Epilepsia

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Epilepsia
Classificação e recursos externos
CID-10 G40-G41
CID-9 345
DiseasesDB 4366
MedlinePlus 000694
eMedicine neuro/415

Epilepsia (do verbo grego ἐπιλαμβάνειν: tomar, capturar, possuir, ter)[1] é um grupo de transtornos neurológicos de longa duração caracterizados por ataques epilépticos.[2] Estes ataques são episódios de duração e intensidade variável, desde os de curta duração e praticamente imperceptíveis até longos períodos de agitação vigorosa.[3] Em epilepsia, os ataques tendem a ser recorrentes e a não ter uma causa subjacente definida,[2] enquanto que os ataques que ocorrem devido a uma causa específica não são considerados representativos da epilepsia.[4]

Na maior parte dos casos de epilepsia desconhece-se a origem da doença, embora algumas pessoas desenvolvam epilepsia posteriormente a lesões cerebrais, AVC, tumores cerebrais, toxicodependência ou alcoolismo, entre outros. Os ataques epilépticos são o resultado de atividade excessiva e anormal das células nervosas do córtex cerebral.[4] O diagnóstico geralmente pressupõe excluir outras condições que possam provocar sintomas semelhantes (como a síncope) e perceber se existem quaisquer causas imediatas. A epilepsia é muitas vezes confirmada através de um eletroencefalograma (EEG).

A epilepsia não tem cura, embora os ataques possam ser controlados com medicação em cerca de 70% dos casos.[5] Em pessoas cujos ataques não respondem à medicação, pode-se considerar cirurgia, neuroestimulação ou alterações na dieta. Nem todos os casos de epilepsia se prolongam durante toda a vida e há um número significativo de pessoas que melhoram até ao ponto de já não ser necessária qualquer medicação.

Cerca de 1% da população mundial (65 milhões de pessoas) tem epilepsia.[6] Aproximadamente 80% dos casos ocorrem em países em vias de desenvolvimento.[3] A ocorrência de epilepsia torna-se mais comum à medida que a idade avança.[7] [8] Em países desenvolvidos, a ocorrência de novos casos é mais frequente em crianças e idosos,[9] enquanto que em países em vias de desenvolvimento é mais frequente em crianças mais velhas e jovens adultos.[10] Entre 5 e 10% de todas as pessoas terão um ataque sem causa definida até aos 80 anos de idade,[11] sendo a probabilidade de sofrer um segundo ataque entre 40 e 50%.[12] Em diversas partes do mundo, é restrita ou vedada a autorização de condução a pessoas com epilepsia,[13] embora muitas possam voltar a conduzir após determinado período sem ataques.

Características[editar | editar código-fonte]

Cerca de 50 milhões[14] de pessoas no mundo sofrem de epilepsia, e quase 90% delas ocorrem em países em desenvolvimento.[15] A epilepsia se torna mais comum com a idade.[16] [17] O início de novos casos ocorrem na maioria das vezes em crianças e idosos.[18] Como consequência de uma cirurgia cerebral, crises epilépticas podem ocorrer em pacientes em recuperação.

A epilepsia possui tratamento, mas não é curada com a medicação. Contudo, cerca de 30% das pessoas com epilepsia não têm o controle das crises mesmo com os melhores medicamentos disponíveis. Cirurgia pode ser considerada em casos em que medicação não seja eficiente ou os efeitos colaterais sejam muito incômodos.[19] [20] Não deve ser entendida como uma doença única.

