Escrita

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Escrita
Balczynska-kamizelka 1akap.jpg
Tipo
Características
Composto de
Scribal abbreviation (en), letra capitular, Tironian notes (en)Visualizar e editar dados no Wikidata
Utilização
Usuário(a)s
Ser humano, ductus (en)Visualizar e editar dados no Wikidata
Uso
ComunicaçãoVisualizar e editar dados no Wikidata

A escrita consiste na utilização de sinais (símbolos) para exprimir as ideias humanas.[1] A grafia é uma tecnologia de comunicação, historicamente criada e desenvolvida na sociedade humana, e basicamente consiste em registrar marcas em um suporte. O(s) instrumento(s) usados para se escrever e os suportes em que ela é registrada podem, em princípio, ser infinitos. Embora, tradicionalmente, conceba-se que a escrita tem durabilidade enquanto a fala seria mais "volátil", os instrumentos, suportes, formas de circulação, bem como a função comunicativa do texto escrito, são determinantes para sua durabilidade ou não.

Como meio de representação, a escrita é uma codificação sistemática de sinais gráficos que permite registrar com grande precisão a linguagem falada por meio de sinais visuais regularmente dispostos; óbvia exceção a esta regra é a bastante moderna escrita Braille, cujos sinais são táteis. A escrita se diferencia dos pictogramas em que estes não só têm uma estrutura sequencial linear evidente. Existem dois principais tipos de escrita, a baseada em ideogramas, que representa conceitos, e a baseada em grafemas, que representam a percepção de sons ou grupos de sons; um tipo de escrita baseada em grafemas é a alfabética.[2]

As escritas hieroglíficas são as mais antigas das escritas propriamente ditas (por exemplo; a escrita cuneiforme foi primeiramente hieroglífica até que certos hieróglifos obtiveram um valor fonético) e se observam como uma transição entre os pictogramas e os ideogramas.[3] Nos tempos modernos a escrita hieroglífica tem sido deixada de lado, existindo então atualmente dois conjuntos de escritas principais: as baseadas em grafemas (isto é, escritas cujos sinais representam a percepção de sons) e escritas ideogrâmicas (isto é, escritas cujos sinais representam conceitos, "ideias").[4] Do primeiro conjunto, o das escritas grafêmicas destacam, segundo a extensão atual de seu uso, as escritas românicas (baseadas no alfabeto latino), arábicas (baseadas no alfabeto arábico), cirílicas, hebraicas (baseadas no alfabeto hebraico), helênicas (baseadas no alfabeto grego), hindus (geralmente baseadas no devanagari) e em menor medida as escritas alfabéticas armênias, etiópicas (abugidas baseadas no ghez), coreanas, georgianas, birmaneses, coptas etc. As escrituras glagolíticas e gótica têm caído em desuso.[5]

Na maioria das vezes, a intenção da escrita é a produção de textos que serão alvos da atividade de leitura.

Definição

Ilustração de um escriba

A escrita é um sistema simbólico de registro e comunicação que significou coisas diferentes para os diferentes povos ao longo do tempo, e tem sido definida de variadas maneiras pela crítica contemporânea. Uma das definições possíveis é como um sistema de símbolos gráficos usado para transmitir o pensamento humano. Outra corrente a entende como a representação gráfica da fala e como a fixação da linguagem falada, de maneira permanente ou semi-permanente, e também pode ser vista como um sistema de símbolos padronizados para a reprodução da fala, do pensamento ou de outras mensagens de forma completa ou parcial.[6]

A escrita pode ser completa ou incompleta. Escritas incompletas transmitem alguma mensagem, mas podem não constituir um paralelo muito consistente da fala, podem reproduzir apenas algumas palavras especiais (como nomes de reis e deuses), ou podem não formar um sistema preciso e padronizado, como é o caso das escritas pictográficas, ou dos sistemas de sinais que são apenas auxílios para a memória, como as marcações para assinalar o calendário ou para indexar contabilidade ou genealogias. Para ser completa uma escrita deve atender a três requisitos básicos: deve almejar a comunicação; deve ser composta de sinais gravados em uma superfície, e estes sinais devem ser um conjunto de elementos em número limitado, que, através de convenções específicas, se relacione com e reproduza a fala humana.[7]

