Escândalo de dados Facebook–Cambridge Analytica

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O escândalo de dados do Facebook–Cambridge Analytica envolve a coleta de informações pessoalmente identificáveis de até 87 milhões de usuários[1] do Facebook, que a Cambridge Analytica começou a recolher em 2014. Os dados foram utilizados por políticos para influenciar a opinião de eleitores em vários países.[2] Após a revelação do uso desses dados em uma investigação pela Channel 4 News, o Facebook pediu desculpas e disse que a Cambridge Analytica coletou os dados de forma "inadequada".[3]

Em dezembro de 2015, o jornal The Guardian informou que o senador americano Ted Cruz estava usando dados desse vazamento, mas que os usuários não tinham conhecimento do uso de seus dados pessoais para fins políticos.[4] Em março de 2018, os jornais O New York Times, The Guardian e oChannel 4 News fizeram relatórios mais detalhados sobre a violação de dados, como resultado das novas informações trazidas a público por um ex-funcionário da Cambridge Analytica, Christopher Wylie, que revelaram o tamanho da violação de privacidade ocorrida, a natureza das informações pessoais roubadas, e a comunicação entre Facebook, Cambridge Analytica, e os representantes políticos que haviam contratado a empresa Cambridge Analytica para utilizar os dados para influenciar a opinião dos eleitores.[5][6]

A violação foi importante por incitar o público à discussão sobre normas éticas para empresas de mídias sociais, organizações de consultoria política e os políticos. O movimento #DeleteFacebook se tornou tendência no Twitter,[7] e o escândalo de dados também recebeu cobertura da mídia na forma de um documentário da Netflix de 2019, The Great Hack.[8]

Processo[editar | editar código-fonte]

Aleksandr Kogan, um cientista da Universidade de Cambridge, desenvolveu um aplicativo chamado "This Is Your Digital Life" (as vezes estilizado como thisisyourdigitallife) [9]. A Cambridge Analytica, por sua vez, criou um processo de consentimento informado para a pesquisa, em que centenas de milhares de usuários do Facebook concordariam em preencher uma pesquisa por um pagamento, pesquisa que seria apenas para uso acadêmico [10]. No entanto, o Facebook permitiu que este aplicativo não só recolhesse informações pessoais das pessoas que concordaram em participar da pesquisa, mas também as informações pessoais de todas as pessoas conectadas a esses usuários na mídia social. Desta forma, Cambridge Analytica adquiriu dados de milhões de usuários do Facebook. [9]

Características dos dados[editar | editar código-fonte]

O número de pessoas que Facebook estima terem sido afetadas pelo escândalo, e o país de origem.

O New York Times relatou que o conjunto de dados inclui informações sobre 50 milhões dos usuários do Facebook [11]. De acordo com o Facebook, até 87 milhões de usuários tiveram seus dados partilhados, 70,6 milhões deles nos Estados Unidos [12]. A Cambridge Analytica diz que só foram coletados dados de 30 milhões de perfis de usuários do Facebook [13].

O Facebook enviou uma mensagem para esses usuários que acredita-se terem sido afetados, dizendo que informações incluindo o seu "perfil público, páginas curtidas, data de nascimento e cidade atual" poderiam ter vazado [14]. Alguns dos usuários dos aplicativos também deram a permissão para acessar o seu Feed de Notícias, linha do tempo, e mensagens [15]. Os dados foram detalhados o suficiente para a Cambridge Analytica criar perfis psicológicos das pessoas que forneceram dados [16]. Para uma determinada campanha política, as informações de cada perfil sugeriam que tipo de anúncio seria mais eficaz para persuadir uma determinada pessoa em um determinado local sobre algum evento político. [17]

Respostas[editar | editar código-fonte]

O CEO do Facebook, Mark Zuckenberg, pediu desculpas pelo escândalo da Cambridge Analytica, chamando-a de um "problema", um "erro" e uma "quebra de confiança" [18]. Outros funcionários do Facebook argumentaram contra chamar isso de "violação de dados", argumentando que aqueles que aceitaram o teste de personalidade consentiram originalmente em fornecer suas informações. Zuckerberg prometeu fazer alterações e reformas no Facebook para impedir infrações semelhantes no futuro [19]. Em 25 de Março de 2018, Zuckerberg publicou uma carta pessoal em vários jornais impressos pedindo desculpas em nome de Facebook [20]. Em abril, eles decidiram implementar o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR em inglês) da União Europeia em todas as áreas de operação, e não apenas na UE [21].

A Amazon disse que suspendeu a utilização por parte da Cambridge Analytica dos seus Serviços Web da Amazon, quando soube que estavam coletando informações pessoais [22].

Países como o Brasil e a Índia pediram que a empresa explicasse os impactos da coleta de dados pessoais em suas eleições, e se existiam campanhas políticas nos países utilizando esses dados.[23][24][25][26]

Desfecho[editar | editar código-fonte]

Após a queda da Cambridge Analytica, várias empresas relacionadas foram estabelecidas por pessoas anteriormente afiliadas à Cambridge Analytica, incluindo Emerdata Limited e Auspex International [27]. O antigo CEO da Cambridge Analytica, Julian Wheatland, respondeu às notícias relacionadas a esta história e enfatizou que a Emerdata não herdaria os dados ou ativos existentes das empresas do SCL, e que essas informações pertencem aos administradores responsáveis pela falência das empresas do SCL.

