As Máximas de Ptaotepe

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Trecho do Papiro Prisse, Biblioteca Nacional da França

As Máximas de Ptaotepe ou Instruções de Ptaotepe é uma obra literária do Antigo Egito atribuída a Ptaotepe, um vizir sob o rei Tanquerés da V dinastia (cerca de 2414-2375 a.C.).[1] É uma coleção de máximas e conselhos no gênero sebayt ("instrução") sobre as relações humanas, que são dirigidas ao seu filho. O trabalho sobrevive atualmente em cópias de papiro, incluindo o Papiro Prisse que data do Império Médio e está em exposição na Biblioteca Nacional em Paris. Há diferenças consideráveis entre a versão do papiro fonte e os dois textos no Museu Britânico.[2] A tradução de Battiscombe Gunn de 1906, publicada como parte da série "Sabedoria do Oriente", foi feita diretamente do Papiro Prisse, em Paris, em vez de cópias, e ainda está em versão impressa.[3]

Na introdução, o autor explica a razão para escrever a instrução, ou seja, ter chegado à velhice e querer transmitir a sabedoria de seus antepassados que, em suas palavras, ouviram os deuses.[4] As Máximas são preceitos conformistas exaltando tais virtudes civis como veracidade, autocontrole e bondade para com os semelhantes. Aprender ouvindo a todos e sabendo que o conhecimento humano nunca será perfeito.[5] Evitar conflitos abertos sempre que possível não deve ser considerado fraqueza. A justiça deve ser perseguida e no final será o comando de um deus que prevalece.[6]

Algumas das máximas se referem ao comportamento de alguém quando na presença do superior, como escolher o mestre certo e como servi-lo. Outros ensinam a maneira correta de liderar através da franqueza e bondade. A ganância é a base de todo o mal e deve ser negada, enquanto a generosidade para com a família e os amigos é louvável.[7] A ascensão na ordem social deve ser aceita como um dom de um deus egípcio[8] e poderia ser preservada pela aceitação da precedência do divino.

Passagens selecionadas[editar | editar código-fonte]

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As citações são tiradas de The Living Wisdom of Ancient Egypt, de Christian Jacq.[9]

  • "Grande é a Lei (Maat)." (p. 24)
  • "Toda conduta deve ser tão reta que poderá medi-la com um prumo." (p. 27)
  • "Injustiça existe em abundância, mas o mal nunca terá sucesso a longo prazo." (p. 32)
  • "Punir com princípio, ensinar de forma significativa. O ato de parar o mal leva ao estabelecimento duradouro da virtude." (p. 32)
  • "A raça humana nunca realiza nada. É o que Deus manda que seja feito." (p. 41)
  • "Aqueles a quem Deus guia não erram. Aqueles cujo barco Ele tira não podem cruzar." (p. 43)
  • "Siga seu coração toda a sua vida, não cometa excesso em relação ao que foi ordenado." (p. 66)
  • "Se trabalha firme, e o cultivo ocorre como deveria nos campos, é porque Deus colocou abundância em suas mãos." (p. 74)
  • "Não mexa com sua vizinhança, porque as pessoas respeitam o silêncio." (p. 74)
  • "Ouvir beneficia o ouvinte." (p. 74)
  • "Se aquele que ouve escuta plenamente, então aquele que ouve se torna aquele que entende." (p. 76)
  • "Quem escuta se torna o mestre do que é proveitoso." (p. 76)
  • "Ouvir é melhor do que qualquer coisa, assim nasce o amor perfeito." (p. 76)
  • "Deus ama quem escuta. Ele odeia aqueles que não ouvem." (p. 76)
  • "Quanto ao homem ignorante que não escuta, não realiza nada. Ele equipara o conhecimento com a ignorância, o inútil com o prejudicial. Faz tudo o que é detestável, então as pessoas ficam com raiva dele a cada dia." (p. 77)
  • "Uma palavra perfeita está escondida mais profundamente do que pedras preciosas. Encontra-se perto dos criados que trabalhavam na pedra de moinho." (p. 78)
  • "Só fale quando tiver algo que vale a pena dizer." (p. 79)
  • "Quanto a você, ensine seu discípulo as palavras da tradição. Que ele sirva de modelo para os filhos dos grandes, para que nele encontrem o entendimento e a justiça de todo coração que lhe fala, visto que o homem não nasce sábio." (p. 85)
  • "Uma mulher de coração feliz traz equilíbrio." (p. 107)
  • "Ame sua esposa com paixão." (p. 107)
  • "Quanto àqueles que acabam continuamente cobiçando as mulheres, nenhum de seus planos terá sucesso." (p. 108)
  • "Quão maravilhoso é um filho que obedece a seu pai!" (p. 112)
  • "Como ele é feliz de quem é dito: 'Um filho é bondoso quando sabe ouvir.'" (p. 112)
  • "Não culpe aqueles que são sem filhos, não os critiquem por não terem nenhuns, e não se vanglorie de tê-los você mesmo." (p. 113)
  • "Que seu coração nunca seja vão por causa do que sabe. Tome o conselho dos ignorantes, assim como o dos sábios..." (p. 119)
  • "Portanto, não coloque nenhuma confiança em seu coração no acúmulo de riquezas, pois tudo o que tem é um dom de Deus." (p. 126)
  • "Pense em viver em paz com o que possui, e tudo o que os deuses escolherem dar virá por si mesmo." (p. 127)
  • "Não repita um boato calunioso, não o ouça." (p. 139)
  • "Aquele que tem um grande coração tem um dom de Deus. Aquele que obedece ao estômago obedece ao inimigo." (p. 140)
  • "Aqueles a quem os deuses guiam não podem se perder. Aqueles que eles proíbem a passagem não serão capazes de atravessar o rio da vida." (p. 143)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Nicholas Grimal, A History of Ancient Egypt, 1992 Blackwell Publishing, p.79
  2. M. Lichtheim, Ancient Egyptian Literature, Vol.I, p.61
  3. Battiscombe G. Gunn, "THE WISDOM OF THE EAST, THE INSTRUCTION OF PTAH-HOTEP AND THE INSTRUCTION OF KE'GEMNI: THE OLDEST BOOKS IN THE WORLD", LONDON, JOHN MURRAY, ALBEMARLE STREET, 1906, https://www.gutenberg.org/files/30508/30508-h/30508-h.htm
  4. Lichtheim op. cit. p.63
  5. Françoise Dunand, Christiane Zivie-Coche, Gods and Men in Egypt: 3.000 BCE to 395 CE, Cornell University Press 2004, p.148
  6. Lichtheim op. cit. p.65
  7. Lichtheim op. cit. p.68
  8. Lichtheim op. cit. p.72
  9. "The Living Wisdom of Ancient Egypt", Christian Jacq, Simon & Schuster, 1999, ISBN 0-671-02219-9

Ligações externas[editar | editar código-fonte]