendo em vista o crescimento do festival e das necessidades estruturais e financeiras para sua realização, o evento foi transferido para Santa Cruz do Sul, no ano de 1997, onde permanece até hoje. Atualmente é um evento consolidado no meio tradicionalista gaúcho, tendo sua realização usualmente marcada para a terceira semana de novembro. Dentre as evoluções que o evento sofreu, destacam-se o cada vez maior número de categorias, abrangendo diferentes aspectos da cultura gaúcha, sob os preceitos do MTG.

Mudança de nome[editar | editar código-fonte]

Tendo em vista litígios, decorrentes da mudança entre cidades (de Farroupilha para Santa Cruz do Sul), o nome do evento inicialmente denominado Festival Gaúcho de Arte e Tradição (FEGART), teve de ser alterado, nascendo o presente nome ENART (inicialmente, Encontro Nacional de Arte e Tradição e atualmente Encontro de Artes e Tradição Gaúcha). Foi criado por Antônio Pereira dos Santos, enquanto conselheiro do MTG e presidente da ATS de Santa Cruz do Sul. Num universo de 56 nomes de todo o Estado, numa reunião histórica em Porto Alegre, na sede do MTG, este foi o nome escolhido.

A edição inaugural da sigla ENART, portanto, nasceu em 1999, permanecendo em Santa Cruz do Sul.

O pioneiro FEMOBRAL/MOBRAL[editar | editar código-fonte]

Na década de 70, o MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização – órgão do Governo Brasileiro federal, através de seu "Programa Cultural" (lançado em 1973 para complementação da ação pedagógica), empenhava-se em combater o alto nível de analfabetismo no país. No Rio Grande do Sul, além de alfabetizar, também almejava divulgar a cultura como forma de elevar a auto-estima da população e oportunizar o surgimento de novos valores sócio-artísticos.

O objetivo do Programa era, basicamente, o de: "concorrer de maneira informal e dinâmica para difundir a cultura do povo brasileiro e para a ampliação do universo cultural do mobralense e da comunidade a que ele pertence" (Corrêa, 1979: 243). Suas ações, portanto, de modo geral, giravam em: a. contribuir para atenuar ou impedir a regressão do analfabetismo; b. reduzir a deserção dos alunos de Alfabetização funcional; c. diminuir o número de reprovações; d. agir como fator de mobilização; e. incentivar o espírito associativo e comunitário e, f. divulgar a filosofia do MOBRAL em atividades dirigidas ao lazer e das quais participaria o mobralense, em especial, e a comunidade em geral.

Assim, o professor e advogado Praxedes da Silva Machado, responsável cultural pelo MOBRAL, buscou a parceria do IGTF – Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore – com o apoio do MTG – Movimento tradicionalista gaúcho – e criaram o “Festival Estadual de Arte Popular e Folclore”, que se popularizou como “Festival Estadual do Mobral”, FEMOBRAL ou ainda, somente MOBRAL. O evento foi idealizado para ser itinerante, sendo realizado pioneiramente cada ano em uma cidade diferente.

Antes haviam outros concursos no Estado com características também amplas, porém mais a nível estudantis e sem uma organização institucional, recebendo o FEMOBRAL o título de primeiro concurso estadual de cultura e dança que tivemos. O FEMOBRAL veio para revolucionar, em uma época em que as invernadas artísticas estavam se adaptando de um modo de dançar totalmente singelo para uma característica baseado no glamour dos grupos de shows e de folclore platino (grupos turísticos e profissionais), tão presentes na mídia e na TV, tais como: Os Muúripas, Conjunto Internacional os Gaúchos, Tropeiros da Tradição, Os Missioneiros, etc. Vários CTGs, ativos na época, como Brazão do Rio Grande, Os Maragatos, Aldeia dos Anjos (citando os região metropolitana), e tantos outros pelo interior do estado (como O Bombeador, Caiboaté, Cel. Chico Borges, Saudade do pago, etc.), tinham influência dos instrutores e de integrantes que participavam em paralelo também a esses conjuntos folclóricos, atividade comum à época. Outra característica que vigorava, também herança destes conjuntos de show, era as indumentárias masculinas todas iguais, assim como para as indumentárias das prendas. Foi um choque de novidades que se alastrou perante os grupos, tornando o FEMOBRAL numa moda a se disseminar.

