Epitoniidae

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Concha de Epitonium scalare

Concha de Epitonium scalare
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
(sem classif.) clado Caenogastropoda
(sem classif.) clado Hypsogastropoda
(sem classif.) grupo informal Ptenoglossa
Superfamília: Epitonioidea
Família: Epitoniidae
Berry, 1910 (1812)
Gêneros
Ver texto.

Epitoniidae é uma família de moluscos marinhos carnívoros pertencente à superfamília Epitonioidea, que por sua vez integra o grupo informal Ptenoglossa, de acordo com a Taxonomia dos Gastrópodes de Bouchet & Rocroi (2005).

É uma família grande, com o número de espécies sendo atualmente estimado em 630.[1]

Descrição da concha[editar | editar código-fonte]

A concha destes animais é notável por sua arquitetura geométrica complexa. Sua forma, vagamente semelhante a uma pequena torre de base larga, consiste de espirais convexas bem conectadas entre si (embora às vezes pobremente enroladas, à maneira de uma mola), o que resulta em uma espiral alta e cônica.

As conchas normalmente possuem umbílico, isto é, um espaço oco e tubular alinhado como um eixo imaginário dentro das espiras, e uma abertura arredondada ou oval, com o lábio interno reduzido a uma pequena faixa.

O opérculo se encaixa perfeitamente na abertura.

A maioria das espécies são pequenas, com comprimentos situados entre 0,6 e 11,7 cm.[2]

Dentro do gênero Epitonium, a concha possui estruturas predominantemente axiais, chamadas de "costelas". Elas oferecem um pouco de proteção contra outros moluscos predadores, que acham difícil perfurar a concha com tais estruturas.

A maioria das conchas é altamente valorizada por colecionadores.

Biologia[editar | editar código-fonte]

A biologia destes animais ainda é pouco conhecida.

Algumas espécies são predadoras, engolindo presas inteiras, como pequenas anêmonas em sua forma juvenil (Ankel, 1937 e, mais tarde, Thorson, 1957), enquanto outras são ectoparasitas, vivendo sobre os cnidários de que se alimentam estendendo sua probóscide e retirando pequenos nacos de tecido do hospedeiro (Robertson, 1983a). Este último tipo de comportamento pode ser observado, por exemplo, em espécies como Epitonium echinacostum, E. albidum, E. tinctum e E. indianorum.[3] Estes animais também são predadores de corais e outros celenterados.

Muitos epitoniídeos exsudam uma substância de coloração rosa ou arroxeada através de sua glândula salivar que pode ter efeito anestésico em sua presa.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Os membros desta família são hermafroditas protândricos, isto é, seus órgãos sexuais masculinos atingem a maturidade primeiro, produzindo espermatozóides e, à medida que crescem, as gônadas convertem-se em órgãos sexuais femininos e passam a produzir óvulos.[4]

As fêmeas botam fieiras de ovos em formato de cápsula, que são normalmente recobertas de areia para protegê-las de predadores. Os filhotes nascem como larvas de nado livre.

Habitat[editar | editar código-fonte]

Os Epitoniidae são animais bentônicos encontrados normalmente em fundos arenosos, próximos a anêmonas ou corais, que lhes servem como fonte de alimento.

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Os gêneros desta família incluem:

Distribuição[editar | editar código-fonte]

Podem ser encontrados em todos os mares e oceanos, desde a zona tropical até as zonas ártica e antártica. Das espécies descritas, 31 ocorrem no Brasil (Rios, 1994), distribuídas entre os seguintes gêneros: Amaea, Boreoscala, Cirsotrema, Cycloscala, Cylindriscala, Depressiscala, Epitonium e Opalia.[4]

Espécies encontradas no Brasil[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Art Weil (1999). «Conchologists of America List». Universidade da Geórgia. Consultado em 10 de maio de 2010 
  2. J. Wyatt Durham (1937). «Gastropods of the family Epitoniidae from mesozoid and Cenozoic rocks of the West Coast of North America». Journal of Paleontology. 11 (6): 479–512 
  3. Kokshoorn, B. et al. Epitoniid parasites (Gastropoda, Caenogastropoda, Epitoniidae) and their host sea anemones (Cnidaria, Actiniaria, Ceriantharia) in the Spermonde archipelago, Sulawesi, Indonesia.In:BASTERIA, 71:33-56, 2007.
  4. a b Epitoniidae. In: Conquiliologistas do Brasil. Página visitada em 28 de abril de 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Neville, Bruce (1997). 1997. A Master Index to the Species Names in the Family Epitoniidae (PDF). Albuquerque, New Mexico: publicação independente. 59 páginas 
  • Rios, E. C. 1994. Seashells of Brazil. 2nd ed. Museu Oceanográfico Prof. E. C. Rios da Fundação Universidade do Rio Grande, Rio Grande. 368 p., 113 pls.
  • Rios, E. C. 2009. Compendium of brazilian seashells. Museu Oceanográfico Prof. E. C. Rios/FURG, Rio Grande. 676 p.
  • Rios, E. C. & Absalão, R. 1986. Contribución al conocimiento de la familia Epitoniidae S.S. Berry, 1910 en el Brasil. Comunicaciones de la Sociedad Malacológica de Uruguay 6(50): 367-370.
  • Weil, A., Brown, L. & Neville, B. 1999. The Wentletrap Book: A Guide to the Recent Epitoniidae of the World, Arti Grafiche La Moderna, Roma. 244p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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