Escola Livre de Teatro

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A Escola Livre de Teatro de Santo André (São Paulo), mais conhecida como ELT, foi criada em 1990 na primeira gestão do prefeito Celso Daniel na cidade. Hoje a ELT é uma referência na formação teatral internacionalmente reconhecida pelo seu método inovador e pioneiro de trabalho, embasado na pedagogia da autonomia, na gestão coletiva e no processo de criação colaborativo, questões estas que influenciaram diretamente no modo de trabalho dos grupos de teatro paulista, conhecido como “Teatro de Grupo”. A ELT serve de exemplo para várias outras escolas livres que se criaram no país a partir da sua experiência.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Concebida pela Profª Drª Maria Thais Lima Santos e pelo então Secretário de Cultura da cidade de Santo André, o ator Celso Frateschi, a ELT inaugurada em 1990 funcionou até o ano de 1994, quando foi fechada por uma nova gestão eleita no município. O projeto foi retomado em 1997 na volta do prefeito Celso Daniel a administração da cidade e até hoje as atividades são desenvolvidas no prédio criado especialmente para abrigá-la, com a reforma do Teatro Conchita de Moraes e com a construção dos anexos para abrigar as salas de aulas e outros espaços de criação.

Luis Alberto de Abreu, também um dos mentores do projeto original da Escola Livre de Teatro, cita em um artigo publicado nos Cadernos da ELT em junho/2004 como referência de seu trabalho na busca da horizontalidade de relações artísticas entre seus integrantes: “Para que esse processo se instalasse, no entanto, foi preciso rever conceitos ligados à arte teatral. Um deles é o subjetivismo exacerbado que comumente acompanha o trabalho artístico. Como conciliar a ausência de hierarquias, fixas e desnecessárias, com a distribuição de papéis horizontalizada (o ator é também dramaturgo, diretor, mas também operador de som...) Idéias, textos, soluções compartilhadas, examinadas, confrontadas e debatidas pressupõem capacidade de abrir mão de pequenas e grandes vaidades pessoais. Até o estabelecimento de um "acordo" entre os criadores. Como evitar que o senso comum seja o resultado da criação? O "acordo" estabelecido não é um acordo de cavalheiros. É um acordo tenso, precário, sujeito, muitas vezes, a constantes reavaliações durante o percurso. Confrontação (de idéias e material criativo) e acordo são pedras angulares no processo colaborativo".

Na apresentação do livro o Alfabeto Pegou Fogo - Ensino das Artes em Santo André, Celso Frateschi – Secretário de Educação, Cultura e Esportes e Altair José Moreira - Diretor do Departamento de Cultura, levantam a bandeira da necessidade de “criar ilhas de desordem” num país onde a cartilha que rege a cultura é o mercado, a centralização e a reprodução de modelos impostos pela indústria cultural. (p. 7)

Maria Thaís Lima Santos e Sérgio Ricardo de Carvalho organizaram o Alfabeto Pegou Fogo em três capítulos, correspondentes a três espaços de formação artística daquele momento na Cidade de Santo André: 1) Escola Municipal de Iniciação Artística – EMIA; 2) Casa do Olhar e 3) Escola Livre de Teatro – ELT.

Os Caminhos da Criação, Escola Livre de Teatro, 2000 foi publicado como catálogo comemorativo dos 10 anos da Escola Livre de Teatro. Nele, há a retomada de alguns enunciados do terceiro capítulo de Alfabeto Pegou Fogo, como o texto introdutório Sob o signo da liberdade (1990/1992) que traz como nota:

"Era um momento propício para pensar uma escola que tivesse a preocupação com a criação e desse ao cidadão um instrumento para fazer teatro. No entanto sua base deveria conjugar a formação e a prática. Com todo o cuidado, foi elaborada uma metodologia que concebesse a arte de representação como lugar de formação do indivíduo, em que a dimensão humana precedesse a dimensão profissional, uma escola provocativa de atitudes independentes. A proposta básica da Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), coordenada por Maria Thaís Lima dos Santos, objetivava a mobilidade de uma oficina cultural sem perder de vista a perspectiva funcional do aluno, cuidar do seu crescimento artístico e instrumentalizá-lo em termos de conhecimento teatral, sem amarrá-lo a obrigações curriculares pré-fixadas pelo ministério da Educação. Ser, enfim, um lugar de experimentação. A escola trabalhou com artistas-pesquisadores de reconhecida capacidade de trabalho interessados em compartilhar com os alunos. O espaço da ELT abrigou ferramenteiros, comerciários, cobradores de ônibus, jornalistas, sociólogos, artistas plásticos: todos tinham como convergência a vontade de fazer teatro. Na segunda etapa, a coordenação da escola com seus artistas-educadores definiram que era imprescindível a relação individual entre orientadores e alunos. A escola, após a sua trajetória de um ano, redefiniu a relação quem ensina/quem aprende estabelecendo que ambos são pesquisadores com uma característica comum: a procura de uma nova ética da criação, onde ser artista não significa perder a ‘antena do mundo’." (FARIA & SOUZA, 1993, p. 68-69.)

A defesa por uma autonomia também aparece na introdução do Projeto Piloto, ao lado da defesa da importância de um centro facilitador para que as pessoas interessadas possam estudar mais profundamente o ofício teatral. Destaca-se no projeto, um posicionamento do Estado enquanto facilitador e não apenas provedor de uma produção autônoma de bens culturais. Um segundo aspecto a se destacar do texto é o comprometimento social quando afirma que o artista não pode perder a antena do mundo. Essa frase dialoga com o início do Projeto Piloto, em que Maria Taís traz uma significativa epígrafe de Eugênio Barba “(...) sejam quais forem as motivações pessoais que te trouxeram ao teatro, agora que exerces a profissão, deves encontrar um sentido que vá além da tua pessoa, que te situe socialmente frente os demais. No corpo do projeto essa idéia é reiteranda na expressão caberá a cada experiência artística encontrar o elo social(...).

Um dos diferencias da escola é o encontro entres artistas atuantes nas artes cênicas, como orientadores(mestres) dentro do processo de aprendizagem e da criação coletiva das formações.

A Escola Livre de Teatro de Santo André formou boa parte dos artistas que movimentam hoje a cultura teatral da cidade e região. Mobilizou igualmente milhares de pessoas em torno de duas versões da Mostra Internacional de Teatro (que contou com a participação de Kazuo Ohno Dance Company - Japão, Fundação Pontedera Teatro – Itália, Odin Teatret – Dinamarca, entres outros), das Mostras de Teatro de Rua , Mostras do Teatro Contemporâneo, bem como suas tradicionais Mostras de Processos e das temporadas com espetáculos produzidos pelas formações de atores.

A ELT atende cerca de 230 alunos, divididos nos núcleos: Formação do Ator, Direção, Montagem Circense, Teatro de Rua, História do Teatro, Teatro Laboratório (Iniciação Teatral), Pedagogia Teatral, Estudo da Máscara e Interpretação.

Espetáculos de Formação[editar | editar código-fonte]

1991 – O Alienista – Direção: Cacá Carvalho (Formação 1 de 1990)

1992 – O Brando – Direção: Tiche Vianna

1992 – Travessias – Direção: Cacá Carvalho (Formação 2 de 1991)

1998/99 – Nossa Cidade – Direção: Francisco Medeiros (Formação 1 e 2)

2000 – O Último Carro – Direção: Georgette Fadel (Formação 2)

2002 – Odisséia (Formação 3)

2003 – Osvaldo Raspado no Asfalto – Direção: Antônio Rogério Toscano, Gustavo Kurlat, Cláudia Shapira, Georgette Fadel e Juliana Monteiro (Formação 4)

2004 – Do Chão Não Passa – Direção: Georgette Fadel, Gustavo Kurlat, Juliana Monteiro e Vadin Niktin (Formação 5)

2005 – Nô Caminho: 7 Passos á Dentro – Direção: Georgette Fadel (Formação 6)

2006 – Acunteceu o Acuntecido(A comédia do fim do mundo) – Direção: Edgar Castro (Formação 7)

2007 – Avaros: Um estudo barato sobre a mão de vaquice - Direção: Georgette Fadel (Formação 8)

2008 – Festa do Fim - Direção: Edgar Castro (Formação 9)

2009 – Nekrópolis - Direção: Gustavo Kurlat (Formação 10)

2010 - Popol Vuh: Primeiros Cantos da Escrita do Deus - Direção: Antônio Rogério Toscano (Formação 11)

