Doença sexualmente transmissível

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Doença sexualmente transmissível ou DST
Cartaz norte-americano de propaganda durante a Primeira Guerra Mundial, comparando doenças venéreas a grilhões.
Classificação e recursos externos
CID-10 A64
CID-9 099.9
DiseasesDB 27130
MeSH D012749
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Doenças ou infecções sexualmente transmissíveis, também conhecidas por DST ou IST, são doenças infecciosas que se transmitem essencialmente (porém não de forma exclusiva) pelo contato sexual. Antigamente eram denominadas de doenças venéreas. O uso de preservativo (camisinha) tem sido considerado como a medida mais eficiente para prevenir a contaminação e impedir a sua disseminação.[1]

Alguns grupos, principalmente os religiosos, afirmam que a castidade, a abstinência sexual e a fidelidade conjugal poderiam bastar para evitar a disseminação de tais doenças.[2][3]

Pesquisas afirmam que a contaminação de pessoas monogâmicas e não-fiéis portadoras de DST tem aumentado, em resultado da contaminação ocasional do companheiro(a), que pode contrair a doença em relações extra-conjugais. Todavia, as campanhas pelo uso do preservativo nem sempre conseguem reduzir a incidência de doenças sexualmente transmissíveis.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Algumas civilizações indo-europeias havia o culto à deusas da fertilidade com rituais de sexo grupal, que podiam espalhar diversas doenças entre seus participantes. O nome doenças venéreas faz referência à Vênus, a deusa romana e etrusca do amor (Afrodite para os gregos).[5]

A gonorreia foi citada na Bíblia,[necessário esclarecer] mas a causa da doença só foi conhecida no século XIX. Além disso, no Egito antigo tumbas apresentaram alguns registros sobre a sífilis.[6]

Em 1494 houve um surto de sífilis na Europa. A doença se espalhou rapidamente pelo continente, matando mais de cinco milhões de pessoas.[7] Cada localidade por onde passava recebia um nome diferente. Contudo, em 1536 foi publicado um poema médico, em que um dos personagens da história havia contraído a doença. O nome do personagem era Sifilo.[8]

Antes de serem inventados os medicamentos, as doenças eram consideradas incuráveis, e o tratamento se limitava a diminuir os sintomas.[9] Todavia, no século XX surgiu os antibióticos, que se mostraram bastante eficientes.[6] Em 1980 a herpes genital e a sida surgiram na sociedade como doenças incuráveis. Essa, por sua vez se tornou uma pandemia.[9]

Causa[editar | editar código-fonte]

Vários tipos de agentes infecciosos (vírus, fungos, bactérias e parasitas) estão envolvidos na contaminação por DST, gerando diferentes sintomas como feridas, corrimentos, dor ao urinar, bolhas ou verrugas.[10]

Bactérias
Micrografia mostrando o efeito citopático do vírus da Herpes. Exame de Papanicolau.
Fungos
Vírus
Artrópodes
Protozoários

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Preservativo[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Preservativo e Preservativo feminino
Um preservativo.

O preservativo, mais conhecido como camisinha é um dos métodos mais seguros contra as DST.[26] Sua matéria prima é o látex.[27] Antes de chegar nas lojas, é submetido a vários testes de qualidade.[28] Apesar de ser o método mais eficiente contra a transmissão do vírus VIH (causador da epidemia da SIDA), o uso de preservativo não é aceito pela Igreja Católica Romana, pelas Igrejas Ortodoxas e pelos praticantes do Hinduísmo. O principal argumento utilizado pelas religiões para sua recusa é que um comportamento sexual avesso à promiscuidade e à infidelidade conjugal bastaria para a protecção e pelo fato de que o preservativo não é totalmente eficiente contra DST. [29]

Vacina[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Vacina

Alguns tipos de VPH,[21] a Hepatite A e B podem ser prevenidas através da vacina.[18]

Abstinência sexual[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Abstinência sexual

A abstinência sexual consiste em evitar relações sexuais de qualquer espécie.[30] Possui forte ligação com a religião.[31]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Algumas DST são de fácil tratamento e de rápida resolução quando tratadas corretamente, contudo outras são de tratamento difícil ou permanecem latentes, apesar da falsa sensação de melhora. As mulheres representam um grupo que deve receber especial atenção, uma vez que em diferentes casos de DST os sintomas levam tempo para tornarem-se perceptíveis ou confundem-se com as reações orgânicas comuns de seu organismo. Isso exige da mulher, em especial aquelas com vida sexual ativa, independente da idade, consultas periódicas ao serviço de saúde.[10]

Certas DST, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves como infertilidade[32], infecções neonatais, malformações congénitas, aborto, cancro e a morte.[33] Num caso, a primeira recomendação é procurar um médico, que fará diagnóstico para que seja preparado um tratamento.[34] Também há o controle de cura, ou seja, uma reavaliação clínica. A automedicação é altamente perigosa, pois pode até fazer com que a doença seja camuflada.[35]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Incidência de DST (exceto sida) por idade a cada 100 mil habitantes em 2004.[36]
  sem dados
  < 60
  60–120
  120–180
  180–240
  240–300
  300–360
  360–420
  420–480
  480–540
  540–600
  600–1000
  > 1000