As eliminatórias se davam a nível municipal, classificando os grupos para uma segunda eliminatória regional, desencadeando no evento itinerante estadual, em si. A eliminatória municipal de Canoas de 1977 (por exemplo) se realizou nas dependências da biblioteca pública municipal, no dia 24 de setembro. Já a regional do mesmo ano realizou-se em São Leopoldo, no dia 8 de Outubro de 1977, contando com as melhores 6 entidades regionais, campeãs em suas respectivas cidades.

A primeira edição deste festival, então, foi no ano de 1977, cuja fase final foi realizada na cidade de Bento Gonçalves/RS, no ginásio municipal. O concurso se deu em um dia somente, no sábado, dia 15 de Outubro de 1977. O CTG Brazão do Rio Grande, de Canoas/RS, instruído por Brás Ivalmir de Oliveira (popular Xarópe), juntamente com Celso Luz da Costa, consagrou-se assim no primeiro grupo campeão estadual de danças do Rio Grande do Sul, contando na edição com apenas 5 pares (frequentadores, em paralelo, dos grupos profissionais de shows do nosso Estado: Os Muuripás, Os Gaúchos e Tropeiros). Os dançarinos campeões do I MOBRAL foram: Brás Ivalmir de Oliveira, Celso Luz da Costa, João Albino Aquino, Paulo Roberto Aquino, Roberto Müller, Ronaldo Shuster, Beatriz Melo Shuster, Eva Maria Darski, Iara Terezinha Müller, Maria Eliana Souza Rezende e Osaira Braga Pospichil; junto aos músicos: Jairo Zosque Brasil (acordeón), Joel Brasil Vieira (violão e voz), Julio Cesar Rodrigues (voz) e Paulo Roberto Caldera (violão).

A 2ª edição realizou-se em 1978, na capital Porto Alegre, no palco do clássico auditório Araújo Viana, com os concursos individuais e acampamento abraçados pelo centro esportivo Geroge Black. A etapa regional da grande Porto Alegre realizou-se em Montenegro, com outros 6 grupos concorrentes. O evento naturalmente cresceu, incluindo agora 2 grupos mirins, “hors-concurs” ao mesmo. Novamente o CTG Brazão do Rio Grande levou o troféu maior de campeão do estado, concorrendo com outros 10 grupos dos quatro cantos do nosso estado.

Em 1979, a 3ª realizou-se já em Lajeado, após uma etapa regional metropolitana sendo abrigada pelas dependências do CTG Poncho Crioulo, da cidade de Esteio/RS. E para a felicidade da comunidade canoense, o CTG Brazão do Rio Grande consagra-se tri-campeão do estado, levando consigo para Canoas/RS e para a grande Porto Alegre/RS o primeiro troféu rotativo (Troféu Cidade de Bento Gonçalves), por ter vencido consecutivamente o primeiro concurso estadual (o único tri-campeão consecutivo até hoje).

A 4ª edição do Mobral, de 1980, assim foi abraçado por Cachoeira do Sul/RS. O CTG Brazão do Rio Grande, atual tri-campeão da época, como convidado, não participou do evento, realizando um espetáculo “hors-concurs” de abertura, no ginásio do parque da Fenarróz.

Em 1980, devido a vinda do Papa João Paulo II ao Brasil e a Porto Alegre/RS, se realizou uma integração entre estes CTGs mais conceituados da época e campeões do FEMOBRAL, para uma apresentação histórica e em conjunto ao pontífice. Os CTGs convidados foram selecionados pelo IGTG devido a suas características mais fiéis aos temas folclóricos pesquisados à época, sendo eles CTG Brazão do Rio Grande de Canoas, Coronel Chico Borges de Santo Antônio da Patrulha, Aldeia dos Anjos de Gravataí, incluindo a lista o CTG Tiarajú de Porto Alegre, CTG 35 de Porto Alegre, todos liderados por João Carlos Paixão Côrtes e Edson Otto, inclusive realizando ensaios com o mesmo nas dependências do 35 CTG, com gravação da parte musical para ensaios extras nas dependências de suas entidades. A apresentação se deu em 1980, pelo conjunto musical do CTG Brazão do Rio Grande (escolhido para tal), com as danças do Pezinho, Balaio e Cana-verde, entre todas as entidades juntas, em frente ao Gigantinho, no Beira-rio, em um dia histórico para toda a tradição gaúcha e nosso povo sulino.

