Ernesto Araújo

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Ernesto Araújo
Ernesto Araújo (46571408771) (cropped).jpg
Ministro das Relações Exteriores do Brasil
Período 1 de janeiro de 2019
até a atualidade
Presidente Jair Bolsonaro
Antecessor Aloysio Nunes
Dados pessoais
Nascimento 15 de maio de 1967 (51 anos)
Porto Alegre, RS[1]
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Marylin Mendes Fraga Araújo
Pai: Henrique Fonseca de Araújo
Alma mater Universidade de Brasília
Instituto Rio Branco
Esposa Maria Eduarda de Seixas Corrêa Araújo[2]
Profissão diplomata, escritor

Ernesto Henrique Fraga Araújo (Porto Alegre, 15 de maio de 1967) é um diplomata brasileiro e atual Ministro das Relações Exteriores do Brasil, anunciado em 14 de novembro de 2018 pelo presidente eleito Jair Bolsonaro.[3] Suas visões políticas são descritas por algumas fontes como de extrema-direita.[4][5][6]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Porto Alegre, Ernesto Henrique Fraga Araújo é filho de Henrique Fonseca de Araújo, ex-Procurador-Geral da República e ex-deputado estadual do Rio Grande do Sul, e Marylin Mendes Fraga Araújo. Seu tio, Ernesto de Araújo, foi Almirante da Marinha do Brasil e diretor da Escola Superior de Guerra. É casado com a também diplomata Maria Eduarda de Seixas Corrêa, com quem tem uma filha, e é genro de Luiz Felipe de Seixas Corrêa, embaixador e ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).[7]

Carreira diplomática[editar | editar código-fonte]

Graduou-se em letras pela Universidade de Brasília em 1988. Aprovado no concurso de admissão do Instituto Rio Branco em 1990, ingressou na carreira diplomática em 1992.[8] Após concluir o curso de preparação à carreira diplomática no Instituto Rio Branco, em 1991, tornou-se assessor na divisão do Mercosul, onde foi responsável pela negociação da Tarifa Externa Comum e regimes comerciais.[carece de fontes?]

A partir de 1995 passou a integrar, como secretário, a Missão do Brasil junto à União Europeia em Bruxelas e, em 1999, transferiu-se para Berlim, trabalhando como responsável pelo setor econômico da Embaixada do Brasil na Alemanha.[2]

Como chefe de Divisão comandou as áreas de Serviços, Investimentos e Assuntos Financeiros (2003-2005) e de Negociações Extra-Regionais do Mercosul (2005-2007) no Ministério das Relações Exteriores.[9] Como Ministro-Conselheiro, atuou em Ottawa (2007-2010) e Washington (2010-2015), exercendo a Vice-Chefia de Missão nas Embaixadas do Brasil no Canadá e nos Estados Unidos, respectivamente.[carece de fontes?]

De volta a Brasília, atuou como subchefe de gabinete do Itamaraty até assumir, em outubro de 2016, a direção do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos.[10] Em junho de 2018, foi promovido a Ministro de Primeira Classe - posto que, no Brasil, por cortesia, é usualmente chamado "embaixador", mesmo que o diplomata em questão jamais tenha chefiado uma embaixada, como é o caso de Araújo.[8]

Em nota oficial, o ministro das relações exteriores do Governo Michel Temer, Aloysio Nunes, elogiou a escolha de Araújo para futuro titular da pasta.[3]

Indicação para compor o ministério de Jair Bolsonaro[editar | editar código-fonte]

Entusiasta da política externa de Donald Trump,[11] Ernesto Araújo publicou, em dezembro de 2017, um artigo intitulado "Trump e o Ocidente",[12] no qual analisa dois discursos de Donald Trump: o primeiro, proferido em Varsóvia, no dia 6 de julho de 2017, e o segundo, apresentado na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 19 de setembro do mesmo ano. De ambos, Araújo extraiu o que entendeu ser a essência da política externa de Trump e da sua visão do Ocidente. No artigo do diplomata, destaca-se, como referência, a teoria do choque de civilizações, proposta nos anos 1990 por Samuel Huntington. Segundo Huntington, os conflitos futuros da humanidade estariam ligados à cultura - ou, mais especificamente, à religião.[13]