Origens e evolução

Sistemas incompletos foram usados pela humanidade desde milhares de anos, que juntos criaram um vasto repertório de sinais, marcas e símbolos portadores de significado. Por muito tempo predominaram sinais pictográficos ou ideogramas, cuja interpretação estava ligada a algum referencial externo. Por exemplo, o desenho de uma maçã a representaria, e um desenho de duas pernas poderia representar tanto o conceito de andar como de ficar em pé. Ao mesmo tempo, estava implícita uma relação fonética entre o símbolo e a fala. Algumas sociedades antigas conseguiram criar sistemas incompletos muito versáteis, capazes de veicular mensagens complexas através de combinações de sinais, mas que ainda careciam de autonomia em relação aos referenciais externos e de capacidade para expressar todos os pensamentos, especialmente os abstratos. Na evolução desses sistemas, muitas vezes ocorreu uma grande simplificação dos sinais, que foram perdendo uma associação imediata com a realidade concreta, tornando-se puramente simbólicos, embora preservassem suas associações fonéticas antigas. Por exemplo, a letra M em português vem de um hieróglifo egípcio que retratava ondas na água e representava o mesmo som /m/. A palavra egípcia para água contém uma única consoante: /m/. Aquela figura, portanto, veio representar não somente a ideia de água, mas também o som /m/.[8]

Vários são os factores que explicam o nascimento da escrita:

  • a necessidade de contabilizar os produtos comercializados, os impostos arrecadados e os funcionários do Estado;
  • o levantamento da estrutura das obras, que exigira a criação de um sistema de sinais numéricos, para a realização dos cálculos geométricos.

A escrita se desenvolveu de forma independente em várias regiões do planeta, incluindo a Mesopotâmia, a China, Egito e América Central. Os sistemas de escrita evoluíram de forma autônoma e não sofreram influências mútuas, ao menos em seus primórdios.[9]

Possivelmente as escritas mais antigas são a escrita cuneiforme e os hieróglifos. Ambos os sistemas foram criados há cerca de 5500 anos, entre sumérios e egípcios. Os hieróglifos originaram-se no Antigo Egito e a escrita cuneiforme na Mesopotâmia, (atual Iraque).[carece de fontes?]

O registro mais antigo até agora encontrado data do século XIV a.C e está escrito em símbolos cuneiformes da língua acadiana. O pedaço de barro escrito foi achado em Jerusalém por arqueólogos israelenses.[10] Na China, foram encontrados 11 caracteres gravados em casco de tartaruga. Um destes caracteres se assemelha à escrita primitiva da palavra "olho" da Dinastia Shang. Se os pesquisadores comprovarem que estes sinais podem ser considerados uma forma de escrita, esta passaria a ser considerada a mais antiga do mundo, com cerca de 8600 anos.[11]

Um passo importante para a criação de sistemas completos foi o desenvolvimento do chamado princípio rebus, favorecido pelo caráter monossilábico de algumas línguas antigas. Nestas línguas foi possível associar determinado sinal com uma sílaba (som) específica. A partir da justaposição desses elementos, podia-se articular frases e formar significados que não podiam ser transmitidos por elementos isolados. O resultado direto dessa evolução foi o foneticismo sistêmico, ou seja, quando o valor fonético ou sonoro dos sinais ganhou independência dos referenciais externos. Com isso surgiu a escrita completa. Provavelmente isso ocorreu pela primeira vez na sociedade suméria, em torno de 3.700 a.C.[12]

Em geral, ao longo da história e, principalmente nos seus primórdios, a escrita e a sua interpretação ficavam restritas às camadas sociais dominantes: aos sacerdotes e à nobreza, embora a escrita fenícia, tivesse fins essencialmente comerciais. A alfabetização somente se difundiu lentamente entre camadas mais significativas das populações após a Idade Média.

Mesopotâmia

O sistema de escrita original dos mesopotâmicos era derivado do seu método de contabilidade. Por volta do fim do quarto milênio a.C.,[13] isso envolvia usar um instrumento pontiagudo de forma triangular, pressionado em argila mole para gravar números. Este processo foi evoluindo para uma escrita pictográfica, usando instrumentos pontiagudos e afiados para indicar o que estava sendo contado. As escritas com instrumento pontiagudo foram gradualmente substituídas pela escrita usando um instrumento em forma de cunha, (de onde veio o termo cuneiforme), inicialmente apenas para logogramas, mas evoluindo para incluir elementos fonéticos por volta do século XIX a.C. Em torno do século XVI a.C., a escrita cuneiforme começou a representar silabários de fala suméria. Também neste período, a escrita cuneiforme tornou-se de uso geral para logogramas, silabários e números, e esta escrita foi adaptada para outra língua mesopotâmica, a acádia e dali para outras tais como a hurrita e hitita. Escritas similares em aparência incluem aquelas usadas na ugarítica e persa antiga.[carece de fontes?]

