Encontro de Artes e Tradição Gaúcha

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O Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (ENART)[1] é um dos maiores festivais de arte amadora da América Latina.[2][3] É promovido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), realizado desde 1986, sendo que desde 1997 ocorre no Parque da Oktoberfest de Santa Cruz do Sul.[2][3]

É realizado anualmente, em três etapas: regionais, inter-regionais e final. Envolve competidores de todo o estado do Rio Grande do Sul, e espectadores de todo o mundo. Estima-se haver mais de dois mil concorrentes por ano, e mais de 60 mil espectadores na fase na final.[2] É de extrema importância para o estado, pois é o maior evento tradicionalista gaúcho do mundo, segundo fontes[quem?] ligadas ao MTG. A partir de 2009, certas edições do evento foram transmitidas pela Internet.

História[editar | editar código-fonte]

O ENART, como atualmente concebido, derivou-se do primeiramente de eventos recorrentes do MOBRAL, consistindo em uma série de eventos meramente culturais. A primeira edição do ENART, ocorreu ainda em 1986, sob o nome de FEGART, Festival Gaúcho de Arte e Tradição, na cidade de Farroupilha.

Após anos com sua realização na serra gaúcha, o evento foi transferido para Santa Cruz do Sul, no ano de 1997, onde permanece até hoje. Atualmente é um evento consolidado no meio tradicionalista gaúcho, tendo sua realização usualmente marcada para a terceira semana de novembro. Dentre as evoluções que o evento sofreu, destacam-se o cada vez maior número de categorias, abrangendo diferentes aspectos da cultura gaúcha, sob os preceitos do MTG.

Mudança de nome[editar | editar código-fonte]

Tendo em vista litígios decorrentes da mudança entre cidades, o nome do evento inicialmente denominado Festival Gaúcho de Arte e Tradição (FEGART), teve de ser alterado, nascendo o presente nome ENART (inicialmente Encontro Nacional de Arte e Tradição e atualmente Encontro de Artes e Tradição Gaúcha). Foi criado por Antonio Pereira dos Santos, enquanto conselheiro do MTG e presidente da ATS de Santa Cruz do Sul. Num universo de 56 nomes de todo o Estado, numa reunião histórica em Porto Alegre, na sede do MTG, em 2 de agosto de 1999, este foi o nome escolhido.

Modalidades[editar | editar código-fonte]

Conjunto instrumental[editar | editar código-fonte]

Cada grupo executa duas músicas de ritmos distintos sorteados, podendo ser de autoria própria. Não há acompanhamento vocal e os grupos possuem no mínimo três e no máximo oito músicos, cada um tocando um instrumento.[2]

Violino ou rabeca[editar | editar código-fonte]

O concorrente apresenta uma música apenas instrumental (que pode ser de autoria do participante), sem acompanhamento, com o ritmo previamente sorteado.[2]

Gaitas[editar | editar código-fonte]

Conta com apresentação individual de uma música, que pode ser de autoria do participante. Cada concorrente escolhe três gêneros dentro de uma listagem, que inclui vanera, rancheira, polca e bugio, dentre outras. Antes do participante subir ao palco, há um sorteio do ritmo a ser apresentado. Esta modalidade traz cinco subdivisões, nas quais variam os instrumentos: gaita piano, gaita de botão até 8 baixos, gaita de botão mais de 8 baixos, gaita de boca e bandoneon.[2]

Violão[editar | editar código-fonte]

Tem o mesmo formato da modalidade Violino: apenas instrumental e com sorteio do ritmo antes da apresentação.[2]

Viola[editar | editar código-fonte]

Segue a mesma estrutura das modalidades Violino e Violão.[2]

Chula[editar | editar código-fonte]

É uma dança masculina que consiste no desafio entre dois peões de CTGs diferentes, e onde eles dançam sapateando sem tocar a lança de madeira que está disposta no chão. O gaiteiro toca um ritmo específico para cada apresentação.[2]

Danças tradicionais[editar | editar código-fonte]

É a modalidade mais importante do ENART e é dividida em Forças A e B. São 80 grupos, sendo 40 em cada divisão. Têm 20 minutos para fazer sua apresentação que inclui entrada (dança de criação livre mas inspirada em elementos da tradição gaúcha), três danças clássicas tradicionais e saída (mesma premissa da entrada). São 25 danças tradicionais, entre elas anu, cana verde, xote de sete voltas e pau de fitas. Os grupos só tomam conhecimento de quais danças apresentarão poucos minutos antes do espetáculo, por meio de sorteio. A avaliação leva em conta critérios como harmonia, interpretação artística e correção coreográfica. Cada grupo de dança tem um conjunto musical próprio, que toca as músicas ao vivo.[2]

Danças gaúchas de salão[editar | editar código-fonte]

Desta modalidade participam casais que precisam conhecer ritmos gaúchos de salão, como vanera, valsa, milonga, chamamé e xote. Antes da apresentação há o sorteio do ritmo a ser apresentado e, depois, há uma avaliação coletiva dos casais concorrentes em um salão, no estilo baile.[2]

Causo gauchesco de galpão[editar | editar código-fonte]

É um concurso individual, onde o concorrente conta ao vivo, para a plateia e para a comissão avaliadora, a sua história.[2]

Pajada[editar | editar código-fonte]

Os concorrentes fazem, de improviso, um canto lento, quase uma declamação, com estrofes de dez versos.[2]

Concurso literário gaúcho[editar | editar código-fonte]

Os concorrentes enviam obras inéditas (contos ou poesias) ao MTG, para avaliação de uma comissão que escolhe os melhores trabalhos, sendo o vencedor anunciado no final do ENART.[2]