As taxas de incidência de doenças sexualmente transmissíveis continuam em altos níveis em todo o mundo, apesar dos avanços de diagnosticação e tratamento. Em muitas culturas, especialmente para as mulheres houve a eliminação de restrições sexuais através das mudanças ética e moral além do uso de contraceptivos, e tanto médicos e pacientes acabam tendo dificuldade em lidar de forma aberta e francamente com essas questões. Além disso, o desenvolvimento e a disseminação de bactérias resistentes aos antibióticos fazem que certas doenças sejam cada vez mais difíceis de serem curadas.[37]

Em 1996, a OMS estimou que mais de um milhão de pessoas estavam sendo infectadas diariamente, e cerca de 60% dessas infecções em jovens menores de 25 anos de idade, e cerca desses jovens 30% são menores de 20 anos. Entre as idades de 14 a 19 anos, as doenças ocorrem mais em mulheres em uma proporção quase dobrada. Estima-se que cerca de 340 milhões de novos casos de sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase ocorreram em todo o planeta em 1999.[38]

A sida é a maior causa da mortalidade na África Subsaariana, sendo que em cinco mortes uma é por causa da doença. Por causa da situação, o governo do Quênia pediu que a população deixasse de fazer sexo por dois anos.[39] No Brasil, desde o primeiro caso até junho de 2011 foram registrados mais de seiscentos mil casos da doença. Entre 2000 e 2010, a incidência caiu na Região Sudeste, enquanto nas outras regiões aumentou. A mortalidade também diminuiu.[20] As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre são as que possuem o maior número dos portadores da doença. Em contrapartida, o país é um dos que mais se destacam no combate, além de ser o líder em distribuição na rede pública do Coquetel anti-VIH.[40]

Referências

  1. Krukemberghe Fonseca. «Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST». Brasil Escola. Consultado em 07 de janeiro de 2012  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. G1. «Ensinar castidade não previne gravidez e DST». Consultado em 02 de janeiro de 2011  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (30 de setembro de 2004). «Papa pede 'castidade' contra aids». Consultado em 02 de janeiro de 2012  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Fantástico (12 de janeiro de 2011). «Mulher casa virgem e contrai HIV na primeira relação sexual». Consultado em 02 de janeiro de 2012  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  5. Instituto Beneficente Viva a Vida (6 de junho de 2005). «Histórico das doenças sexualmente transmissíveis». Consultado em 02 de janeiro de 2012  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. a b UOL (12 de janeiro de 2001). «Doenças sexualmente transmissíveis: Milênio Novo, Antiga Preocupação». Consultado em 2 de janeiro de 2012 
  7. The Scars of Venus: A History of Venereology (em inglês). Londres: Springer-Verlag. 1994. ISBN 354019844X  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda);
  8. Potyguar. «Doenças». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  9. a b «História da doença sexualmente transmissíveis». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  10. a b Copacabana. «Doenças sexualmente transmissíveis - DST». Consultado em 07 de janeiro de 2011  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  11. Saúde na Internet. «Cacro mole ou cancroide». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  12. Copacabanarunners. «Clamídia - Sintomas, complicações, tratamento». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  13. CefetSP. «Granuloma Iguianal». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  14. «Gonorreia». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  15. ABC da Saúde. «Sífilis». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  16. DST. «Infecção por Gardnerella». Consultado em 3 de janeiro de 2011 
  17. Portal São Francisco. «Candíase, Vaginal, Sintomas, Tratamento, O que é Candidíase». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  18. a b c Vaccini. «Vacina combinada contra Hepatite A e B». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  19. Terra. «Herpes simples e suas manifestações». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  20. a b Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. «Aids no Brasil». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  21. a b c «Condiloma Acuminado - Infecção por HPV». dst.com.br. Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  22. DST. «Molusco Contagioso». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  23. http://www.aids.gov.br/pagina/infeccao-pelo-virus-t-linfotropico-humano-htlv
  24. Arquivo Multilígua. «Piolho de Cranguejo». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  25. InfoEscola. «Tricomoníase». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  26. Mariana Araguaia. «Como Usar a Camisinha Masculina». Brasil Escola. Consultado em 2 de janeiro de 2012 
  27. Adolescência. «Vivendo a Adolescência». Consultado em 2 de janeiro de 2012 
  28. Mundo estranho. «Como é feita a camisinha?». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  29. Reconhecido cientista assegura: papa tinha razão sobre a AIDS. [S.l.: s.n.] Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  30. Almas. «Razões para viver a abstinência sexual no namoro». Portal da família. Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  31. ArmárioX. «Homossexualidade: As Religiões e o Homossexualismo». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  32. Jornal da Mídia (19 de dezembro de 2007). «Especialista adverte para DST e o risco da infertilidade». Consultado em 02 de janeiro de 2012  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  33. «Salves». Consultado em 02 de janeiro de 2012  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  34. Copacabana runners. «DSTs Testes». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  35. DST. «DST - Considerações Gerais». Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  36. World Health Organization (2004). «WHO Disease and injury country estimates» (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2011 
  37. Mary-Ann Shafer, Anna-Barbara Moscicki (2006). «Sexually Transmitted Infections, 2006» (em inglês). 8 páginas. Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  38. «STD Statistics Worldwide». Avert.org. Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  39. Eduardo de Freitas. «A Aids na África». Brasil Escola. Consultado em 3 de janeiro de 2012 
  40. Tiago Casagrande. «A real da AIDS hoje». Consultado em 5 de janeiro de 2012 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]