Eros Volúsia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Heros Volúsia Machado (Rio de Janeiro, 1 de junho de 19141 de janeiro de 2004) foi uma dançarina brasileira que se projetou internacionalmente sob o nome de Eros Volúsia através de coreografias próprias inspiradas na cultura brasileira.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Filha do poeta Rodolfo Machado e da poetisa Gilka Machado, seus avós maternos também possuíam habilidades artísticas: o avô, Hortênsio da Gama Sousa Melo, era um poeta. Sua avó Teresa Cristina Muniz, era atriz de rádio e teatro.

Não é de se admirar, portanto, o talento desta artista de qualidades excepcionais. Desde a infância, conviveu com figuras renomadas da intelectualidade brasileira, dentre escritores, poetas, músicos e outros expoentes da arte nacional, vivenciando toda a profusão de idéias de vanguarda que fluíram a partir dos anos 1920.

Eros foi aluna de Maria Olenewa (bailarina russa que integrou a companhia de dança de Anna Pavlova e naturalizou-se brasileira, tendo sido a responsável pela organização da escola de dança e do corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro) e iniciou, com apenas quatro anos de idade, a sua formação clássica em balé. Sua estréia como bailarina se daria quatro anos mais tarde quando, numa atitude inusitada, dançou descalça no palco do Teatro Municipal.

Eros Volúsia não era, decididamente, uma artista comum. Seu talento para a dança ia muito além da técnica clássica e ela fez de seu corpo um instrumento catalisador das inovações tão necessárias ao bailado brasileiro. Buscou na raiz do intenso processo de miscigenação, fruto de fatores sócio-histórico-culturais, os elementos essenciais para a construção de uma dança cuja singularidade de movimentos refletia não somente a diversidade de culturas mas, sobretudo, a busca de uma identidade própria para a dança brasileira, influência do nacionalismo brasileiro então em voga.

Possivelmente Eros Volúsia foi, dentre as artistas de sua época, a que mais contribuiu para a superação, na área da dança, dos preconceitos relativos aos temas nacionais. Com seu apurado talento, ela foi capaz de incluir esses temas em seus esboços coreográficos, resultando em movimentos bem elaborados que expressavam a diversidade cultural brasileira, cujas raízes estão atiradas originalmente na América, Europa e África.

Sua carreira ascendeu com a celeridade que suas virtudes artísticas bem mereciam. Seu espírito criativo e as influências intelectuais que assimilou desde a infância, lhe constituíram em uma mulher além de seu tempo, uma novidade excepcional.

Além dos atributos de natureza artística, Eros foi agraciada com uma beleza singular. Sua tez morena e seu corpo escultural, denotavam a brasilidade que tão bem incorporou em sua arte. A singularidade artística em que consistia sua dança, acabou por trazer-lhe imenso sucesso. Na edição de 22 de setembro de 1941, a revista Life publicou sua foto na capa, foi o quanto bastou para que se tornasse ainda mais famosa e requisitada. Atuou em vários filmes nacionais: Favela dos Meus Amores (1935), Samba da Vida (1937), Caminho do Céu (1943), Romance Proibido (1944) e Pra Lá de Boa (1949). Mas sua fama internacional veio através de sua participação no filme Rio Rita (1942), uma comédia da Metro-Goldwyn-Mayer, dirigida por S. Sylvan Simon. Nesta película, apresenta-se numa cena que se tornou célebre, na qual utiliza temas afro-brasileiros em um número musical.

Em fases posteriores de sua vida, Eros permaneceu contribuindo com a dança. Foi professora do Serviço Nacional de Teatro onde criou o curso de coreografia. Sua contribuição a nacionalidade brasileira veio, nesta oportunidade, reafirmar-se: este foi o primeiro, dentre os cursos de dança nacionais, a aceitar bailarinos negros. Muito embora Eros Volúsia tenha contribuído enormemente para a cultura nacional, seu nome ainda reclama maiores atenções.

Em 2002, a Universidade de Brasília (UNB) criou o Centro de Documentação e Pesquisa Eros Volúsia, vinculado ao seu Departamento de Artes Cênicas. Em 2005, Roberto Pereira, professor de História da Dança e crítico de dança do Jornal do Brasil, publicou a biografia intitulada Eros Volúsia.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.