Epifânio (anacoreta)
| Epifânio | |
|---|---|
| Etnia | Armênio |
| Religião | Catolicismo |
Epifânio (em latim: Epiphanius; em grego: Ἐπιφάνιος, Epiphánios; em armênio: Եպիփան, Epipʼan) foi um clérigo armênio de origem grega do século IV, ativo durante o reinado de Tigranes VII (r. 339–350).
Nome
[editar | editar código]Epifânio (Epiphanius; Ἐπιφάνιος, Epiphánios) ou Epifanes (Epiphanе̄s; Ἐπιφάνης, Epiphánе̄s) é um nome de origem grega que significa "ilustre, notável, distinto, nobre" (de epí (ἐπί), "sobre", e phainō, "aparecer, manifestar-se"). Foi registrado em armênio como Epifane (Եպիփան, Epipʼan).[1]
Vida
[editar | editar código]As origens de Epifânio são incertas, salvo que era grego. Fausto, o Bizantino alegou que era um anacoreta discípulo do corebispo Daniel e que na infância viveu no deserto.[2] Em data incerta, Daniel o designou como missionário da província de Arzanena e do território de Sofanena, este situado na província de Sofena, ambas no Reino da Armênia.[3] Sobre essa questão, Moisés de Corene faz rápida menção a Epifânio como discípulo do católico Narses I (r. 353–373) e que foi incumbido de supervisionar os eremitérios de Narses.[4][5] Nina Garsoïan presume que o relato de Moisés é pouco credível nesse ponto, pois a vida de Epifânio melhor se encaixa no ciclo eremítico de Daniel, que foi preservado na obra de Fausto em torno da vida de Daniel, em detrimento do mundo oficial e mais estruturalmente helênico representado por Narses. No entanto, a autora ressalta que a ênfase em Fausto a respeito da origem grega de Epifânio pode ser um eco da vida rigidamente austera e a carreira ortodoxa de Epifânio de Salamina.[5]
Em 347/8, Daniel foi morto por estrangulamento sob ordens do rei Tigranes VII (r. 339–350). Epifânio estava presente na ocasião e alegadamente recebeu uma visão de Daniel que pediu que seu corpo fosse enterrado no solo, aos moldes do sepultamento de Cristo. Epifânio levou com seus companheiros o corpo até a caverna na qual ele comumente residia próximo de Astisata, em Taraunitis, e o enterrou.[3] Anos depois, em 373, quando residia numa montanha chamada Trono de Anaíte, alegadamente teve uma visão a respeito da assunção de Narses I, que foi assassinado pelo rei Papa (r. 370–374). Epifânio saiu às pressas da montanha e encontrou-se com Xalita, outro dos discípulos de Daniel. Na vila de Til, no distrito de Acilisena, presenciaram o túmulo de Narses e contaram ao povo sobre a visão na montanha.[6]
Após a morte de Narses, Epifânio foi residir no deserto de Sofanena, numa região chamada Mambre sobre o rio Mamuxel. Diz-se que encheu os territórios de Sofena e Arzanena de comunidades monásticas (vankʿ), para as quais designou seus mestres, e construiu um martírio na cidade murada de Tigranocerta. Fausto lhe atribui inúmeros feitos prodigiosos e milagres, dentre os quais o de mudar o sabor dos peixes que subiam de uma fonte próxima ao Mamuxel após dois irmão brigarem entre si ao ponto de se matarem. Depois disso, reuniu cerca de 500 de seus discípulos (eremitas, habitantes das montanhas e habitantes dos desertos) e foi em direção ao Império Romano. Dali, velejaram e alcançaram uma ilha deserta habitada por serpentes (víboras, áspides e basiliscos) e outros animais venenosos que fugiram da ilha perante sua presente. Epifânio estabeleceu moraria nessa ilha e lá viveu até eventualmente morrer.[7]
Avaliação
[editar | editar código]As narrativas hagiográficas são comuns na obra de Fausto e geralmente são introduzidos no meio da narrativa, quebrando sua sequência.[8] O mito de Epifânio aportando numa ilha cheia de cobras assemelha-se a mitos análogos do Ocidente protagonizados por Honorato de Arles e Patrício da Irlanda. As fontes consultadas por Fausto, no geral, são indeterminadas, e alguns destes mitos envolvendo santos têm sua primeira atestação conhecida em sua obra.[9]
Referências
- ↑ Ačaṙyan 1942–1962, p. 122.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 206.
- ↑ a b Fausto, o Bizantino 1989, p. 90.
- ↑ Moisés de Corene 2006, p. 271.
- ↑ a b Fausto, o Bizantino 1989, p. 370.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 205.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 206-207.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 27.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 28.
Bibliografia
[editar | editar código]- Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Եպիփան». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachussetes: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard
- Moisés de Corene (2006). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Harvard University Press