Eristicophis

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaEristicophis
Eristicophis macmahonii.jpg
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Viperidae
Subfamília: Viperinae
Género: Eristicophis
Alcock & Finn, 1897
Espécie: E. macmahonii
Nome binomial
Eristicophis macmahonii
Alcock & Finn, 1897
Sinónimos
  • Eristicophis Alcock & Finn, 1897
  • Eristicophis Wall, 1906[1]

  • Eristicophis Macmahonii
    Alcock & Finn, 1897
  • Eristicophis macmahonii
    — Wall, 1906
  • Eristicophis macmahoni
    — Wall, 1925
  • Pseudocerastes latirostris
    Guibé, 1957
  • Pseudocerastes mcmahoni
    — Anderson, 1963
  • Eristicophis mcmahoni
    Leviton, 1968
  • Eristophis macmohoni
    — Khole, 1991
  • Eristicophis macmahoni
    Golay et al., 1993[1]

Eristicophis é um género monotípico criado para a espécie de víbora Eristicophis macmahonii. É endémica da região desértica do Baluchistão, próxima das fronteiras de Irão, Paquistão e Afeganistão.[1] Actualmente não são reconhecidas subespécies.[2]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O epíteto específico, macmahoni, é uma homenagem ao diplomata britânico Arthur Henry McMahon.[3]

Descrição[editar | editar código-fonte]

E. macmahonii

E. macmahonii é uma espécie relativamente pequena, atingindo um comprimento total (corpo+cauda) menor que 1 metro. Os machos atingem de 22 a 40 cm de comprimento total e as fêmeas de 28 a 72 cm.[4]

A cabeça é grande, larga, achatada e em forma de cunha. É também distinta do pescoço. O focinho é largo e curto. Os olhos são de tamanho moderado. A coroa da cabeça é coberta por pequenas escamas. As narinas são um par de pequenas ranhuras. Possui uma escama rostral característica, a qual é mais larga do que alta, fortemente concâva e delimitada na sua parte superior e dos lados por quatro escamas nasorostrais de grande tamanho dispostas em forma de borboleta. Existem 14 a 16 supralabiais, separadas das suboculares por 3 a 4 filas de escamas pequenas. As sublabiais são de 16 a 19. O anel circum-orbital consiste de 16 a 25 escamas.[4]

O corpo é ligeiramente deprimido dorsoventralmente e de aparência algo corpulenta. A cauda é curta e preênsil, diminuido abruptamente de diâmetro depois da cloaca. A pele é suave ao tacto. As escamas dorsais são curtas e enquilhadas, dispostas em 23 a 29 filas a meio-corpo as quais estão dispostas segundo um padrão recto e regular. As escamas ventrais têm quilhas laterais, sendo de 140 a 144 nos machos e de 142 a 148 nas fêmeas. As subcaudais não têm quilhas: os machos têm 33 a 36 e as fêmeas de 29 a 31.[4]

O padrão de coloração consiste de uma cor de fundo avermelhada a castanho-amarelada, sobreposta dorsolateralmente por uma série regular de 20 a 25 manchas escuras, delimitadas parcial ou totalmente por escamas brancas. Posteriormente, estas machas tornam-se mais distintas. As áreas brancas delimitadoras estendem-se frequentemente sobre o dorso como faixas cruzadas. A cabeça tem uma lista branca que vai desde a parte traseira do olho até á boca. O topo da cabeça pode ter manchas escuras dispersas. As escamas labiais e a garganta são brancas, tal como o ventre. A ponta da cauda é amarela com bandas cruzadas características.[4]

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

E. macmahonii é encontrada sómente na região desértica do Baluchistão, próxima da fronteira Irão-Afeganistão-Paquistão.

A localidade-tipo indicada é "Amirchah [Amir Cháh on map], 30 de Março, 3300 pés, Zeh, 1 de Abril, 2500 pés, Drana Koh, 2 de Abril, Robat I., Maio, 4300 pés". Listada como "W. Baluchistan" no catálogo do Museu de História Natural de Mumbai. M.A. Smith (1943:497) listou-a como "deserto a sul do Helmand rio, no Baluchistão".[1]

Segundo Mallow et al. (2003), esta espécie é conhecida no Paquistão, Afeganistão, leste e noroeste do Baluchistão, sul do Irão, e Índia no deserto do Thar. Está restringida ao deserto de Dast-i Margo e áreas de dunas próximas, desde o Sistão no extremo leste do Irão até ao Afeganistão , a sul do rio Helmand. Também ocorre no Baluchistão, entre os montes Chagai e a cordilheira Siahan, para leste até Nushki.[4]