Convulsão[editar | editar código-fonte]

Uma só convulsão não significa epilepsia, cerca de 10% da população tem pelo menos um episódio de convulsão durante a vida. É necessário pelo menos dois episódios de convulsão não provocada por outras causas, além de outros sintomas, antes de poder diagnosticar uma epilepsia.[21]

Síncope vasovagal[editar | editar código-fonte]

A síncope vasovagal pode levar ao diagnóstico errôneo de epilepsia, por isso um médico (neurologista ou cardiologista) deve ser consultado para que seja feita uma avaliação precisa.[22]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Quando se identifica uma causa que provoque a epilepsia, esta é designada por "sintomática", quer dizer, a epilepsia é apenas o sintoma pelo qual a doença subjacente se manifestou; em 50% a 60% dos casos não se consegue detectar nenhuma causa - é a chamada epilepsia "idiopática". As crises também podem ser classificadas como focais (ou parciais), quando as crises epilépticas são originárias de uma área específica do cérebro, ou generalizadas, quando as crises epilépticas são originárias a partir dos dois lados do cérebro, em geral de forma sincronizada e simétrica.[23] [24] [25]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

As características das convulsões variam dependendo da área do cérebro na qual o distúrbio começa e como se propaga. Sintomas temporários podem ocorrer, tais como[21] :

  • Esquecimento súbito;
  • Desmaios;
  • Distúrbios do movimento
  • Distúrbios de sensações (incluindo visão, audição e paladar)
  • Distúrbios de humor (como depressão e ansiedade)
  • Distúrbios de função cognitiva.

É também comum que os episódios de convulsões resultem em ferimentos e dificuldades de socialização.[21]

Causas[editar | editar código-fonte]

Em 60% a causa é desconhecida, mas algumas doenças neurológicas como Síndrome de Rasmussen podem causar epilepsia (foto).

Existem várias causas para a epilepsia, pois muitos fatores podem lesar os neurônios (células nervosas) ou o modo como estes se comunicam entre si. Os mais frequentes são: traumatismos cranianos, provocando cicatrizes cerebrais; traumatismos de parto; certas drogas ou tóxicos; interrupção do fluxo sanguíneo cerebral causado por acidente vascular cerebral ou problemas cardiovasculares; doenças infecciosas ou tumores.

Podem ser encontradas lesões no cérebro através de exames de imagem, como a tomografia computadorizada, mas normalmente tais lesões não são encontradas. O eletroencefalograma pode ajudar, mas idealmente deve ser feito durante a crise.

Epilepsia secundária ou sintomática[editar | editar código-fonte]

Dentre as causas para epilepsias com causas conhecidas estão[26] :

  • Danos cerebrais de uma lesão pré-natal ou perinatal (asfixia ou trauma durante o parto, baixo peso ao nascer);
  • Defeitos congênitos ou doenças genéticas associadas a malformações cerebrais;
  • Ferimentos graves na cabeça;
  • Acidente vascular cerebral, privando o cérebro de oxigênio;
  • Infecções cerebrais, tais como meningite e encefalite e neurocisticercose;
  • Algumas síndromes genéticas;
  • Tumores cerebrais.

Embora possa ser provocada por uma doença infecciosa, a epilepsia, ao invés de algumas crenças habituais, não é contagiosa, ninguém a pode contrair em contato com um epiléptico. Na maioria dos casos a epilepsia deve-se a uma lesão cerebral causada por traumatismo provocado por acidente físico, num tumor, numa infecção, no parasita cisticerco, num parto com complicações, meningite, embora em menor frequência pode ser genético,[27] [28] significando que, em poucos casos, a epilepsia pode ser transmitida aos filhos. Outro fator que pode explicar a incidência da epilepsia entre parentes próximos é que algumas de suas possíveis causas, como a infecção e a meningite, são contagiosas, expondo parentes próximos a uma incidência maior. Do mesmo modo, a cisticercose, que é causada pela ingestão de cistos provenientes da Taenia solium (transmitida através da ingestão de ovos da tênia por alimentos contaminados com as fezes do porco), é adquirida através da ingestão de alimentos contaminados, que costumeiramente fazem parte da alimentação de parentes próximos. A despeito da crença popular de que a epilepsia é incurável, existem tratamentos medicamentosos e cirurgias capazes de controlar e até curar a epilepsia.