2011 - Um Homem É Um Homem - Direção: Mariana Senne e Ana Roxo (Formação 12)

2012 - Catalão-Macaubal - Direção: Cris Lozano (Formação 13)

2012 - Salema Sussurros dos Afogados - Direção: Luciana Lyra (Formação 13)

2013 - Eu Büchner - Direção: Antônio Rogério Toscano (Formação 14)

2013 - De Tudo Aquilo que Eu Fiz Apenas para te Dizer Adeus - Direção: Luiz Fernando Marques (Formação 14)

2014 - A Ópera dos Mendigos - Direção: Alex Tenório e Luciana Lyra (Formação 15)

2014 - Guerra Silenciosa - De como a noite fechou-se dando bom dia para os defuntos - Direção: Cuca Bolaffi e Alexandre Dal Farra (Formação 15)

2015 - APORIA 23ºS 46ºO - Direção: Vinicius Torres Machado, Direção musical: Gregory Slivar (Formação 16)

2015 - Esparro - Direção: Patricia Gifford (Formação 16)

2016 - Petricor: O Aroma da Chuva Quando Cai na Terra Seca - Direção: Cris Lozano (Formação 17)

Outros Espetáculos[editar | editar código-fonte]

1992 – Paranapiacaba, de onde se avista o mar – Direção: Cristiane Paoli-Quito (Núcleo de Dramaturgia)

2000 – As Aves – Direção: Rodrigo Matheus (Núcleo de Técnicas Circenses)

2001 - Leo Não Pode Mudar o Mundo - Direção: Rogério Toscano (Formação 4)

2002 - Catalão-Macaubal - Texto: Antônio Rogério Toscano. Direção: Renata Zaneta (Formação 6)

2004 - A Saga do Menino Falcão - Direção: Cláudia Schapira (Núcleo de Teatro de Rua)

2004 - Crime e Castigo - Direção: Antônio Araujo (Núcleo de Direção e Dramaturgia)

2005 - El Circo - Direção: Marcelo Milan, Renata Zhaneta e Luis Alberto de Abreu (Núcleo de Montagem Circense)

2006 - El Circo Gitano - Direção: Marcelo Milan (Núcleo de Montagem Circense)

2006 - Amor Montado no Tempo - Direção: Ana Roxo (Núcleo de Pesquisa e Montagem em Teatro de Rua)

2007 - A Paixão do Circo - Direção: Marcelo Milan (Núcleo de Montagem Circense)

2007 - Marragoni - (quase) ópera (brasileira de rua) - Direção: Ana Roxo / Direção Musical: Cristiano Gouveia (Núcleo de Pesquisa e Montagem em Teatro de Rua)

2009 - Crônica de uma Morte Anunciada - Direção Luis Mármora (Formação 13)

2009 - WoyZéck - Direção: Antônio Rogério Toscano (Formação 11)

2010 - Aquele Que Diz - Direção: Antônio Rogério Toscano (Formação 13)

2010 - Baal (hibernação na lama preta para nossos corpos brancos) - Direção Antônio Rogério Toscano (Formação 13)

2011 - Londres Ri de Nós (ou A Vida de Eduardo II da Inglaterra) - Direção: Antônio Rogério Toscano e Juliana Monteiro (Formação 13)

2011 - Ensaio NORA - Direção: Pedro Mantovani, Cuca Bolaffi, Thiago Antunes e Cristiano Gouveia (Formação 14)

2011 - O Mais Simples Seria Não Começar - Direção Vinícius Torres Machado (Formação 12)

2011 - Clara em neve - Direção e dramaturgia: Daniel Viana (Núcleo de Direção)

2012 - O Beijo no Asfalto - Direção: Juliana Monteiro, Mariana Senne, Thiago Antunes e Pedro Mantovani (Formação 15)

2014 - A Gaivota, experimento cênico - Orientação: Cris Lozano (Formação 16)

Coordenadores da ELT[editar | editar código-fonte]

  • Maria Thais Lima Santos (1990/92)
  • Augusto Maciel (1993/94)
  • Tiche Vianna (1997)
  • Lucienne Guedes (1998/99)
  • Kil Abreu (1999/2003)
  • Antônio Rogério Toscano (2003/2005)
  • Kil Abreu (2006/08)
  • Edgar Castro (2008/09)
  • Juliana Monteiro (2009/11)
  • Antônio Rogério Toscano (2011/2012)
  • Thiago Antunes e Pedro Mantovani (2013/2014)
  • Luiz Fernando Marques "Lubi" (2014)
  • Cris Lozano (2014/2015)
  • Solange Dias (2016/...)