Declamação[editar | editar código-fonte]

É um concurso individual de poemas, geralmente de autoria de poetas gaúchos, com temas regionalistas. O declamador recita a obra (que não é inédita) acompanhado de um violonista. Há divisão entre homens e mulheres.[2]

Trova galponeira[editar | editar código-fonte]

É um concurso de desafio entre dois concorrentes, de improviso e através de versos rimados, com tema proposto na hora. Há três subdivisões, nas quais há variações de estilos: campeira ou mi maior de gavetão, martelo e estilo Gildo de Freitas.[2]

Conjunto vocal[editar | editar código-fonte]

Os grupos concorrentes são constituídos por no mínimo três e no máximo oito cantores, cantando com no mínimo três vozes distintas. A música pode ser de autoria própria e o ritmo é sorteado previamente.[2]

Solista vocal[editar | editar código-fonte]

O concorrente canta uma canção, que é sorteada antes da apresentação, entre três canções de ritmos diferentes. É permitido acompanhamento e arranjos instrumentais e a música pode ser autoral. Há divisão entre homens e mulheres.[2]

Seleção[editar | editar código-fonte]

Somente entidades e seus associados filiados ao MTG, maiores de 15 anos, podem participar do ENART. O foco da competição são artistas amadores, exceto os músicos das Forças A e B de Danças Tradicionais, que podem ser profissionais.[2]

Etapas[editar | editar código-fonte]

O ENART é realizado em três etapas: regionais, inter-regionais e a final:[2]

Regional[editar | editar código-fonte]

Nesta etapa, realizada nos meses de maio, junho e julho, onde pode ou não ser realizado um concurso (vária entre as regiões), classificam-se sete competidores de cada modalidade para a próxima fase.

Inter-regional[editar | editar código-fonte]

Realizada a partir de agosto, é a etapa onde em grupos de regiões, classificam-se, oito ou nove competidores (dependendo da Inter), para a fase final. Recentemente, ocorreram algumas alterações no regulamento, e hoje são realizadas três inter-regionais, envolvendo todas as 30 Regiões Tradicionalistas do estado do Rio Grande do Sul.

Final[editar | editar código-fonte]

A fase final, e a mais importante, é realizado todo o ano no terceiro final de semana de novembro, na cidade de Santa Cruz do Sul, onde os classificados das inter-regionais competem com concorrentes de todo o estado, elegendo assim os "Campeões Estaduais". Em algumas modalidades, como Danças Tradicionais (a principal modalidade do encontro), existe mais uma fase, que ocorre no terceiro dia da fase final, chamada de finalíssima, onde um certo número de competidores é selecionado para se reapresentar.

Campeões[editar | editar código-fonte]

Notoriamente, a categoria de maior destaque sempre foi a de Danças Tradicionais, que sempre reuniu maior público, trazendo prestigio aos campeões.

Campeões em danças tradicionais[4][editar | editar código-fonte]

1986

1987

1988

1989

1990

1991

1992

  • 1º CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • CTG Rancho de Gaudérios, de Farroupilha
  • 3º CTG Lanceiros da Zona Sul, de Porto Alegre

1993

1994

  • 1º CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • 2º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria
  • 3º CTG Estância da Serra, de Osório

1995

1996

1997

1998

  • CPF Piá do Sul, de Santa Maria
  • 2º Grupo Tebanos do Igaí, de Passo Fundo
  • 3º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria

1999

2000

  • 1º CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • 2º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria
  • 3º CTG Estância da Serra, de Osório

2001

2002

  • 1º CTG Lanceiros da Zona Sul, de Porto Alegre
  • 2º CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • CTG Raízes do Sul, de Porto Alegre

2003

2004

  • 1º CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha
  • 2º CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria
  • 3º CTG Estância da Serra, de Osório

2005

  • 1º. CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • 2º. CTG Sentinela da Querência, de Santa Maria
  • 3º. CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha

2006

2007

  • 1º. CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha
  • 2º. CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • 3º. CPF Piá do Sul, de Santa Maria

2008

  • 1º CTG Gildo de Freitas, de Porto Alegre
  • DTG Clube Juventude, de Alegrete
  • 3º CTG Potreiro Grande, de Tramandaí

2009

  • 1º CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • 2º CTG Tiarayú, de Porto Alegre
  • 3º DTG Clube Juventude, de Alegrete

2010

2011

2012[5]

2013[6]

2014[7]

  • 1º CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha
  • 2º CTG Tiarayú, de Porto Alegre
  • 3º DTG Clube Juventude, de Alegrete

2015[8]

  • 1º CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • 2º CTG Tiarayú, de Porto Alegre
  • 3º CTG Ronda Charrua, de Farroupilha

2016[9]

  • 1º CTG Tiarayú, de Porto Alegre
  • 2º CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • 3º CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha
  • CTG Herois Farroupilhas, de Caxias do Sul
  • 5º União Gaúcha João Simões Lopes Neto, de Pelotas

2017

  • 1º CPF Piá do Sul, de Santa Maria
  • 2º CTG Tiarayú, de Porto Alegre
  • 3º CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí
  • 4º CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha
  • 5º CTG Lalau Miranda, de Passo Fundo

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Em 2009, utilizando a tecnologia da Internet,[10] foi feita a primeira transmissão ao vivo para todo o mundo, na 24ª edição do ENART. Os idealizadores da transmissão online foram Leandro Barbosa, Daniel Serafim, Rodrigo Hermann e Rogério Bastos. A transmissão atingiu mais de 30 países pelo mundo.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]