Epilepsia piridoxina-dependente[editar | editar código-fonte]

Epilepsia piridoxina -dependente é uma condição rara que envolve convulsões desde que podem começar ainda nos primeiros meses de vida ou, em alguns casos, antes do nascimento. A doença foi identificada nos anos 1950, tendo sido descrita por Hunt et al. em 1954. [29] A causa mais provável é uma mutação dp gene ALDH7A1 (antiquitina). As pessoas afetadas geralmente sofrem ataques que duram vários minutos (estado de mal epiléptico). Esses ataques envolvem rigidez muscular, convulsões e perda de consciência (crises tônico-clônicas). Outras características da epilepsia piridoxina-dependente incluem baixa temperatura corporal (hipotermia), baixo tônus ​​muscular (distonia) logo após o nascimento e irritabilidade antes de um episódio de convulsão. Em casos raros, as crianças com essa condição não têm convulsões até 1 a 3 anos de idade. Uma vez que é uma condição rara, o diagnóstico muitas vezes não é preciso, e anticonvulsivantes são normalmente administrados para controlar as convulsões, revelando-se ineficazes. O tratamento com grandes doses diárias de piridoxina (vitamina B6) é eficaz, porém, se diagnosticadas e não tratadas a tempo, as crianças podem vir a apresentar problemas neurológicos, tais como atraso do desenvolvimento, distúrbios de aprendizagem ou mesmo disfunção cerebral grave (encefalopatia). [30]

Desencadeamento de crises[editar | editar código-fonte]

Alguns dos fatores que podem desencadear crises epilépticas:

Fatores de vulnerabilidade dependem das áreas do cérebro mais afetadas pela epilepsia. Algumas pessoas têm ataques quando veem televisão, jogam jogos no computador ou frequentam boates.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Anticonvulsivantes, ou estabilizantes de humor, também são usados no tratamento de transtorno bipolar de humor.

Há mais de 100 anos, com o desenvolvimento de medicamentos à base de brometos, as crises podem ser controladas na sua grande maioria (70%) com medicação de baixo custo. Somente de 10% a 40% dos pacientes recebem tratamento medicamentoso e a oferta de tratamento cirúrgico é rara, mesmo em grandes hospitais.[14]

No Brasil, muitos ainda acreditam em possessão demoníaca ou por espíritos como a explicação para epilepsia e buscam os tratamentos afins que incluem um violento exorcismo ou simpatias, ignorando as recomendações médicas. Esta ignorância tem contribuído na perpetuação da estigmatização e discriminação negativa dos indivíduos com epilepsia da sociedade.[14]

Tratamento farmacológico[editar | editar código-fonte]

Antigamente acreditava-se que a associação de vários remédios ajudaria a obter melhores resultados, mas ficou provado que esse tipo de conduta é inadequado porque favorece o acúmulo dos efeitos colaterais. É um consenso entre os médicos que apenas um remédio é a melhor estratégia inicial. Caso o primeiro medicamento, mais barato e prático, não funcione, pode-se tentar outro com menos efeitos colaterais, mais caros ou menos práticos, ou dois medicamentos podem ser usados simultaneamente para potencializar os efeitos.

O diagnóstico de epilepsia deve ser estabelecido antes do início do tratamento. A decisão de se iniciar o tratamento deve considerar o paciente como um todo: a severidade do quadro clínico e seu prognóstico. Deve-se ter bem claro seu propósito, a expectativa do paciente e, de preferência, incluir a família no tratamento.

A medicação costuma ser mantida durante muitos anos, por vezes até o final da vida. A escolha da medicação anticonvulsivante a ser utilizada é feita com base no tipo de crise, idade, interações medicamentosas e efeitos colaterais apresentados pelo paciente. A consequência imediata da escolha adequada da medicação, associada à eficácia contra as crises, melhora a adaptabilidade social do paciente epiléptico, que poderá atender melhor e mais facilmente às exigências de seu meio, dentro de uma vida de qualidade.

Os principais medicamentos utilizados são os anticonvulsivantes:

No caso de epilepsia idiopática ou para generalizada sintomática a primeira escolha é o Valproato ou o Divalproato, e a segunda opção é a Lamotrigina. No caso de epilepsia focal sintomática é mais eficaz começar com Carbamazepina e oxcarbazepina.[31]

Outros tratamentos[editar | editar código-fonte]

Machado de Assis sendo acudido na rua durante uma crise de epilepsia.