Habitat[editar | editar código-fonte]

E. macmahonii está associada a habitats de dunas migratórias de areia fina e solta. Não se encontra a altitudes superiores aos 1 300 metros.[4]

Comportamento[editar | editar código-fonte]

E. macmahonii usa movimentos rectilíneos e serpenteantes para deslocar-se, mas pode mover-se lateralmente quando se encontra sobre areia solta ou quando assustada. Ocasionalmente pode trepar arbustos usando a sua cauda preênsil. É uma espécie principalmente nocturna, mas pode ser também crepuscular. Consta que tem mau temperamento, silvando alta e profundamente. Pode erguer a parte frontal do seu corpo e atacar de forma agressiva.[4]

E. macmahonii enterrada na areia.

E. macmahoni pode dar a ideia de que se afunda na areia, usando movimentos peristálticos. Depois disto, geralmente sacudirá e rodará a sua cabeça ao longo do eixo longitudinal para cobrir a sua cabeça, deixando apenas o focinho e olhos livres de areia. Pensa-se que as grandes escamas nasorostrais impedem a areia de entrar nas narinas.[4]

Dieta[editar | editar código-fonte]

E. macmahonii alimenta-se de pequenos lagartos, pequenos roedores, e por vezes de aves. Os ratos são mantidos entre as mandíbulas até que estejam mortos, ou quase.[4]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma espécie ovípara, pondo até uma dúzia de ovos. Estes eclodem depois de 6 a 8 semanas, com cada cria atingindo uns 15 cm de comprimento total.[5]

Veneno[editar | editar código-fonte]

Estão disponíveis relativamente poucos dados sobre o veneno de E. macmahonii, mas é considerada como uma espécie potencialmente perigosa pela Marinha dos Estados Unidos (1991) com um veneno similar ao das serpentes do género Echis.[6] Uma proteína existente no seu veneno, chamada eristostatina, parece ser útil no tratamento de melanoma maligno.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d McDiarmid RW, Campbell JA, Touré TA (1999). Snake Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference, Volume 1. Washington, District of Columbia: Herpetologists' League. 511 pp. ISBN 1-893777-00-6 (series). ISBN 1-893777-01-4 (volume).
  2. 'Eristicophis' (TSN 634424) (em inglês) . Integrated Taxonomic Information System (www.itis.gov)
  3. Beolens B, Watkins M, Grayson M (2011). The Eponym Dictionary of Reptiles. Baltimore: Johns Hopkins University Press. xiii + 312 pp. ISBN 978-1-4214-0135-5. ("Eristicophis macmahoni", p. 173).
  4. a b c d e f g h i Mallow D, Ludwig D, Nilson G (2003). True Vipers: Natural History and Toxinology of Old World Vipers. Malabar, Florida: Krieger Publishing Company. 359 pp. ISBN 0-89464-877-2.
  5. Mehrtens JM (1987). Living Snakes of the World in Color. New York: Sterling Publishers. 480 pp. ISBN 0-8069-6460-X.
  6. United States Navy (1991). Poisonous Snakes of the World. New York: United States Government/Dover Publications Inc. 203 pp. ISBN 0-486-26629-X.
  7. https://www.economist.com/news/science-and-technology/21569015-snake-venom-being-used-cure-rather-kill-toxic-medicine Drug research: Toxic medicine

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Alcock A, Finn F (1897) ("1896"). "An Account of the Reptilia collected by Dr. F. P. Maynard, Captain A. H. McMahon, C.I.E., and the Members of the Afghan-Baluch Boundary Commission of 1896". J. Asiatic Soc. Bengal 65: 550-556 + Plates XI (map) - XV. (Eristicophis macmahonii, new species, pp. 564–565 + Plate XV).
  • Golay P, Smith HM, Broadley DG, Dixon JR, McCarthy CJ, Rage J-C, Schätti B, Toriba M (1993). Endoglyphs and Other Major Venomous Snakes of the World. A Checklist. Geneva: Azemiops Herpetological Data Center. 478 pp.
  • Smith MA (1943). The Fauna of British India, Ceylon and Burma, Including the Whole of the Indo-Chinese Sub-region. Reptilia and Amphibia. Vol. III.—Serpentes. London: Secretary of State for India. (Taylor and Francis, printers). xii + 583 pp. (Genus "Eristocophis [sic]", p. 492; species "Eristocophis macmahoni [sic]", pp. 493–494).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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