Enrique Dussel

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Enrique Dussel na Facultad de Filosofía y Letras UNAM Março 2009

Enrique Dussel (Mendoza, Argentina, 24 de dezembro de 1934), filósofo argentino radicado (exilado) desde 1975 no México. Um dos maiores expoentes da Filosofia da libertação e do pensamento latino-americano em geral. Autor de uma grande quantidade de obras, seu pensamento discorre sobre temas como filosofia, política, ética e teologia. Tem se colocado como crítico da pós-modernidade, chamando por um novo momento denominado transmodernidade. Tem mantido diálogos com filósofos como Apel, Gianni Vattimo, Jürgen Habermas, Richard Rorty, Lévinas. Crítico do pensamento eurocêntrico contemporâneo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em La Paz,(Mendoza, Argentina), em 1934.

Entre 1953 e 1957 estudou filosofia na Universidade Nacional de Cuyo, nessa época foi líder estudantil e militou em partidos políticos democratas e antifascistas[1] . Sua tese de licenciatura teve como objeto da noção de bem comum entre os gregos.

Continuou seus estudos filosóficos na Universidad Complutense de Madrid, onde, em 1959 obteve o doutorado[1] , também com estudos sobre bem comum.

Entre 1959 e 1961 viveu em Nazareth, Israel, junto ao sacerdote Paul Gauthier, trabalhando como carpinteiro. Esta experiência no Oriente Médio determinará sua futura reflexão, porque lá teve a oportunidade de vivenciar a pobreza e a exclusão.

Em 1961, mudou-se para a França em 1961, onde estudou Teologia e História, e obteve o título de Mestre em "Estudos da Religião" Instituto Católico de Paris, em 1965, e o doutorado em História da Igreja pela Sorbonne, em 1967[1] . Nessa época, durante uma viagem à Alemanha, em 1963, conheceu a sua futura esposa, Johanna Peters. Manteve contato com Joseph Lortz, e entre 1964 e 1966 estudou no Arquivo de Indias de Sevilha.

Seus conhecimentos e interesses pela história da igreja no período da conquista e colonização da América motivaram sua tese Les Evêques hispano-americains, defenseurs et evangelisateurs de l' indien (1504-1620), pela qual obtém o Doutorado em História.

Em 1968 regressa a Mendoza para lecionar Ética na Universidad Nacional de Cuyo. Entre 1969 e 1973 começa importante etapa de sua reflexão, cujo resultado são publicações relevantes pela originalidade. Formula pela primeira vez a possibilidade de uma Filosofia da libertação. Vai de encontro aos pensamentos de Heidegger e Husserl, sua leitura de Emmanuel Levinas produz, segundo suas palavras, o "despertar do sonho ontológico".

A ditadura militar começa a lhe ser hostil. Sofre atentado a bomba na própria casa, em 1973. Acusam-no de marxista e começam a ser frequentes as ameaças de morte por grupos paramilitares. Expulso da Universidade Nacional de Cuyo em 1975. Seus livros são proibidos e as publicações que dirigia são censuradas. Nesse mesmo ano se exila no México.

Lá trabalha como professor no Departamento de Filosofia da Universidad Autónoma Metropolitana, unidade de Iztapalapa (1975) e na Universidad Nacional Autónoma de México (1976).

Enrique Dussel recebeu dois títulos Doutor Honoris Causa: pela Universidade de Friburgo, Suíça, em Teologia (1981), e pela Universidad Mayor de San Andrés, Bolívia (1995).

Fundou ou presidiu conhecidas associações, como a Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina (CEHILA), a Ecumenical Association of Third World Theologians e a Asociación de Filosofía y Liberación (AFYL). Foi fundador da Revista de Filosofía Latinoamericana, de Buenos Aires

Contribuições à Teologia[editar | editar código-fonte]

Dussel, sustentava que a Teologia da Libertação surgiu como reflexão a partir da práxis de libertação dos oprimidos, de muitos cristãos comprometidos politicamente com os movimentos de libertação. Razão pela qual, seria uma teologia ética pensada a partir da periferia, a partir dos marginalizados; uma teologia "bárbara", concebida além das fronteiras da Europa colonizadora.

Dussel, destacava três frentes da Teologia da Libertação: o sociopolítico, no qual merece destaque a opção prefencial pelos pobres; o erótico, que combate a redução da mulher a mero objeto sexual e o pedagógico, que se preocupa com o acesso à educação.

Dussel sustentava que a crítica de Karl Marx à religião seria uma crítica fetichista, que poderia ser incorporada por um cristianismo profético e libertador e não estaria distante da crítica dos profetas de Israel à religiosidade deformada (idolatria) que existiu em Israel naquela época[1] .

Contribuições como historiador da Igreja[editar | editar código-fonte]

Dussel estudou a História da Igreja na América Latina, dando destaque a personagens como Bartolomeu de Las Casas e Óscar Romero. Sua tese de doutorado em Sorbone teve como tema o papel do episcopado latinoamericano, em defesa dos povos nativos da América Latina entre 1504 e 1620. Em 1973, ajudou a fundar a Comissão para o Estudo da História da Igreja na América Latina e Caribe (CEHILA), e presidiu essa entidade até 1993.