A maneira como o indivíduo interage com o ambiente social (família, trabalho, amigos) é bastante afetada pelo fato de ele ser um portador de epilepsia. O tratamento deve, portanto, não apenas visar o controle de suas crises, mas a melhora da qualidade de vida do paciente, garantindo uma melhor integração social.

Para aqueles que não respondem ao tratamento medicamentoso, há possibilidade de tratamento cirúrgico, porém há poucos profissionais qualificados mesmo em hospitais particulares. Mesmo entre médicos é comum não saber providenciar o tratamento adequado em caso de crises e nem fazer o encaminhamento adequado.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

A maioria das pessoas com epilepsia aparenta levar uma vida normal. Ainda que a epilepsia atualmente não tenha cura definitiva, em algumas pessoas ela eventualmente desaparece. A maioria dos ataques epilépticos não causa lesão cerebral. Não é incomum que pessoas com epilepsia, especialmente crianças, desenvolvam problemas emocionais e de comportamento. Para muitas pessoas com epilepsia o risco de ataques epilépticos restringe sua independência. A maioria das mulheres com epilepsia pode ficar grávida, mas deve discutir com o médico sobre sua doença e medicamentos tomados. Mulheres com epilepsia tem uma chance maior de 90% de ter um bebê saudável.

Crise epiléptica[editar | editar código-fonte]

É a manifestação clínica causada por uma descarga transitória, excessiva e anormal de células nervosas. Pode ser comparada a uma tempestade elétrica, ocorrendo num grupo de neurônios. As descargas podem variar de local, extensão e severidade, o que leva a uma ampla diversidade de formas clínicas. Os sinais e sintomas de uma crise epiléptica (distúrbios da consciência, dos movimentos ou da sensibilidade) refletem, portanto, a ativação da parte do cérebro afetada por esta atividade excessiva. Pode ser afetada apenas uma parte do cérebro (crise parcial ou focal) — como ocorre na síndrome de Landau-Kleffner, que afeta tipicamente a região temporofrontal esquerda, causando transtornos de fala e linguagem[32] — ou toda a extensão dos dois hemisférios cerebrais (crise generalizada).

Crises generalizadas[editar | editar código-fonte]

Não se deve colocar a mão ou algum objeto na boca, ao invés disso deve se procurar afrouxar suas roupas e evitar que a pessoa se golpeie ou se machuque. Pode-se colocar algo macio embaixo da cabeça e contê-la gentilmente até que a crise finalize.

Durante as crises generalizadas os possíveis sintomas são[33] :

  • Enrijecimento do corpo (fase tônica);
  • Grunhidos (fase tônica);
  • Virar olhos e cabeça (fase clônica);
  • Movimentação dos braços e pernas (fase clônica);
  • Salivação espumosa (fase clônica).

Durante o episódio, a língua pode ser mordida ou severamente lesada, ou o corpo ferido como resultado de uma queda ou outro acidente. Às vezes pode ocorrer liberação de urina e/ou fezes. O corpo relaxa após poucos segundos ou minutos e em seguida o doente dorme por um período invariável de tempo. O paciente pode se esquecer da crise, principalmente quando ela ocorre durante o sono.

Crises parciais[editar | editar código-fonte]

Em crises parciais podem ocorrer[34] :

  • Tremores na face, membros ou espalhados pelo corpo;
  • Distúrbios sensoriais como alucinação visual, auditiva, tátil ou palato-olfativa;
  • Mudança de humor, perda de memória e pensamento;
  • Mal estar, palpitação, salivação, suor, ou rubor na face;
  • Enformigamento da boca, e das mãos.

