Escalada irracional de compromisso

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A escalada do compromisso busca explicar porque tantas pessoas persistem em investimentos ruins.

Escalada irracional do compromisso ou escalada (irracional) do comprometimento também conhecido como aumento do comprometimento é um padrão de comportamento no qual um indivíduo ou grupo, apesar de enfrentar cada vez mais resultados negativos em uma decisão, ação ou investimento, continua a investir mais e mais nessa decisão.[1]

Economistas e cientistas comportamentais usam o termo falácia do custo afundado para descrever esse aumento do investimento de dinheiro, tempo e energia em uma decisão, com base nos investimentos passados acumulados ("custos irrecuperáveis"), apesar das novas evidências indicarem que investir em outra ação seria mais benéfico.

Na sociologia, a escalada irracional do comprometimento é um viés decisório descreve comportamentos semelhantes. A persistência no erro são estimulados pelos provérbios populares "nunca desista", "se no início você não conseguir, tente de novo", "está no inferno, abraça o capeta", "o que é um peido pra quem já está cagado" e "água mole e pedra dura, tanto bate até que fura".

Origem[editar | editar código-fonte]

Escalada irracional do compromisso foi descrito pela primeira vez por Barry M. Staw em sua 1976 artigo "Knee deep in the big muddy: A study of escalating commitment to a chosen course of action" ("Lama até os joelhos: Um estudo da escalada de compromisso para um determinado curso de ação").[2]

Teorias[editar | editar código-fonte]

Teoria da auto-justificação[editar | editar código-fonte]

A auto-justificação é uma parte do compromisso de tomada de decisões dos líderes e administradores de um grupo que pode causar um aumento nos níveis de compromisso.[3] Esta teoria proporciona uma explicação para o porquê das pessoas aumentarem o compromisso com seus investimentos passados."[4] Os gerentes repetem os comportamentos consistentes com suas decisões passadas, mesmo quando o ambiente muda. Os gestores tendem a preferir seguir as informações que estão alinhados com os seus comportamentos para criar consistência para suas atuais e futuras decisões. Se um membro do grupo ou partido reconhece inconsistência na tomada de decisão, isto pode alterar o papel de liderança do gestor. É mais confortável justificar os erros reduzindo a importância das consequências negativas do que assumir os erros. Essa justificativa pode ser apenas interna (pensada) ou externa (expressada verbalmente).[3]

Teoria da Identidade Social[editar | editar código-fonte]

A identidade é uma grande parte de como nós nos movemos através do mundo. Pensamentos e opiniões, bem como seu efeito sobre os outros, criam uma identidade social. As pessoas fazem conexões entre o seu grupos e a sua própria visão de si próprios, que as motivam a manter seu status social e defendê-lo quando está ameaçado.[5]

Exemplos[editar | editar código-fonte]

É uma das teorias que ajudam a explicar[6]:

  • Empresas que seguem investindo em uma área que causa perdas por vários meses/anos seguidos.
  • Governos que seguem investindo em programas sem sucesso, apesar das evidências de fracasso.
  • Consumidor que gasta mais reformando/reparando um produto, do que gastaria comprando um novo.
  • Investidor que aumenta o investimento em uma ação que causa cada vez mais perdas.
  • Jogador que aposta mais em um jogo que está perdendo.
  • Viciado que persiste no vício, apesar dos sintomas cada vez piores.

Referências

  1. Staw, Barry M. (1997). «The escalation of commitment: An update and appraisal». In: Shapira. Organizational Decision Making. [S.l.: s.n.] 
  2. «Knee-deep in the big muddy: a study of escalating commitment to a chosen course of action». Organizational Behavior and Human Performance. 16. doi:10.1016/0030-5073(76)90005-2 
  3. a b «The Impact of Performance Attributions on Escalation of Commitment» (PDF). Journal of Organizational Culture, Communications and Conflict. 18 [ligação inativa] 
  4. Kessler (ed.). Escalation of Commitment. ISBN 9781412997829. doi:10.4135/9781452276090.n78 
  5. «The escalation of commitment in political decision-making groups: a social identity approach». European Journal of Social Psychology. 26. doi:10.1002/(SICI)1099-0992(199607)26:4<611::AID-EJSP781>3.0.CO;2-6 
  6. Brockner, Joel (1992). "The escalation of commitment to a failing course of action: toward theoretical progress" (PDF). Academy of Management Review. 17 (1): 39–61. doi:10.5465/AMR.1992.4279568. Archived (PDF)