O artigo de Araújo despertou a atenção do ensaísta e jornalista conservador Olavo de Carvalho, apontado como "um dos gurus do bolsonarismo". Carvalho elogiou e recomendou a leitura do texto aos seus milhares de seguidores nas redes sociais. A recomendação chegou até Filipe Martins, secretário de assuntos internacionais do PSL, e a Eduardo Bolsonaro. Usando o Twitter, Martins passou a defender a escolha de Araújo para futuro chanceler,[7] até que, em 14 de novembro, Jair Bolsonaro anunciou que Araújo era mesmo o escolhido.

Crenças e opiniões[editar | editar código-fonte]

Negacionismo do aquecimento global e das mudanças climáticas[editar | editar código-fonte]

Segundo Araújo, "a esquerda sequestrou a causa ambiental e a perverteu", criando uma "ideologia da mudança climática". Tal ideologia, por ele chamada de "climatismo", seria produzida pelo ajuntamento de dados que possam sugerir uma correlação entre aquecimento global e aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Ele alega que tal correlação é pseudocientífica, um dogma criado "para justificar o aumento do poder regulador dos Estados sobre a economia e o poder das instituições internacionais sobre os Estados nacionais". Para ele, isso teria como objetivo final, sufocar o crescimento dos países capitalistas e transferir poder econômico do Ocidente para a China.[14][15][16][17][18]

Globalismo[editar | editar código-fonte]

Em seu blog, Araújo declara sua intenção de ajudar o mundo a se libertar do globalismo - que, segundo ele, é uma ideologia anticristã, dominada por uma teoria da conspiração conhecida como marxismo cultural:[18][19]

Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anticristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornando o homem escravo e Deus irrelevante.[20]

Donald Trump[editar | editar código-fonte]

Araújo conclui seu artigo intitulado Trump e o Ocidente afirmando que só uma divindade poderia salvar o Ocidente. E, possivelmente, esse ente divino, salvador da civilização ocidental, seria Donald Trump:

Somente um Deus poderia ainda salvar o Ocidente, um Deus operando pela nação – inclusive, e talvez principalmente, a nação americana.
Heidegger jamais acreditou na América como portadora do facho do Ocidente [...]. Talvez Heidegger mudasse de opinião após ouvir o discurso de Trump em Varsóvia, e observasse: 'Nur noch Trump kann das Abendland retten', somente Trump pode ainda salvar o Ocidente.
[2][12]:356[21]

Aborto[editar | editar código-fonte]

Araújo vê o aborto como uma bandeira da esquerda que visa o antinatalismo - posição filosófica que atribui valor negativo ao nascimento.[14]
Em 14 de outubro de 2017, Araújo escreveu em seu blog:

Eles [a esquerda] querem uma sociedade onde ninguém nasça, nenhum bebê, muito menos o menino Jesus.
Pergunto inclusive se o sadismo abortista da esquerda não provém de uma pretensão niilista de, em cada bebê, estar matando o Cristo antes de nascer.
[22]

Publicações[editar | editar código-fonte]

Araújo é autor de três livros de ficção,[23][24] além de um livro de poemas, sendo também coautor de um ensaio sobre o Mercosul.

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Ocidente, poemas (1985)
  • Mercosul hoje (1996), em coautoria com o embaixador Sérgio Augusto de Abreu e Lima Florêncio Sobrinho.[25]
  • 1998: A Porta de Mogar , ficção. ISBN 9788529501741
  • 1999: Xarab Fica, ficção. ISBN 9788529500096
  • 2001: Quatro 3, ficção. ISBN 8529500164

Artigo[editar | editar código-fonte]

  • 2017: Trump e o Ocidente, in Cadernos de Política Exterior. Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, v. 3, nº 6, dezembro de 2017. Brasília : FUNAG, 2015.[12]