Os sintomas sentidos dependem da área do cérebro afetada.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Ano de vida ajustado para a epilepsia por 100.000 habitantes em 2002.
  sem informações
  menos de 50
  50-72.5
  72.5-95
  95-117.5
  117.5-140
  140-162.5
  162.5-185
  185-207.5
  207.5-230
  230-252.5
  252.5-275
  mais de 275

A epilepsia é um dos distúrbios neurológicos graves mais comuns do mundo.[35] Cerca de 3% das pessoas serão diagnosticadas com epilepsia em algum momento de suas vidas.[36] Sua prevalência é de 1% da população do mundo, ou seja 60 milhões de pessoas, e a cada ano somam-se aproximadamente três milhões de novos casos. Cerca de 50% dos casos começam na infância ou adolescência.[14]

As condições genéticas, congênitas e de desenvolvimento são na sua maioria associados a ela entre os pacientes mais jovens; tumores são mais prováveis ​​mais de 40 anos; traumatismo craniano e infecções do sistema nervoso central, pode ocorrer em qualquer idade. A prevalência da epilepsia ativa é aproximadamente na faixa de 50-10 por 1000 pessoas. Até 5% das pessoas experimentam não convulsões febris em algum momento da vida; prevalência da epilepsia de vida é relativamente alta porque a maioria dos pacientes, quer parar de ter convulsões ou (menos comumente) morrem dela. Taxa de epilepsia de incidência aproximada anual é de 40-70 por 100.000 nos países industrializados e 100-190 por 100.000 habitantes em países com poucos recursos; socioeconomicamente as pessoas privadas estão em maior risco. Nos países industrializados, a taxa de incidência em crianças diminuiu, mas aumentou entre os idosos durante as três décadas anteriores a 2003, por razões não totalmente compreendidas.[37]

No Brasil a prevalência é de cerca de 1,2%, o que representa atualmente quase 2 milhões de pessoas.[38]

História da Epilepsia[editar | editar código-fonte]

Figura retratando São Valentim, um dos diversos padroeiros da epilepsia.

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Os primeiros relatos de epilepsia são encontrados nos textos da medicina ayurvédica, originária na Índia, desenvolvida entre 4500 e 1500 anos a.C. A citação mais antiga de epilepsia conhecida é dentro da Charaka Samhita (400 anos a.C.), sob o nome de "apasmara", que significa perda de consciência, perda de memória ou distúrbio do intelecto. No texto, já se referenciava sintomas, classificações, diagnósticos e tratamentos[39] .

No papiro de Ebers, um papiro egípcio de medicina herbal datado de 1550 anos a.C., a epilepsia era relacionada com um "obstáculo no lado direito do organismo", recomendando tratar-se com uma mistura de plantas deixadas ao ar livre por uma noite.[40] No código de Hammurabi, consta legislações referentes ao comércio de escravos considerados com defeito, em que se inclui a epilepsia[41] .

Na Grécia Antiga, a epilepsia era uma doença controversa. Associavam-na com possessão espiritual, mas também com genialidade e divindade, sendo atribuída a ela o nome "doença sagrada"[42] . A excessão a tal visão era a escola de Hipócrates (500 a.C.), que rejeitava a noção de que a epilepsia fosse causada por espíritos e de natureza divina. Hipócrates determinou que sua origem não era sagrada, e sim cerebral. A sua hipótese era de que a epilepsia era determinada enquanto ainda no útero, caso a mãe seja uma pessoa "fleumática"[43] . Ao invés de se referir à epilepsia como a doença sagrada, Hipócrates utilizava o termo grande doença, dando origem ao termo moderno grand mal, usado para crises convulsivas tônico-clônicas [42] . A visão de Hipócrates sobre epilepsia como um distúrbio cerebral só retornaria nos séculos 18 e 19.

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Opiniões quanto a epilepsia durante a era Medieval (400-1400 a.D.) eram dominadas por simbolismo, demonologia e a crença religiosa herdada do período Greco-Romano. Assim como todas as outras ciências, a medicina era permeada com superstições. A visão da Igreja Católica guiava o público a crer que convulsões eram uma forma de possessão ou bruxaria, necessitando de rituais religiosos para sua cura. A epilepsia é descrita no Novo Testamento (Mateus, 17:14–18), em que um menino é levado pelo seu pai a Jesus Cristo por apresentar episódios súbitos de perda de consciência, espasticidade, salivação e auto-lesões. Segundo as escrituras, Jesus Cristo realiza a cura do menino, chamado de "lunático", através de expulsão demoníaca [44] [45] . O guia inquisicional "Malleus Malleficarum" designou a epilepsia como bruxaria e diversas pessoas morreram por conta disso[46] .

