Escotismo em Portugal

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Em Portugal, o escotismo/escutismo surge via Hong Kong e Macau em 1911 pela mão de Álvaro de Melo Machado. Em janeiro de 2008 chegava a 73181 membros[1]

Promessa Escoteira portuguesa[editar | editar código-fonte]

Compromisso de Honra de Escoteiro (Associação dos Escoteiros de Portugal)
Prometo por minha Honra fazer o meu melhor por: Cumprir os meus deveres para com a minha Fé (ou outra alusão da natureza religiosa, podendo ser omitido) e a Pátria; Auxiliar o Próximo em todas as circunstâncias; Viver segundo a Lei do Escoteiro.
Flor de Lis com o escudo da quinas: Símbolo dos Escoteiros de Portugal (AEP).
Promessa de Lobito (Associação dos Escoteiros de Portugal)
Prometo fazer o Melhor Possível por: Amar a Deus (ou outra alusão da natureza religiosa, podendo ser omitido) e a minha família; Praticar diariamente uma Boa Acção; Cumprir a Lei da Alcateia.
Promessa de Lobito (Corpo Nacional de Escutas)
Prometo da melhor vontade: ser amigo de Jesus amando os outros, respeitar a Lei da Alcateia, praticar diariamente uma boa acção.
Flor de Lis com a Cruz de Cristo: Símbolo dos Escutas (CNE).
Promessa de Escuteiro (Corpo Nacional de Escutas)
Prometo pela minha honra e com a graça de Deus fazer todos os possíveis por: Cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria, auxiliar o meu semelhante em todas as circunstancias, e obedecer à Lei do Escuta.
Promessa de Escuteiro (Associação das Guias e Escuteiros da Europa)
Por minha honra e com a graça de Deus, comprometo-me a servir com todas as minhas forças: Deus, a Igreja, a Pátria e a Europa, a ajudar o próximo em todas as circunstâncias e observar a Lei do Escuteiro.

Lei Escoteira portuguesa[editar | editar código-fonte]

Lei do Escoteiro (Associação dos Escoteiros de Portugal)
  1. O Escoteiro é verdadeiro e a sua palavra é sagrada.
  2. O Escoteiro é leal.
  3. O Escoteiro é prestável.
  4. O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros.
  5. O Escoteiro é cortês.
  6. O Escoteiro é respeitador e protector da natureza.
  7. O Escoteiro é responsável e disciplinado.
  8. O Escoteiro é alegre e sorri perante as dificuldades.
  9. O Escoteiro é económico, sóbrio e respeitador dos bens dos outros.
  10. O Escoteiro é íntegro nos pensamentos, palavras e acções.
Lei da Alcateia (Associação dos Escoteiros de Portugal)
  1. O Lobito escuta o Velho Lobo.
  2. O Lobito não se escuta a si próprio.
Máximas da Selva (Associação dos Escoteiros de Portugal)
  1. O Lobito pensa em primeiro lugar no Próximo.
  2. O Lobito abre os olhos e apura os ouvidos.
  3. O Lobito é asseado.
  4. O Lobito diz sempre a Verdade.
  5. O Lobito é alegre.
Lei do Escuta (Corpo Nacional de Escutas)
  1. A honra do Escuta inspira confiança.
  2. O Escuta é leal.
  3. O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa acção.
  4. O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros escutas.
  5. O Escuta é delicado e respeitador.
  6. O Escuta protege as plantas e os animais.
  7. O Escuta é obediente.
  8. O Escuta tem sempre boa disposição de espírito.
  9. O Escuta é sóbrio, económico e respeitador do bem alheio.
  10. O Escuta é puro nos pensamentos, nas palavras e nas acções.
Lei do Escuteiro (Associação das Guias e Escuteiros da Europa)
  1. O Escuteiro empenha a sua honra para merecer confiança.
  2. O Escuteiro é leal à sua Pátria, Pais, Chefes e Subordinados.
  3. O Escuteiro é feito para servir e salvar o próximo.
  4. O Escuteiro é amigo de todos e irmão de todos os outros Escuteiros.
  5. O Escuteiro é cortez e cavalheiresco.
  6. O Escuteiro vê na Natureza a obra de Deus, respeita as plantas e os animais.
  7. O Escuteiro obedece sem réplica e nao deixa nada a meio.
  8. O Escuteiro é dono de si, sorri e canta nas dificuldades.
  9. O Escuteiro é económico e respeito os bens dos outros.
  10. O Escuteiro é puro nos pensamentos, palavras e acções.