Tese[editar | editar código-fonte]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Araújo foi criticado pelo escritor brasilianófilo Benjamin Moser numa carta aberta publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em janeiro de 2019. Moser afirmou que uma publicação de Araújo no site Bloomberg "expôs o Brasil ao ridículo" por falta de conhecimentos do idioma inglês e recomendou ao ministro que se comportasse "com a dignidade" que a posição de Embaixador do Brasil exige. Moser criticou as posições de Araújo sobre Ludwig Wittgenstein, que soam "bizarras, pretensiosas e deselegantes" naquele idioma e também o uso de expressões conspiracionistas como “globalistas”, “marxistas”, “anticosmopolitas” e “valores cristãos”. Segundo Moser essas expressões têm conotação antissemita no inglês e explicam o porquê das declarações de Araújo sobre aquecimento global terem sido ridicularizadas pela imprensa internacional.[27]

Araújo afirmou em março de 2019 em uma entrevista que o nazismo e o fascismo são resultados de “fenômenos de esquerda”. Segundo Araújo, regimes totalitários distorceram o sentimento de nacionalismo, o que, para ele, seria uma tática comparável à da esquerda. "Eles, de certa forma, sequestraram esse sentimento (do nacionalismo). É muito a tendência da esquerda: pega uma coisa boa, sequestra, perverte e transforma em coisa ruim. Isso tem a ver com o que eu digo que fascismo e nazismo são fenômenos de esquerda. É a mesma lógica”, afirmou o chanceler na entrevista que durou 33 minutos.

A declaração gerou reação e foi rebatida por especialistas. A declaração, dada em longa entrevista a um canal simpático à extrema direita no Youtube. Historiadores e especialistas renomados como Stefanie Schüler-Springorum, diretora do Centro para Pesquisa sobre Antissemitismo da Universidade Técnica de Berlim, afirma que "Quando um ministro do Exterior faz esse tipo de afirmação, considero altamente problemático diplomaticamente e um absurdo cientificamente".

A declaração do chanceler também repercutiu negativamente na principal emissora de TV pública da Alemanha, a Deustche Welle. Em texto publicado no dia 28 de março na versão do seu site em português, a emissora afirma que as falas de Araújo vão contra o consenso acadêmico sobre o tema e ressalta que essa discussão é inexistente entre historiadores sérios do país. “Há décadas não restam mais dúvidas, nos âmbitos acadêmico, social e político, sobre a natureza de extrema direita do nazismo”, diz a reportagem. A emissora relembra uma entrevista com o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, que chegou a afirmar que essa discussão “não tinha base honesta”. [28]

O professor alemão Oliver Stuenkel consultado pelo Estadão, que trabalha na área de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), diz que a afirmação faria parte do “submundo das conspirações”. Para Stuenkel, a fala de Araújo traz constrangimento, mas há o entendimento de que ela não representa a totalidade do governo.[29]