Já a 5ª edição estadual aconteceu em 1981, na cidade de Lagoa Vermelha/RS. Em 1982, a 6ª edição foi em Canguçu/RS. A 7ª etapa, em 1983, foi para a cidade de Soledade/RS. E a 8ª edição do Mobral, em 1984, foi nos pavilhões clássicos da cidade de Farroupilha/RS. Em 1985, a 9ª edição seria em Rio Pardo/RS. Como as autoridades do município desistiram quase nas vésperas, Farroupilha passou a sediar novamente, já que tinha infraestrutura compatível e testada no mesmo evento. Decidiu-se, então, não mais alternar o local, uma vez que Farroupilha se propunha em continuar realizando anualmente a final.

Os eventos do MOBRAL eram realizados em formatações de espetáculos, onde os grupos que apresentavam danças do Folclóre gaúcho no formato que mais agradasse o público levava o concurso. As avaliações eram feitas em cima do impacto que os grupos causavam nos jurados, assim como no público. Não haviam sub-divisões de avaliação de correção coreográfica, interpretação, música, indumentária e outros quesitos como hoje. Basicamente eram avaliado o brilho do grupo e a criatividade das coreografias criadas em cima de cada dança selecionada. Neste período não eram tempos ainda de entradas e saídas, onde alguns grupos mais arrojados realizavam quadros-vivos e temas musicais da época para se adentarem no palco. Nico Fagundes, Edson Otto, Gilberto Carvalho, Lilian Argentina, dentre outros vultos do nosso Folclore e da nossa arte, passaram a serem avaliadores de tal evento, mostrando a necessidade do mesmo de ser ramificador da cultura e da arte como um todo e não somente da didática prática das danças tradicionais. No ano de 79, por exemplo, o time de avaliadores se deu por: Prof. Carmen de Mello Matos do IGTF, do conselheiro do MTG Nei Zardo, do poeta e declamador Marco Aurélio Campos, do compositor Gilberto Carvalho e do instrutor de danças Ery Assenato. A direção geral do evento se deu por Edson Otto, Praxedes da Silva Machado e pelo vice-presidente do MTG da época Carlos Campos.

A partir de 1986, o MOBRAL não consegue mais realizar o concurso estadual de danças, passando aos grupos a necessidade de se ter o mesmo anualmente, já consagrado. Assim, o Movimento Tradicionalista Gaúcho abraça a causa, em parceria com a Prefeitura Municipal de Farroupilha e o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore – IGTF, passando a criar outro nome e uma nova concepção de evento, a ser denominado FEGART – Festival Gaúcho de Arte e Tradição. Sua realização, então, acontecia sempre no último final de semana de outubro, permanecendo em Farroupilha até o ano de 1996, com acampamentos no campo de Futebol, extensivo ao parque da cidade.

O concurso estadual de danças, iniciado naquele humilde ano de 1977, hoje tem tomado uma dimensão espantosa, via estrutura física e virtual, somando a impressionante quantidade de 60000 pessoas circulando no parque de Santa Cruz do Sul/RS e fazendo do canal de transmissão do youtube, o segundo canal mais visto no mundo, durante o concurso, colocando o Rio Grande do Sul numa das maiores potencias culturais do mundo.

Somando, assim, Mobrais, Fegarts e Enarts, temos 42 concursos estaduais de danças realizados, somando também 42 campeões de danças tradicionais.

E a dança agradece!!!

Modalidades do ENART[editar | editar código-fonte]

Chula[editar | editar código-fonte]

É uma dança masculina que consiste no desafio entre dois peões de CTGs diferentes, e onde eles dançam sapateando sem tocar a lança de madeira que está disposta no chão. O gaiteiro toca um ritmo específico para cada apresentação.[2]

Danças gaúchas de salão[editar | editar código-fonte]

Desta modalidade participam casais que precisam conhecer ritmos gaúchos de salão, como vanera, valsa, milonga, chamamé e xote. Antes da apresentação há o sorteio do ritmo a ser apresentado e, depois, há uma avaliação coletiva dos casais concorrentes em um salão, no estilo baile.[2]

Conjunto instrumental[editar | editar código-fonte]

Cada grupo executa duas músicas de ritmos distintos sorteados, podendo ser de autoria própria. Não há acompanhamento vocal e os grupos possuem no mínimo três e no máximo oito músicos, cada um tocando um instrumento.[2]

