Ernesto II, Duque de Saxe-Coburgo-Gota

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Ernesto II
Duque de Saxe-Coburgo-Gota
Reinado 29 de janeiro de 1844
a 22 de agosto de 1893
Antecessor(a) Ernesto I
Sucessor(a) Alfredo
 
Esposa Alexandrina de Baden
Casa Saxe-Coburgo-Gota
Nome completo
Ernesto Augusto Carlos João Leopoldo Alexandre Eduardo
Nascimento 21 de junho de 1818
  Palácio de Ehrenburg, Coburgo, Saxe-Coburgo-Saalfeld, Confederação Germânica
Morte 22 de agosto de 1893 (75 anos)
  Castelo de Reinhardsbrunn, Saxe-Coburgo-Gota, Império Alemão
Enterro Igreja de São Moritz, Coburgo, Alemanha
Pai Ernesto I, Duque de Saxe-Coburgo-Gota
Mãe Luísa de Saxe-Gota-Altemburgo
Religião Luteranismo

Ernesto II (em alemão: Ernst August Karl Johann Leopold Alexander Eduard; 21 de junho de 1818 – 22 de agosto de 1893) foi o duque soberano do Ducado de Saxe-Coburgo-Gota, reinando entre 1844 e a sua morte. Ernesto nasceu em Coburgo, filho de Ernesto III, Duque de Saxe-Coburgo-Saafeld (depois Ernesto I, Duque de Saxe-Coburgo-Gota), e da sua esposa, a princesa Luísa de Saxe-Gota-Altemburgo. Catorze meses depois, nasceu o seu irmão mais novo, o príncipe Alberto, que se tornou consorte da rainha Vitória do Reino Unido. O pai de Ernesto tornou-se duque de Saxe-Coburgo-Gota em 1826, devido a uma troca de territórios.

Em 1842, Ernesto casou-se com a princesa Alexandrina de Baden, num casamento do qual não nasceram filhos. Pouco depois, sucedeu o seu pai como duque, quando ele morreu a 29 de janeiro de 1844. Enquanto duque reinante, Ernesto II apoiou a Confederação Alemã na Guerra de Schleswig-Holstein contra a Dinamarca, enviando milhares de tropas e tornando-se comandante do corpo alemão. Uma vez que ocupava essa posição, foi essencial para a vitória da Alemanha em 1849 contra a Dinamarca na Batalha de Eckernförde. Depois de o rei Oto da Grécia ser deposto em 1862, o governo britânico apresentou o nome de Ernesto como candidato à sucessão. No entanto, as negociações falharam por vários motivos, principalmente devido ao facto de Ernesto não estar disposto a trocar os seus amados ducados pelo trono da Grécia.

Ernesto apoiava a unificação da Alemanha e assistiu a vários movimentos políticos com grande interesse. Embora fosse um forte defensor do movimento liberal, surpreendeu muitos quando trocou de lado e apoiou os conservadores (e, eventualmente, vitoriosos) prussianos durante a Guerra Austro-Prussiana e a Guerra Franco-Prussiana que levaram à unificação da Alemanha. No entanto, o seu apoio aos conservadores teve consequências, uma vez que deixou de ser visto como um possível líder de um movimento político. Segundo a historiadora Charlotte Zeepvat, Ernesto ficou "cada vez mais perdido num mundo de diversões privadas que denegriram a sua imagem perante o mundo exterior."

A posição de Ernesto era muitas vezes associada ao seu irmão, o príncipe Alberto, marido da rainha Vitória. Os dois rapazes foram criados como se fossem gémeos e tornaram-se ainda mais próximos após a separação e divórcio dos pais, assim como após a morte da sua mãe. A relação entre os príncipes passou por fases de afastamento e de pequenas discussões à medida que os dois foram envelhecendo. Após a morte de Alberto em 1861, a relação de Ernesto com a rainha Vitória e os seus filhos foi-se deteriorando, assim como o seu ódio pelo Reino Unido, que o levou a publicar panfletos contra vários membros da Família Real Britânica. No entanto, apesar das duas diferenças políticas, Ernesto aceitou nomear o seu segundo sobrinho mais velho, o príncipe Alfredo, duque de Edimburgo, como seu herdeiro. Quando Ernesto morreu a 22 de agosto de 1893 em Reinhardsbrunn, Alfredo sucedeu-o no trono do ducado.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Ernesto com a sua mãe Luísa e o irmão Alberto.

Ernesto, príncipe-hereditário de Saxe-Coburgo-Saalfeld, nasceu no Palácio de Ehrenburg, em Coburgo, a 21 de junho de 1818.[1] Era o filho mais velho de Ernesto III, duque de Saxe-Coburgo-Saalfeld, e da sua esposa, a princesa Luísa de Saxe-Gota-Altenburgo. Poucos meses depois, teve um irmão mais novo, o príncipe Alberto, que, mais tarde, se tornaria marido da rainha Vitória do Reino Unido. Apesar de o duque Ernesto ter vários filhos dos muitos casos amorosos que mantinha, os dois rapazes nunca tiveram mais irmãos legítimos. Em 1826, o seu pai sucedeu como Ernesto I, duque de Saxe-Coburgo-Gota devido a uma troca de territórios após a morte do tio do duque, Frederico IV, duque de Saxe-Gota-Altenburgo.[2]