Ruth Ben-Ghiat, historiadora especializada em fascismo e autoritarismo da New York University, ouvida pelo Jornal Nacional, disse que o ministro "Tem que reler os livros de história", e que "faz parte de determinadas estratégias de correntes políticas adotar uma versão que seja mais adequada aos seus interesses e que dizer que esses movimentos são de esquerda é simplesmente um absurdo". Procurada pela equipe de reportagem, sua assessoria não quis responder as críticas.[30]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Alex Rodrigues (14 de novembro de 2018). «Embaixador Ernesto Araújo é escolhido para Relações Exteriores». http://agenciabrasil.ebc.com.br. Consultado em 15 de novembro de 2018 
  2. a b c «Embaixador Ernesto Araújo será chanceler de Bolsonaro». VEJA 
  3. a b «Bolsonaro anuncia Ernesto Araújo como ministro das Relações Exteriores». G1 
  4. Brennan, David (16 de novembro de 2018). «Climate change is a 'globalist' plot to help China, claims pro-Trump brazilian foreign minister». Newsweek. Consultado em 13 de fevereiro de 2019 
  5. «O discurso de Bolsonaro no figurino de Davos». O Globo. 23 de janeiro de 2019. Consultado em 13 de fevereiro de 2019 
  6. «Bolsonaro em Davos em 4 pontos: reformas, meio ambiente, ideologia e direitos humanos». El País. 22 de janeiro de 2019. Consultado em 13 de fevereiro de 2019 
  7. a b Patrícia Campos Mello. «Novo chanceler, Ernesto Araújo foi indicado por Olavo de Carvalho». Folha de S. Paulo 
  8. a b Ernesto Araújo: Como um artigo definiu o novo chanceler. Huff Post Brasil, 15 de novembro de 2018.
  9. «Futuro ministro das Relações Exteriores mantém blog com críticas ao PT». Valor Econômico 
  10. «Embaixador Ernesto Araújo é escolhido para Relações Exteriores». Money Times 
  11. «Admirador de Trump vai chefiar Relações Exteriores». Estadão 
  12. a b c Trump e o Ocidente, in Cadernos de Política Exterior. Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, v. 3, nº 6, dezembro de 2017. Brasília : FUNAG, 2015, p. 323-358
  13. Ernesto Araújo, um ocidentalista, futuro ministro das Relações Exteriores. Por João Borges. G1, 15 de novembro de 2018.
  14. a b «As opiniões polêmicas do novo chanceler sobre raça, fake news e 8 temas». Exame. Consultado em 16 de novembro de 2018 
  15. «Sequestrar e perverter». Ernesto Araújo. Consultado em 16 de novembro de 2018 
  16. «Bolsonaro appoints climate change denier and conspiracy theorist as foreign minister». Morning Star (em inglês). 15 de novembro de 2018 
  17. «Climate change is a "globalist" plot to help China, claims pro-Trump Brazilian foreign minister». Newsweek (em inglês). 16 de novembro de 2018 
  18. a b Watts, Jonathan (15 de novembro de 2018). «Brazil's new foreign minister believes climate change is a Marxist plot». the Guardian (em inglês). Consultado em 16 de novembro de 2018 
  19. «Pro-Trump diplomat to become Brazil's foreign minister». Fox News (em inglês). 14 de novembro de 2018 
  20. Ernesto Araújo. «About me». Metapolítica 17 (blog). Consultado em 19 de novembro de 2018 
  21. Loureiro, Marcelo. «Para o próximo chefe do Itamaraty, doutrina de Trump pode salvar o Ocidente | Míriam Leitão - O Globo». Míriam Leitão - O Globo. Consultado em 16 de novembro de 2018 
  22. Ernesto Araújo. «Nascer». Metapolítica 17 (blog). Consultado em 17 de novembro de 2018 
  23. Ernesto Araújo, no site da Editora Alfa Omega.
  24. «Bolsonaro foge de nomes 'óbvios' e escolhe diplomata pró-Trump: Ernesto Araújo». UOL 
  25. Florêncio, Sérgio Abreu e Lima; Ernesto Henrique Fraga Araújo. Mercosul hoje, no site da editora Alfa Omega.
  26. «Como o chanceler de Bolsonaro defendia o governo Lula em 2008». Nexo Jornal 
  27. «Imagem externa do Brasil mudou para pior no novo governo, diz Benjamin Moser». Folha de S.Paulo. 11 de janeiro de 2019. Cópia arquivada em 12 de janeiro de 2019. O racismo, a homofobia e a saudade da ditadura da nova administração têm sido fartamente comentados na imprensa mundial. Em inglês, o tom dessa cobertura tem sido extremamente negativo. Um chanceler deve poder responder num inglês sereno e compreensível e explicar as razões que levam o novo governo a adotar tal e tal medida. 
  28. «"Nazismo de esquerda": o absurdo virou discurso oficial em Brasília». Deutsche Welle. 28 de março de 2019. Consultado em 29 de março de 2019 
  29. «Ernesto Araújo afirma que nazismo 'é de esquerda'». O Estado de S.Paulo. 28 de março de 2019. Consultado em 29 de março de 2019 
  30. «Ministro Ernesto Araújo diz que fascismo e nazismo eram de esquerda e gera polêmica». Jornal Nacional. 29 de março de 2019. Consultado em 29 de março de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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