Violino ou rabeca[editar | editar código-fonte]

O concorrente apresenta uma música apenas instrumental (que pode ser de autoria do participante), sem acompanhamento, com o ritmo previamente sorteado.[2]

Gaitas[editar | editar código-fonte]

Conta com apresentação individual de uma música, que pode ser de autoria do participante. Cada concorrente escolhe três gêneros dentro de uma listagem, que inclui vanera, rancheira, polca e bugio, dentre outras. Antes do participante subir ao palco, há um sorteio do ritmo a ser apresentado. Esta modalidade traz cinco subdivisões, nas quais variam os instrumentos: gaita piano, gaita de botão até 8 baixos, gaita de botão mais de 8 baixos, gaita de boca e bandoneon.[2]

Violão[editar | editar código-fonte]

Tem o mesmo formato da modalidade Violino: apenas instrumental e com sorteio do ritmo antes da apresentação.[2]

Viola[editar | editar código-fonte]

Segue a mesma estrutura das modalidades Violino e Violão.[2]

Causo gauchesco de galpão[editar | editar código-fonte]

É um concurso individual, onde o concorrente conta ao vivo, para a plateia e para a comissão avaliadora, a sua história.[2]

Pajada[editar | editar código-fonte]

Os concorrentes fazem, de improviso, um canto lento, quase uma declamação, com estrofes de dez versos.[2]

Concurso literário gaúcho[editar | editar código-fonte]

Os concorrentes enviam obras inéditas (contos ou poesias) ao MTG, para avaliação de uma comissão que escolhe os melhores trabalhos, sendo o vencedor anunciado no final do ENART.[2]

Declamação[editar | editar código-fonte]

É um concurso individual de poemas, geralmente de autoria de poetas gaúchos, com temas regionalistas. O declamador recita a obra (que não é inédita) acompanhado de um violonista. Há divisão entre homens e mulheres.[2]

Trova galponeira[editar | editar código-fonte]

É um concurso de desafio entre dois concorrentes, de improviso e através de versos rimados, com tema proposto na hora. Há três subdivisões, nas quais há variações de estilos: campeira ou mi maior de gavetão, martelo e estilo Gildo de Freitas.[2]

Conjunto vocal[editar | editar código-fonte]

Os grupos concorrentes são constituídos por no mínimo três e no máximo oito cantores, cantando com no mínimo três vozes distintas. A música pode ser de autoria própria e o ritmo é sorteado previamente.[2]

Solista vocal[editar | editar código-fonte]

O concorrente canta uma canção, que é sorteada antes da apresentação, entre três canções de ritmos diferentes. É permitido acompanhamento e arranjos instrumentais e a música pode ser autoral. Há divisão entre homens e mulheres.[2]

Danças Tradicionais[editar | editar código-fonte]

É a modalidade mais importante do ENART e é dividida em Forças A e B. São 80 grupos, sendo 40 em cada divisão. Têm 20 minutos para fazer sua apresentação que inclui entrada (dança de criação livre mas inspirada em elementos da tradição gaúcha), três danças clássicas tradicionais e saída (mesma premissa da entrada). São 25 danças tradicionais, entre elas Tatu com Volta-no-meio e Tirana-do-lenço, Anú e Queromana, Chimarrita e Cana-verde, Chotes de Sete-voltas e Chotes Carreirinho, além de temas de características especiais, como o Chotes-de-Duas-Damas, temas ensaiados como o Pau-de-Fita, temas das brincadeiras do Cottilón, como a Meia-Canha, e etc. As danças do concurso possuem embasamento em um livro, editado pelo MTG/RS, chamado "Danças Tradicionais Gaúchas", elaborado por instrutores e dançarinos do próprio evento (diferente do livro que baliza outros eventos do próprio MTG, como o atual FEGADAN, "Festival Gaúcho de Danças", baseado somente nas obras dos folcloristas, João Carlos Paixão Côrtes e Luiz Carlos Barbosa Lessa). Os grupos só tomam conhecimento de quais danças apresentarão poucos minutos antes do espetáculo, por meio de um sorteio. A avaliação leva em conta critérios técnicos e minuciosos de quesitos, avaliados aparte, como harmonia, interpretação artística e correção coreográfica, além de indumentária e da avaliação musical. Cada grupo de dança tem um conjunto musical próprio, que toca as músicas ao vivo.[2]

Ainda há, atualmente, paralelo ao concurso de dança, os prêmios para a Melhor Entrada, a Melhor Saída e para o Melhor Musical das danças tradicionais.