Existem vários relatos sobre a infância de Ernesto. Quando tinha catorze meses, uma criada comentou que Ernesto "corre por todo o lado como uma doninha. Estão a nascer-lhe os dentes e difícil de lidar por ser impaciente e muito agitado. Neste momento não é muito bonito, à exceção dos olhos negros."[3] Em maio de 1820, a sua mãe descreveu-o como "muito grande para a idade, e inteligente. Os seus grandes olhos negros estão cheios de espirito e vivacidade."[4] O biografo Richard Hough escreve que "logo desde a sua infância, era óbvio que o filho mais velho tinha herdado o caráter e a aparência do pai, enquanto que Alberto era mais parecido com a mãe em quase todos os aspetos."[5] Ernesto e o irmão passavam grandes períodos de tempo com a avó, a duquesa-viúva de Saxe-Coburgo-Saalfeld até ela morrer em 1831.

Ernesto e Alberto foram criados e educados juntos, quase como se fossem gémeos.[6] Apesar de Alberto ser catorze meses mais novo, era mais inteligente do que o irmão.[7] De acordo com o tutor dos irmãos, "andavam juntos em quase tudo, no trabalho e na brincadeira. Tinham os mesmos interesses, as mesmas alegrias e as mesmas mágoas. Estavam unidos por um sentimento de amor mútuo".[8] Talvez as "mágoas" referidas pelo tutor se referissem ao casamento dos pais. A união foi infeliz e Ernesto I foi sempre infiel.[9] Em 1824, Ernesto I e Luísa divorciaram-se. Luísa deixou Coburgo e foi proibida de voltar a ver os filhos.[10] Pouco tempo depois casou-se com Alexander von Hanstein, conde de Pölzig e Beiersdorf, mas acabaria por morrer em 1831, aos trinta anos de idade.[11] No ano a seguir à sua morte, o pai de Ernesto e Alberto casou-se com a sua sobrinha, a princesa Maria de Württemberg, filha da sua irmã Antonieta. Por isso, a madrasta dos irmãos era também sua prima direita. O duque e a sua nova duquesa não eram próximos e não tiveram filhos, e, embora os dois rapazes tivessem uma boa relação com a sua madrasta, Maria não teve qualquer influência na vida deles.[12] A separação e divórcio dos pais, assim como a morte da mãe marcou os rapazes e tornou-os muito próximos um do outro.[13]

Em 1836, Ernesto e Alberto visitaram a sua prima, a princesa Vitória de Kent, que estava em idade de casar, e passaram algumas semanas em Windsor.[14] Ambos os irmãos, mas principalmente Alberto, eram considerados pela família como possíveis candidatos à mão da jovem princesa, e ambos aprenderam a falar inglês.[15] Inicialmente, o seu pai pensou que Ernesto seria um melhor marido para Vitória do que Alberto, talvez porque o seu interesse por desporto seria melhor visto pelo público britânico.[16] No entanto, a maioria preferia Alberto. A nível temperamental, Vitória era muito mais parecida com Ernesto, uma vez que eram ambos animados e sociáveis, gostavam de dançar e de mexericos e eram muito espertos e inteligentes. Por outro lado, o ritmo frenético da corte, deixou Alberto doente.[17] No entanto, não foi feita qualquer proposta a nenhum dos irmãos e eles voltaram para casa.

Ernesto entrou para o serviço militar mais tarde nesse ano.[18] Em abril de 1837, Ernesto e Alberto mudaram-se com a sua comitiva para a Universidade de Bona.[19] Seis semanas após o início do ano académico, Vitória sucedeu ao trono como rainha do Reino Unido. Uma vez que os rumores do seu casamento eminente entre Vitória e Alberto estavam a interferir com os seus estudos, os dois irmãos saíram da universidade a 28 de agosto de 1837, no final do semestre, e foram viajar pela Europa.[20] Regressaram a Bona no início de novembro para continuar os estudos. Em 1839, os irmãos regressaram a Inglaterra, onde Vitória ficou muito agradada com Alberto e o pediu em casamento.[21] Esta ligação teve muitas implicações no futuro de Ernesto. Por exemplo, foi escolhido para padrinho da segunda filha do casal, a princesa Alice, e acabaria por ser ele a levá-la ao altar no seu casamento que se realizou poucos meses depois da morte de Alberto.[22]


Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Ernesto II, Duque de Saxe-Coburgo-Gota
  1. Grey, p. 29 and Weintraub, p. 21.
  2. «House laws of Saxe-Coburg and Gotha». www.heraldica.org. Consultado em 8 de março de 2019 
  3. Grey, pp. 32-33.
  4. Grey, p. 35.
  5. Hough, p. 9.
  6. Weintraub, p. 30.
  7. Weintraub, p. 30.
  8. Grey, p. 44.
  9. Weintraub, pp. 23-25.
  10. Weintraub, p. 25-28.
  11. Feuchtwanger, pp. 29-31.
  12. Packard, p. 16 and Weintraub, pp. 40–41.
  13. Weintraub, pp. 25–28.
  14. Feuchtwanger, p. 37.
  15. Weintraub, p. 49.
  16. D'Auvergne, p. 164.
  17. Zeepvat, p. 1.
  18. Zeepvat, p. 1.
  19. Feuchtwanger, pp. 35-36.
  20. Weintraub, p. 58-59.
  21. Feuchtwanger, pp. 38-39.
  22. Packard, p. 104.