Corpo de Mestres que atuam e já atuaram na ELT[editar | editar código-fonte]

Adriana Valverde

Alessandro Toller

Alex Tenório

Alexandre Matte

Alexandre Roitburd

Ana Roxo

Antonio Araújo

Antônio Rogério Toscano

Antônio Salvador

Cacá Carvalho

Cibele Forjaz

Ciça Carvalho

Clarissa Malheiros

Claudia Shapira

Cris Rocha

Cristiane Paoli-Quito

Cristiano Gouveia

Cristiano Meirelles

Cristina Lozano

Cuca Bolaffi

Denise Weinberg

Dinho Osvaldo Hortencio

Edgar Castro

Ednaldo Freire

Fabricio Zavanella

Felipe Matsumoto

Francisco Medeiros

Georgette Fadel

Gustavo Kurlat

Gustavo Trestini

Gregory Slivar

Helô Cardoso

Hugo Possolo

J.C. Serroni

Jean Pierre Kaletrianos

João Victor Toledo

Juliana Monteiro

Julio Maluf

Kil Abreu

Laura Brauer

Ligia Veiga

Lubi Marques

Lucia Gayotto

Lucia Serpa

Luciana Lyra

Lucienne Guedes

Luis Alberto de Abreu

Luis Damasceno

Luis Fernando Marques "Lubi"

Luis Mármora

Marcelo Milan

Marcio Tadeu

Marco Vettore

Maria Lucia Pupo

Maria Luisa Pessin

Maria Tendlau

Maria Thais Lima Santos

Mariana Senne

Newton Moreno

Patricia Gifford

Paulo Barbuto

Pedro Mantovani

Renata Zhaneta

Roberto Alvin

Rodrigo Matheus

Rodrigo Mercadante

Sergio de Carvalho

Sergio Soller

Tata Fernandes

Telumi Hellen

Thiago Antunes

Tiche Vianna

Vadim Niktin

Venônica Nóbili

Vinícius Torres Machado

Referências[editar | editar código-fonte]

SANTO ANDRÉ (SP) Secretaria da Cultura, Esporte e Lazer. Os caminhos da criação: Escola Livre de Teatro, 10 anos. Prefeitura de Santo André, Secretaria da Cultura, Esporte e Lazer – Santo André: Departamento de Cultura, 2000. 147p.

SANTO ANDRÉ (SP) Secretaria da Cultura, Esporte e Lazer. O alfabeto pegou fogo. Ensino das artes em Santo André. 1992 (mimeo) 103 p.

FARIA, H & SOUZA, V. (orgs.) Experiências de Gestão Cultural Democrática. São Paulo, PÓLIS, 1993, 120 p.

http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/subindex.cfm?paramend=1&IDCategoria=3831

http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/09.php

http://www.usp.br/tusp/projetos_mostra_experimentos.html

http://proxy.furb.br/ojs/index.php/oteatrotranscende/article/viewFile/1183/851

http://www.dgabc.com.br/News/5818115/questao-de-formacao.aspx

http://www.anpuhsp.org.br/downloads/CD%20XIX/PDF/Autores%20e%20Artigos/Vilma%20Campos%20dos%20Santos%20Leite.pdf

http://www.pucsp.br/neamp/artigos/artigo_10.htm

http://www.abralic.org.br/cong2008/AnaisOnline/simposios/pdf/029/VILMA_LEITE.pdf

http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?Edicao_Id=206&Artigo_ID=3198&IDCategoria=3453&reftype=2

http://www.paracatuzum.com.br/2009/09/escola-livre-de-teatro-e-outras-abordagens/

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

http://www.facebook.com/escola.livre.teatro.sa

http://escolalivredeteatro.blogspot.com/

http://www.santoandre.sp.gov.br/secretaria/bn_conteudo.asp?cod=1799&categ=sec_cultura

https://portallivredeteatro.com/