Os primeiros instrutores campeões do Estado, do primeiro FEMOBRAL, foram Brás Ivalmir de Oliveira (popular Xarópe), juntamente com Celso Luz da Costa, os dois da cidade de Canoas (CTG Brazão do Rio Grande, de Canoas). Já o instrutor campeão do primeiro FEGART foi Pedro Pedroso (CTG Potreiro Grande, de Tramandaí), atualmente residente em Farroupilha, sendo o primeiro instrutor campeão do ENART, Paulo Chervenski (CPF Piá do Sul, de Santa Maria), da cidade de Santa Maria.

Já, dos 4 troféus rotativos criados, o primeiro ficou sob posse do CTG Brazão do Rio Grande, de Canoas (tri-campeão consecutivo do MOBRAL), entregue em 1979, o segundo e o terceiro estão sob posse do CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí (cinco vezes campeões do evento, por duas vezes), entregues consecutivamente em 1997 e 2008, e o quarto está ainda girando entre as entidades, atualmente nas mãos do atual campeão de 2018, o CTG Rancho da Saudade, da cidade de Cachoeirinha.


Seleção[editar | editar código-fonte]

Somente entidades e seus associados filiados ao MTG, maiores de 15 anos, podem participar do ENART. O foco da competição são artistas amadores, exceto os músicos das Forças A e B de Danças Tradicionais, que podem ser profissionais.[2]

Etapas[editar | editar código-fonte]

O ENART é realizado em três etapas: regionais, inter-regionais e a final:[2]

Regional[editar | editar código-fonte]

Nesta etapa, realizada nos meses de maio, junho e julho, onde pode ou não ser realizado um concurso (vária entre as regiões), classificam-se sete competidores de cada modalidade para a próxima fase.

Inter-regional[editar | editar código-fonte]

Realizada a partir de agosto, é a etapa onde em grupos de regiões, classificam-se, oito ou nove competidores (dependendo da Inter), para a fase final. Recentemente, ocorreram algumas alterações no regulamento, e hoje são realizadas três inter-regionais, envolvendo todas as 30 Regiões Tradicionalistas do estado do Rio Grande do Sul.

Final[editar | editar código-fonte]

A fase final, e a mais importante, é realizado todo o ano no terceiro final de semana de novembro, na cidade de Santa Cruz do Sul, onde os classificados das inter-regionais competem com concorrentes de todo o estado, elegendo assim os "Campeões Estaduais". Em algumas modalidades, como Danças Tradicionais (a principal modalidade do encontro), existe mais uma fase, que ocorre no terceiro dia da fase final, chamada de finalíssima, onde um certo número de competidores é selecionado para se reapresentar.

Campeões[editar | editar código-fonte]

Notoriamente, a categoria de maior destaque sempre foi a de Danças Tradicionais, que sempre reuniu maior público, trazendo prestigio aos campeões.

Todos Campeões Estaduais[4][editar | editar código-fonte]

*FEMOBRAL/MOBRAL:

1977 - I FEMOBRAL/MOBRAL, Bento Gonçalves/RS

1978- II FEMOBRAL/MOBRAL, Porto Alegre/RS

1979 - III FEMOBRAL/MOBRAL, Lajeado/RS

1980 - IV FEMOBRAL/MOBRAL, Cachoeira do Sul/RS

1981 - V FEMOBRAL/MOBRAL, Lagoa Vermelha/RS

  • GAG Piazitos do Sul, de Canoas/RS
  • 2º Sem informações (a se buscar)
  • 3º Sem informações (a se buscar)

1982 - VI FEMOBRAL/MOBRAL, Canguçú/RS

  • 1º GAN Vaqueanos da Cultura, de Soledade\RS
  • 2º Sem informações (a se buscar)
  • 3º Sem informações (a se buscar)

1983 - VII FEMOBRAL/MOBRAL, Soledade/RS

1984 - VIII FEMOBRAL/MOBRAL, Farroupilha/RS

  • 1º Sem informações (a se buscar)
  • 2º Sem informações (a se buscar)
  • 3º CTG Estância da Serra, de Osório/RS

1985 - IX FEMOBRAL/MOBRAL, Farroupilha/RS

*FEGART:

1986 - I FEGART, Farroupilha/RS

1987- II FEGART, Farroupilha/RS

1988 - III FEGART, Farroupilha/RS

1989 - IV FEGART, Farroupilha/RS

1990 - V FEGART, Farroupilha/RS

1991 - VI FEGART, Farroupilha/RS

1992 - VII FEGART, Farroupilha/RS

1993 - VIII FEGART, Farroupilha/RS

1994 - IX FEGART, Farroupilha/RS

  • CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí/RS
  • 2º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria/RS
  • 3º CTG Estância da Serra, de Osório/RS

1995 - X FEGART, Farroupilha/RS

  • 1º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria/RS
  • CPF Piá do Sul, de Santa Maria/RS
  • 3º CTG Tiarayú, de Porto Alegre/RS

1996 - XI FEGART, Farroupilha/RS

1997 - XII FEGART, Santa Cruz do Sul/RS

1998 - XIII FEGART, Santa Cruz do Sul/RS

  • CPF Piá do Sul, de Santa Maria/RS
  • 2º Grupo Tebanos do Igaí, de Passo Fundo/RS
  • 3º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria/RS

*ENART

1999 - I ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2000 - II ENART, Santa Cruz do Sul/RS

  • CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí/RS
  • 2º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria/RS
  • 3º CTG Estância da Serra, de Osório/RS

2001 - III ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2002 - IV ENART, Santa Cruz do Sul/RS

  • 1º CTG Lanceiros da Zona Sul, de Porto Alegre/RS
  • CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí/RS
  • 3º CTG Raízes do Sul, de Porto Alegre/RS

2003 - V ENART, Santa Cruz do Sul/RS

  • CPF Piá do Sul, de Santa Maria/RS
  • 2º DTG Feevale, de Novo Hamburgo/RS
  • 3º CTG Gildo de Freitas, de Porto Alegre/RS

2004 - VI ENART, Santa Cruz do Sul/RS

  • CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha/RS
  • 2º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria/RS
  • 3º CTG Estância da Serra, de Osório/RS

2005 - VII ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2006 - VIII ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2007 - IX ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2008 - X ENART, Santa Cruz do Sul/RS

  • 1º CTG Gildo de Freitas, de Porto Alegre/RS
  • 2º DTG Clube Juventude, de Alegrete/RS
  • 3º CTG Potreiro Grande, de Tramandaí/RS

2009 - XI ENART, Santa Cruz do Sul/RS

  • CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí/RS
  • 2º CTG Tiarayú, de Porto Alegre/RS
  • 3º DTG Clube Juventude, de Alegrete/RS

2010 - XII ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2011 - XIII ENART, Santa Cruz do Sul/RS

  • CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha/RS
  • 2º União Gaúcha João Simões Lopes Neto, de Pelotas/RS
  • 3º CTG Tiarayú, de Porto Alegre/RS

2012[5] - XIV ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2013[6] - XV ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2014[7] - XVI ENART, Santa Cruz do Sul/RS

  • CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha/RS
  • 2º CTG Tiarayú, de Porto Alegre/RS
  • 3º DTG Clube Juventude, de Alegrete/RS

2015[8] - XVII ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2016[9] - XVIII ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2017 - XIX ENART, Santa Cruz do Sul/RS

2018 - XX ENART, Santa Cruz do Sul/RS

*Obs.: Devido a extinção da instituição MOBRAL, assim como a extinção da própria Fundação IGTF (Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore), alguns prêmios e resultados, dos primeiros eventos, também acabaram por se perder nas referências e nos anais históricos, sendo, constantemente, garimpados de prateleira em prateleira, de galeria em galeria, de entidade a entidade, para devolver esta parte da história do nosso festival às novas gerações.

Títulos por Entidades[editar | editar código-fonte]

Neste quadro, estão todos os títulos de todas as Entidades premiadas (Femobral-Fegart-Enart):