David Carroll, um professor americano que processou a Cambridge para descobrir quais dados a empresa possuía sobre ele [28], afirmou que a Emerdata tinha como objetivo esconder os escândalos e minimizar as críticas. Os advogados de Carroll argumentaram que os administradores estavam agindo ilegalmente ao liquidar os ativos da empresa antes de uma investigação completa ser realizada. Embora esses administradores tenham submetido o SCL Group a danos criminais e a uma multa de US $ 26.000, um tribunal do Reino Unido negou o processo de Carroll, permitindo que o SCL se desintegrasse sem entregar seus dados [29].

Referências

  1. «Facebook says Cambridge Analytica may have gained 37m more users' data» (em inglês). The Guardian. Consultado em 15 de abril de 2018 
  2. «Entenda o escândalo de uso político de dados que derrubou valor do Facebook e o colocou na mira de autoridades». G1. Consultado em 4 de abril de 2021 
  3. «Facebook scandal 'hit 87 million users» (em inglês). BBC News. Consultado em 15 de abril de 2018 
  4. «Ted Cruz campaign using firm that harvested data on millions of unwitting Facebook users» (em inglês). The Guardian. Consultado em 15 de abril de 2018 
  5. «How Trump Consultants Exploited the Facebook Data of Millions» (em inglês). The New York Times. Consultado em 15 de abril de 2018 
  6. «Revealed: 50 million Facebook profiles harvested for Cambridge Analytica in major data breach» (em inglês). The Guardian. Consultado em 15 de abril de 2018 
  7. Chen, Brian X. (21 de março de 2018). «Want to #DeleteFacebook? You Can Try». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 4 de abril de 2021 
  8. «The Great Hack: the film that goes behind the scenes of the Facebook data scandal». the Guardian (em inglês). 20 de julho de 2019. Consultado em 4 de abril de 2021 
  9. a b Cadwalladr, Carole; Graham-Harrison, Emma (17 de março de 2018). «Revealed: 50 million Facebook profiles harvested for Cambridge Analytica in major data breach». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 4 de abril de 2021 
  10. «The great British Brexit robbery: how our democracy was hijacked». the Guardian (em inglês). 7 de maio de 2017. Consultado em 4 de abril de 2021 
  11. «Facebook Exposed 87 Million Users to Cambridge Analytica». Wired (em inglês). ISSN 1059-1028. Consultado em 4 de abril de 2021 
  12. Kozlowska, Hanna. «The Cambridge Analytica scandal affected nearly 40 million more people than we thought». Quartz (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2021 
  13. «Facebook to send Cambridge Analytica data-use notices to 87 million users today». NBC News (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2021 
  14. Coulter, Martin (10 de abril de 2018). «Find out if your Facebook data was shared with Cambridge Analytica». www.standard.co.uk (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2021 
  15. «Cambridge Analytica Could Also Access Private Facebook Messages». Wired (em inglês). ISSN 1059-1028. Consultado em 4 de abril de 2021 
  16. Rosenberg, Matthew; Confessore, Nicholas; Cadwalladr, Carole (17 de março de 2018). «How Trump Consultants Exploited the Facebook Data of Millions». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 4 de abril de 2021 
  17. Katyal, Sonia K. (2019). «Artificial Intelligence, Advertising, and Disinformation». Advertising & Society Quarterly (4). ISSN 2475-1790. doi:10.1353/asr.2019.0026. Consultado em 4 de abril de 2021 
  18. Daily, Investor's Business (26 de março de 2018). «Facebook Stock Flashes Multiple Sell Signals Amid Cambridge Analytica Data Scandal | Stock News & Stock Market Analysis - IBD». Investor's Business Daily (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2021 
  19. «Facebook's Zuckerberg speaks out over Cambridge Analytica 'breach'». BBC News (em inglês). 22 de março de 2018. Consultado em 4 de abril de 2021 
  20. CNN, By Sheena McKenzie (25 de março de 2018). «Facebook's Mark Zuckerberg says sorry in full-page newspaper ads». CNN (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2021 
  21. «Amidst data scandal, Facebook will voluntarily enforce EU's new privacy rules "everywhere"». xda-developers (em inglês). 4 de abril de 2018. Consultado em 4 de abril de 2021 
  22. SchwartzMarch 30 2017, Mattathias SchwartzMattathias; P.m, 6:01. «Facebook Failed to Protect 30 Million Users From Having Their Data Harvested by Trump Campaign Affiliate». The Intercept (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2021 
  23. Luiz, Gabriel; Rodrigues, Mateus (21 de Março de 2018). «MP do DF apura se Cambridge Analytica usou dados de brasileiros no Facebook». G1. Consultado em 11 de Outubro de 2018 
  24. Valente, Jonas (21 de Março de 2018). «Ministério Público do DF investiga uso ilegal de dados de usuários do Facebook». Agência Brasil. Consultado em 11 de Outubro de 2018 
  25. «Brazil prosecutors open investigation into Cambridge Analytica» (em inglês). Reuters. 21 de Março de 2018. Consultado em 11 de Outubro de 2018 
  26. «India to investigate alleged Cambridge Analytica data breach» (em inglês). The Guardian. 26 de Julho de 2018. Consultado em 11 de Outubro de 2018 
  27. «Cambridge Analytica staff set up new firm». BBC News (em inglês). 12 de julho de 2018. Consultado em 4 de abril de 2021 
  28. «Documentary: 'The Great Hack'». NPR.org (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2021 
  29. Pasternack, Jesse Witt and Alex (26 de julho de 2019). «The strange afterlife of Cambridge Analytica and the mysterious fate of its data». Fast Company (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2021 

«Cambridge Analytica's Brazil Partner Asks to Suspend Deal». Bloomberg.com (em inglês)