Ermida de Santo António (Santo Espírito)

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Ermida de Santo António.
Ermida de Santo António: detalhe.

A Ermida de Santo António localiza-se no lugar de Santo António, na freguesia do Santo Espírito, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

A ermida localiza-se num vale, a leste no sopé do pico do Cavaleiro, junto a uma fonte, onde se origina a ribeira de Santo António, primitivamente denominada de ribeira de Diogo Gil.

História[editar | editar código-fonte]

A ermida já foi paroquial da freguesia, sob a invocação de Nossa Senhora da Purificação. Com a construção da atual Igreja de Santo Espírito, de acordo com a informação do padre Frutuoso em fins do século XVI, "(...) Esta foi a primeira freguesia, que era da Purificação de Nossa Senhora e, quando se mudou a igreja, lançaram sortes que santo ficaria, e saiu Santo António."[1]

FIGUEIREDO (1990) regista que nesta ermida ter-se-ia rezado a primeira missa ao Divino Espírito Santo, razão pela qual a paróquia passou a denominar-se "Santo Espírito",[2] também de acordo com Frutuoso, que assim referiu a mudança para a Igreja de Santo Espírito:

"Chama-se ali Santo Espírito, onde dizem os antigos que na ilha de Santa Maria se disse a primeira missa do Espírito Santo, quando entraram nela, e dali ficou nomear-se ainda hoje em dia esta freguesia de Santo Espírito, sendo ela depois edificada, como agora está, da invocação da Purificação de Nossa Senhora, sem perder aquele nome antigo."[3]

Conservou-se esta ermida durante anos sem padroeiro, até que, durante a visita pastoral do então bispo da Diocese de Angra, D. Jerónimo Teixeira Cabral a Santa Maria em 1603, este a encontrou em poder de um mordomo negligente e descuidado e determinou ao vigário da freguesia que desse a igreja a pessoa que a pudesse sustentar. Desse modo, João Soares de Sousa, filho de Nuno da Cunha e neto do 3º capitão do donatário do mesmo nome, e sua esposa, D. Filipa da Cunha, por sua devoção com Santo António, obrigaram-se a sustentá-la, tomando-a à sua conta. Por escritura pública feita nas notas do tabelião Domingos Fernandes a 23 de junho de 1614 constituíram-se formalmente seus padroeiros, conforme o mandado da visitação do dito bispo. Estes mesmos, por seus testamentos, vincularam as suas terças, obrigando-as ao sustento e reparo da ermida, e a recomendaram aos seus descendentes e sucessores, que a administraram até ao século XIX, sendo o seu último administrador o morgado João Soares de Sousa Ferreira de Albergaria Borges de Medeiros (1832).[4]

Encontra-se referida por MONTE ALVERNE (1986) ao final do século XVII.[5]

A festa do padroeiro tem lugar, anualmente, ou no dia do padroeiro (13 de Junho), ou no domingo seguinte, assinalada por missa e procissão até à Igreja Paroquial.

O "theatro" do Divino Espírito Santo apresenta inscrição epigráfica que reza "1889 / Irmandade / S. A.".

Características[editar | editar código-fonte]

Em alvenaria de pedra rebocada e caiada, apresenta planta rectangular com o corpo da sacristia adossado à lateral esquerda.

A fachada é rasgada pela portada, rematada em arco abatido sobre impostas, encimada por uma janela, em uma cornija. Sobre esta cornija existem dois pináculos.

A janela tem verga curva com simulacros de pináculos sobre as ombreiras, e uma concha sobre o fecho. A fachada é rematada por uma cornija que acompanha a inclinação das águas do telhado, encimada ao centro por uma cruz e nos extremos por pináculos.

A cobertura é de duas águas, em telha de meia-cana tradicional, rematada por beiral duplo.

O acesso é feito por uma sucessão de degraus e patamares fronteiros à fachada.

Referências

  1. FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra, livro III, cap. V.
  2. Op. cit., p. 47.
  3. FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra, livro III, cap. V.
  4. Cf. as anotações ao Livro III das Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, por Manuel Monteiro Velho Arruda.
  5. Op. cit., cap. I.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CARVALHO, Manuel Chaves. Igrejas e Ermidas de Santa Maria, em Verso. Vila do Porto (Açores): Câmara Municipal de Vila do Porto, 2001. 84p. fotos.
  • FERREIRA, Adriano. Era uma vez... Santa Maria. Vila do Porto (Açores): Câmara Municipal de Vila do Porto, s.d.. 256p. fotos p/b cor.
  • FIGUEIREDO, Jaime de. Ilha de Gonçalo Velho: da descoberta até ao Aeroporto (2ª ed.). Vila do Porto (Açores): Câmara Municipal de Vila do Porto, 1990. 160p. mapas, fotos, estatísticas.
  • FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra (Livro III). Ponta Delgada (Açores): Instituto Cultural de Ponta Delgada, 2005. ISBN 972-9216-70-3
  • MONTE ALVERNE, Agostinho de (OFM). Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores (2ª ed.). Ponta Delgada (Açores): Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1986.
  • MONTEREY, Guido de. Santa Maria e São Miguel (Açores): as duas ilhas do oriente. Porto: Ed. do Autor, 1981. 352p. fotos.
  • Fichas E-10 e E-11 do "Inventário do Património Histórico e Religioso para o Plano Director Municipal de Vila do Porto".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]