Em 190 a.D., o médico romano Galeno, escreveu em uma carta a sua hipótese de fisiopatologia para epilepsia:

"Quando um humor espesso fleumático se acumula nas cavidades corporais, afetando as raízes dos nervos e impedindo a livre passagem no pneuma psíquico, o fenômeno de epilepsia sucede.[47] "

Um dos principais escolares da medicina foi o médico iraniano Avicenna (Ibn-Sinâ) de 980 a.D., autor do livro O Cânone da Medicina, utilizado na educação médica europeia entre os séculos XII e XVIII. Avicenna definiu epilepsia como um transtorno convulsivo de início súbito com sintomas prodrômicos, como desconforto epigástrico, dor, depressão, parestesia em língua ou membros, fala incoerente e pesadelos[48] . Também menciona o estado pós-ictal, em que percebia a recuperação da consciência dos pacientes, os quais queixavam-se de dor de cabeça, depressão, dores musculares, soluços e tremores. A etiologia da epilepsia também é bastante abordada, incluindo fatores endógenos (por exemplo, gravidez), exógenos (traumas ou infecções) e precipitantes (estresse psicológico ou físico)[48] .

Renascimento e Iluminismo[editar | editar código-fonte]

O período renascentista, retomando teorias hipocráticas, era focado nas possíveis causas naturais da epilepsia, rejeitando superstições religiosas. Até o final do século XVI, médicos começaram a considerar traumas encefálicos, uremia e sífilis como possíveis fatores etiológicos para convulsões. No entanto, sem o benefício da ciência moderna, os mecanismos subjacentes da epilepsia permaneciam ainda desconhecidos. Cientistas médicos notáveis, como Herman Boerhaave (1668-1738 a.D), enfatizavam a abordagem clínica e a identificação de fatores precipitantes de convulsões. O médico suíço Samuel-Auguste Tissot contribuiu com a identificação de crises de ausência, uma variante de convulsões epilépticas, e rechaçou as superstições de que a lua teria algum efeito sobre as convulsões, insistindo que estas teriam como base o cérebro e nervos motores. O médico escocês William Culen (1710–1790), diferenciou as crises epilépticas das não epilépticas[48] .

Período Moderno[editar | editar código-fonte]

Machado de Assis sendo acudido no Rio de Janeiro após crise convulsiva.

Desde o final do século XIX, o entendimento sobre a epilepsia cresceu significativamente. Hospitais da Europa e nas Américas foram construídos especificamente para pacientes com epilepsia. Os principais participantes nessa revolução científica foram os escolares neurologistas franceses Maisonneuve (1745–1826), Calmeil (1798–1895) e Esquirol (1772–1840), o irlandês Robert Bentley Todd (paralisia de Todd) e o inglês John Hughlings Jackson (crise jacksoniana). Neste período a medicina focou na delineação da fisiopatologia da epilepsia e da localização topográfica das crises convulsivas[49] .

A prova científica de que a epilepsia se origina no cérebro veio do trabalho dos alemães Fritsch e Hitzig "Uber die elektrische Erregbarkeit des Grosshirns" (Sobre a Excitabilidade Elétrica do Cérebro), em que provocavam crises convulsivas a partir de estímulos elétricos sobre cérebros de cães[50] .

Durante o século XX, a invenção do eletroencefalograma (EEG), o avanço da neurocirurgia, a descoberta de medicamentos antiepilépticos e a compreensão da mecanismos fisiopatológicos foram os avanços mais importantes na área de pesquisa em epilepsia. Os avanços mais recentes no campo incluem o desenvolvimento de métodos de imagem avançados, o desenvolvimento de microcirurgia e a pesquisa sobre conexão de fatores genéticos e crises epilépticas[1] .