Dussel, procurou, inicialmente, apresentar a história da Igreja na América Latina, a partir de um enfoque culturalista, que apresentava as seguintes limitações:

  1. em um aspecto que denomina como "civilização" não incorpora o estrato produtivo;
  2. opera com uma noção estreita de "ethos" onde não se inclui a práxis;
  3. se mostra parcialmente cego para descobrir a importância do aspectos econômico e de suas contradições;
  4. não incorporava as categorias de "sociedade política" e de "sociedade civil";
  5. não advertia sobre as contradições inerentes ao todo social.

Quando reconheceu essas limitações, Dussel, juntamente com outros historiadores do CEHILA, adotou um novo marco teórico e uma perspectiva alinhada com a Teologia da Libertação e, portanto, passou a apresentar uma História da Igreja Católica na América Latina escrita desde do "pobre" como lugar social e hermenêutico, como categoria para interpretar a realidade da Igreja Católica na América Latina, como portador de um juízo ético sobre os feitos históricos e como critério de objetividade histórica. Se trata de buscar cientificamente ao pobre na História e de julgar os atores pelo tipo de relação com os pobres.

Para Dussel, o "pobre" não é simplesmente aquele que não possui bens, pois inclui o assalariado, aquele que produz seus bens que são apropriados por outra pessoa, então o pobre é alguém que foi "desapropriado", portanto, o conceito de pobre exige a existência de um rico. Em uma situação de não dominação (não pecado), não há nem ricos nem pobre (nem pecador). Outro aspecto é que o pobre na América Latina, tem diferentes rostos: o nativo, o negro, o mestiço, o povo e a sua cultura.

Desse modo, Dussel pretendeu fazer uma análise científica da história da Igreja Católica na América Latina a partir de uma rigorosa investigação das fontes como parte constitutiva da teologia, por isso, buscou também uma história teológica.

Outro aspecto da abordagem histórica de Dussel é que ela procura destacar a importância da Igreja no Terceiro Mundo, abordando, por exemplo, diversos encontros de teólogos e teólogas do Terceiro Mundo realizados em Dar-es-Salam (Tanzânia), Accra (Gana), Colombo (Sri Lanka), São Paulo (Brasil) e tamém os Foros Mundiais de Teologia e Libertação celebrados em Porto Alegre (Brasil), Nairóbi (Quênia) e Belém do Pará (Brasil). Essa perspectiva busca sair de uma visão de Igreja eurocêntrica.

A abordagem histórica proposta por Dussel também busca investigar o significado dos fatos e não a sua simples descrição, desse modo, sua perspectiva permite explicar a práxis dos cristãos nos processo que deram origem à Teologia da Libertação na América Latina[1] .

Obras filosóficas[editar | editar código-fonte]

Sua maior contribuição é a Filosofia da libertação, onde critica o método filosófico clássico e propõe a Analética como um novo método de pensamento crítico integral sobre a realidade humana. A partir de sua metodologia filosófica, produz uma série de obras, dentre as quais:

  • Introducción a la Filosofía de la Liberación.
  • Filosofía de la liberación.
  • Método para una Filosofía de la Liberación.
  • Para una Ética de la Liberación Latinoamericana.
  • Liberación de la Mujer y Erótica Latinoamericana.
  • La Pedagógica Latinoamericana.
  • Liberación Latinoamericana y Emmanuel Levinas.
  • Filosofía de la Producción Praxis Latinoamericana
  • Filosofía de La Liberación.
  • La Producción Teórica de Marx, Hacia un Marx desconocido,
  • El último Marx.
  • Las Metáforas Teológicas de Marx
  • Nueva edición: Las Metáforas Teológicas de Marx, Editorial El perro y la rana, Caracas, 2007.
  • 1492: El Encubrimiento del Otro.
  • Apel, Ricoeur, Rorty y la Filosofía de la Liberación.
  • Ética de la Liberación ante Apel, Taylor y Vattimo
  • Historia de la Filosofía y Filosofía de la Liberación
  • Ética de la Liberación en la edad de la globalización y la exlusión
  • Hacia una Filosofía Política Crítica.
  • Filosofía de la cultura y la liberación.
  • 20 tesis de política.
  • Política de la liberación. Historia mundial y crítica.

Em português:

  • De Medellin a Puebla: uma Década de Sangue (1982). São Paulo: Loyola
  • Método para uma Filosofia da libertação (1986). São Paulo: Loyola.
  • História da Igreja Latino-americana: 1930 a 1985 (1989). São Paulo: Editora Paulus. ISBN 8534903808
  • História Liberationis:500 Anos de História da Igreja na América Latina (1992). São Paulo: Editora Paulus. ISBN 8505014162
  • Filosofia da libertação: Crítica à Ideologia da Exclusão (1995). São Paulo:Editora Paulus.2a edição. ISBN 8534902968
  • Teologia da Libertação - Um panorama do seu desenvolvimento (1999). Petrópolis:Vozes. ISBN 8532622046
  • Ética da Libertação - Na idade de globalização e da exclusão (2002). Petrópolis: Vozes. 2a edição. ISBN 8532621430
  • Por um mundo diferente- Alternativas para o Mercado Global, em co-autoria (2003). Petrópolis: Vozes. ISBN 8532628931
  • 20 Teses de Política (2003). Editora: Expressão Popular. ISBN 9789871183685

Suas obras completas podem ser encontradas nos sites CLACSO ou IFIL

Veja também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Sítio do autor AFYL NEFILAM IFIL

Trabalhos sobre o autor
Conferências do filósofo

Referências

  1. a b c d e La Teologia de La Liberacion Juan Jose Tamayo, em espanhol, acesso em 18 de maio de 2016.