Entidade 1º Lugar 2º Lugar 3º Lugar 1º Lugar - FEMOBRAL 1º Lugar - FEGART 1º Lugar - ENART
CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí 11 8 3 0 5 6
CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha 6 3 2 0 0 6
CPF Piá do Sul, de Santa Maria 4 1 1 0 1 3
CTG Brazão do Rio Grande, de Canoas 3 0 2 3 0 0
GAG Piazitos do Sul, de Canoas 2 0 1 2 0 0
CTG Ronda Charrua, de Farroupilha 2 0 1 0 1 1
CTG Porteira Velha, de Novo Hamburgo 2 0 0 0 2 0
CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria 1 5 2 0 1 0
CTG Tiarayú, de Porto Alegre 1 5 2 0 0 1
CTG Estância da Serra, de Osório 1 3 4 1 0 0
DTG Clube Juventude, de Alegrete 1 1 2 0 0 1
GAN Vaqueanos da Cultura, de Soledade 1 0 2 1 0 0
CTG Lanceiros da Zona Sul, de Porto Alegre 1 0 2 0 0 1
CTG Potreiro Grande, de Tramandaí 1 0 1 0 1 0
CTG Rincão Serrano, de Carazinho 1 0 1 0 1 0
CTG Gildo de Freitas, de Porto Alegre 1 0 1 0 0 1
CTG João Sobrinho, de Capão da Canoa 1 0 0 0 1 0
CTG Coronel Chico Borges, de Santo Antônio da Patrulha 0 1 1 0 0 0
CTG Vaqueanos da Fronteira, de Alegrete 0 1 1 0 0 0
Grupo Tebanos do Igaí, de Passo Fundo 0 1 1 0 0 0
União Gaúcha João Simões Lopes Neto, de Pelotas 0 1 1 0 0 0
CTG Saudade dos pagos, de Butiá 0 1 0 0 0 0
CTG O Bombeador, de Pelotas 0 1 0 0 0 0
CTG Rancho de Gaudérios, de Farroupilha 0 1 0 0 0 0
Piquete Martim Fierro, de Uruguaiana 0 1 0 0 0 0
DTG Feevale, de Novo Hamburgo 0 1 0 0 0 0
CTG Coronel Thomaz Luiz Osório, de Pelotas 0 1 0 0 0 0
CTG Madrugada Campeira, de Porto Alegre 0 1 0 0 0 0
CTG Guapos do Itapuí, de Campo Bom 0 1 0 0 0 0
CTG Caiboaté, de São Gabriel 0 0 2 0 0 0
CTG Osvaldo Aranha, de Alegrete 0 0 1 0 0 0
CTG Clube Farroupilha, de Ijuí 0 0 1 0 0 0
CTG Estância do Montenegro, de Montenegro 0 0 1 0 0 0
CTG M'bororé, de Campo Bom 0 0 1 0 0 0
CTG Lanceiros de Santa Cruz, de Santa Cruz do Sul 0 0 1 0 0 0
CTG Patrulha do Oeste, de Uruguaiana 0 0 1 0 0 0
CTG Raízes do Sul, de Porto Alegre 0 0 1 0 0 0

Todos os Campeonatos[editar | editar código-fonte]

Neste quadro, estão todos os anos dos campeonatos de cada Entidade (Femobral-Fegart-Enart):

Entidade Anos
CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí 1987, 1992, 1994, 1996, 1997, 2000, 2001, 2005, 2006, 2009, 2015
CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha 2004, 2007, 2011, 2012, 2014, 2018
CPF Piá do Sul, de Santa Maria 1998, 1999, 2003, 2017
CTG Brazão do Rio Grande, de Canoas 1977, 1978, 1979
GAG Piazitos do Sul, de Canoas 1981,1983
CTG Porteira Velha, de Novo Hamburgo 1989, 1993
CTG Ronda Charrua, de Farroupilha 1990, 2013
GAN Vaqueanos da Cultura, de Soledade 1982
CTG Estância da Serra, de Osório 1985
CTG Potreiro Grande, de Tramandaí 1986
CTG João Sobrinho, de Capão da Canoa 1988
CTG Rincão Serrano, de Carazinho 1991
CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria 1995
CTG Lanceiros da Zona Sul, de Porto Alegre 2002
CTG Gildo de Freitas, de Porto Alegre 2008
DTG Clube Juventude, de Alegrete 2010
CTG Tiarayú, de Porto Alegre 2016

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Em 2009, utilizando a tecnologia da Internet,[10] foi feita a primeira transmissão ao vivo para todo o mundo, na 24ª edição do ENART. Os idealizadores da primeira transmissão online foram Leandro Barbosa, Daniel Serafim, Rodrigo Hermann e Rogério Bastos. A transmissão do evento chegou já a atingir mais de 30 países pelo mundo.

Atualmente a transmissão é realizada pelo canal ECO DA TRADIÇÃO.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]