No Brasil, uma figura notável que portava epilepsia era o famoso escritor Machado de Assis, que apesar de nunca ter sido diagnosticado clinicamente com epilepsia, seus biógrafos são unânimes quanto ao fato[51] .

Campanha internacional da OMS[editar | editar código-fonte]

A Campanha Global contra Epilepsia - "Fora das Sombras" - é uma iniciativa conjunta da Liga Internacional contra Epilepsia (ILAE), do Comitê Internacional para Epilepsia (IBE) e da Organização Mundial de Saúde. Cada uma das organizações envolvidas tentou, no passado, promover alguma modificação, mas nenhuma de fato foi bem sucedida. O lema oficial da campanha é: "Melhorar a aceitação, diagnóstico, tratamento, serviços e prevenção de epilepsia em todo o mundo", pois calcula-se que 70-80% das pessoas com epilepsia podem ou poderiam levar vidas normais se tratadas corretamente.

Os objetivos da campanha são:

  • Aumentar a consciência pública e profissional de epilepsia como doença do cérebro universal e tratável
  • Elevar a epilepsia a um novo nível de aceitação no domínio público
  • Promover educação pública e profissional sobre epilepsia
  • Identificar as necessidades das pessoas com epilepsia nos âmbitos regional e nacional
  • Encorajar governos e departamentos de saúde a contemplar as necessidades das pessoas com epilepsia, incluindo consciência, educação, diagnóstico, tratamento, cuidados, serviços e prevenção.

A campanha inclui componentes internacionais, regionais e nacionais, os quais estão inter-relacionados.

Imputabilidade[editar | editar código-fonte]

Caso seja comprovado que uma pessoa cometeu um ato ilegal por causa da epilepsia ela é considerada inimputável, ou seja, ela não pode ser culpada do ato que cometeu. Por exemplo, se durante uma convulsão ela ferir pessoas próximas ou se bater o carro antes do diagnóstico ou seguindo o tratamento correto.[52]

Epilepsia ou "disritmia cerebral paroxística"?[editar | editar código-fonte]

Disritmia cerebral é uma expressão amplamente usada para rotular diversos distúrbios neuropsiquiátricos em pacientes que apresentam diferentes condições - inclusive e principalmente epilepsia. Embora, em sua maioria, os disrítmicos sejam indivíduos normais, o diagnóstico de disritmia cerebral é comumente "confirmado" pelo eletroencefalograma e geralmente o "tratamento" consiste na administração de drogas anti-epilépticas, como o fenobarbital, por muitos anos.[53]

Gibbs e Lennox estabeleceram a correlação entre alterações eletroencefalográficas e as manifestações clínicas das epilepsias e, em 1937, escreveram: "As doenças trocam de nome com o aumento, não da idade (como as crianças chinesas), mas, do conhecimento médico. A maior parte dos distúrbios começam sua existência com o nome daquele que primeiro os reconheceu ou são rotulados temporariamente com algum termo puramente descritivo. Quando a etiologia ou patologia é descoberta, a nomenclatura muda (...) Nós agora sabemos que a epilepsia é devida ao desenvolvimento de ritmos anormais no córtex cerebral; é uma disritmia cerebral paroxística." [54] Foi então que, no intuito de atenuar os preconceitos contra os epiléticos, propuseram a substituição da palavra epilepsia pela expressão disritmia cerebral paroxística. [55] Tal proposta foi amplamente aceita pelos médicos e pelas famílias de pacientes, pois, afinal, "é menos trágico ter um filho disrítmico que acometido com esta praga da epilepsia".[56] [57]

Todavia, em razão da sua inespecificidade, já que envolve entidades clínicas com etiologia, prognóstico e terapêuticas distintas, a expressão disritmia cerebral foi desaprovada pela Academia Brasileira de Neurologia, pela Sociedade Brasileira de Eletroencefalograma e Neurofisiologia Clínica e pela Liga Brasileira de Epilepsia. [53]

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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