Antigo Egito

Ver artigo principal: Escrita no Antigo Egito

Os antigos egípcios viveram ao longo do rio Nilo cerca de 5000 anos atrás. Ao contrário da maioria das civilizações antigas, desenvolveram um sistema de escrita precoce, chamado de hieróglifos. Os hieróglifos eram pinturas que representavam objetos, sons ou ideias. Muitas pinturas podem ter mais de um significado. Hieróglifos também podem soletrar uma palavra usando uma imagem para o som de cada sílaba. Existem mais de 700 imagens hieroglíficas diferentes na escrita egípcia antiga. Como demonstrado na Paleta de Narmer, a escrita tem sido usada quase desde o início da unificação, que ocorreu por volta de 3000 a.C..[14][15]

China

Nos historiadores chineses encontrou-se muito sobre documentos deixados para trás referentes às suas antigas dinastias. Da dinastia Shang, a maioria dos escritos sobreviveu em ossos ou artefatos de bronze. Marcações em cascos de tartarugas (usados como ossos de oráculos têm idade estimada (com base no carbono) por volta de 1500 a.C. Historiadores descobriram que o tipo de material usado teve um efeito no qual a escrita era documentada e como ela era usada.[16]

Tipos de escrita

Escrever com o intento de se comunicar tem sido observado em espécies que não são do gênero humano. Pesquisas com bonobos Kanzi (um tipo de chipanzé pigmeu do Zaire) e Pnbanisha nos Estados Unidos proporcionaram tais exemplos, apesar de raros. Tal escrita poderia ser comparada ao desenho. A origem da escrita bonobo, todavia, parece ser análoga àquela da escrita humana.

No entanto, tal como entendemos, a escrita é uma tecnologia humana. Existem várias formas de escrita, mas pode-se dizer, de forma simplificada, que todas se enquadram na categoria de escritas fonéticas, como o nosso alfabeto, o qual busca uma aproximação entre um signo e um som, escritas ideográficas, que representam coisas ou ideias, como a chinesa, ou, ainda, escritas que sintetizam estes dois aspectos, como a japonesa,[17] embora possamos categorizar os sistemas de escrita de forma mais detalhada ou complexa (ver lista de sistemas de escrita).

Importância da escrita

Geralmente a linha divisória entre a pré-história e a história é atribuída ao tempo em que surgiram os registros escritos.[18] A importância da escrita para a história e para a conservação de registros vem do fato de que estes permitem o armazenamento e a propagação de informações não só entre indivíduos (privilégio também da linguagem), mas também por gerações.[19]

Ver também

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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Referências

  1. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Acesso em 09/01/2011.
  2. «CONHECIMENTO LINGÜÍSTICO E APROPRIAÇÃO DO SISTEMA DE ESCRIT» (pdf). pucminas.br. Consultado em 17 de fevereiro de 2012 
  3. «Ilustração do Aparecimento dos Idiomas - a partir do alfabeto Fenício» (html). kfs10.com.br. Consultado em 17 de fevereiro de 2012 
  4. «Tradução, adaptação e validação». Teste de análise de leitura e escrita – tale. monografias.com. Consultado em 18 de fevereiro de 2012 
  5. Baptista, Martha. «A arte da caligrafia». diariodecuiaba.com.br. Consultado em 18 de fevereiro de 2012 
  6. Fischer, Steven Roger. História da Escrita. Editora da UNESP, 2000, pp. 13-14
  7. Fischer, pp. 14-15
  8. Fischer, pp. 27-29
  9. «O Abecê da escrita» (htm). fiocruz.br. Consultado em 20 de fevereiro de 2012 
  10. BBC Brasil (14 de julho de 2010). «Encontrado em Jerusalém o documento escrito mais velho da História». Consultado em 19 de julho de 2010 
  11. Almeida, Maria Fernanda "Escrita chinesa pode ser a mais antiga do mundo" no site "Aventuras na História" da Editorial Abril
  12. Fischer, pp. 30-31
  13. The Origin and Development of the Cuneiform System of Writing, Samuel Noah Kramer, Thirty Nine Firsts In Recorded History pp 381-383
  14. Fine, Jil. Writing in Ancient Egypt. Nova Iorque, NI: The Rosen Publishing Group, 2003. pp. 4-6. ISBN 0-8239-6506-6
  15. Flux, Paul. Ancient Egypt. Oxford: Heinemann, 2001. p. 14. ISBN 0-435-33854-4
  16. «Origem da escrita chinesa e sua evolução» (htm). cri.cn. Consultado em 20 de fevereiro de 2012 
  17. "A escrita" no site "Museu Virtual da Imprensa"
  18. «Divisões/Períodos da história». sohistoria.com.br. Consultado em 20 de fevereiro de 2012 
  19. «Surgimento e importância dessa linguagem» (jhtml). uol.com.br. Consultado em 20 de fevereiro de 2012 
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