História[editar | editar código-fonte]

Álvaro de Melo Machado, Fundador do Escotismo Português

Em Portugal, o escotismo surge via Hong Kong e Macau em 1911, com um grupo de boy-scouts fundado pelo então Tenente Álvaro de Melo Machado, com o 1º Grupo em território continental Português na Associação Cristã da Mocidade e 2º Grupo na Lapa, hoje na Ajuda, a aparecerem em 2014, ambos ainda em atividade, sendo com o 3º Grupo constituída a Associação dos Escoteiros de Portugal - Escotismo para Todos, em 1913 chefiada pelo pelo então Tenente Álvaro de Melo Machado. Em 1923 foi fundado o Corpo Nacional de Escutas — Escutismo Católico Português. Porque o Estado Novo não apoiava a Associação dos Escoteiros de Portugal, foi através do Corpo Nacional de Escutas que o Movimento chega às então províncias ultramarinas portuguesas: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. As ocupações militares e situações de guerra civil que dominaram estes países nos cerca de 20 anos após as respetivas independências foram responsáveis pelo quase desaparecimento do Escutismo nesses países, tendo, no entanto, ressuscitado e estando hoje em franco desenvolvimento, ajudado pelas associações congéneres portuguesas e brasileiras.

Os regimes totalitários nunca se deram bem com o Escutismo, que apregoa a responsabilidade individual, a democracia e a paz. O Escutismo foi suprimido em todas as ditaduras comunistas, bem como na maior parte das ditaduras de outro cariz, como por exemplo, na Espanha falangista, na Alemanha nazi, na Itália fascista, etc.

Em Portugal, o Movimento Escutista chegou a ser suprimido pela ditadura de António de Oliveira Salazar, mas a pronta intervenção do Arcebispo de Braga Dom Manuel Vieira de Matos, fundador do Corpo Nacional de Escutas, permitiu que se voltasse atrás nesta decisão, o que salvou tanto o Corpo Nacional de Escutas como a AEP de sofrerem o mesmo destino das suas congéneres espanholas. O Escotismo em Portugal, embora com limitações e a concorrência da associação juvenil estatal, continuou a cumprir a sua missão educativa.

Divisões[editar | editar código-fonte]

Para melhorar o aprendizado do escoteiro divide-se em seções:

Associação de Escoteiros de Portugal
  • Alcateia: 06 aos 10 anos. São chamados de Lobitos, divididos em Bandos (grupos de quatro a seis Lobitos). Trabalha-se usando como imaginário a história do Livro da Selva (Mogli, o menino lobo) para ajudar a transmitir os valores e conceitos;
  • Tribo de Escoteiros: 10 aos 13 a 14 anos. São os Escoteiros (segundo a nova denominação), divididos em patrulhas de seis a oito jovens. Cada patrulha tem um animal como totem, respondendo pelo nome do mesmo. A mística da Tribo é baseada principalmente nas tribos africanas. O período por que estes jovens passam é crucial no desenvolvimento do carácter pessoal de cada um, tentando-se assim dar uma formação complementar no que toca à independência do indivíduo, mas nunca descuidando a importância da comunicação e cooperação com as restantes pessoas no seu meio. Trabalha-se a aventura, através da vida ao ar livre;
  • Tribo de Exploradores: 14 aos 17 anos. São os Exploradores (segundo a nova denominação), divididos em patrulhas de seis a oito elementos. A mística é baseada nos povos exploradores. Foca-se no autoconhecimento, na aceitação e aprimoramento das características pessoais, no aperfeiçoamento das capacidades sociais e também num desenvolvimento físico saudável. Trabalha-se com o desafio aos limites, tanto físico, quanto intelectual, social e espiritual;
  • Clã: 16 1/2 aos 21 anos. São os Caminheiros, que se organizam em equipas temporárias com mínimo de dois elementos. Têm como objetivo realizar empreendimentos que vão ao encontro das suas necessidades e interesses pessoais. As equipas formam-se em cada Trimestre, agregando os caminheiros que escolheram um determinado projeto (empreendimento). As equipas adotam uma designação relacionada com o empreendimento.
Corpo Nacional de Escutas
  • Alcatéia: sete aos dez anos. São chamados de Lobitos, divididos em Bandos (grupos de quatro a seis Lobitos). Tem como patrono São Francisco de Assis;
  • Expedição (Corpo Nacional de Escutas) ou Flotilha (Corpo Nacional de Escutas — Marítimos): dez aos 14 anos. São os Exploradores ou Moços, divididos em Patrulhas ou Tripulações de seis a oito jovens. Trabalha-se a aventura, através da vida ao ar livre. Tem como patrono São Tiago;
  • Comunidade (Corpo Nacional de Escutas) ou Frota (Corpo Nacional de Escutas — Marítimos): 14 a 15 aos 17 a 18 anos. São os Pioneiros ou Marinheiros, divididos em patrulhas ou equipagens (patrulhas ou equipagens de seis a oito). Trabalha-se com o desafio aos limites, tanto físicos, quanto intelectuais, sociais e espirituais. No Corpo Nacional de Escutas, tem como patrono São Pedro;
  • Clã (Corpo Nacional de Escutas) ou Comunidade (Corpo Nacional de Escutas — Marítimos): 18 aos 22 anos. São os Caminheiros ou Companheiros, que se organizam em equipas ou companhias de quatro a oito elementos. Tem como objetivo trabalhar o serviço ao próximo, como forma de melhorar a sociedade em que vivemos. No Corpo Nacional de Escutas, tem como patrono São Paulo.
Associação das Guias e Escuteiros da Europa - Portugal

