Enredo

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O Enredo é o encadeado de ações executadas ou a executar pelas personagens numa ficção, a fim de criar sentido ou emoção no espectador. É deverbal de enredar, que significa prender, colher na rede.

Constitui um relato de fatos vividos pelos personagens e ordenados em uma sequência lógica e temporal, por isso ele se organiza pela colocação de verbos de ação que indicam a movimentação das personagens no tempo e no espaço por meio de recursos narrativos como o mistério, o suspense, o flash back, os intervalos, etc. Nesse sentido, o leitor não pergunta e depois? , como faz quando perante a história, mas: por quê? , já que o enredo pressupõe um nexo de causalidade entre os acontecimentos.

Em seu desenvolvimento são narrados os fatos, iniciando-se pela complicação, centrado-se num conflito, responsável pelo nível de tensão da narrativa e finalizando com o clímax da história. Dessa forma, a apresentação/representação de situações, de personagens nelas envolvidas e as sucessivas transformações que vão ocorrendo entre elas, criam-se novas situações, até se chegar à final – o desfecho do enredo.

No que concerne a ordem do enredo, ele pode ser linear ou não linear, ou seja, tanto pode respeitar a cronologia, narrando os fatos sequenciados, na ordem começo, meio e fim, quanto pode também fugir dessa sequência lógica e temporal de ordem do texto.

Enredo é também empregado num sentido próximo ou equivalente a intriga, história, assunto, argumento, plot, trama, fábula. Em inglês é o “Plot”, usado para designar todos os eventos de uma história para se obter um efeito emocional e artístico – o que acontece na história.

Pode-se desenvolver num romance, num conto, numa novela, isto é, numa obra em prosa; pode também ser encontrado num poema, numa peça de teatro, num filme, numa novela de televisão, numa fotonovela, numa história em quadrinhos; pode aparecer também na música, como espinha dorsal de um desfile de escola de samba: samba enredo.

O enredo pode ser organizado de várias formas. Observe um exemplo da mais comum no texto de Rachel de Queiroz, Bezerro sem mãe:

(1)   Foi numa fazenda de gado, no tempo do ano em que as vacas dão cria. Cada vaca toda satisfeita com o seu bezerro. (2) Mas dois deles andavam tristes de dar pena: (3) uma vaca que tinha perdido o seu bezerro e um bezerro que ficou sem mãe.

A vaquinha até parecia estar chorando, com os peitos cheios de leite, sem filtro para mamar. E o bezerro sem mãe gemia, morrendo de fome e abandonado.

Não adiantava juntar os dois, porque a vaca não aceitava. Ela sentia pelo cheiro que o bezerrinho órfão não era filho dela, e o empurrava para longe.

Aí o vaqueiro se lembrou do couro do bezerro morto, que estava secado ao sol. Enrolou naquele couro o bezerrinho sem mãe e levou o bichinho disfarçado para junto da vaca sem filho.

Ora, foi uma beleza! A vaca deu uma lambida no couro, sentiu o cheiro do filho e deixou que o outro mamasse à vontade. (4) E por três dias foi aquela mascarada. Mas no quarto dia, a vaca, de repente, meteu o focinho no couro e puxou fora o disfarce. Lambeu o bezerrinho direto, como se dissesse: “Agora você já está adotado.”

(5) E ficaram os dois no maior amor, como filho e mãe de verdade.


  • (1) Situação inicial – os personagens e espaço são apresentados.
  • (2) Quebra da situação inicial – um acontecimento modifica a situação apresentada.
  • (3) Conflito – Surge uma situação a ser resolvida, que quebra a estabilidade de personagens e acontecimentos.
  • (4) Clímax – ponto de maior tensão na narrativa.

(5) Desfecho – solução do conflito. Obs.: essa solução não significa um final feliz.

Em síntese , pode-se dizer que o enredo é o esqueleto da narrativa, aquilo que dá sustentação à história, ou seja, é o desenrolar dos acontecimentos. É, então, não o somatório, mas o produto das relações de interdependência entre a sucessão e a transformação de situações e fatos narrados e a maneira como são dispostos para o ouvinte ou o leitor pelo discurso que narra. Sendo assim, o enredo desenvolve-se numa obra em prosa, portanto é indissolúvel a sua relação com a narrativa.


REFERÊNCIAS


MASSAUD, Moisés. Dicionário de termos literário. 12. Ed. Ver e ampl. São Paulo: Cultrix, 2004.

 MESQUITA, Samira Wahid de. O enredo. 4. Ed. São Paulo: Ática, 2006.               

Ver também[editar | editar código-fonte]

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[1]

  1. Aiex, Anoar; Moises, Massaud; Paes, Jose Paulo (1983-09). «Pequeno Dicionario de Literatura Brasileira». Hispania. 66 (3). 448 páginas. ISSN 0018-2133. doi:10.2307/342351  Verifique data em: |data= (ajuda)