Todos os Ramos (Amarelo, Verde e Vermelho) estão divididos por sectores: Guidista (Feminino) e Escutista (Masculino).

  • Ramo Amarelo: Clareira ou Alcatéia: dos 8 aos 12 anos. São chamados de Lobitas(os), divididos em Bandos (Branco, Cinzento, Negro e Castanho), que são compostos por seis elementos. Todos os ensinamentos giram à volta da história de Mogli, criada por Rudyard Kipling, em O Livro da Selva.
  • Ramo Verde: Companhia ou Tribo: dos 12 aos 17 anos. As Guias e os Escuteiros estão divididos em Patrulhas, cada uma com 5 a 8 elementos. Cada Patrulha tem o seu totem e grito, chefe de patrulha e santo patrono. As Guias e Escuteiros regem-se pela sua Lei e Princípios da Federação do Escutismo Europeu, assim como pelo Escutismo Para Rapazes de Sir Robert Baden-Powell.
  • Ramo Vermelho: Fogo ou Clã: a partir dos 17 anos. As Guias-Mais-Velhas e os Caminheiros estão divididos em Fogos ou Clãs, que se agrupam a nível das províncias. Vivem uma vida de serviço escutista, laica e religiosa.

Conjuntura[editar | editar código-fonte]

O escotismo português foi fundado pelo Almirante Álvaro de Melo Machado (então tenente) ao criar o primeiro grupo de escoteiros portugueses em Macau em 1911 e mais tarde ao fundar a Associação dos Escoteiros de Portugal, fundadora da Organização Mundial do Movimento Escoteiro conjuntamente com as suas congéneres de outros países e sob a coordenação de Sir Robert Baden-Powell.

Em Portugal, o Corpo Nacional de Escutas e a Associação dos Escoteiros de Portugal agrupam-se na Federação Escutista de Portugal ou Federação Escotista de Portugal, que é a estrutura reconhecida pela Organização Mundial do Movimento Escoteiro. Existe uma enorme diferença de tamanho (o Corpo Nacional de Escutas, com 75 mil jovens, é 10 vezes maior que a Associação dos Escoteiros) e de implantação. O relacionamento entre as duas associações é cordial.

Ambas as associações estão divididas em regiões, não coincidentes. As regiões do Corpo Nacional baseiam-se nas dioceses católicas e as da Associação dos Escoteiros são definidas em função das necessidades. No Corpo Nacional, as regiões maiores (Braga, Porto, Coimbra, Lisboa) estão divididas em Núcleos. Na Associação dos Escoteiros de Portugal - Escotismo para Todos, os núcleos podem ser constituídos em qualquer região.

Todos os adultos que trabalham com jovens são voluntários. Em Portugal, a frequência de cursos é obrigatória antes do adulto ser dirigente. Muito mais do que apenas fornecer atividades, o objetivo dos dirigentes é acompanhar os jovens no seu crescimento, permitindo a estes realizarem as atividades de que gostam, e aprendendo e desenvolvendo-se no processo.

A Associação das Guias e Escuteiros da Europa não é reconhecida pela Organização Mundial do Movimento Escoteiro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]